quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Marco Aurelio Mello vota pelo arquivamento de inquérito sobre cartel do Metrô de SP

Política

São Paulo

Marco Aurelio Mello vota pelo arquivamento de inquérito sobre cartel do Metrô de SP

O ministro do STF votou pelo arquivamento do esquema de formação de cartel em licitações do sistema de trens e metrô de São Paulo
por Agência Brasil publicado 24/09/2014 09:48, última modificação 24/09/2014 09:48
PSDB na Câmara
José Anibal
O deputado federal pelo PSDB José Anibal
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira 23 a favor do arquivamento do inquérito que apura suposto esquema de formação de cartel em licitações do sistema de trens e metrô de São Paulo. No processo, os deputados federais José Anibal (PSDB-SP) e Rodrigo Garcia (DEM-SP) respondem na Corte por terem foro privilegiado. Após o voto do relator, o entendimento foi seguido pelo ministro Dias Toffoli, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Luís Roberto Barroso.
Marco Aurélio entendeu que a testemunha que fez o acordo de delação premiada com a Justiça não apresentou provas concretas sobre a participação deles no suposto esquema. De acordo com os advogados dos deputados, a testemunha citou os nomes dos parlamentares somente seis anos após o início da investigação. Não há data para a retomada do julgamento.
Com base na falta de indícios, o Supremo já arquivou inquéritos contra o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e contra os deputados federais Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Edson Aparecido (PSDB-SP).
No inquérito, são apurados crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As investigações indicam que as empresas que concorriam nas licitações do transporte público paulista combinavam preços, formando cartel para, com anuência de agentes públicos, elevar os valores cobrados.
A parte do processo que envolve investigados ligados à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) está sob responsabilidade da Justiça Federal de São Paulo. São citados João Roberto Zaniboni, Ademir Venâncio de Araújo e Oliver Hossepian Salles de Lima. Duas pessoas ligadas a Zaniboni e mais Arthur Gomes Teixeira também tiveram os nomes incluídos no inquérito.
A combinação de preços entre as empresas que participaram de licitações para obras, fornecimento de carros e manutenção de trens e do metrô também é alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual.
*Publicado originalmente na Agência Brasil

Cabe à oposição fazer oposição e essa oposição que está aí vai fazer oposição por anos a fio, no mínimo por mais 16 anos.


Dilma presidenta reeleita.


P.S. Os parlamentares do PT nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras Estaduais e Distrital têm que trabalhar mais em favor da presidenta Dilma Rousseff. As omissões, mentiras e tergiversações da mídia devem se seguir respostas à altura em defesa da presidenta. Demonstrar o que está sendo feito em prol do país em todos os setores e devem visitar obras, escolas e instalações de saúde divulgando o que está sendo feito. Enfim trabalhar mais com mais afinco e não ficar encastelado recebendo salários. Trabalhar a exaustão é a missão do parlamentar do PT. É fundamental apurar e trazer à tona a verdade das delações da revista que acusou dois presidentes do Brasil, eleitos pelo Partido dos Trabalhadores, de corrupção. É também urgente o trabalho no Congresso Nacional para saber de que lado está o PMDB, se deve ser tratado como situação ou oposição, e, principalmente, votar as matérias de interesse do povo brasileiro que deu a vitória para a presidenta Dilma Rousseff. Vamos à luta parlamentares do PT.


Advogado de Youssef confirma armação de Veja. No Brasil 247.

Advogado de Youssef confirma armação de Veja

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O crime eleitoral cometido pela revista Veja, que pertence a Giancarlo Civita e é comandada pelo executivo Fábio Barbosa e pelo jornalista Eurípedes Alcântara (à dir.), foi confirmado, nesta quinta-feira, por reportagem do jornal Valor Econômico, pelo próprio advogado Antônio Figueiredo Basto, que defende o doleiro Alberto Youssef; reportagem da semana passada diz que Youssef afirmou que "Lula e Dilma sabiam de tudo"; eis, no entanto, o que aponta Figueiredo Basto: "Não houve depoimento no âmbito da delação premiada. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada"; caso está nas mãos de Teori Zavascki, ministro do STF, que pode obrigar Veja desta semana a circular com direito de resposta; atentado à democracia envergonha o jornalismo.


Brasil 247 - A situação da revista Veja e da Editora Abril, que atingiu o fundo do poço da credibilidade no último fim de semana, com a capa criminosa contra a presidente Dilma Rousseff, acusada sem provas pela publicação, pode se tornar ainda mais grave.
Reportagem do jornal Valor Econômico, publicada nesta quinta-feira, revela algo escandaloso: o "depoimento" do doleiro Alberto Youssef que ancora a chamada "Eles sabiam de tudo", sobre Lula e Dilma, simplesmente não existiu.
Foi uma invenção de Veja, que atentou contra a democracia, tirou cerca de 3 milhões de votos da presidente Dilma Rousseff e, por pouco, não mudou o resultado da disputa presidencial, ferindo a soberania popular do eleitor brasileiro.
Quem afirma que o depoimento não existiu é ninguém menos que o advogado Antônio Figureido Basto, que representa o doleiro. "Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira", disse ele.
Basto também nega uma versão pró-Veja que começou a circular após as eleições – a de que Youssef teria feito um depoimento e depois retificado. "Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo", acusa o defensor de Youssef.
Com isso, a situação de Veja torna-se delicadíssima. No fim de semana, a publicação passou por uma das maiores humilhações de sua história, ao ser obrigada a publicar um direito de resposta contra um candidato – no caso, a presidente Dilma Rousseff – em pleno dia de votação.
Agora, a revista pode ser condenada a circular neste próximo fim de semana com uma capa e páginas internas, também com direito de resposta. A decisão está nas mãos do ministro Teori Zavascki, que pode decidir monocraticamente – ou levar a questão ao plenário do Supremo Tribunal Federal. Mas mesmo no plenário Veja tende a perder. Afinal, como os ministros justificariam o direito de informar uma mentira, com claras finalidades eleitorais e antidemocráticas?
Veja cometeu um atentado contra a democracia brasileira, que envergonha o jornalismo, e este crime é apontado pelo próprio advogado do doleiro Youssef. Os responsáveis diretos são: Giancarlo Civita, controlador da Abril, Fábio Barbosa, presidente da empresa, e Eurípedes Alcântara, diretor de Redação de Veja.
Abaixo, reportagem do Valor Econômico sobre o caso:
Advogado de Youssef nega participação em 'divulgação distorcida'
Por André Guilherme Vieira | De São Paulo
O advogado que representa Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, negou envolvimento na divulgação de informações que teriam sido prestadas pelo doleiro no âmbito da delação premiada, sobre o conhecimento de suposto esquema de corrupção na Petrobras pela presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida", afirmou ao Valor Pro. A informação de que Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras foi divulgada na sexta-feira passada pela revista "Veja".
No mesmo dia, o superintendente da Polícia Federal (PF) no Paraná, delegado Rosalvo Ferreira Franco, determinou abertura de inquérito para apurar "o acesso de terceiros" ao conteúdo do depoimento prestado por Youssef a delegados da PF e a procuradores da República.
"Acho mesmo que isso tem que ser investigado. Queremos uma apuração rigorosa", garante Basto, que já integrou o conselho da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). "Eu não tenho nenhuma relação com o PSDB. Me desliguei em 2002 do conselho da Sanepar [controlada pelo governo do Estado]. Não tenho vínculo partidário e nem pretendo ter. Nem com PSDB, nem com PT, nem com partido algum", afirma. O Paraná é governado por Beto Richa desde janeiro de 2011. Ele foi reconduzido ao cargo no primeiro turno da eleição deste ano.
A reportagem menciona que a declaração de Youssef teria ocorrido no dia 22 de outubro. "Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira", afirma, irritado, Basto. O advogado diz ser falsa a informação de que o depoimento teria ocorrido na quarta-feira para que fosse feito um "aditamento" ou retificação sobre o que o doleiro afirmara no dia anterior: "Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo", acusa o defensor de Youssef.
Iniciadas no final de setembro, as declarações de Youssef que compõem seu termo de delação premiada são acompanhadas pelo advogado Tracy Joseph Reinaldet dos Santos, que atua conjuntamente com Basto.
O Valor PRO apurou que o alvo principal da operação Lava-Jato disse em conversas informais com advogados e investigadores, que pessoalmente considerava "muito difícil" que o presidente da República não tivesse conhecimento de um esquema que desviaria bilhões de reais da Petrobras para abastecer caixa dois de partidos e favorecer empreiteiras.
"Todo mundo lá em cima sabia", teria dito o doleiro, sem, no entanto, citar nomes ou apresentar provas.
O esquema de corrupção na diretoria de Abastecimento da Petrobras teria começado em 2005, segundo a investigação e o interrogatório à Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da petrolífera, Paulo Roberto Costa. Era o segundo ano do primeiro mandato do então presidente Lula. Dilma foi nomeada ministra de Minas e Energia em 2003.
Segundo a versão de Costa à Justiça, Lula teria cedido à pressão partidária para nomeá-lo diretor da Petrobras, sob risco de ter a governabilidade ameaçada pelo trancamento da pauta do Congresso. "Mesmo que essa declaração do Paulo Roberto [Costa] seja fato e que a comprovemos nos autos, qual é o crime que existe nisso?", questiona um dos investigadores da Lava-Jato. "Uma coisa é a atividade política. Outra é eventual crime dela decorrente. Toda a delação de Costa e outras que venham a ocorrer serão submetidas ao crivo do inquérito policial e da devida investigação", esclarece.
A PF também instaurou inquérito para apurar supostos vazamentos da delação premiada de Costa.

