terça-feira, 29 de julho de 2014

Brasil 247. Dilma afiada usa estilo ‘bateu, levou’ em campanha

Brasil 247 – A presidente Dilma Rousseff deixou no cabide o figurino de candidata vestido em 2010, quando venceu a disputa usando um modelito do melhor estilo 'paz e amor'. Protegida pelo então presidente Lula, ela não precisou entrar em bolas divididas com o adversário José Serra e flanou sobre o eleitorado enquanto seu padrinho político se encarregava de comprar suas brigas.
Agora é diferente, já se viu na longa entrevista à mídia tradicional concedida ontem pela presidente. Diante de uma certa pressão nas perguntas, o que se viu foi uma Dilma segura, objetiva e nada disposta a aceitar calada as críticas feitas ao seu governo. Ela igualmente não se incomodou em deixar, com frases curtas e palavras fortes, suas posições sobre temas do momento.
Essa Dilma que parece à vontade no chamado estilo 'bateu, levou' surge nitidamente em suas posições a respeito dos ataques desferidos, diariamente, à gestão da política econômica:
- O pessimismo da fase pré-Copa passou para a política econômica, afirma a presidente, ganhando com a frase a manchete desta terça-feira 29 do jornal Folha de S. Paulo. A se considerar o tom das últimas notícias destacadas no mesmo espaço pela publicação da família Frias, Dilma conseguiu o melhor momento para o seu governo, ali, em semanas.
A presidente também não ficou nem por um minuto quieta diante da gafe cometida pelo banco espanhol Santander no Brasil, com o relatório para clientes de alta renda com a associação nominal da presidente ao fracasso econômico futuro.
- Bancos interferirem na política é inadmissível, rebateu uma Dilma, como se diz, curta e grossa.
A ênfase de Dilma vai sendo apurada, no tocante a efeitos eleitorais, em pesquisas feitas por sua equipe de campanha. O que se sabe, inicialmente, é que pouca gente vai estranhar uma candidata que avança pela linha do 'fala o que pensa', uma vez que Dilma nunca foi dada, no governo, a floreios sobre suas posições. Em outras palavras, a Dilma 'bate, levou' combina mais com o momento atual da presidente, cercada por ataques nas frentes econômica e política, do que a Dilma 'paz e amor'.
No governo, o momento da presidente tem levado, também, à tomada de posições claras e objetivas. Depois de se fortalecer com a reunião dos Brics, realizada no Brasil, e a aproximação com a Unasul, Dilma posicionou o Brasil na linha de frente à oposição à Israel, na faixa de Gaza:
- O que há da parte de Israel não é um genocídio, e sim um massacre, atalhou a presidente diante de uma das perguntas que lhe foram dirigidas ontem. Dilma não se intimidou com a postura crítica à decisão brasileira de censurar o governo de Benjamin Netanyahu pelo "uso desproporcional" da força na faixa de Gaza.
A Dilma afiada, com respostas na ponta da língua, sem medo de devolver perguntas difíceis com respostas desconcertantes pela clareza, é que está entrando em campo para a disputa pela reeleição. Osso duro.

Clóvis Rossi. Mercados não votam. Que bom

Clóvis Rossi

Mercados não votam. Que bom


A advertência de economistas do Santander sobre os supostos riscos que corre a economia se as pesquisas continuarem apontando vitória de Dilma Rousseff pode ser lida, paradoxalmente, como um atestado de solidez da economia brasileira.
Explico: uma advertência semelhante foi feita pelo megainvestidor (ou megaespeculador, ao gosto de cada qual) George Soros, mais ou menos na mesma altura da eleição de 2002.
Soros disse à Folha que, se Serra não ultrapassasse Luiz Inácio Lula da Silva, desatar-se-ia o caos nos mercados. Acertou. O dólar, por exemplo, subiu 35% entre o dia de junho em que foi publicada a sinistra previsão, e dezembro, véspera da posse de Lula.
O risco-país, que mede quanto um dado país tem de pagar a mais de juros sobre as taxas cobradas pelos EUA, estava nos 1.181 pontos quando Soros fez a afirmação. Em dezembro, saltara para 1.421 pontos. Os juros básicos foram de 18,5% para 25%.
A inflação, pelo IPCA (índice que o governo usa para suas metas), multiplicou-se quase por 14, entre maio e dezembro.
Agora, no entanto, o alerta do Santander, rapidamente "deletado", só faz cócegas nesse tipo de indicadores. E é lógico que seja assim: em 2002, o programa do PT realmente podia assustar os tais mercados, o que justificava, do ponto de vista deles, o "terrorismo" contra a candidatura Lula.
Não por acaso, o PT usou a palavra "terrorismo" para caracterizar agora a nota do Santander (para a previsão de Soros, José Dirceu preferiu "chantagem"; dá mais ou menos na mesma).
De lá para cá, no entanto, os governos petistas tornaram-se tão "market-friendly", para usar o jargão dos mercados, que se torna patético repetir Soros com 12 anos de diferença.
Ainda bem que os mercados não votam, tanto que perderam o pleito de 2002. Seria lesivo à democracia se um segmento social pudesse impor sua vontade aos demais. Mas seria lesivo aos próprios mercados.
Afinal, como Lula repete sempre, os empresários –parte vital dos tais mercados– jamais ganharam tanto dinheiro como em seus oito anos, afirmação que se pode estender, tranquilamente, aos quatro anos seguintes, de Dilma Rousseff.
Fechando o foco só nos rentistas (portadores de títulos da dívida pública), o governo Lula lhes repassou um mínimo de 2% do PIB (2009) a um máximo de 3,79% (2005). Para comparação: os pobres, que recebem o Bolsa Família, jamais levaram mais que 0,5% do PIB.
Além de patético, o comportamento de tais agentes de mercado é covarde. Em 2002, Soros tanto fez que conseguiu que o Council on Foreign Relations me banisse de suas atividades. Alegou que a conversa que tivera comigo fora "off the records", o jargão para não citação da fonte.
Na verdade, o "off" cobria o tema do seminário em que coincidimos (terrorismo), mas nunca poderia se estender a uma conversa sobre Brasil, em jantar pós-seminário. Agora, o Santander desmentiu seus economistas. É o clássico modelo de atirar pedras e esconder a mão.

