domingo, 29 de janeiro de 2012

Ao balançar as árvores onde as feras peemedebistas sobem para descansar, Dilma faz com que gastem mais energia se segurando onde estão do que em busca de novos cargos. Eles têm a impressão de que venceram e ela cedeu. Mas quem for olhar de perto verá que a presidente levou a melhor

Nas entrelinhas


Por Denise Rothenburg
deniserothenburg.df@dabr.com.br





Dilma, o bambolê e 2012
Ao balançar as árvores onde as feras peemedebistas sobem para descansar, Dilma faz com que gastem mais energia se segurando onde estão do que em busca de novos cargos. Eles têm a impressão de que venceram e ela cedeu. Mas quem for olhar de perto verá que a presidente levou a melhor

Na política, assim como na vida, vale o ditado “quem pode mais, chora menos”. E, no momento, quem “está podendo” é a presidente Dilma Rousseff. Enquanto os peemedebistas se armaram para segurar o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ela mudou o alvo e trocou os diretores do Banco do Brasil. Não mexeu nos vice-presidentes indicados pelos partidos, que já haviam sido substituídos recentemente.

Há 10 dias, quando o foco dos políticos e da imprensa estava na reforma ministerial, Dilma avisou que José Sergio Gabrielli era quase ex-presidente da Petrobras. Gabrielli tentou se movimentar para ver se segurava por mais um período ali, mas a mudança já estava na boca do povo. Não deu tempo nem de recorrer a Lula.

Dilma dispensa o ensinamento de Maquiavel a respeito das maldades, ou medidas duras, que devem ser feitas todas de uma só vez. Ela as faz aos poucos. E ganha pontos com isso. No caso de Elias Fernandes, do Departamento Nacional de Obras contra as Secas, Dilma deixou que torrasse ao sol. E, para completar, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, saiu da história com ares de quem defendia um suspeito de corrupção. Certamente, a presidente ganhou mais alguns pontos ao trocar alguém que tinha tantas suspeitas nas costas e o PMDB perdeu mais alguns ao ter seu líder no papel de defensor.

Por falar em PMDB…Todos os seus lideres têm motivos de sobra para não irritar a presidente Dilma Rousseff. Do vice-presidente Michel Temer ao líder da Câmara, Henrique Eduardo Alves, ninguém tem bala na agulha para impor suas vontades ao Planalto. Temer trabalha no fio da navalha para atender seu partido e, ao mesmo tempo, permanecer como o número um para a vaga de vice em 2014. Se vacilar, Eduardo Campos, do PSB, lhe toma o espaço. O próprio Henrique nunca esteve num momento tão delicado. Tem que ficar pianinho este ano para não melindrar o PT e, assim, conseguir manter o partido de Dilma como seu aliado no projeto de conquistar a Presidência da Câmara em janeiro do ano que vem.

O mesmo problema tem o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. Com Sérgio Machado tremulando na Transpetro — e, por tabela, a vontade de presidir a Casa depois de José Sarney (PMDB-AP). Nem Sarney tem essa força toda hoje para combater Dilma. O fato de ter uma filha governadora num estado dependente de verbas federais não dá a Sarney grandes chances de se movimentar em confronto.

Por falar em confronto…Com todos os seus principais líderes amarrados, o PMDB fica meio imobilizado na hora de cobrar mais espaço. E, para completar, Dilma tem jogado de um jeito a evitar que o partido se apresente em busca de novos postos no primeiro escalão. Há alguns meses, o PMDB olha com ares de desejo para o Ministério das Cidades. Mas a situação atual indica que o PMDB se dará por satisfeito se segurar a Transpetro e puder indicar o futuro diretor do Dnocs.

A presidente não é nem um pouco ingênua. Ao balançar as árvores onde as feras peemedebistas sobem para descansar, Dilma faz com que gastem mais energia se segurando onde estão do que em busca de novos cargos. Eles têm a impressão de que venceram e ela cedeu. Mas quem for olhar de perto verá que a presidente levou a melhor. Dentro do próprio PMDB, ninguém tem dúvidas de que Dilma aprendeu a usar o bambolê recebido de presente do líder Eduardo Alves. Ao ponto de deixar em xeque o próprio Alves. A presidente, realmente, “está podendo”.