Farsa do ‘mensalão’ cai por terra após libertação de Pizzolato. No jornal Correio do Brasil.

Farsa do ‘mensalão’ cai por terra após libertação de Pizzolato

29/10/2014 11:50
Por Redação, com colaboradores - de Brasília, Rio de Janeiro e Roma

Pizzolato foi libertado, após um tribunal italiano julgá-lo inocente das acusações
Pizzolato foi libertado, após um tribunal italiano julgá-lo inocente das acusações
A farsa montada no maior julgamento de exceção já visto no país, desde o enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ainda no Brasil Colônia, caiu por terra na Itália, nesta quarta-feira, após a libertação do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. A Ação Penal (AP) 470, batizada de ‘mensalão’ pela mídia conservadora, não serviu ao seu objetivo primário, de promover o impedimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que governou por dois mandatos, nem atrapalhar a eleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2010. Agora em 2014, reconduzida a atual mandatária a um segundo período no Palácio do Planalto, a peça jurídica fundada em um amontoado de mentiras é desmontada e deixa exposta a sua origem golpista. Um novo capítulo começa a ser escrito na Justiça brasileira.
Pizzolato, a exemplo dos demais réus no processo do ‘mensalão’, teve seu nome arrastado na lama. Ao contrário dos demais, que cumprem penas em diferenciados regimes, no país, ele preferiu apelar à Justiça da Itália, seu segundo país natal, onde o processo foi reexaminado à luz do direito, e não da política de extrema direita, com base nos autos produzidos nas dependências do Judiciário brasileiro e no relatório que usou em sua defesa.
– Eu não fugi, eu salvei minha vida. Você não acha que salvar a vida não vale a pena? – disse ao deixar a prisão, nesta manhã.
Petista histórico, Pizzolato reafirmou sua inocência:
– Tenho a consciência tranquila. Nunca perdi uma noite de sono. Fiz meu trabalho no banco, o banco não encontrou nenhum erro no meu trabalho. O banco sempre disse que não sumiu um centavo. Não é um banco pequeno, é o maior banco da América Latina, é um banco que tem um enorme sistema de controle – afirmou.
Condenado no Brasil a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, Pizzolato chegou à Itália em setembro do ano passado e foi preso em Maranello em fevereiro deste ano. A Corte de Apelação de Bolonha negou o pedido de extradição do governo brasileiro e ele foi libertado. Segundo Alessandro Sivelli, advogado do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, a “situação das cadeias brasileiras” foi decisiva para que a justiça italiana negasse a extradição.
Tribunal de exceção
Segundo o relatório que Pizzolato apresentou, em sua defesa, na corte italiana, um tribunal de exceção foi montado no Brasil com o único objetivo de desmoralizar o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma clara tentativa de apeá-lo do poder antes do tempo. Embora o estratagema tenha funcionado ao contrário, com mais um mandato popular surgido das urnas ao líder petista, que em seguida elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, o STF seguiu adiante e conseguiu que o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Genoino (PT-SP) fossem conduzidos à prisão.
Pizzolato relata, em detalhes, as operações realizadas na campanha política de 2002 e suas ações na diretoria de Marketing do Banco do Brasil. No dossiê, ele contesta os documentos acatados como verdadeiros na AP 470.
“Observem bem a data em que foi escrita a carta mentirosa do “tucano” (Antonio Luiz Rios, ex-presidente da Visanet que hoje trabalha como consultor para a Rede Globo de Televisão) e dirigida aos peritos da PF, foi em 02 de fevereiro de 2006, período em que os advogados não tinham acesso a nenhum documento. E esta carta mentirosa do “tucano” ditou, influenciou e/ou moldou todos os pareceres, perícias e fundamentalmente a própria “denúncia” da Procuradoria Geral da República e do Ministério Público Federal (PGR/MPF), bem como a argumentação do relator Joaquim Barbosa que por sua vez “convenceu” o plenário do STF. Ninguém, repito, absolutamente ninguém, nem o PGR/MPF e nem o relator, deram-se ao trabalho de observar a regra básica de uma relação de mercado, o respeito ao contrato. Pois existia um contrato que normatizava a relação da Visanet com seus sócios, os diversos bancos, sendo o maior acionista da VISANET, o Bradesco”.
Em nove capítulos, Pizzolato também revela que, em março de 2006, quando ainda presidia o STF o ministro Nelson Jobim, a CPMI dos Correios divulgou um relatório preliminar pedindo o indiciamento de 126 pessoas. Dez dias depois, em 30 de março de 2006, o procurador-geral da República já estava convencido da culpa de 40 deles. A base das duas acusações era desvio de dinheiro público (que era da bandeira Visa Internacional, mas foi considerado público, por uma licença jurídica não muito clara) do Fundo de Incentivo Visanet para o Partido dos Trabalhadores, que teria corrompido a sua base aliada com esse dinheiro. Era vital para essa tese, que transformava o dinheiro da Visa Internacional, aplicado em publicidade do BB e de mais 24 bancos entre 2001 e 2005, em dinheiro público, ter um petista no meio. Pizzolato era do PT e foi diretor de Marketing de 2003 a 2005.
Barbosa decretou segredo de Justiça para o processo da primeira instância, que ficou lá, desconhecido de todos, até 31 de outubro do ano passado. Faltavam poucos dias para a definição da pena dos condenados, entre eles Pizzolato, e seu advogado dependia de Barbosa para que o juiz da 12ª Vara desse acesso aos autos do processo, já que foi o ministro do STF que decretou o sigilo.
O relator da AP 470 interrompera o julgamento para ir à Alemanha, para tratamento de saúde. Na sua ausência, o requerimento do advogado teria que ser analisado pelo revisor da ação, Ricardo Lewandowski. Barbosa não deixou. Por telefone, deu ordens à sua assessoria que analisaria o pedido quando voltasse. Quando voltou, Barbosa não respondeu ao pedido. Continuou o julgamento. No dia 21 de novembro, Pizzolato recebeu a pena, sem que seu advogado conseguisse ter acesso ao processo que, pelo simples fato de existir, provava que o ex-diretor do BB não tomou decisões sozinho – e essa, afinal, foi a base da argumentação de todo o processo de mensalão (um petista dentro de um banco público desvia dinheiro para suprir um esquema de compra de votos no Congresso feito pelo seu partido).
No dia 17 de dezembro, quando o STF fazia as últimas reuniões do julgamento para decidir a pena dos condenados, Barbosa foi obrigado a dar ciência ao plenário de um agravo regimental do advogado de Pizzolato. No meio da sessão, anunciou “pequenos problemas a resolver” e mencionou um “agravo regimental do réu Henrique Pizzolato que já resolvemos”. No final da sessão, voltou ao assunto, informando que decidira sozinho indeferir o pedido, já que “ele (Pizzolato) pediu vistas a um processo que não tramita no Supremo”.
“Pois é”
O único ministro que questionou o assunto, por não acreditar ser o assunto tão banal quanto falava Barbosa, foi Marco Aurélio Mello.
Mello: “O incidente (que motivou o agravo) diz respeito a que processo? Ao revelador da Ação Penal nº 470?”
Barbosa: “Não”.
Mello: “É um processo que ainda está em curso, é isso?”
Barbosa: “São desdobramentos desta Ação Penal. Há inúmeros procedimentos em curso.”
Mello: “Pois é, mas teríamos que apregoar esse outro processo que ainda está em curso, porque o julgamento da Ação Penal nº 470 está praticamente encerrado, não é?”
Barbosa: “É, eu acredito que isso deve ser tido como motivação…”
Mello: “Receio que a inserção dessa decisão no julgamento da Ação Penal nº 470 acabe motivando a interposição de embargos declaratórios.”
Barbosa: “Pois é. Mas enfim, eu estou indeferindo.”
Segue-se uma tentativa de Marco Aurélio de obter mais informações sobre o processo, e de prevenir o ministro Barbosa que ele abria brechas para embargos futuros, se o tema fosse relacionado. Barbosa reitera sempre com um “indeferi”, “neguei”. O agravo foi negado monocraticamente por Barbosa, sob o argumento de que quem deveria abrir o sigilo de justiça era o juiz da 12ª Vara. O advogado apenas consegui vistas ao processo no DF no dia 29 de abril, quando já não havia mais prazo recursório.