Livraria da Folha

Eliane Cantanhêde Dividindo os erros

Eliane Cantanhêde

Dividindo os erros


BRASÍLIA - Dilma comparou a atual má vontade com a economia com a má vontade que precedeu a Copa.
"O mesmo pessimismo que ocorreu com a Copa está havendo com a economia brasileira. E com a economia é mais grave, porque economia é feita de expectativa", reclamou na sabatina desta segunda (28), no Palácio da Alvorada.
Há, porém, uma diferença enorme entre a disposição negativa diante da Copa e da economia. A da economia é calcada, não em impressões e em manifestações de rua, mas sim em dados concretos feitos por especialistas –do Banco Central e da área econômica, inclusive, além da indústria e de agências de avaliação.
Todos eles, num movimento simultâneo e sempre na mesma direção, vêm reduzindo a expectativa de crescimento da economia mês a mês, implacavelmente. E não é apenas um problema de expectativa, mas de constatação. Tanto devem ter lá seus motivos que a própria Dilma tratou de arranjar motivos e justificativas.
Depois de passar três anos e meio sob críticas e levando bronca do ex-chefe e padrinho Lula, ela distribuiu a responsabilidade pelos fiascos: "Todos nós erramos", disse, admitindo que Lula e ela própria avaliaram mal a crise internacional de 2008. O então governo minimizou o impacto da crise no Brasil e se limitou a medidas administrativas. (Na época, Lula chegou a dizer quer era só "uma marolinha", lembra?)
O resultado é que a presidente e candidata tem efetivamente resultados pífios. Para Lula, são culpa dela; para Dilma, foi erro de avaliação de ambos. Agora, ela nega crise, mas não corrigiu as previsões de PIB e declarou que a inflação vai ficar no teto da meta (logo, fora da meta de 4,5%).
Dilma menosprezou sua rejeição: "Temos mudanças e reversões muito rápidas; 45 dias antes da Copa mais de 70% dos brasileiros achavam que seria um desastre. Depois, 80% achavam que tinha sido uma boa Copa".
Bem, Copa é Copa, economia é economia, eleição é eleição...

The New York Times. Imigrantes ricos do sul minam a influência cubana. "e a abertura de restaurantes que servem coxinhas do Brasil."

Imigrantes reinventam Miami

Sul-americanos injetam energia nos negócios e na vida cultural da cidade
Imigrantes ricos do sul minam a influência cubana
Por LIZETTE ALVAREZ
MIAMI - Durante a recente Copa do Mundo, colombianos vestidos de amarelo lotavam a casa noturna Kukaramakara, no centro da cidade, com cervejas Aguila nas mãos, gritando "Colômbia, Colômbia!". Do lado de fora, brasileiros faziam carreatas ouvindo samba a todo volume. Argentinos, alguns com camisas listradas azuis e brancas, se aglomeravam em churrascarias e casas de empanadas da região. Por toda Miami, as crianças iam à missa de domingo com suas chamativas camisetas em homenagem aos heróis latino-americanos do futebol.
Mais do que um comentário sobre futebol, esse era um "tableau vivant" da nova Miami, que na última década deixou de ser um lugar definido pelos cubano-americanos para se transformar em uma cidade cada vez mais turbinada por uma leva de sul-americanos com altos níveis educacional e de renda. Seu crescente número e influência, tanto como imigrantes quanto como turistas, transformaram o centro de Miami -antes mergulhado na recessão-, enriqueceram sua cultura e ampliaram seu fascínio para empresas do mundo todo.
"É agora indiscutivelmente a capital da América Latina", disse Marcelo Claure, um milionário boliviano que fundou a Brightstar, uma companhia global de distribuição de tecnologia sem fio com sede em Miami. "O 'boom' econômico latino-americano nos últimos dez anos levou à criação de uma enorme classe média em países como Brasil, Peru e Colômbia, e eles veem Miami como um lugar onde gostariam de estar." A transformação é particularmente visível em meio aos guindastes nas construções, ao burburinho das ruas e às boates no centro da cidade. Mas aparece também em outras partes do condado de Miami-Dade, onde cada vez mais imigrantes sul-americanos de alto nível educacional compram imóveis e fincam raízes, desempenhando um papel importante ao revigorar uma região até pouco tempo devastada pela recessão.
A relativa riqueza permitiu a expansão de negócios como empresas de importação e exportação e bancos, e a abertura de restaurantes que servem arepas da Venezuela e coxinhas do Brasil.
Mais moderados do que os tradicionais cubano-americanos, os sul-americanos inclinaram a política local para o centro. As emissoras de rádio já não são direcionadas exclusivamente ao público cubano; veiculam mais notícias sobre a América Latina e menos ataques ao regime castrista. Charlie Crist, que é candidato ao governo do Estado pelo partido Democrata, indicou uma colombiana-americana de Miami, Annette Taddeo-Goldstein, como vice em sua chapa.
Os colombianos, que começaram a chegar a Miami no começo dos anos 1980, são o maior grupo entre os sul-americanos. Agora respondem por quase 5% da população de Miami-Dade. Estão acompanhados por argentinos, peruanos e um crescente número de venezuelanos. Os brasileiros, relativamente recém-chegados à miscelânea sul-americana de Miami, agora também são uma presença notável. A população venezuelana saltou 117% em 10 anos, uma estatística que ainda não reflete a onda de recém-chegados. Mais da metade dos residentes de Miami é de origem estrangeira.
O fluxo está expandido as fronteiras de bairros de imigrantes em lugares como West Kendall, Hammocks e Doral. O crescimento está ultrapassando os limites do condado e chegando a Broward, onde uma cidade, Weston, recebeu tantos venezuelanos que passou a ser chamada em tom brincalhão de Westonzuela.
Jorge Pérez, o rico empresário do setor imobiliário que deu nome ao novo Pérez Art Museum, em Miami, disse que a nova onda sul-americana está transformando a cidade em um destino para o ano todo e atraindo mais empreendedores e companhias internacionais. "Os sul-americanos mudaram as regras do jogo -foram eles que permitiram a recuperação do mercado imobiliário", disse Pérez.
Muitos vieram para fugir de uma crise política, como fizeram os venezuelanos após a eleição de Hugo Chávez em 1998 e posteriormente de seu protegido, Nicolás Maduro, ou para escapar de turbulências econômicas, como os argentinos e colombianos.
Mas a última onda de sul-americanos traz outra mudança. Ela inclui muitos investidores em busca de empresas e imóveis. Para eles, Miami é um lugar cada vez mais atraente. O espanhol, que há muito tempo é o idioma comum em grande parte de Miami, agora domina segmentos mais amplos.
"Você pode vir aqui como empresário, profissional liberal, e fazer cinco telefonemas, todos em espanhol, para montar a infraestrutura do seu negócio", disse o professor de sociologia Guillermo Grenier, da Universidade Internacional da Flórida.
O efeito no mercado imobiliário é especialmente visível na região de Brickell, o centro bancário internacional de Miami, e nas áreas até então sujas do centro. A paixão dos sul-americanos pela vida urbana levou à explosão de novas torres de condomínios de luxo, e outras estão a caminho.
O surto imobiliário é semelhante ao que ocorreu antes da crise de 2008, aumentando o fantasma, na visão de alguns analisas, de uma nova bolha. "Status é ter um apartamento em Miami", disse Juan Zapata, o primeiro colombiano a ocupar o cargo de comissário do condado de Miami-Dade e, antes disso, no Legislativo estadual.
Os subúrbios residenciais também continuam crescendo à medida que mais sul-americanos se mudam para áreas onde seus compatriotas já se concentram. Doral, uma cidade de classe média próxima ao aeroporto, é agora uma vitrine de grupos sul-americanos, a maioria venezuelanos. Mas os sul-americanos estão muito aquém dos cubano-americanos em poder político. Muitos não votam nem disputam cargos, uma realidade que Zapata disse que precisa mudar.
Essa transformação, diz, será o novo capítulo de Miami.