Por falar em gastar…O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, saiu todo sorridente essa semana do gabinete da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Isso porque os investimentos em aeroportos regionais devem chegar a R$ 3 bilhões até 2014. Mas o governo só pretende falar detalhadamente sobre o assunto depois de leiloadas as concessões de Guarulhos, Brasília e Campinas, marcadas para 6 de fevereiro.

Jornalistas são presos em operação da polícia britânica, não corremos esse risco no Brasil porque aqui a imprensa é soberana e não existe corrupção em seu meio

Mídia
Jornalistas são presos em operação da polícia britânica
DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS - Cinco homens foram presos ontem em Londres em operação da polícia metropolitana que investiga possíveis subornos de jornalistas a policiais. Foram detidos um policial de 29 anos, suspeito de corrupção, e quatro jornalistas do tabloide "The Sun". Os jornalistas são suspeitos de "corrupção e má conduta em repartição pública e conspiração". As detenções acontecem dentro da Operação Elveden, que investiga as práticas do grupo News International, pertencente ao magnata Rupert Murdoch, que também publica o "The Sun".

Obrigado, Josué Gomes da Silva, enfim alguém que escreve na Folha não tem vergonha de reconhecer a grandeza do povo brasileiro. Muito Obrigado !


Josué Gomes da Silva
Heróis anônimos
Em 29 de janeiro de 1943, há exatos 69 anos, os presidentes Franklin Roosevelt, dos EUA, e Getúlio Vargas, do Brasil, encontraram-se na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Dentre o que foi tratado, o envio de tropas brasileiras aos combates da Segunda Guerra Mundial, na Europa.
O tema era pertinente a um dos capítulos mais heroicos da história de nosso país, escrito com muita coragem e determinação na defesa dos ideais de liberdade: a saga da FEB (Força Expedicionária Brasileira).
Segundo o Cpdoc (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da FGV, a Força foi constituída em agosto de 1943, sob o comando do general-de-divisão João Batista Mascarenhas de Morais. Seu emblema era uma cobra fumando, desafiando os que diziam ser mais fácil uma serpente fumar do que o Brasil entrar no conflito.
As primeiras vitórias de nossos pracinhas, designados para combater na Itália, ao lado das forças dos Aliados, aconteceram em setembro de 1944, com a ocupação de Massarosa, a tomada Camaiore e a queda de Monte Prano.
Em 1945, eles foram decisivos na tomada de Monte Castello, Castelnuovo e Montese, um dos últimos bastiões de resistência das tropas alemãs. Em 2 de maio, felizmente, terminaram as hostilidades na Itália e, no dia 7, a assinatura da rendição definitiva da Alemanha, pôs fim à guerra em território europeu.
A trajetória dos cerca de 25 mil soldados da FEB foi heroica, e somos gratos aos que retornaram em segurança e aos 454 homens que deixamos sepultados na Itália, no cemitério de Pistoia.
Oportuno lembrar, neste 29 de janeiro, o encontro de Vargas e Roosevelt e toda a trajetória dos pracinhas brasileiros. Precisamos valorizar os grandes feitos nacionais, em todos os setores.
A FEB, nem sempre evidenciada de modo proporcional ao seu real significado, é referência da tenacidade de nosso povo. Somos gente capaz de superar os mais difíceis obstáculos, como ocorreu nas crises econômicas de 2008/2009 e como se observa neste momento de incertezas econômicas no hemisfério Norte.
É importante que nós, brasileiros, acreditemos cada vez mais em nossas potencialidades e possibilidades. Querem mais um exemplo? Neste mesmo 29 de janeiro, em 1886, há 126 anos, Karl Friedrich Benz obteve a primeira patente de um automóvel a gasolina. Foi um marco. Neste século, o Brasil desenvolveu o carro flex, estabelecendo nova era tecnológica na indústria automotiva.
Heróis das guerras, das fábricas, das universidades, do comércio, dos serviços, da agropecuária, das empresas e das casas fazem a história de nosso povo, predestinado a ser vencedor.
JOSUÉ GOMES DA SILVA escreve aos domingos nesta coluna.