Novos hábitos criam pleito mais conectado do mundo. No jornal Correio do Brasil.

Novos hábitos criam pleito mais conectado do mundo

30/10/2014 9:37
Por Redação, com BBC - de Brasília




As eleições deste ano serão lembradas como as mais emocionantes da história recente no Brasil não só pela polarização e pelas reviravoltas, mas também pela repercussão sem precedentes na Internet. Não foi acaso que a linha do tempo de muita gente no Facebook se tornou monotemática nos últimos três meses. Já no primeiro turno, nunca antes uma eleição havia sido tão comentada na rede social.
Milhões de brasileiros passaram a ter acesso à internet nos últimos quatro anos
Milhões de brasileiros passaram a ter acesso à internet nos últimos quatro anos
O recorde anterior era da Índia, onde houve 227 milhões de posts, comentários e curtidas em 69 dias de disputa, uma média de 3,28 milhões por dia destes tipos de interações.
No Brasil, as eleições foram quase três vezes mais movimentadas, com 674,4 milhões de interações no Facebook em três meses e meio de campanha, uma média de 5,96 milhões por dia.
Isso ganha ainda mais peso diante do fato de que há mais indianos do que brasileiros no Facebook. A rede social tem 100 milhões de usuários na Índia e 89 milhões no Brasil.
Os brasileiros também nunca haviam falado tanto de política no Twitter. Foram 39,85 milhões de mensagens publicadas durante a campanha.
Com frequência, a eleição brasileira estava entre os assuntos mais populares desta rede no mundo, com hashtags como #Aecio45PeloBrasil e #DilmaMudaMais no topo da lista de temas mais comentados.
- Esta foi a eleição da internet de certa forma. Redes sociais foram fundamentais para disseminar informações e gerar debate. Muita gente se informou e se desinformou por assim – diz Carlos Affonso Pereira de Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio).
- O mais curioso foi que, no período eleitoral, as trivialidades sumiram e deram lugar a discussões políticas. Isso força até mesmo o mais desinteressado no assunto a formar uma opinião.
Mas o que fez desta disputa a #EleiçãoDasEleições?
Mais conectados
O impacto da Internet foi um reflexo de como mudaram os hábitos digitais dos brasileiros em quatro anos.
Nas eleições de 2010, 73,7 milhões milhões de pessoas tinham acesso à internet no Brasil, segundo o Ibope Media. Passados quatro anos, são 102,3 milhões, um aumento de 39%.
No mesmo período, os eleitores passaram a frequentar o Facebook em massa. A rede social passou de 6 milhões de usuários no país para 89 milhões, dos quais 60% acessam o site todos os dias.
- Em 2010, praticamente não houve discussão política online, porque não havia tanta gente na rede – diz Luli Redfarer, professor de Comunicação Digital da Universidade de São Paulo (USP).
- A Internet se democratizou nos últimos quatro anos. Isso faz com que a população esteja melhor representada, gerando mais debate. Isso é muito positivo para a democracia.
Outro fator ainda influenciou de forma decisiva nossa vida digital: a popularização dos smartphones.
Segundo uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, cerca de 4% da população tinha acesso à Internet pelo celular em 2010. No fim de 2013, já eram 31% dos brasileiros, ou 52,5 milhões de pessoas.
Com isso, tornou-se comum ver muita gente com o celular em punho, na rua, no bar ou no trabalho, mostrando a amigos e colegas a mais recente novidade da eleição ou reprisando na tela do aparelho os melhores momentos do debate do dia anterior.
Ainda houve um compartilhamento constante de informações sobre a disputa por meio de programas de mensagens instantâneas, como o Whatsapp.
- Isso fez dessa uma eleição permanente. A qualquer momento, podia chegar uma informação nova pelo telefone – diz Souza, do ITS-Rio.
Memes e tuítes
Isso fez com que a internet estivesse no centro da corrida eleitoral em diversos momentos.
Logo após o primeiro debate entre presidenciáveis, na Band, no fim de agosto, uma série de piadas e montagens com o candidato Eduardo Jorge, do PV, invadiram as redes sociais.
No dia seguinte, Jorge disse no Twitter: “Hoje, finalmente entendi o que é um meme”, em referência às brincadeiras sobre um tema que se multiplicam rapidamente na rede. Nesta eleição, elas foram inescapáveis.
A candidata Marina Silva publicou no site de sua campanha o programa de governo e foi na Internet que o fato do documento prever apoio para o público LGBT teve grande repercussão, gerando críticas do pastor Silas Malafaia pelo Twitter.
Uma nova versão do programa de Marina foi colocada no ar no dia seguinte, e haviam sido retirados dela os pontos mais polêmicos, como o apoio ao casamento gay.
No debate realizado pelo SBT, a candidata Luciana Genro, do PSOL, atacou a adversária: “Não durou 24 horas e quatro tuítes do Malafaia seu compromisso com o casamento igualitário”.
A internet também deu a candidatos com menos tempo de TV e desconhecidos, como Jorge e Genro, a oportunidade de apresentarem-se melhor aos brasileiros.
Aécio Neves, do PSDB, e Dilma Rouseff, do PT, também atentaram para este potencial da rede de aproximá-los do eleitor. Ambos tinham equipes especializadas em internet.
- As pessoas usaram a rede porque viram nisso a chance de influenciar opiniões e colher informações. Estes novos hábitos mudam o planejamento das campanhas e a dinâmina eleitoral – diz Carlos Moreira Jr., diretor de desenvolvimento de mercados internacionais para a América Latina do Twitter Brasil.
- Ao ver que o eleitorado está lá, os candidatos participa também. Foi o caso de Aécio Neves, que começou a usar o Twitter de fato neste ano.
As equipes de cada partido travaram uma batalha digital para ver qual conseguia colocar seus candidatos entre os assuntos mais comentados nas redes.
Muitas vezes usavam perfis falsos que tinham como propósito espalhar links ou menções a favor de seu candidato ou contra o adversário e influenciar a opinião de eleitores.
Inovação
Estas equipes ainda tiraram proveito do hábito cada vez mais comum entre os brasileiros de assistir à TV enquanto navegam na internet. Foi nos debates na televisão que a internet teve alguns de seus maiores picos de audiência.
- As campanhas viram nisso uma oportunidade para, durante o debate, complementar informações ou reproduzir citações de candidatos para ter certeza que alcançariam mais pessoas – afirma Bruno Magrani, diretor de relações institucionais do Facebook Brasil.
- Isso foi algo muito particular do Brasil e que vamos apresentar para políticos em outros países.
Os dois principais nomes da eleição também inovaram de outras formas. Aécio chamou a atenção ao divulgar um vídeo pelo Whatsapp em que agradecia pelos votos que fizeram com que ele chegasse ao segundo turno.
Já a campanha do PT adotou um personagem popular das redes que faz uma sátira da presidente, a Dilma Bolada, que tinha 1,5 milhão de seguidores no Facebook até então.
- O vídeo do Aécio foi muito impactante. Era como se estivesse falando diretamente com cada grupo de Whatsapp onde ele foi compartilhado. Foi uma inovação muito simples e por isso mesmo tão poderosa – afirma Souza, do ITS-Rio.
- Já a campanha de Dilma teve uma militância online muito bem coordenada e eficiente, e a Dilma Bolada teve um papel importante na sua vitória. Um personagem assim ajuda a criar uma narrativa cativante em torno da candidata, o que é muito importante numa eleição.
No entanto, Redfarer, da USP, acredita que os políticos brasileiros ainda têm muito a evoluir em suas campanhas onlines.
- Eles se concentraram muito nas redes sociais e não realizaram um debate de propostas e programas com os eleitores, como fez Obama em suas eleições. Foi o equivalente de debater com o eleitorado no meio da rua: é efêmero e ruidoso – diz Redfarer.
Bate-boca
O ruído foi ainda maior porque a eleição foi marcada pela agressividade entre os politicos na disputa, que transbordou para as redes.
O que muitas vezes se viu na internet foi uma discussão generalizada, com amizades estremecidas e muitas pessoas bloqueando umas às outras por discordâncias nada cordiais.
- Foi a eleição do bate-boca. Ainda vivemos a infância do uso político da internet no Brasil e por isso mesmo houve mais discussão do que debate – diz Souza, do ITS-Rio.
Souza explica que muitas vezes as redes sociais refletem nossas opiniões e as reforçam, porque nelas nos cercamos de pessoas que compartilham nossa visão de mundo.
No entanto, com a onipresença das eleições nas redes neste ano, foi impossível não se deparar com posts e comentários que contrariam certa visão. No embate de pontos de vista, o resultado nem sempre foi civilizado.
- Muita gente vivia em uma bolha online e não estava habituada a debater, ainda mais sobre política. Preferiam eliminar de seus contatos quem ia contra suas opiniões. Mas você não pode fazer isso com parentes e amigos próximos e precisa aprender a conviver – afirma Redfarer.
- Lembra de como você brigava quando tinha sete anos de idade? Mais velho, você aprende a argumentar. Também haverá um aprendizado na Internet.
Souza também acredita que as próximas eleições serão menos agressivas.
- A Internet brasileira vai amadurecer, e esperamos que assim possamos ter pleitos mais ricos, com o uso da tecnologia para a construção de propostas.