Os R$ 150 mil da Dilma e o bafo de enxofre da mídia capitalista, por Gilberto de Souza jornalista editor-chefe do jornal Correio do Brasil.

Os R$ 150 mil da Dilma e o bafo de enxofre da mídia capitalista

28/7/2014 18:48
Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro

Dilma falou, nesta segunda-feira, aos entrevistadores de um grupo de veículos da mídia conservadora
Dilma falou, nesta segunda-feira, aos entrevistadores de um grupo de veículos da mídia conservadora
Relevado o fato de que a presidenta Dilma Rousseff fala aos arranquinhos, e não há fonoaudiólogo que dê jeito nisso, talvez por precisar encenar um papel diante das câmeras que quem a conhece não a poderia imaginar mais diferente do que é de fato, no cotidiano, sua entrevista nesta segunda-feira ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo foi ilustrativa para que o eleitor pudesse perscrutar a candidata do PT à reeleição, em uma de suas raras aparições. Além das minguadas conversas com jornalistas, para a chefa de Estado de um país do tamanho do Brasil, Dilma somente falou até hoje para os veículos da conhecida mídia conservadora, formada por veículos de comunicação ligados ao capital internacional, como a Folha e o portal UOL, do mesmo dono; o canal de TV SBT, do empresário Silvio Santos, integrante da ultradireita brasileira; e a rádio Jovem Pan, que segue no mesmo bojo. Isso sem considerar as demais, que se contam nos dedos, para a revista semanal de ultradireita Veja, da qual foi capa no início deste mandato; para as emissoras e demais empresas das Organizações Globo, que apoiou a ditadura militar e deve perto de R$ 1 bilhão em impostos ao fisco; e outros satélites menos cotados, mas igualmente letais para produzir um coro como aquele no Estádio do Itaquerão, durante a abertura da Copa do Mundo. Poupo os leitores do refrão.
Submete-se a mandatária até à grosseria de uma pergunta sobre os R$ 150 mil que guarda escondidos em um cofre, dentro de algum armário ou atrás de um quadro, sabe-se lá – e não é da conta de ninguém – o que faz como mania, coisa própria de quem é “de outra geração”, como admite, ou por viver em sobressaltos com uma possível quartelada, tipo relâmpago em céu aberto, coisa típica da cultura golpista que os patrões de seus entrevistadores cultivam, desde sempre. Parece até uma relação sadomasoquista na qual ela, a presidenta eleita pela maioria dos brasileiros, apanha de mão aberta, diariamente, nos meios de comunicação para os quais escolhe falar, em caráter exclusivo, e ainda lhes destina bilhões de reais do Erário em forma de publicidade, sem contar os mimos de “meus queridos” pra lá e sorrisos pra cá.
Inocente, parece que não enxerga a intenção dos interlocutores de interrompê-la, se a resposta é positiva para o perfil da estadista que é, na dissertação sobre o Programa Mais Médicos, por exemplo, ou até estourar o horário do programa, se for preciso, ao perceberem que patinou nos reais que guarda no colchão. As perguntas dos jornalistas, que deveriam ser destinadas a ajudar na elucidação dos problemas brasileiros, mais parecem ‘pegadinhas’ nas quais apostam se a ‘vítima’ conseguirá sair ilesa ou “cairá na esparrela”, como costuma dizer a economista Maria da Conceição Tavares sobre as tentativas do governo de atender aos ditames de seus algozes. Vide a recomendação do banco espanhol Santander aos clientes da Classe A, de trabalhar para a derrota da candidata petista sob pena de o Brasil falir, ou coisa parecida.
Entrevista como esta que Dilma concedeu à mídia capitalista, na tarde desta segunda-feira, equivale a contribuir para sua desmoralização muito mais do que para mostrar a pessoa que passou os melhores anos da juventude na luta por um ideal. Significa impedir que mostre ao país que governa o modelo de sociedade, mais justo e fraterno, pela qual empenhou-se a ponto de ser presa e torturada, sem que lhe mostrem um pingo de respeito por isso. Ao contrário, chegaram a sugerir que ela possa estar planejando uma fuga do país, na qual levaria os R$ 150 mil na mala, em cash.
Se Dilma pretendia gastar sal grosso no pequeno retalho podre da sociedade paulistana, que lhe vaia e xinga, a ponto de originar a reflexão de um dos inquisidores sobre o nível “radical” de enfrentamento nas ruas, entre ricos e pobres, então acertou em cheio. Embora tenha conseguido driblar a maioria das armadilhas à qual se submeteu, nessa inquisição, o esforço não parece que tenha valido a pena. A repercussão da entrevista de mais de uma hora, no elegante salão do Palácio do Planalto, aos borra-botas do capitalismo tupiniquim, será inversamente proporcional ao seu sucesso.
Mas ela insiste.
Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do jornal Correio do Brasil.