Elio Gaspari vive torturado com a imagem do "Nosso Guia" e se entristece com o fato do Brasil fazer parte do Bric e diz cheio de ódio:"Jim O'Neill, acha que o mundo vai bem, o Brasil vai melhor e Lula é o grande nome da década passada"

Elio Gaspari
O homem dos Bric está otimista
Jim O'Neill, acha que o mundo vai bem, o Brasil vai melhor e Lula é o grande nome da década passada
Para quem não aguenta mais as notícias ruins da economia mundial, apareceu uma voz otimista. É a de Jim O'Neill, o economista da casa bancária Goldman Sachs que, em 2001, cunhou o acrônimo Bric. Ele chamava atenção para a emergência das economias de Brasil, Rússia, Índia e China.
Hoje, acredita que o mundo vive "os primeiros anos de algo que provavelmente será o maior deslocamento de riqueza e das desigualdades de renda da história". O motor do progresso serão os Bric, mais o grupo dos "Próximos 11", os "N-11".
Seu principal argumento é o de que no ano passado a economia mundial crescia a 4% ao ano, contra 3,7% dos 30 anteriores. Numa ponta desse progresso estão os novos ricos. A BMW tem fila de espera na Alemanha porque a fábrica está atendendo pedidos chineses. Na outra ponta, estão centenas de milhões de pessoas que saem da pobreza. Ele estima que em 2025 o Brasil terá mais carros que a Alemanha e o Japão juntos.
Num novo indicador, que reúne variáveis macro e microeconômicas, tais como telefones, internet, computadores, respeito aos contratos, corrupção, estabilidade política, expectativa de vida e educação, em 2010, o Brasil ultrapassou a China e tomou-lhe o primeiro lugar.
O'Neill juntou suas previsões no livro "Growth Map" ("O Mapa do Crescimento - Oportunidades Econômicas nos Brics e Além Deles", com o e-book a US$ 14,99). Veterano da Goldman Sachs, estava lá em 2002, quando produziu-se na casa o "Lulômetro", um indicador terrorista que permitia estimar o preço do dólar se Nosso Guia fosse eleito. Passou o tempo e, depois de destacar que o Brasil saiu do atoleiro graças às reformas de Fernando Henrique Cardoso, ele coloca Lula como "o maior político do G20 na primeira década do século".
O'Neill conta que em 2003, quando esteve em Pindorama, ouviu o seguinte de seu anfitrião: "Você só incluiu o Brasil porque tornava o acrônimo atraente". Não foi bem assim, uma testemunha do diálogo relembra: "Não sei se foi ele quem disse isso ou se, tendo ouvido o comentário, concordou". À época, O'Neill teria ficado em dúvida entre o Brasil e o México, mas MRIC soaria como um grunhido. Ele reconhece que o "B" foi "a maior e a mais audaciosa aposta que fiz" e revela ter sido influenciado pela qualidade do futebol brasileiro. (Em 2002, numa brincadeira de futurologia esportiva, O'Neill estimou que o Brasil não chegaria à final da Copa da Ásia.)

Análise de uma cidadã estadunidense, bem diferente da nossa imprensa corrupta:"Uma confissão: a viagem da presidente Dilma a Cuba me faz sentir "inveja de política externa". Como historiadora e analista política que vem viajando à ilha e escrevendo sobre ela há 25 anos, já teci fantasias sobre ter a oportunidade de assistir a meu próprio-dos EUA- presidente fazer uma viagem dessas."