Rogério Gentile. Arrogância na derrota. "Ou seja, para os tucanos, a derrota não foi motivada por erros do candidato ou do partido, tampouco ocorreu por mérito da adversária. A culpa, ora bolas, é do eleitor." No jornal Folha de São Paulo.

Rogério Gentile



 

  Arrogância na derrota

 




SÃO PAULO - Após uma eleição esquizofrênica em que o governo o tempo todo prometeu mudanças ("mais mudanças") e a oposição ficou repetindo que ia manter isso ou aquilo, as explicações do PSDB para a derrota de domingo surpreendem pela falta de senso crítico.

Os tucanos até agora formularam duas grandes justificativas complementares. A primeira, expressa por FHC, atribui o resultado ao tom agressivo da campanha de Dilma, como se isso tivesse sido uma prerrogativa do PT. Não foi, obviamente.
O PSDB também bateu duro nos adversários. A diferença é que Aécio, embora político com muito mais traquejo do que Dilma, caiu na armadilha presidencial. A petista atacava o tucano no debate da Bandeirantes, citava seus familiares, quando o ex-governador levantou o dedo e lascou um "leviana", achando que poderia repetir com a presidente a mesma virulência que usara no primeiro turno com Luciana Genro. Não podia.
Muito bem explorado pelo PT e por Lula nos palanques, o adjetivo voltou-se contra Aécio como um bumerangue. O candidato, que estava numericamente à frente de Dilma nas pesquisas, começou a perder apoio de parte do eleitorado, sobretudo o feminino, o que lhe foi fatal.
A segunda explicação do PSDB para a derrota beira a arrogância, a mesma que motivou tucanos, duas semanas antes da eleição, a tratarem da montagem do eventual governo Aécio como se a vitória fosse apenas uma questão de tempo. Não era.
Desde domingo, aliados de Aécio reclamam que "Minas falhou com um grande estadista" e que os "mineiros não quiseram ter um presidente na linha de JK". O PSDB, que esperava obter 2 milhões de votos a mais do que Dilma no Estado, perdeu em 608 das 835 cidades, em várias delas por mais de 80% dos votos.
Ou seja, para os tucanos, a derrota não foi motivada por erros do candidato ou do partido, tampouco ocorreu por mérito da adversária. A culpa, ora bolas, é do eleitor.

Copiado do Blog Língua de Trapo. "Democracia com ampla participação popular é um esporte radical que a direita, por medo de se esfolar, faz de tudo para não praticar."


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30 DE OUTUBRO DE 2014

Movimentos sociais se manifestam em apoio à Política de Participação Social



A derrubada do decreto da Política Nacional de Participação Social na última terça-feira (28), na Câmara dos Deputados, vem gerando várias manifestações em defesa da maior participação do povo nas decisões políticas e mais democracia. Movimentos sociais, juristas, acadêmicos e entidades engajadas pela reforma política estão se posicionando em diversos manifestos de apoio ao decreto de Dilma Rousseff pelos conselhos populares.
"Nós, juristas, professores e pesquisadores, declaramos nosso apoio a esse diploma legal que instituiu a Política Nacional de Participação Social. Entendemos que o decreto traduz o espírito republicano da Constituição Federal Brasileira ao reconhecer mecanismos e espaços de participação direta da sociedade na gestão pública federal", diz o manifesto dos juristas(link is external).
Membros de igrejas cristãs e evangélicas também se posicionaram(link is external) a favor de mais democracia e cidadania: "Nós, membros de diferentes igrejas e organizações cristãs que temos participado de diversos espaços de participação social nas últimas décadas, nos posicionamos em favor do Decreto 8.243/2014 que regulamenta a Política Nacional de Participação Social (PNPS)". A Rede de Orçamento Participativo também declarou seu apoio e colocou o manifesto à disposição para novas assinanturas(link is external), além do apoio de conselheiros nacionais(link is external)
Uma campanha popular de defesa da Política Nacional de Participação Social e pela ampliação dos instrumentos de democracia participativa também está rolando no Facebook, na página Pode me Ouvir, ou vou ter que gritar(link is external)?  
O decreto 8243/2014 tem o objetivo de fortalecer e articular mecanismos de diálogo e atuação conjunta entre governo e sociedade civil, favorecendo a adesão dos cidadãos ao debate e à gestão das politicas públicas, ampliando significativamente a transparência do Estado. É por isso que a queda do decreto presidencial e o veto da criação de conselhos populares mostram o quanto a direita tem medo do povo.

Janio de Freitas. Um fato sem retificação. No jornal Folha de São Paulo

Janio de Freitas


Um fato sem retificação


PF suspeita que Youssef foi induzido a acusar Dilma e Lula, numa operação para influir na eleição deste ano
Antes mesmo de alguma informação do inquérito, em início na Polícia Federal, sobre o "vazamento" da acusação a Lula e Dilma Rousseff pelo doleiro Alberto Youssef, não é mais necessário suspeitar de procedimentos, digamos, exóticos nesse fato anexado à eleição para o posto culminante deste país. Pode-se ter certeza.
Na quarta 22, "um dos advogados" de Youssef "pediu para fazer uma retificação" em depoimento prestado na véspera por seu cliente. "No interrogatório, perguntou quem mais sabia (...) das fraudes na Petrobras. Youssef disse, então, que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a retificação." Ou seja, foi só a acusação.
As aspas em "vazamento", lá em cima, são porque a palavra, nesse caso, sem aspas será falsa. As outras aspas indicam a origem alheia de frases encontradas a meio de uma pequena notícia, com a magreza incomum de uma só coluna no estilo em tudo grandiloquente de certos jornais, e no mais discreto canto interno inferior da pág. 6 de "O Globo", de 29/10. Para precisar melhor: abaixo de um sucinto editorial com o título "Transparência", cobrando-a da Petrobras.
Já no dia seguinte à "retificação", "Veja" divulgou-a, abrindo o material ao uso que muitos esperaram por parte da TV Globo na mesma noite e logo por Folha, "O Estado de S. Paulo" e "Globo". Nenhum dos três valeu-se do material. Se o fizessem, aliás, Dilma, Lula e o PT disporiam de tempo e de funcionamento judicial para para uma reação em grande escala, inclusive com direito de resposta em horário nobre de TV. O PT apenas entrou com uma ação comum contra "Veja".
O que foi evitado a dois dias da eleição, foi feito na véspera. A explicação publicada, e idêntica em quase todos os que se associaram ao material da revista, foi de que aguardaram confirmar o depoimento de Youssef. Àquela altura, Lula, Dilma e o PT não tinham mais tempo senão para um desmentido convencional, embora indignado, já estando relaxados pelo fim de semana os possíveis dispositivos para buscarem mais.
"O Globo" não dá o nome de "um dos advogados". Até agora constava haver um só, que, sem pedir anonimato, foi quem divulgou acusações feitas em audiências judiciais, autorizado a acompanhá-las, que nem incluíam o seu cliente. Seja quem for o requerente, pediu e obteve o que não houve. Retificação é mudança para corrigir. Não houve mudança nem correção. E o pedido do advogado teve propósito explícito: os nomes de quem mais sabia da prática de corrupção na Petrobras. Uma indagação, com o acusado preso e prestando seguidos depoimentos, sem urgência. E sem urgência no processo, insuficiente para justificar uma inquirição especial.
O complemento dessa sequência veio também na véspera da eleição, já para a tarde. Youssef foi levado da cadeia para um hospital em Curitiba. O médico, que se restringiu a essa condição, não escondeu nem enfeitou que encontrara um paciente "consciente, lúcido e orientado", cujos exames laboratoriais "estão dentro da normalidade". Mas alguém "vazou" de imediato que Youssef, mesmo socorrido, morrera por assassinato.
O boato da queima de arquivo pela campanha de Dilma ia muito bem, entrando pela noite, quando alguém teve a ideia de telefonar para a enlutada filha da vítima, que disse, no entanto, estar o papai muito bem. O jornalista Sandro Moreyra já tinha inventado, para o seu ficcionado Garrincha, a necessidade de combinação prévia com os russos.
A Polícia Federal suspeita que Youssef foi induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça, 21, e a alegada "retificação" na quinta, 23. Suspeita um pouco mais: que se tratasse de uma operação para influir na eleição presidencial.
A Polícia Federal tem comprovado muita e crescente competência. Mas, nem chega a ser estranho, jamais mostrou resultado consequente, quando chegou a algum, nos vários casos de interferência em eleições. Não se espere por exceção.