Sabatina da presidenta Dilma Rousseff demonstra que a mídia tentou, mas não conseguiu diminuir a administração petista que dá um 'banho' nas outras. Insistem em colocar a culpa do acidente da obra da prefeitura de BH na conta da presidenta, 'não é bem assim'.

Eleições 2014/Sabatina - Dilma Rousseff

Pessimismo que antecedeu a Copa agora afeta economia

* DILMA CONSIDEROU 'LAMENTÁVEL' TEXTO DO SANTANDER SOBRE ELEIÇÃO * PARA PETISTA, AÇÃO EM GAZA NÃO É GENOCÍDIO, MAS, SIM, UM MASSACRE * PRESIDENTE DIZ QUE MENSALÃO DO PT TEVE 'DOIS PESOS E UMAS 19 MEDIDAS'
DE BRASÍLIA A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição em outubro, afirmou nesta segunda-feira (28) que o mesmo clima de "pessimismo inadmissível" que antecedeu a realização da Copa do Mundo no Brasil também afeta hoje a economia. "Isso é muito grave. É uma especulação contra o país", afirmou a petista durante sabatina da parceria entre Folha, UOL (ambos do Grupo Folha), SBT e rádio Jovem Pan.Na sabatina, realizada no Palácio da Alvorada, Dilma disse ainda que houve "dois pesos e umas 19 medidas" nas investigações do mensalão do PT e do PSDB e classificou de "massacre" o que vem acontecendo na faixa de Gaza.
(FLÁVIA FOREQUE, GABRIELA GUERREIRO, JOHANNA NUBLAT, RANIER BRAGON, VALDO CRUZ E ANDRÉIA SADI)
Leia trechos da sabatina:
-
Pessimismo
Fazendo um paralelo entre a realização da Copa do Mundo e as eleições, Dilma afirmou que "há no Brasil um jogo de pessimismo inadmissível".
"Eu acho que o mesmo pessimismo que ocorreu com a Copa está havendo com a economia. E você sabe que com a economia é mais grave, porque economia é feita de expectativa. Se alguém bota na cabeça que a situação está descontrolada...", disse.
Sem citar diretamente a Folha, a presidente fez menção à manchete do jornal no dia da abertura do Mundial, em 12 de junho ("Copa começa hoje com seleção em alta e organização em xeque").
"Eu lembro que, no dia em que começou a Copa, vocês botaram assim no jornal: A Copa está resolvida nos gramados, e não está resolvida de forma alguma fora dos gramados'",(1) afirmou, citando previsões de que a Copa seria um "caos", com apagões e problemas nos aeroportos.
"Isso é muito grave. É uma especulação contra o país."
Dilma voltou a defender a política econômica, ressaltando que o país alcançou "a menor taxa história de desemprego de todos os tempos [4,9% em abril]". "Não tem desemprego. Temos a menor taxa da história de desemprego de todos os tempos. Hoje é 5,2%. Aqui, no Brasil, não acontece o que ocorre nos EUA. Não há [redução do nível de] desemprego por desalento.(2) [...] O setor que fizemos o maior empenho foi para a indústria. O crescimento é condição para o país se desenvolver."
Questionada sobre eventuais erros na condução econômica, afirmou que houve aprendizado na área de concessão de rodovias. "A gente tem de ter humildade de aprender. Quem não aprende com sua experiência é pessoa até perigosa. Aprendemos que não era possível que se levassem 20 anos para construir uma rodovia. Nem tampouco que se cobrasse pedágio sem nenhum benefício."
Ao explicar o que levou 35% a rejeitá-la, segundo a última pesquisa do Datafolha, Dilma minimizou: "Temos mudanças e reversões muito rápidas. Como a gente explica que 45 dias antes da Copa metade dos brasileiros achava que ela seria um desastre? Um mês e meio depois, a maioria achava que foi uma boa Copa".
Inflação
A presidente afirmou que a inflação não está "descontrolada" e que ela ficará neste ano dentro do teto estipulado pelo Banco Central, de 6,5% ao ano. "Se você considerar a inflação anualizada, eu te asseguro que ela ficará abaixo do limite superior da meta."
Ao ser lembrada que a inflação está no teto da banda, Dilma, depois de insistir que ela ficaria abaixo, admitiu: "Pois é, ela está no teto da banda. Nós vamos ficar nesse teto da banda".
A presidente ressaltou ainda a atuação da gestão petista durante a crise econômica de 2008. "A crise começou em 2008, e houve uma mudança na situação econômica internacional neste período. Nenhum país se recuperou."(3)
Mas reconheceu ter sido equivocada a avaliação do ex-presidente Lula de que os efeitos da crise sobre o Brasil não passariam de "marolinha". "Todos nós erramos porque não tínhamos ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro internacional tinha atingido. Não fomos só nós que erramos, o mundo errou. [...] Minimizamos os efeitos sobre a economia brasileira."
Mercado e eleições
Dilma disse ser "inadmissível" e "lamentável" análises do mercado que apontam risco de piora do cenário econômico no caso de sua reeleição, incluindo subida da Bolsa de Valores após pesquisas com números desfavoráveis ao PT.
"A característica de vários segmentos é especular em período eleitoral. Sempre que especularam, não se deram bem. Ou seja, a conjuntura política passa e eles sofrem penalidades. Eu acho muito perigoso especular em períodos eleitorais. (...) É inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro, de forma institucional, na atividade eleitoral e política."
Ao comentar a recomendação do banco Santander a correntistas informando que sua eventual reeleição poderia ter efeitos negativos para a economia, Dilma subiu o tom de voz, numa demonstração de insatisfação com o episódio, e afirmou: "Eu vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco", evitando, porém, dizer qual.
Ela classificou de "protocolar" a explicação e o pedido de desculpas do banco. O Santander atribuiu a responsabilidade pelo texto a analistas.
Conflito em Gaza
A presidente disse lamentar a declaração do porta-voz de Israel que qualificou o Brasil como um "anão diplomático". Na véspera, o Itamaraty havia condenado o uso "desproporcional" da força pelos israelenses --termo que foi repetido ontem por Dilma.
Para ela, não há um genocídio na região, mas um "massacre". Dilma disse ainda que o pedido de cessar-fogo do Conselho de Segurança da ONU é "altamente bem-vindo".
"É uma questão humanitária. É uma faixa muito pequena e as pessoas estão em uma situação de muita insegurança, muita ameaçada, com muita criança e mulher morrendo". A convocação do embaixador brasileiro em Israel, justificou, foi "para prestar esclarecimentos, porque nós tínhamos dúvidas a respeito de algumas coisas". "Oportunamente, [ele] vai voltar. Não tem nenhum momento de ruptura nem nada."
Pasadena
Em meio a denúncias de superfaturamento na compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras, Dilma disse que não foi "desgastada" pelo caso, nem merecia ser condenada pelo Tribunal de Contas da União. Na época da aquisição, em 2006, ela presidia o Conselho de Administração da estatal, que avalizou o negócio.
"Eu fui afastada desse processo. Não tem como me condenar por Pasadena. Agora, acho que Pasadena tem de ter um certo cuidado no tratar essa questão, porque ela foi objeto de um conflito judicial", disse. Em defesa do ex-diretor Nestor Cerveró, que foi apontado pela candidata como autor de um "parecer falho" que viabilizou a compra da refinaria, Dilma disse que ele não poderia ter sido afastado do cargo antes do fim do processo judicial que envolve Pasadena.(4)
Chantagem
Depois de trocar duas vezes o comando do Ministério dos Transportes a pedido do PR, titular da pasta, Dilma negou ter cedido a "chantagem". "Eu me sentiria chantageada se colocasse no ministério uma pessoa que não confio e não conheço. Pelo contrário. Eu confio e eu conheço o Paulo Sérgio [Passos]."
Passos assumiu o comando da pasta em 2011, depois da "faxina" promovida pelo governo no Ministério dos Transportes em meio a denúncias de corrupção. O ministro ficou no cargo até 2013, quando o PR pediu a troca por César Borges. Em junho deste ano, o PR pediu o retorno de Passos e a saída de Borges, por considerar que o ministro não representava mais os interesses da sigla. A presidente atendeu a todos os pedidos.
Dilma disse que acatou as trocas por ter Borges e Passos em sua "alta conta".
Mais Médicos
Uma de suas principais bandeiras na campanha à reeleição, o programa Mais Médicos foi defendido pela presidente. Ela refutou críticas da oposição diante da diferença da remuneração paga a profissionais cubanos e demais médicos inscritos."Essa posição fundamentalista sobre Cuba é um despropósito."
"Nós pagamos aqui uma parte do salário, R$ 3.000. E eles ganham auxílio-alimentação, auxílio-moradia e auxílio-transporte.(5) (...) O que acontece em Cuba? Eles depositam o salário que ele recebe [do governo brasileiro]."
A presidente apontou o caráter provisório do programa e disse ser necessário diante da carência de profissionais no interior e em periferias.
Mensalão
Ao falar sobre o mensalão do PT, Dilma disse que houve discrepância em relação ao mensalão do PSDB, que tramita na Justiça mineira. "Nessa história da relação com o PT, tem dois pesos e umas 19 medidas. Por quê? O mensalão foi investigado, agora o mensalão mineiro, não."
A candidata à reeleição insinuou que houve engavetamento no caso do mensalão do PSDB, mas evitou acusar diretamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de atuar em favor de aliados em 1998, ano da denúncia.
"Nós tomamos todas as providências. Não tivemos nenhum processo de interromper a Justiça. Nós não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos processo. (...) Não vou julgar governo nenhum porque não é meu papel."
No maior julgamento de sua história, o STF condenou 25 réus, entre eles ex-integrantes da cúpula do PT, concluindo ter havido compra de apoio legislativo no governo Lula. O caso do mensalão do PSDB apura suspeita de desvios de verbas para a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 1998.
Dinheiro em espécie
A presidente atribuiu a uma "mania" o fato de ter, segundo declaração à Justiça Eleitoral, R$ 152 mil em espécie. "Sete anos da minha vida eu vivi fugida. Tinha muito tempo que eu dormia de sapato". Durante a ditadura militar, Dilma foi presa e torturada.