Opinião
Na ilha, não é o blog de Yoani Sánchez que merece atenção
Diálogo que Dilma pretende fazer tem chance de reforçar transformações
JULIA SWEIG
ESPECIAL PARA A FOLHA
Uma confissão: a viagem da presidente Dilma a Cuba me faz sentir "inveja de política externa". Como historiadora e analista política que vem viajando à ilha e escrevendo sobre ela há 25 anos, já teci fantasias sobre ter a oportunidade de assistir a meu próprio presidente fazer uma viagem dessas.
Mas, nos EUA, a ideia de que eleitores e financiadores de campanhas cubano-americanos puniriam um presidente que fosse longe demais nos leva a ignorar as transformações monumentais, embora lentamente implementadas, advindas sob Raúl. Perda nossa, ganho do Brasil.
Quando primeiro decidi escrever uma coluna sobre a viagem de Dilma a Cuba, imaginei que eu falaria sobre o teor das reformas econômicas, sociais e políticas -empresas privadas, acúmulo de capital e produtividade agora são coisas patrióticas, e não contrarrevolucionárias- abrangidas no eufemismo governamental sobre "atualização do socialismo cubano".
Mas, quando uma jornalista de uma séria agência de notícias internacional me telefonou para falar sobre a visita, ela me surpreendeu ao apresentá-la, como a imprensa brasileira vem fazendo, como um teste da política de direitos humanos de Dilma.
Após um ano na Presidência, Dilma vem lentamente, e com alguns desvios incômodos, assinalando a intenção de fazer dos direitos humanos uma parte de sua agenda nacional e internacional.
Em Cuba, porém, não são o blog de Yoani Sánchez nem a comparação autoelogiosa e historicamente falsa que ela traçou com Dilma na juventude que merecem atenção ou são medidas de avanço dos direitos humanos.
Os tuítes dela não se comparam às críticas aguçadas e profundamente focadas ao governo que podem ser encontradas, por exemplo, em nada menos que o site da Arquidiocese de Havana, www.espaciolaical.org.
Ali, uma gama inusitada e ideologicamente diversificada de vozes critica o governo, a burocracia e o Partido Comunista por sua opressão desumanizadora dos cidadãos cubanos. As críticas não medem palavras, mas sua intenção é serem construtivas, e não histriônicas -escritas no espírito de uma oposição leal, nacionalista.
A Igreja Católica não é a única outra voz ativa no país, mas sua voz, e a de numerosos outros acadêmicos, figuras culturais e jornalistas, torna obrigatório perguntar "o que significa a dissidência na Cuba de Raúl? E qual seria a melhor maneira de potências externas apoiarem o movimento em Cuba em direção a uma sociedade e economia abertas?".
O "diálogo político" que o ministro Patriota e a presidente Dilma pretendem realizar com Cuba, além da geração de empregos (o porto de Mariel) e os primeiros passos em direção ao aumento do comércio e dos investimentos, tem muito mais chances de reforçar transformações positivas do que se poderia conseguir brincando de favorito com este ou aquele "dissidente".
Nos EUA já tivemos mais de um século de experiência tentando e não conseguindo identificar vencedores na política interna cubana.
Se não posso ter meu presidente em Havana, permita-me a liberdade de oferecer uma sugestão não solicitada a Dilma: falar com Raúl sobre opções para a imprensa brasileira abrir sucursais em Havana em tempo para a viagem do papa Bento 16, em março.
A cobertura das transformações na ilha e das vozes que fazem parte dela só poderá ajudar a vocês e seu público, no momento em que o Brasil se abre para Cuba e Cuba se abre para o Brasil. E talvez também ajudar Washington a ver Cuba além de sua política doméstica.
JULIA SWEIG é diretora do programa de América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations. É autora de "Inside the Cuban Revolution" e "Cuba: What Everyone Needs to Know".

Comparando a teoria neoliberal de FHC e as críticas do larápio da Privataria da Tucanalha, o "Nosso Guia" ganhou de lavada e demonstrou ter uma brilhante visão de futuro. Viva Luiz Inácio Lula da Silva