Reforma política e marco regulatório da mídia ganham destaque na pauta de Dilma. No jornal Correio do Brasil.

Reforma política e marco regulatório da mídia ganham destaque na pauta de Dilma

28/10/2014 12:40
Por Redação - de São Paulo

O ministro Miguel Rossetto destaca a necessidade de uma reforma política no país
O ministro Miguel Rossetto destaca a necessidade de uma reforma política no país
A presidenta Dilma Rouseff (PT) elegeu a reforma política como uma de suas prioridades, ainda durante a campanha eleitoral, um assunto que encontra respaldo junto ao seu principal aliado, o PMDB, e é palatável para o principal adversário, o PSDB. O tema, porém, pela sua amplitude, tem vários significados para os diferentes extratos políticos, aí incluída a sociedade civil organizada, por exemplo, na Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, organização que reúne 103 entidades não-governamentais de todo o país e reúne assinaturas para apresentar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular com uma série de alterações.
O PT, partido no governo para um período de 16 anos, o ponto fundamental será a aprovação do financiamento público de campanhas ou, no mínimo, a proibição de doações empresariais – como defendeu Dilma no último debate do segundo turno.
Um dos principais assessores da presidenta durante a campanha, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, acredita que, durante a campanha, o fim do financiamento público para os futuros candidatos é o ponto a ser defendido nos diálogos que planeja, tanto no Congresso, quanto com as organizações sociais.
– Nós estamos comemorando uma vitória extraordinária, uma vitória histórica. A democracia brasileira segue fortalecida (após) uma eleição disputada, em alguns momentos, dura, mas uma eleição com muita participação e muito politizada – disse.
A amplitude do debate, nos últimos meses, segundo Rossetto, contribui para o amadurecimento do processo democrático.
– Todos os grandes temas da agenda nacional foram repassadas nessas eleições, uma das mais debatidas, politizadas, com debates programáticos. Desde o Banco Central ao combate a qualquer tipo de violência, às políticas públicas, a economia brasileira, à valorização do mundo do trabalho – acrescentou.
Para o ministro, que deverá permanecer em uma posição de destaque no próximo governo, o tratamento institucional a temas como a corrupção será mais efetivo, por ser considerado um ponto chave no processo eleitoral.
– E um dos temas centrais, que sai com muita força desse processo é a necessidade de uma reforma política, que tem como base a mudança do padrão de financiamento. O padrão de financiamento empresarial é insustentável, ele se articula e estimula um processo pouco claro, pouco transparente, para a democracia. Ele estimula um espaço e um ambiente de corrupção, que ninguém aceita mais – afirmou.
Para avançar na formação de um arcabouço legal capaz de sustentar a convocação de uma reforma política, no país, Rossetto destaca a necessidade do diálogo com as forças políticas do país.
– Nós queremos, portanto, a partir dessas eleições, e a presidenta Dilma foi absolutamente clara, em seu primeiro pronunciamento, (que quer) retomar a iniciativa sobre essa reforma política. Nós vamos iniciar um diálogo com as lideranças, com o Congresso, que tem uma responsabilidade fundamental nisso. Ela vai retomar esse diálogo com a sociedade organizada e construir um processo que tenha vigor popular, de dimensão popular e social, que construa uma relação de diálogo para que possamos, definitivamente, fazer essa mudança – frisou.
Marco regulatório
Para o jornalista Ricadro Kotscho, cronista em um dos portais de notícias na internet e ex-colega de Rossetto no ministério do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma precisará também, em breve, abordar a questão do cartel da mídia, que teve seu tempo áureo durante a ditadura militar. Segundo Kotscho, “nas últimas quatro eleições presidenciais, a velha mídia familiar brasileira fez o diabo, vendeu a alma e foi ao fundo do poço para derrotar o PT de Lula e Dilma. Perdeu todas”.
“Desta vez, perdeu também a compostura, a vergonha na cara e até o senso do ridículo. Teve até herdeiro de jornalão paulista que deu uma de black bloc e foi sem máscara à passeata pró-Aécio em São Paulo, chamada de “Revolução da Cashmere” pela revista britânica “The Economist”, carregando um cartaz com ofensas à Venezuela. Antigamente, eles eram mais discretos, mas agora perderam a modéstia, assumiram o protagonismo”, afirma o jornalista.
Kotscho ressalta que “alguns já pregam o terceiro turno e pedem abertamente o impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff, que derrotou o candidato deles, o tucano Aécio Neves, por 51,6% a 48,4%. Endoidaram de vez. E não é para menos: ao final do segundo mandato de Dilma, o PT terá completado 16 anos no poder central, um recorde na nossa história republicana”.
“Diante da gravidade dos acontecimentos nas últimas 48 horas que antecederam a votação, a partir da publicação da capa-panfleto da revista Veja, a última ‘bala de prata’ do arsenal de infâmias midiáticas para mudar o rumo das eleições, não dá agora para simplesmente fingir que nada houve, virar a página e tocar a bola pra frente, como se isso fosse algo natural na disputa política. Não é”.
O ex-assessor de imprensa no mandato do presidente Lula acredita que a presidenta Dilma deverá abordar, em seu próximo pronunciamento após a vitória de domingo, a criação de um marco regulatório das comunicações. Sobre o tema, Kotscho cita o cronista Ricardo Melo, em recente artigo publicado na mídia paulistana.
“Além do combate implacável à corrupção e de uma reforma política, a tarefa de democratizar os meios de informação, sem dúvida, está na ordem do dia. Sem intenção de censurar ou calar a liberdade de opinião de quem quer que seja. Mas para dar a todos oportunidades iguais de falar o que se pensa. Resta saber qual caminho Dilma Rousseff vai trilhar”.
Para que as reformas comecem de imediato, Kotscho propõe que a presidenta, “reeleita com a força do voto, não precisa esperar a nova posse no dia 1º de janeiro de 2015″.
“Pode, desde já, demitir e nomear quem ela quiser, propor as reformas que o país reclama, desarmando os profetas do caos e acabando com este clima pesado que se abateu sobre o país nas últimas semanas de campanha. O povo, mais uma vez, provou que não é bobo”, concluiu.

A turma da Millenium está colérica. Por Altamiro Borges no Brasil 247.