Brasil 247. Delfim: sensação de bem-estar continua alta

Brasil 247 – Segundo o economista Antônio Delfim Netto, apesar do pessimismo interno com relação ao crescimento de 2014, segue em alta a sensação de bem-estar da pessoa comum, “que é mais sensível à segurança do seu emprego, à capacidade de compra do seu salário real, e à diminuição das desigualdades de rendas”.
Ele aponta um gráfico do Ipea que mostra a evolução que o cidadão vem escalando desde a estabilização monetária bem-sucedida do Plano Real. “De 2003 a 2010, o avanço foi muito rápido. Houve maior foco na política distributiva e uma contribuição não pequena do aumento da renda produzido pela enorme melhoria das nossas relações de troca em resposta à entrada da China na OMC”, afirma.
Segundo o economista, o cidadão médio pouco sofisticado em matéria financeira, concentrado em ganhar a vida honestamente para si e sua família, "sente" apenas que continua subindo a escada do "bem-estar" com degraus de alturas diferentes, mas sempre subindo. Para ele, é essa expectativa parece determinar o resultado da eleição.

Janio de Freitas. Cobrança de devedores. "A valorização da fazenda comum tornou-a, tão logo a pista foi concluída, um patrimônio de alto nível da família do então governador Aécio Neves."