Clóvis Rossi
A crise dos 'brancos de olhos azuis'
Não é só o poder econômico que migra do Ocidente para os emergentes; é também a capacidade de liderar
DAVOS - Que há uma maciça transferência de riqueza e poder econômico do mundo rico para os emergentes, sobretudo China, é fato sabido. Os números citados ontem, em debate sobre o panorama da economia global, são eloquentes: de 2007, o ano prévio à eclosão da mais recente grande crise, até as previsões divulgadas na semana passada pelo FMI, o crescimento da China terá sido de 60%; o dos países emergentes da Ásia, de 50%; dos demais emergentes, 35%. Do mundo rico, zero.
Menos visível e, por isso menos comentada, é uma mudança que se poderia chamar de política e cultural.
Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, contou que, na recente cúpula do G20 em Cannes, ele ficara observando como os líderes dos países emergentes (Dilma Rousseff estava entre eles) olhavam para seus colegas dos países ricos.
Percebiam, segundo Zoellick, muita confusão e sentiam-se frustrados. Havia até certo desdém.
Para ele, essa transferência em benefício dos emergentes não é só econômica, também "é de percepções, é de atitudes", diz. Consequência inescapável: "O mundo nunca mais voltará ao ponto em que estava" [até a crise de 2008, que, na verdade, continua se desdobrando].
Se, em vez do sóbrio Zoellick, fosse o exuberante Luiz Inácio Lula da Silva, diria que os "brancos de olhos azuis" estão perdendo o lugar como faróis do planeta.
Talvez seja ilustrativo da mudança cultural o fato de que o único participante da mesa aplaudido ontem foi Donald Tsang, executivo-chefe de Hong Kong, quando disse que os ajustes até agora feitos para enfrentar a crise "esqueceram o povo".
Em todo o caso, a transferência de poder econômico e a desvalorização dos "brancos de olhos azuis" não significam que emergentes e ricos vivam situações muito diferentes. Tanto que Tsang, que não tem olhos azuis e governa uma região administrativa da China, que vai crescer mais de 8% este ano, contou, não obstante, que, em seus 40 anos de vida pública, jamais sentira tanto medo como agora.
"Ninguém está imune" [à crise], completou Christine Lagarde, a diretora-gerente do FMI.
O medo de Tsang é fácil de explicar: como disse Martin Wolf, moderador do debate e principal colunista do "Financial Times", a crise já tem 4,5 anos de vida, "e ninguém pode dizer que ela está superada".
O problema maior é que a discussão econômica, principalmente em torno da crise na eurozona, gira em falso. Pelo menos desde o G20 de Cannes, três meses atrás, os parceiros da Europa cobram o tal "firewall", um fundo de proteção sólido o suficiente para evitar que países grandes como Espanha e Itália quebrem como quebraram Grécia, Irlanda e Portugal.
Christine Lagarde chegou ao gesto teatral de erguer do chão a bolsa marrom que levara para o debate, mostrá-la aos debatedores e ao público, na esperança -brincou- de "coletar um pouco de dinheiro", naturalmente para o que ela chamou de "firewall decente".
Ninguém se animou a contribuir. Nem mesmo com ideias e propostas originais para justificar o rótulo de Davos como "montanha mágica", por ter sido o cenário do clássico de Thomas Mann com esse nome.
crossi@uol.com.br

Falta muito para São Paulo entender a democracia:"82% dos paulistanos apoiam ação policial na cracolândia"