Altamiro  Borges

ALTAMIRO BORGES 
Rodrigo Constantino postou que houve fraude nas urnas. Jabor escreveu em sua coluna que "a burrice tem avançado muito" no Brasil. Para eles, a reeleição de Dilma é uma catástrofe
Os frequentadores do Instituto Millenium, o bordel dos barões da mídia, estão coléricos. Eles não aceitam o resultado das eleições de domingo, não toleram a democracia e desprezam o voto popular. Rodrigo Constantino, já apelidado de "moleque maluquinho", postou em seu blog hospedado na criminosa "Veja" que houve fraude nas urnas eletrônicas e que Dilma Rousseff "ainda corre risco de impeachment". Outro mais velhaco, o patético Arnaldo Jabor, escreveu em sua coluna no golpista "O Globo" que "a burrice tem avançado muito" no Brasil. Talvez ele tenha se olhado no espelho! Já William Waack, Merval Pereira e outros "globais" nem escondem a sua decepção com o resultado!
Para a turma do Instituto Millenium, que prega diuturnamente contra a democracia e recebe fortunas dos impérios midiáticos e das corporações empresariais, a reeleição de Dilma é uma catástrofe. "É o triunfo das toupeiras", afirma Jabor. Para ele, a votação da petista evidenciaria que "a sociedade está faminta de algum tipo de autoritarismo". Num tom meio doentio, o colunista da Rede Globo decreta que o "nosso futuro será pautado pelos burros espertos, manipulando os pobres ignorantes. Nosso futuro está sendo determinado pelos burros da elite intelectual numa fervorosa aliança com os analfabetos". Mantida esta toada, em breve este senhor poderá ser internado em alguma clínica!
Já o "jovem" Rodrigo Constantino, com suas velhas ideias golpistas e elitistas, nem demanda maiores preocupações. É, mesmo, um "moleque maluquinho". Formado na escola de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, ele adora adjetivos e holofotes da mídia. Não tem consistência. Para ele, o problema do país é "o câncer populista e demagogo chamado PT". É com esta visão tacanha que ele afirma que o Brasil está dividido "entre brasileiros mais produtivos e aqueles que vivem das benesses estatais, ou seja, os pagadores e consumidores de impostos". Nem os donos do Instituto Millenium levam o rapaz muito a sério. Ele é tratado mais como um jovem serviçal!
Do Blog do Miro

Eleições acirraram a luta de classes no país, diz filósofo. Por Eleonora de Lucena, no jornal Folha de São Paulo.

Eleições acirraram a luta de classes no país, diz filósofo



Marcos Nobre, professor da Unicamp, diz que país precisa decidir se vai ou não continuar reduzindo a desigualdade 

Professor João Carlos Brum Torres teme uma radicalização lacerdista da oposição e deriva bolivariana do governo 

ELEONORA DE LUCENA ENVIADA ESPECIAL A CAMPOS DO JORDÃO (SP)

"A eleição acirrou a luta de classes. Estamos num momento em que a democracia brasileira tem que se decidir se vai se aprofundar ou se vai continuar patinando. As instituições até agora funcionaram para bloquear a diminuição da desigualdade no país. É a ideia de que todo mundo tem que andar em bloco para que todos fiquem mais ou menos onde estão."
As ideias são de Marcos Nobre, doutor em filosofia pela Unicamp. Para ele, as eleições foram "uma guerra em torno da grade de classes do país": o que está em jogo é a manutenção ou não dessa grade.
Nobre participou na noite desta terça (28) de debate sobre eleições no 16º encontro nacional da Anpof (Associação Nacional de Pós-Graduação de Filosofia) que ocorre nesta semana em Campos do Jordão (SP). Para ele, "as revoltas de junho abriram um horizonte que parecia fechado, e essas eleições já são expressão de que alguma coisa mudou no sistema político".
Uma das coisas mais extraordinárias de 2014 "é que a direita trocou os blindados do Exército por blindados privados --esses carros enormes, que parecem militares, e que têm o adesivo do Aécio".
Sua fala arrancou aplausos e risos da plateia (mais de 350 pessoas) que lotou a sala.
"Fico feliz que exista uma direita no Brasil que ache que a rua é dela. É um avanço democrático enorme, mas pode haver formas de convivência na rua menos brutais. A direita descobriu que a rua é dela também em junho de 2013, quando a esquerda também descobriu que pode ter mobilização de massa", disse.
ÓDIO
Alguém perguntou sobre o ódio na eleição: "Estou contente que esse ódio tenha aparecido nesta eleição, porque não aguentava a pasmaceira de antes. É uma coisa que deve ser cultivada. Não devemos recuar de medo, dizendo que isso é muito perigoso. É preciso ver esse ódio como manifestação de uma sociedade que quer aprofundar sua democracia. Redemocratizar demorou 30 e poucos anos; democratizar espero que demore séculos. Mas junho de 2013 foi um bom começo".
Nobre expôs sua tese sobre o peemedebismo, nome que dá ao bloco conservador no país. Reunindo múltiplas forças políticas e formando um bloco hipermajoritário no Congresso e na sociedade, o peemedebismo surgiu como forma de afastar golpes do início da redemocratização. O processo de impeachment, em 1992, reforçou a ideia da necessidade do blocão, sem oposição forte, para garantir a governabilidade --uma marca do governo FHC.
Para ele, Lula ocupou esse bloco pela esquerda, desidratando a oposição: "O sistema político funciona num grande condomínio peemedebista: é sempre o mesmo bloco, o que muda é o sindico". Em 2014, porém, a polarização está de volta: "Voltamos a ter pelo menos a disputa, para valer, pelo posto de síndico".
Do outro lado da mesa de debates na Anpof, visão divergente foi exposta por João Carlos Brum Torres, professor de filosofia em Caxias do Sul (RS). Ele está preocupado com a divisão do país.
"Vejo duas derivas que seriam desastrosas para nós. Uma se o governo fizer uma deriva argentina ou bolivariana, de conflito com setores conservadores, a imprensa. Se for por esse lado, as coisas vão se agravar e gerar uma crise aguda. Espero que não ocorra. A outra deriva é ressuscitar o lacerdismo. Lula usou bem essa palavra."
Para Brum Torres, esse risco de lacerdismo não viria das grandes lideranças do PSDB, mas da opinião pública: "Especialmente em São Paulo há uma voz de repúdio absoluto e completo. Aqui, no núcleo do capitalismo brasileiro, há uma profunda insatisfação com o sistema de representação política".
Ele ressaltou que Aécio não é Carlos Lacerda, mas aponta radicalização nas redes e na mídia: "Especialmente nas revistas semanais há uma posição extremamente agressiva de deslegitimação e desmoralização do governo. Isso é um elemento de tensão muito agudo e vai criando um clima de insatisfação que é potencialmente ensejador de um agravamento da crise".
Ele diz não ver possibilidade de ruptura agora, mas lembra que o Brasil "não tem tradição de resolver bem situações muito tensionadas".
A seguir, Nobre alfinetou o centro econômico do país: "São Paulo tem que acabar com seu complexo de bandeirante". Brum Torres deu sua explicação para o oposicionismo paulista: "São Paulo sempre foi muito poderoso e nunca esteve propriamente mandando no Brasil. Isso desde 1930, quando se separou o centro do poder econômico do centro político. Dilma é intolerável para São Paulo por causa disso, porque acentua essa distância".
Ligado ao PMDB gaúcho, ele divergiu de Nobre: "[Eles] Cumprem uma função estabilizadora no país, que é muito importante e vai continuar".

Diretor caiu em contradição ao depor em CPI. No jornal Folha de São Paulo

Diretor caiu em contradição ao depor em CPI

DE BRASÍLIA O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, caiu em contradição ao depor, nesta quarta (29), na CPI mista que investiga denúncias de corrupção na estatal.
No início da sessão, o relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), perguntou se Cosenza "manteve contatos ou relações comerciais" com Paulo Roberto Costa depois que ele saiu da Petrobras.
Cosenza negou. Depois, porém, disse ter falado cinco vezes com seu antecessor desde que ele saiu da companhia: três por telefone e duas pessoalmente.
Interpelado, Cosenza argumentou ter entendido que a pergunta era se ele tinha contato com Costa antes de substituí-lo na diretoria. Disse ainda que o procurou para tirar dúvidas sobre a função que ocuparia e que, antes das denúncias, nunca tinha ouvido falar em irregularidades na Petrobras.
Costa é apontado pela Polícia Federal como o principal operador de esquema de corrupção na estatal que teria movimentado R$ 10 bilhões.
Cosenza, que atua na Petrobras desde 1975, negou ter assumido a diretoria de abastecimento por indicação política.
Questionado sobre ter sido citado numa conversa entre o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) e o doleiro Alberto Youssef, preso na Lava Jato, o diretor afirmou não conhecê-los.

PMDB isola PT e dá aval a Cunha na Câmara. No jornal Folha de São Paulo.