Janio de Freitas



Cobrança de devedores


As ameaças dos "ativistas" aos fotógrafos, cinegrafistas e repórteres –"Lutar não é crime / Vocês vão nos pagar"–, berradas em coro dentro do próprio Sindicato dos Jornalistas do Rio, são um equívoco duplo e denunciador de inequívoca obtusidade política. Mas não só.
Lutar pode ser crime, sim, a depender da luta. Lançar um rojão contra um cinegrafista de costas, levando-o à morte, não é lutar. É covardia mortal. Como também é só covardia criminosa, embora, por sorte, não letal, derrubar e ferir um cinegrafista que apenas procurava captar a liberação dos presos por violências apelidadas de "manifestações".
É quase engraçado que os adeptos da violência inútil estejam tomados de ódio aos jornalistas. Tivessem um mínimo de percepção, deveriam exibir-lhes muita gratidão. Na obtusidade da sua ira, ainda não perceberam que devem a jornalistas a sua integridade física, se é que muitos não devem a vida.
Não fossem os cinegrafistas, os fotógrafos e os repórteres que se expõem no testemunho das arruaças, não haveria o clamor das reportagens e artigos que pressionam e convencem os responsáveis pela atividade polícia a conter, desarmar e até sacrificar os métodos e, é preciso dizê-lo, as obrigações repressoras requeridas pela segurança pública.
No Rio e em São Paulo, é muito evidente o esforço das Secretarias de Segurança por uma nova conduta policial, por educar o agente de segurança para os confrontos sem exorbitâncias. Os beneficiários desse avanço não são os jornalistas que os cobraram, inclusive pela exibição de arbitrariedades policiais. São os manifestantes arruaceiros, os grevistas agressivos e os direitos humanos.
Até mamãe Sininho acusa os jornalistas de tornarem "um inferno a vida" da filhota Sininho. Mas não foram os jornalistas que frustraram o plano de incendiar a Câmara Municipal do Rio. Têm dado tratamento até muito camarada às pessoas e investigações das violências passadas e pretendidas. Para percebê-lo, é suficiente imaginar o tratamento aos mesmos fatos e gravações com personagens de outra classe social.
Por falar em gravações: ainda que a polícia tenha "plantado as bombas encontradas", como dizem as defesas, as vozes e diálogos gravados não foram plantados. E também não foram gravados por jornalistas.
ESQUECIDAS
O massacre da população civil fez o Ocidente e seu jornalismo esquecerem o sequestro, pelos terroristas do Boko Haram, das mais de 200 meninas na Nigéria. Há semanas não se tem notícia das tentativas de encontrá-las ou de negociar sua libertação. O jornalismo das tragédias tem hierarquias.
ALTO GANHO
Teodomiro Braga, "superintendente de imprensa do governo de Minas Gerais", deu como "absolutamente falsa a afirmação do texto 'Aeroporto pode ajudar tio de Aécio em ação na Justiça'", reportagem da Folha de 25/7. Aécio Neves, por sua vez, em pessoa e em notas do seu comitê, por diversas vezes negou qualquer benefício à sua família com a construção do aeródromo, junto à pequena cidade mineira de Cláudio. O ganho, porém, é ainda maior do que o já considerado.
A reportagem revelou a possibilidade de que a família venha a pagar com dinheiro da desapropriação, feita pelo Estado, uma cobrança anterior do próprio Estado, em ação judicial por uso impróprio de recurso público. Mas o maior e já efetivado ganho com a construção da pista em fazenda da família está nesta certeza: a fazenda que circunda a pista asfáltica de mil metros tornou-se um imóvel dotado de infraestrutura especial e incomum. Pista sem custo de construção nem de manutenção, pelo tempo afora, para os proprietários.
A valorização da fazenda comum tornou-a, tão logo a pista foi concluída, um patrimônio de alto nível da família do então governador Aécio Neves.

Dilma em sua versão 4.0 vem aí, por Daniel Quoist no Brasil 247.