Petistas e tucanos avalizam operação, apesar de bate-boca entre pré-candidatos
Datafolha mostra que maioria crê que viciados vão se espalhar pela cidade, o que pode ser usado em campanha VAGUINALDO MARINHEIRO
DE SÃO PAULO
O bate-boca entre pré-candidatos do PT e do PSDB à Prefeitura de São Paulo sobre a operação da Polícia Militar na cracolândia não encontra eco entre os eleitores.
Ouvidos pelo Datafolha na quinta e na sexta, 82% dos paulistanos concordam com a ação da PM para tentar desbaratar o tráfico e o consumo de crack na região central de São Paulo.
Quando questionados que nota atribuem à operação, 72% dão seis ou mais. A nota dez foi citada por 28%.
Entre as pessoas que têm o PT como partido de preferência, 83% concordam com a operação policial. A nota média foi 7,4.
Os tucanos são ainda mais entusiastas: 90% concordam com a forma como a PM agiu e dão uma nota média de 7,9.
Segundo estudiosos, isso reflete a demanda da população por uma polícia mais forte e atuante.
"O paulistano gosta desse tipo de polícia que impõe mais rigor. Mas é necessário que ela seja controlada e transparente, para evitar abusos", afirma o sociólogo Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A ação na cracolândia paulistana, conduzida pelos governos municipal (PSD) e estadual (PSDB), começou no dia 3, menos de um mês depois de o governo federal (PT) lançar seu plano nacional de combate ao crack.
Houve denúncias de que tanto a PM colocada nas ruas de forma apressada quanto o plano federal tinham motivação eleitoral -PT e PSDB, principalmente, gostariam de usar na campanha a bandeira de combate à droga.
Imediatamente, o tema mobilizou os pré-candidatos.
Entre os tucanos, Andrea Matarazzo, secretário estadual de Cultura, afirmou que "o governo do PT consolidou o crack na região central [da cidade]", numa alusão à gestão municipal de Marta Suplicy (2001-2004).
Já Fernando Haddad, pré-candidato petista, disse que a ação da PM foi "desarticulada", "desastrada" e "marcada pela repressão".
Ao menos por enquanto, a cracolândia parece não ter afetado a intenção de votos na cidade. A questão é saber se o tema continuará na agenda eleitoral.
"O uso político da ação na cracolândia vai exigir muito cuidado", afirma o cientista político Fernando Abrucio.
Segundo ele, é claro que num primeiro momento ela favorece o governo estadual.
"A classe média vai aplaudir, porque considera que o problema está sendo enfrentado. Mas quanto tempo dura esse efeito midiático, de uma cracolândia limpa? Além disso, é preciso ver se os viciados não vão se espalhar, o que provocaria um efeito negativo", diz Abrucio.
RESPONSABILIDADE
Os paulistanos estão certos de que irão se espalhar.
Para 82% dos ouvidos, os usuários buscarão a droga em outra região da cidade.
Os entrevistados são também céticos com relação a uma solução definitiva para o problema -57% afirmam que não é possível acabar com o tráfico e o uso de crack na cidade de São Paulo.
Nesse ponto, os tucanos são mais pessimistas: 68% são descrentes.
Mas a maioria, independentemente do partido de preferência, isenta os poderes públicos pelo problema.
Para 24%, os culpados são os próprios usuários.
Os traficantes vêm em segundo lugar (22%).
Depois aparecem o governo estadual (16%), o federal (14%) e a prefeitura (6%).

Geraldo Alckmin encontrou-se em segredo com José Serra. Deu-se há três dias. Dividiram a mesa de jantar. Entre o repasto e o cafezinho, conversaram por cerca de três horas. Tá dando pena !

Alckmin apela a Serra para que dispute em SP e Freire oferece o PPS como alternativa para 2014





Geraldo Alckmin encontrou-se em segredo com José Serra. Deu-se há três dias. Dividiram a mesa de jantar. Entre o repasto e o cafezinho, conversaram por cerca de três horas.
Lero vai, lero vem Alckmin fez um apelo a Serra. Pediu-lhe que reveja a decisão de não disputar a prefeitura de São Paulo. Convidou-o a assumir a vaga de candidato do PSDB.
Ao reproduzir o diálogo a políticos que lhe devotam fidelidade, Serra reiterou sua indisposição de trocar as ambições nacionais por um projeto municipal. Sonha com 2014, não com 2012.
Por mais que Serra soe peremptório, o generalato do PSDB resiste em levá-lo a sério. “Sempre foi assim”, diz um quatro estrelas do partido. “Serra se faz de difícil, mas os fatos o levarão a mudar de ideia.”
O PSDB encurrala Serra. O apelo reservado de Alckmin foi precedido de declaração pública de Fernando Henrique Cardoso: Aécio Neves é o “candidato óbvio” do PSDB à sucessão presidencial.
Nas maquinações do alto comando do tucanato, Serra teria duas alternativas: ou vai à sorte dos votos no município ou candidate-se ao ostracismo, sem a tribuna que um mandato propicia.
Serra já exalava irritação. Depois do comentário de FHC, passou a bufar. Olha ao redor com um misto de irritação e decepção. Irrita-se com a falta de sutileza. Decepciona-se com o “desrespeito”.
Para Serra, os operadores do PSDB faltam-lhe com o respeito ao ignorar sua trajetória partidária, sua biografia e os mais de 43 milhões de voto que amelhou na disputa contra Dilma Rousseff, em 2010.
Remando na contramaré, considera-se mais presidenciável do que Aécio. Imerso em seus rancores, diz que o antagonista interno não exibe nem mesmo disposição para se opor ao PT e ao governo.
Nesse ponto, a opinião de Serra coincide com a da maioria. Porém, a cúpula do PSDB prefere empurrar Aécio, um presidenciável zero quilômetro, a reembarcar em Serra, já derrotado por Lula e Dilma.
Num instante em que o tucanato sinaliza a disposição de desligar Serra da tomada caso ele insista em refugar a opção municipal, surgiu no cenário uma fonte alternativa de energia.