PMDB isola PT e dá aval a Cunha na Câmara

Deputado peemedebista ganha autorização da bancada para costurar 'bloco' e ser candidato à presidência da Casa
Nome do RJ enfrenta resistência do governo; proposta de reeditar acordo de rodízio no comando é rechaçada
DE BRASÍLIA O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ganhou nesta quarta-feira (29) aval de sua bancada para ser pré-candidato à presidência da Câmara a partir de fevereiro.
Reconduzido, por unanimidade, como líder do partido, ele recebeu autorização para costurar um "blocão", reunindo partidos para atuação na Casa no próximo ano.
A estratégia dos peemedebistas é fortalecer Cunha com um amplo arco de aliança e, de quebra, isolar o PT, maior bancada da Câmara em 2015, com 70 parlamentares.
O PMDB já abriu conversas com PR, PSC, PTB e Solidariedade. A ideia é criar um bloco de partidos independentes, com força para interferir em votações e garantir espaços na cúpula da Câmara e em comissões importantes.
Com 66 deputados para a próxima Câmara, parte dos integrantes do PMDB defende não ser saudável o PT, que controla o Executivo, ficar no comando do Parlamento.
"Não há uma boa harmonia para que o PT consiga impor uma candidatura. Eu acho muito difícil uma candidatura do PT lograr êxito na Casa", disse Cunha.
Aliado e magoado com petistas, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), disse que Cunha é um "nome natural que sem dúvida honraria a Câmara".
A bancada rechaça a proposta do vice-presidente, Michel Temer (PMDB), de reeditar o acordo de rodízio entre PT e PMDB no comando da Câmara. Hoje é o PMDB que comanda Câmara e Senado.
O Planalto emitiu sinais de resistência ao nome de Cunha e vê com preocupação a antecipação da sucessão na Casa.
O governo teme o peemedebista porque, neste primeiro mandato de Dilma, Cunha agiu, em alguns casos, como líder da oposição dentro do governo, armou rebeliões, mediu forças e sempre preservou pontes com a oposição.
Diante da posição do Planalto, o PT também pretende lançar nome na disputa. São cotados os ex-presidentes da Casa Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Marco Maia (PT-RS), além de José Guimarães.
Os petistas, no entanto, pretendem adiar qualquer definição, até para saber se Cunha terá fôlego para bancar uma candidatura para o comando da Câmara.
"Para nós, ainda está cedo para discutir presidência. Nós somos de fazer e cumprir acordo. É hábito nesta Casa os maiores partidos fazerem o revezamento. Nós não temos pressa. Vamos dar tempo ao tempo", afirmou o líder do PT, Vicentinho (SP).
Partidos de oposição também estudam apresentar candidatura. PSDB, DEM, PPS e o Solidariedade discutem com o PSB um nome.
Entre os possíveis candidatos estão Júlio Delgado (PSB), Duarte Nogueira (PSDB-SP) e Carlos Sampaio (PSDB-SP).
Nos bastidores, os oposicionistas admitem que a candidatura é mais um gesto político e que há espaço para negociação com Cunha.

Campanha de Aécio usou pesquisa com dados enganosos. "A Lei Eleitoral diz que a comprovação de irregularidade em dados publicados de pesquisa sujeita os responsáveis às penas de seis meses a um ano de detenção e multa." No jornal Folha de São Paulo.

Campanha de Aécio usou pesquisa com dados enganosos

Levantamento do instituto Veritá na reta final mostrou o tucano 14 pontos à frente de Dilma em Minas Gerais
Dono da empresa e estatístico afirmam que a propaganda do candidato do PSDB fez uso indevido dos dados
RICARDO MENDONÇA DE SÃO PAULO Informações de uma pesquisa de intenção de voto do instituto Veritá usadas na propaganda de segundo turno do tucano Aécio Neves são comprovadamente enganosas.
Quem confirma é o próprio dono do instituto que fez o levantamento, Adriano Silvoni. E também o estatístico responsável pelas pesquisas do Veritá, Leonard de Assis.
A informação infundada era a liderança de Aécio em Minas Gerais com 14 pontos de vantagem sobre Dilma Rousseff (PT): uma pesquisa que o mostrava com 57% ante 43% da petista.
O enredo que levou o PSDB a propagar esses números começa em 6 de outubro, logo após o primeiro turno, quando o Veritá conclui uma pesquisa nacional para presidente com 5.161 entrevistas, estudo registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-01067/2014.
Tanto o número de entrevistas quanto os municípios de coleta de dados foram definidos pelo Veritá para retratar a disputa eleitoral no Brasil como um todo.
O total de eleitores ouvidos em Minas era suficiente para compor o quadro nacional, mas insuficiente para retratar a realidade local.
Assim, a pesquisa apontou Aécio com 54,8% em todo o Brasil contra 45,2% para Dilma, diferença de 9,6 pontos.
Segundo Assis, dias após a divulgação desse placar, o publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela propaganda de Aécio, pediu para que o Veritá fornecesse os dados das entrevistas feitas só em Minas.
"O estudo não foi feito com essa finalidade", diz. Silvoni, o dono do Veritá, confirma: "Para Minas, foram 561 questionários. Não é confiável".
Mesmo assim, eles acabaram autorizando o envio dos dados. "Eu falei: pode pegar, mas cite, por favor, que não representam a realidade de Minas'", afirma Assis.
Se fez mesmo o alerta, não adiantou. No dia 14 de outubro, às 17h06, o site do jornal mineiro "Hoje em Dia" publicou que, segundo o Veritá, Aécio tinha 57% dos votos de Minas contra 43% de Dilma, uma vantagem de 14 pontos.
Em seguida, a campanha do PSDB começou a distribuir um release dizendo que o tucano estava 14 pontos à frente no Estado. E na mesma noite, dirigindo-se a Dilma no debate da Band, o próprio Aécio citou: "Pesquisas [em Minas] mostram que estou mais de 10 pontos na sua frente".
Na época, o PT explorava a derrota do tucano entre os mineiros no primeiro turno. Na TV, a campanha de Dilma repetia: "Quem conhece Aécio não vota em Aécio".
No dia 15, os números não representativos do Veritá passaram a ser mostrados também na propaganda de TV do PSDB, que atribuiu a informação ao jornal "Hoje em Dia".
"Eles não podiam usar nesse contexto", diz Assis. "Nós avisamos [...] Usou na garganta. Não representa Minas. Não é o real cenário do Estado."
A Lei Eleitoral diz que a comprovação de irregularidade em dados publicados de pesquisa sujeita os responsáveis às penas de seis meses a um ano de detenção e multa.
Assis afirma que, ao entregar uma tabela com percentuais não representativos de cada Estado, fez questão de incluir uma nota sobre a não validade das informações.
No rodapé do documento que ele diz ter enviado, consta: "Resultados apresentados nesta tabela em cada Estado não podem ser considerados como estimativa do mesmo pois a pesquisa não foi planejada com tal objetivo".
CLIENTE
Além do problema dos números enganosos, a pesquisa do Veritá pode ter sido registrada de forma fraudulenta. No TSE, consta que o Veritá é, ao mesmo tempo, o contratado e o contratante do estudo, orçado em R$ 300 mil.
Dias atrás, num fórum de debates na internet que reúne profissionais da área de pesquisa, Leonard de Assis afirmou que o formulário do TSE foi preenchido dessa forma porque "o contratante [real] não quis aparecer".
À Folha, o estatístico confirmou a informação. Mas não quis dizer quem verdadeiramente pagou pelo trabalho.
Neste ponto, há uma divergência entre Assis e o dono do Veritá. Adriano Silvoni afirma que os recursos usados para a realização da pesquisa saíam do próprio Veritá.

Veja no Aposentado Invocado o que não aparece na mídia amiga e corporativa.

Veja no Aposentado Invocado o que não aparece na mídia amiga e corporativa.

Paulo Moreira Leite. O mensalão PSDB-MG é lindo


Paulo Moreira Leite
Diretor da Sucursal da ISTOÉ em Brasília, é autor de "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA e na Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".

O mensalão PSDB-MG é lindo

Num país onde os três poderes devem conviver em harmonia, gostaríamos que o STF fosse dotado de forças especiais?