Daniel Quoist

DANIEL QUOIST
Se eu fosse qualquer dos principais adversários da candidata Dilma Rousseff começaria a me preocupar com os debates que virão pela frente
E foi o que ocorreu com Dilma Rousseff entre os anos 2010 e 2014. Temos uma outra Dilma, eloquente, à vontade, com domínio do tempo jornalístico. Isso ficou patente ao assistir ao vivo a sabatina com os presidenciáveis do pleito presidencial de 2014 promovido pelo consórcio Folha/Uol, no Palácio da Alvorada, em Brasília, na tarde desta segunda-feira, 28 de julho.
Chama a atenção a descontração de uma presidente sempre bem-humorada mesmo que as perguntas que lhe destinavam pareciam mísseis teleguiados por Israel em direção à Faixa de Gaza, a diferença é que a segurança da presidente funcionou como perfeita bateria antimíssil, derrubando logo de início o caráter provocativo das questões e abatendo por completo o lait-motiv dos inquisidores que não era outro que deixá-la sem norte e sem rumo, sem resposta, insegura, encurralada.
A segurança das respostas de Dilma também ficou evidente. Sabia dados econômicos na ponta da língua, e mais que isso, se sentia muito à vontade para desqualificar informes estatísticos aventados por Kennedy Alencar e Josias de Souza, não demonstrando irritação com quem fazia a pergunta e sim, buscando apresentar o enfoque que em cada situação lhe parecia ser o mais correto, verdadeiro, genuíno.
Essa sabatina deixou em apuros a visão de nossa grande imprensa: quase sempre distorcida, colocando por baixo do tapete jornalístico o que de bom é feito pelo governo e dando desmedida exposição midiática a qualquer indicador que demonstre inflação descontrolada, desemprego em alta, desaquecimento econômico. E para isso incansável em expor cenários comparativos os mais inusitados como: a maior taxa de desemprego na indústria em meses com maior números de lua no quarto minguante; a maior escalada inflacionária desde que foi inventada a penicilina ou desde quando foi descoberto o ex-planeta Plutão; desde que foi lançado nas farmácias e drogarias de todo o país o regulador Xavier; ou ainda, dos tempos em que Monteiro Lobato criou a boneca Emília e se envolveu  na campanha nacionalista "O petróleo é nosso!"
E nossa imprensa chega às raias do risível quando investe pesado em pintar tempestades perfeitas irrompendo assim do nada, como se surgisse ao acaso em perfeitos dias ensolarados.
Com domínio do lugar da fala, Dilma foi a senhora absoluta do tempo da entrevista, colocou sob sua perspectiva o que era de seu desejo explicitar, soube com rara habilidade de comunicadora – coisa que ela realmente não é ou pelo menos nunca demonstrara antes ser – não se prender à maneira e ao contexto com que os temas eram levantados pelos entrevistadores.
E estes contextos eram claramente desfavoráveis ao seu governo. A maior parte dos tópicos foram levantados tendo como pano de fundo claro clima de confrontação, aquele clima que se bem emoldurado, costuma render além de boas manchetes jornalísticas, farto combustível a ser alardeado pela oposição como fraqueza da presidente que tenta a reeleição.
E tudo assumia tinturas de escândalo, escárnio, menosprezo ao governo da entrevistada. Algumas das bombas logo desarmadas foram:
Santander: Dilma considerou a ação do banco espanhol para influenciar no processo eleitoral como inadmissível, afirmou ainda estar estudando medidas a serem tomadas e disse que o pedido de desculpas do banco foi não mais que protocolar, ou seja, que o governo brasileiro não ficara satisfeito com as explicações e, que pretende,algo entre 0 e 10 como 1,5 ou 2.
Anão diplomático: Acerca do vexame cometido pela chancelaria israelense de taxar o Brasil de “irrelevante” e “anão diplomático”, não só reafirmou que agira de forma certa ao convocar a Brasília nosso embaixador em Israel, como também disse e repetiu que apoia integralmente a posição da ONU de que tem que haver um cessar fogo imediato do bombardeiro de Israel sobre a população civil de Gaza. Falou da importância do Brasil quando da criação do estado de Israel, de grande parte da população brasileira ser descendente dos cristãos novos, aqueles que no século XV  assumiram novos sobrenomes como forma de escapar da diáspora ibérica. Preferiu chamar de massacre ao invés genocídio o que Israel está fazendo em Gaza. E deixou claro que não pretende cortar relações diplomáticas com o estado judeu.
= Mensalão: Dilma afirmou que o processo envolvendo o PT e partidos de sua base aliada, herdada ainda dos governos Lula da Silva foi tratado, se visto em relação ao mensalão do PSDB, como “dois pesos e 19 medidas”. E desconcertou Josias de Souza com essa: “O mensalão mineiro não foi julgado pelo STF e você sabe como será julgado em Minas, não é Josias?”
= Corrupção: Dilma rechaçou a pecha que a oposição e a mídia tenta desde há muito colar no PT de que é um partido que enseja o crescimento da corrupção. Demonstrou que, muito ao contrário do que se acostumaram a difundir, o PT é quem mais investiga qualquer caso de corrupção, é o partido que teve, pela primeira até seus antigos dirigentes condenados, bem ao contrário dos demais partidos que sempre mantiveram a prática de engavetar as denúncias, abafar os escândalos, nada investigar. Dilma reafirmou sua profunda confiança em órgãos como a Controladoria-Geral da União, o Ministério Público Federal, a Advocacia-Geral da União, o Tribunal de Contas da União.
= Inflação: Dilma nadou de braçada, dando informações detalhadas sobre o comportamento anual das taxas de inflação de 1999 a 2013, e com isso esclareceu que os governos do PT sempre estiveram dentro das metas, e na maioria dos anos, bem abaixo do centro das próprias metas. Destacou a robustez econômica do Brasil em relação a diversos países do mundo. Afirmou que mesmo em meio à crise internacional de tal monta. o Brasil optou por políticas de livre emprego e não pelo desemprego e arrocho salarial, que segundo ela, eram práticas dos governos anteriores ao PT.
= Cuba: Dilma fez clara defesa do seu Mais Médicos, explicou que o maior número de médicos vem de Cuba simplesmente porque foi o país que melhor atendeu aos propósitos do programa que é o de interiorizar o atendimento à saúde básica nas regiões Norte e Nordeste, em lugares remotos do Brasil, áreas indígenas e nas periferias das grandes cidades de todo o país: primeiro abriu para médicos brasileiros, conseguiu pouco mais de mil; depois abriu para médicos do exterior, pouco mais de 12 mil se inscreveram e destes cerca de 10 mil eram de nacionalidade cubana, quando então o governo brasileiro buscou concretizar a parceria com a entidade de saúde que tratava de convênios da espécie (OPAS). Afirmou também que não se trata de salário e sim de bolsa. E que é algo temporário, até que o Brasil consiga formar médicos em quantidade suficiente às necessidade do país e consiga convencê-los a se estabelecer em centenas de municípios-metas do Programa. Depois mencionou que achava um contrassenso que, em pleno século XXI, ainda existisse tanta aversão a Cuba. E afirmou que a totalidade dos países da América do Sul, inclusive o Brasil, são unânimes ao se posicionar contra o embargo/bloqueio mantido pelos Estados Unidos contra a pequena ilha caribenha há tantas décadas.
= Rejeição: Dilma disse que boa parte dessa rejeição atribuída ao PT e ao seu governo tem a ver com o desconhecimento da população das ações do governo e que com o horário eleitoral isso será sanado. Lembrou que um mês antes da Copa do Mundo pesquisas davam conta que mais de 60% da população estavam contra o Mundial e que durante e logo após o evento, cerca de 84% da população mostrou posição amplamente favorável, positiva acerca de Copa no Brasil. Perguntada sobre o que pretende fazer quanto à sua rejeição em São Paulo, apresentou várias grandes obras do governo federal em São Paulo: 600 mil casas pelo “Minha casa, minha vida”, grande parte da construção do Rodoanel. Creditou isso ao nível de desinformação.
= Dinheiro em casa: Josias de Souza quis saber porque ela conservava consigo R$ 152.000,00 em espécie, porque não tinha esse dinheiro em banco. Dilma foi de uma sinceridade desconcertante: ”acho que isso vem do tempo em que eu vivia fugindo, dos três anos em que fui presa durante a ditadura militar, eu era uma fujona”. Matou assim dois coelhos de uma só cajadada. Primeiro, porque relembrou seu passado de resistência à ditadura, coisa que nenhum de seus adversários na corrida pelo Planalto podem trazer para si. Segundo, porque é uma pessoa de hábitos e que prefere ir ao longo do ano ir depositando em poupança. È óbvio que uma pessoa que é perseguida por um regime, como aquele que os militares instauraram no Brasil no período 1964/1985, não cometeria a insensatez de manter conta em banco, até porque nunca se sabia em que residência pernoitaria ou em qual cidade buscaria refúgio. Simples assim.
Ao final, nenhuma pergunta ficou sem resposta. E em nenhuma Dilma fraquejou ou gaguejou, simplesmente porque enfrentou todos os temas com extrema naturalidade e segurança. Aquela naturalidade de quem se orgulha do que fez e a segurança de quem sente orgulho do que faz.
A candidata que tenta sua reeleição em outubro próximo é imensamente diferente daquela desconhecida bancada por um presidente-rei-da-comunicação como o foi Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Por outro lado, foi um bom exercício para jornalistas que sempre se achavam  "a última bolacha do pacote" perceber como a realidade é outra quando há espaço para o contraditório.
Se eu fosse qualquer dos principais adversários da candidata Dilma Rousseff começaria a me preocupar com os debates que virão pela frente. Porque, levando em conta esse aperitivo servido pela Folha/Uol, Dilma nunca esteve tão à vontade como agora para discorrer sobre qualquer tema.
O mesmo não se pode dizer de Eduardo Campos. O pernambucano, neto de Miguel Arraes, posou  tempo demais tentando passar a imagem de que é a encarnação de  um novo modo de fazer política, uma terceira via possível para a política nacional em contraponto ao binômio PT/PSDB, agora nos debates terá que explicar pencas de contradições internas de seu combalido PSB: histórias mal contadas e numerosos atritos envolvendo o consórcio PSB/Rede de Marina Silva e atinentes à distância entre “programático e pragmático”; percepção que nordestinos têm de que ele traiu Lula em favor de sua ambição pessoal; compra de apoio político para seu candidato ao governo de Pernambuco; coligações com expoentes da direita ao estilo Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes; apoio aos candidatos tucanos aos governos de Minas (Pimenta da Veiga) e São Paulo (Geraldo Alckmin).
Quanto ao mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, ele terá que conviver com uma imprensa que decididamente não é a das Minas Gerais. E terá que parar de gaguejar e de mostrar seu incontrolável nervosismo ao tratar de temas triviais em uma campanha presidencial que faz completo contraponto do atual governo ao legado de FHC; aeroportos que vão de Montezuma a Claudio; bafômetro; drogas; evolução patrimonial; rádio Arco-Íris; cerco à imprensa de oposição ao seu governo; perda de posições de Minas Gerais para vários outros estados brasileiros nos últimos 5 anos; mensalão tucano envolvendo seu candidato Pimenta da Veiga ao governo de Minas;Petrobrax.