Serra recebeu a visita de um velho amigo. Presidente do PPS, o deputado Roberto Freire convidou-o a abrigar-se na sua legenda. “O PSDB não está sendo correto com Serra”, diz Freire.
“Ele liderou a oposição em 2010, teve quase 44 milhões de votos. Eu disse a ele que, se não tiver condições ou não desejar ficar no PSDB, o PPS é uma alternative real.”
Serra respondeu a Freire que, por ora, não cogita trocar de partido. “Evidentemente, essa hipótese agora faz parte do cenário”, raciocina o mandachuva do PPS.
Freire acrescenta: “Se o Serra vier, não virá sozinho. A perspectiva é de atrair outras lideranças que estejam insatisfeitas e que tenham a ver com a esquerda democrática no Brasil.”
Observador atendo da cena, o vice presidente do DEM, José Carlos Aleluia, enxerga no horizonte de 2014 uma outra fresta pela qual Serra pode se esgueirar.
Aleluia recorda que o PSD, legenda de Gilberto Kassab, reivindica no TSE acesso às verbas do Fundo Partidário e ao tempo de radio e tevê. Acha que o PT dá asas a Kassab sem observar-lhe o plano de vôo.
“Se derem tempo de televisão ao Kassab, a candidatura presidencial do Serra está pronta”, prospecta Aleluia. “O PSD ganha musculatura para ter uma candidatura nacional.”
“E quem será o candidato do Kassab?”, questiona-se o dirigente do DEM. “Muito provavelmente, pelas relações que os unem, será o Serra. Se não for para o Serra, o PSD vai para o Eduardo Campos.”
Citado por Aleluia, o governador pernambucano Eduardo Campos preside o PSB. Cultiva o sonho de tornar-se uma opção presidencial operando do lado de dentro do condomínio governista.
Eduardo achegou-se ao PSD de Kassab já na fase de constituição do novo partido, no ano passado. Para 2012, costura com Kassab alianças em dezenas de municípios brasileiros.
Como se trata de parceria recente, Aleluia crê que, na hora em que as onças tiverem sede, Kassab oferecerá a primeira tina de água a Serra, não a Eduardo.
“Dilma e o PT são, hoje, os maiores interessados em que Kassab não obtenha tempo de tevê”, imagina Aleluia. Há um quê de Wishful thinking nesse tentaiva de exercício da lógica.
Se Kassab prevalecer no TSE, o DEM será o maior prejudicado. No fundo, as palavras de Aleluia carregam o desejo de que o petismo acorde para o “risco Kassab” e se associe ao bloco de partidos que tenta impedir uma virada de mesa na Justiça Eleitoral.
Seja como for, fica entendido que, mantido o cerco do PSDB, Serra já dispõe de portas de saída. Se não quiser digerir o apelo que Alckmin lhe serviu no jantar, pode buscar fora do PSDB atalhos à encruzilhada.
Nessa hipótese, Serra se esquivaria do risco de um infortúnio municipal e manteria semivivo o projeto presidencial. O êxito da empreitada seria incerto. Mas a diversão da plateia estaria assegurada.
Seria engraçado assistir a uma sucessão presidencial em que José ‘Obstinado’ Serra, autocovertido em ex-tucano, medisse forças com Aécio ‘Óbvio’ Neves.

Estado age à base da força e perdeu o controle da polícia, dizem analistas, mas Coronel da reserva achou tudo muito bom


Guilherme Balza e Janaina Garcia
Do UOL, em São Paulo

A atuação da Polícia Militar de São Paulo na reintegração de posse do Pinheirinho, na cracolândia e na USP (Universidade de São Paulo) revelam que o Estado está agindo à base da força e perdeu o controle da polícia. Esta é a avaliação do jurista Walter Maierovitch e do cientista político Guaracy Mingardi, ambos especialistas em segurança pública.