O mensalão do PSDB-MG é mesmo um caso especial.
Criado em 1998 para ajudar a campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas, até hoje o julgamento não ocorreu.
A primeira e única condenação acaba de sair. Atingiu um banqueiro do Rural, condenado a 9 anos. Mas a lei lhe confere o direito de pedir recurso, o que quer dizer que tem 50% de chances matemáticas de provar sua inocência em segunda instância. Ninguém ficou indignado com isso, nem achou que seria uma ameaça às instituições ou um estímulo a criminalidade.
Tudo em paz, ao contrário do que ocorreu com os petistas, que não têm direito a apresentar um recurso pleno, equivalente a um segundo julgamento. Mesmo assim, fez-se um escândalo contra os embargos infringentes.
Leio hoje um artigo que classifica a decisão sobre os embargos como um “segundo roubo.” Um historiador diz nos jornais, hoje, que os embargos infringentes ameaçam transformar o STF numa instituição igual ao Legislativo e ao Executivo.
A pergunta é saber se, num país onde os três poderes devem conviver em harmonia, gostaríamos que o STF fosse dotado de forças especiais, um anacrônico Poder Moderador, no estilo de Pedro I durante no império, ou das Forças Armadas em tantas ditaduras, que se consideravam auto destinadas a resolver impasses políticos às costas do eleitorado.
Respeito o direito de todos a opinião mas acho que estamos a caminho de formar uma escola de cinismo à brasileira.
Isso acontece quando se impõem tratamentos diferentes para situações iguais. Os dois lados sabem que estão diante de uma mentira, na qual fingem acreditar. Um lado, porque lhe convém. O outro, porque não tem força para assegurar que a falsidade seja desmascarada.
Os réus do mensalão PSDB-MG tiveram direito ao desmembramento, que não foi oferecido aos petistas. Só isso seria suficiente para definir um abismo – mas não é só. Sua apuração é tão vagarosa que acaba de ser anunciado, oficialmente, que o caso deve ser julgado em 2015. Então fica combinado: um crime quatro anos mais velho será julgado três anos mais tarde.
Enquanto os réus do STF já poderão estar atrás das grades, como querem nossos indignados de plantão, os mineiros estarão ouvindo depoimento, fazendo sua defesa – e ganhando tempo para prescrições.
Ninguém conhece muitos  detalhes do mensalão PSDB-MG por um bom punhado de razões. Uma boa apuração levaria a nomes e pessoas que ninguém tem interesse de colocar sob os holofotes. Quem? Homens de confiança do PSDB instalados no Banco do Brasil. Quem mais? Figurões do PSDB em atividade política, tanto os responsáveis por nomeações no Banco do Brasil como os beneficiários do dinheiro recebido.
Lucas Figueiredo diz, no livro O Operador, que a conta do mensalão PSDB-MG foi de R$ 40 milhões.
Pergunto: além de Eduardo Azeredo, derrotado em 1998, quem mais foi ouvido a respeito, como aconteceu com Lula?

A fábula do mensalão petista diz que o dinheiro para “comprar deputados” saiu da empresa Visanet e, de lá, foi desviado para Delúbio Soares e Marcos Valério. É assim que se procura provar a tese – falsa, na minha opinião – de que houve desvio de dinheiro público.
Como é inevitável numa fábula, havia um vilão necessário no centro desta operação, Henrique Pizzolato, petista histórico, diretor do Banco do Brasil.  Ele foi  condenado como responsável pelos pagamentos. Mas essa visão só pode ser sustentada quando se deixa o mensalão PSDB-MG de lado.
Pizzolato nunca foi o principal responsável pelos pagamentos as agências de Valério. Sequer tomou, solitariamente, qualquer decisão que poderia beneficiar a DNA. Nem estava autorizado a isso. Uma auditoria interna demonstrou que outro diretor, chamado Leo Batista, sem qualquer ligação com o PT, é que tinha a responsabilidade legal de fazer os pagamentos. Se era o caso de acusar alguém sozinho, teria de ser ele. Se era para acusar meia dúzia, deveria estar no meio. Nem era preciso invocar a teoria do domínio do fato. Seu nome está lá, nos papéis oficiais, com atribuições e assinaturas correspondentes. Mas não se fez uma coisa nem outra.
O problema é que Leo Batista e os colegas de diretoria eram, todos,  remanescentes do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, quando o PSDB nomeava cargos de confiança no Banco do Brasil. Esse fato foi descoberto por um auditoria feita pelo banco, logo depois que o escândalo estourou.
Os diretores foram ouvidos e investigados. Mas, curiosamente, o inquérito que apura suas responsabilidades foi mantido em segredo. Sequer foi levado em tempo hábil ao conhecimento dos advogados de Pizzolato, embora pudesse ter sido útil para sua defesa. O próprio Pizzolato só tomou conhecimento da existência do inquérito secreto quando o julgamento estava em curso, em condições extremamente desfavoráveis.

Claro que você tem todo direito de perguntar o que esses diretores faziam por ali, naqueles anos todos. Abasteciam as agências de Marcos Valério com recursos do Visanet para ajudar a pagar as contas da campanha de 1998 do PSDB. Está lá, na CPMI dos Correios, para  quem o esquema tucano levantou R$ 200 milhões.

Imagine, então, o que teria acontecido se todos os réus, acusados do mesmo crime, tivessem sido julgados no mesmo tribunal, com base numa mesma denúncia. O STF seria obrigado a condenar petistas e tucanos pela mesma melodia, decisão que teria coerência com os fatos e provas reconhecidas pelos ministros  – mas teria o inconveniente de esvaziar qualquer esforço para criminalizar o PT e o governo Lula.
Em vez de fazer piadinhas e comentários altamente politizados sobre o “maior escândalo de corrupção da história”,  nossos ministros teriam de dizer a mesma coisa sobre os tucanos.

Imagine se Marcos Valério resolvesse colaborar e tentar uma delação premiada para alcançar o PSDB? Quais histórias poderia contar após tantos anos de convívio? Quais casos poderia relatar?

Do ponto de vista da investigação policial, o mensalão mineiro seria pura delícia. É que coube ao candidato vitorioso na campanha mineira de 1998, Itamar Franco, receber boa parte dos pagamentos devidos a DNA. Itamar morreu sem falar publicamente  sobre o assunto. Mas seu governo nada tinha a ver com o esquema. Eu já ouvi de um secretario de Itamar um relato consistente sobre tentativas de convencer Itamar, rompido com o PSDB, a honrar compromissos deixados pelos tucanos. Imagine se ele fosse ouvido. Seria um depoimento melhor que o de Roberto Jefferson, podem acreditar.
Mas vamos seguindo a história para chegar ao final. Com início diferente e tratamento diferente, o mensalão PSDB-MG irá terminar, certamente, com outro final. As penas duríssimas da ação penal 470 dificilmente irão se repetir. Varias razões contribuem para isso. Se hoje um número crescente de advogados de primeira linha já questiona as condenações, imagine o que irá ocorrer com o passar do tempo. O saldo político dos embargos infringentes não é favorável a novos linchamentos exemplares.
Quem conhece as relações entre os meios de comunicação de Minas Gerais e o governo de Estado,  butim da campanha de 1998, sabe que não se pode esperar nada igual ao que se viu durante o julgamento da ação penal 470.
No julgamento dos petistas, os meios de comunicação assumiram a dianteira da denúncia e colocaram o STF atrás. Preste atenção: em certa medida, não foi o Supremo que assumiu o protagonismo neste episódio. Isso é o que dizem os jornais e a TV. Na verdade, foram eles, os meios de comunicação, que assumiram um papel central em todo o processo, levando o STF atrás de si.
Os jornalistas nunca tiveram dúvida sobre a culpa dos réus e, do ponto de vista legal, nem seriam obrigados a tê-las, já que não são juízes. Com base no veredito de seus “repórteres investigativos” jornais e revistas cobraram punições exemplares. Quando ficou claro que não havia provas objetivas, deram sustentação a teoria do domínio do fato. Empurrou o tribunal no caminho de condenações pesadas sob ameaça de acusar todo mundo de fazer  pizza. O STF veio atrás, como o presidente   Ayres Britto deixou claro ao prefaciar o livro de um jornalista que simbolizou essa postura duríssima dos meios de comunicação.
É curioso notar que apenas no julgamento dos embargos infringentes a Corte demonstrou uma postura diversa daquela assumida pelos meios de comunicação.Em mais de 60 sessões, foi a primeira decisão divergente. Tanto a pancadaria a que foi submetido Celso de Mello, como o esforço de outros ministros para dizer que não se fez nada demais são duas faces de uma mesma moeda. É um aperitivo para o que deve ocorrer caso os embargos possam beneficiar os réus.

Imagine se teremos a mesma indignação no mensalão PSDB-MG.

Meus leitores sabem que estou convencido de que as principais denúncias do mensalão não foram provadas nem demonstradas. Advogados de cultura jurídica muito maior, como Celso Antônio Bandeira de Mello, Yves Gandra Martins, para citar polos ideologicamente opostos do Direito brasileiro, pensam da mesma forma.
Tenho a mesma visão sobre o mensalão PSDB-MG. Temos verbas de campanhas, que se constituem crime de caixa 2, mas condenações menores.
Eu acredito que o interesse político em criminalizar Lula e o PT permitiram uma condenação sem provas. Mas será possível fazer a mesma coisa quando esse interesse político não existir?
É claro que não. E é por isso que o mensalão PSDB-MG deve ficar para longe, bem longe.