Brasil 247. Bancários aprovam moção de repúdio ao Santander

Brasil 247 – Em plenária da 16ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada em Atibaia (SP), deste domingo (27), os 634 delegados e delegadas aprovaram por unanimidade uma moção de repúdio ao Santander, em resposta à carta enviada no mês de julho aos clientes de alta renda (Select), contra a reeleição do governo Dilma Rousseff.
Para o presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro, "um banco estrangeiro, que veio aqui e adquiriu bancos, sobretudo, na era das privatizações do governo FHC, revela um profundo desrespeito com o Brasil e os brasileiros, piorando ainda mais a sua imagem junto aos trabalhadores e à população".
"Não permitiremos que atos terroristas de bancos, como o Santander, coloquem em risco a democracia no Brasil, que foi duramente conquistada após muita luta e sangue nos últimos 50 anos", salientou o dirigente sindical.
Carlos Cordeiro informa que os bancários do Santander, em todo o País, decidiram realizar, nos próximos dias, um dia de luta contra o "terrorismo do banc"o. Além disso, a Contraf-CUT irá entrar com uma representação na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tem entre suas signatárias a Espanha, onde está sediado o Santander.
“A categoria está indignada e a resposta será dada com muita mobilização” finalizou Cordeiro.
Leia a íntegra do texto aprovado:
MOÇÃO DE REPÚDIO AO BANCO SANTANDER
Os delegados reunidos na 16ª Conferência Nacional dos Bancários repudiam a postura do banco Santander Brasil ao enviar comunicado a clientes de renda alta, no qual afirma haver "quebra de confiança e pessimismo crescente em relação ao Brasil", e que se a presidenta Dilma Rousseff "se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir. O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia".
Consideramos o gesto do banco irresponsável, não só com a economia, mas com a democracia brasileira. Uma instituição desse porte não pode, ainda que tenha preferência eleitoral, praticar especulação, agredir a imagem do país e pôr em dúvida a nossa estabilidade. Vivemos uma situação de cenário mundial complicado, mas com crescimento sustentável, inflação controlada, juros estáveis, geração de empregos e elevação da renda.
É inaceitável essa ingerência do banco espanhol tentando influenciar a disputa eleitoral contra a vontade soberana do povo que irá às urnas em 5 de outubro.
Delegados e delegadas presentes à 16ª Conferência Nacional dos Bancários

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Gastos da campanha de Aécio chegam a R$ 36 milhões só com panfletagem


Gastos da campanha de Aécio chegam a R$ 36 milhões só com panfletagem

Total não inclui impressão de santinhos e adesivos


Na manhã desta segunda-feira (28), em diversos pontos da cidade e região metropolitana do Rio de Janeiro, dezenas de jovens iniciaram campanha distribuindo panfletos e adesivos do candidato à presidência da República Aécio Neves (PSDB). Com bonés amarelos e camisetas brancas com adesivos do candidato, eles se posicionaram pelos sinais de trânsito da cidade, tentando colar nos carros adesivos com a foto de Aécio e seu logo, em verde, amarelo e azul.
Segundo os panfleteiros, a receptividade não está sendo boa. “Está difícil, especialmente para colar os adesivos. Só conseguimos entregar em mãos”, disse um dos rapazes. Eles têm a meta de colar 60 adesivos por dia, cada um. “A dificuldade maior é realmente as pessoas deixarem colar os adesivos”, completou outro rapaz.
Três deles falaram que de uma forma geral as pessoas não querem seus carros "rotulados". Já outros que estão distribuindo panfletos acham que a recusa reflete mesmo a falta de apoio ao candidato.

Adesivos e panfletos de Aécio Neves são distribuídos para motoristas no Rio de Janeiro
Adesivos e panfletos de Aécio Neves são distribuídos para motoristas no Rio de Janeiro
Eles informaram que cumprem uma jornada de seis horas durante a semana, das 7 às 13 horas, e que aos sábados o horário é das 9 às 14 horas. Ainda segundo eles, até o mês que vem haverá panfleteiros espalhados por toda a cidade.
Os distribuidores foram contratados pela empresa Entreter e ganham R$ 75 pelo dia de trabalho, mais vale-refeição de R$ 8. O contrato se estende por vinte dias consecutivos, totalizando R$ 1.660.
Segundo eles, no momento há mais de 500 pessoas fazendo o trabalho, espalhados por todo o Rio de Janeiro e Região Metropolitana, incluindo, Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo e Zona Oeste. O investimento da campanha, baseado em 500 pessoas, chega a R$ 830 mil para 20 dias de trabalho. Multiplicando este total por dois, levando-se em consideração que ainda haverá dois meses de campanha, chega-se a R$ 1.660.000,00.  Como esta mesma atividade será feita em 22 estados, já que se trata de uma campanha para a Presidência, chega-se a R$ 36.520.000,00, só considerando a campanha com panfletos e adesivos nas capitais.
Tanto a assessoria do candidato quanto a assessoria da empresa foram contatados pelo JB para comentar os números, mas não responderam.

O 'mercado', que toca horror na eleição, quebrou o mundo