Maierovitch avalia que a PM “não é uma polícia preparada para a legalidade democrática”. “Hoje os problemas são resolvidos à base da força. É um quadro traumático. Precisamos começar a desmilitarizar a polícia. Temos que ter uma polícia cidadã. E deixar a polícia de fora em casos que não são de polícia”, diz o jurista.

Já Mingardi vê nos episódios falta de controle do Estado. "Toda polícia no mundo quer extrapolar porque é mais fácil agir usando de violência; é mais fácil quando há, portanto, a reação do outro lado. O papel do governante é dizer o 'não pode' ou o 'quem passar desse ponto, será demitido'”, avalia.

O cientista político cita o exemplo da Inglaterra: “lá a polícia é super controlada, com pouquíssimas mortes causadas ao ano. A situação só começou a sair de controle quando a ordem era tirar os terroristas de circulação a qualquer custo. Resultado: um inocente [o brasileiro Jean Charles de Meneses] foi morto”, diz.

USP e cracolândia

Para o jurista, no caso da USP, a polícia desviou o foco de sua atuação, quando “em vez de prevenir os crimes, resolveu se preocupar em reprimir os alunos”. “Criaram um caso de proporções exageradas”, diz. No caso da cracolândia, avalia Maeirovich, o “governo não percebeu que o problema é de saúde pública, e não de polícia.”


“Em vez de uma operação que priorizasse ações sociossanitárias, optou-se por uma  repressão policial equivocada. E burra, porque nenhuma rede de tráfico foi afetada. Fizeram uma ação de limpeza. Prenderam os usuários e sequer havia para onde levá-los”, aponta o jurista.

Pinheirinho

Maierovitch questiona a necessidade da operação de reintegração de posse no Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). “Em que país civilizado isso ocorreria? A expulsão de 1.500 famílias sem ter para onde ir? Nesse caso, a culpa deve ser atribuída à Justiça, que determinou a reintegração. Colocaram uma tropa de choque para atuar de surpresa contra uma população que não está rebelada. É uma arbitrariedade muito grande”, critica.

O jurista critica ainda a inserção de PMs disfarçados dentro da comunidade. “A Polícia Militar usou técnicas da época da ditadura. Se infiltrou para ver quem eram as lideranças.”

Mingardi aponta problemas no comando da PM paulista. "A própria Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) teve, entre seus últimos comandantes, alguma relação com a violência [o atual comandante, o tenente-coronel Salvador Modesto Madia, é um dos 116 PMs acusados do massacre no Carandiru, em 1992]. Por melhor que seja o sujeito para a função, esse é um sinal que o gestor dá, um sinal errado para a corporação."

"Polícia neutralizou só os desordeiros"

Coronel da reserva da PM de São Paulo, ex-secretário nacional de Segurança Pública e consultor do Banco Mundial, José Vicente da Silva Filho defendeu que a ação da polícia no Pinheirinho ajudou a resguardar a ordem pública em uma área onde, afirma, a degradação vinha de anos e era alimentada "por interesses políticos".

"Sempre houve uma letargia das autoridades, de todas as esferas de poder, sobre a remoção daquele quadro. Pelo contrário: benefícios e infraestrutura acabaram sendo levados até lá, como água e luz. Claro que isso aumentou o grau de resistência das pessoas", disse.

“E é fato que havia uma parte de crime organizado lá dentro, e muitos ladrões e interesseiros de políticos; afinal, quantos votos não rende o Pinheirinho?”, questionou o coronel da reserva.

Silva Filho foi comandante da PM em São José dos Campos durante cinco anos, entre 1988 e 1993. Sobre os relatos de abusos e de violência contra mulheres e crianças, o policial diz que é resultado da ação de desordeiros que resistem à ação da PM.

"Confronto é praticamente inevitável, e sempre há um núcleo dos que resistem e um grupo de desordeiros: foram esses que tomaram a linha de frente contra a polícia e atingiram casas, comércio e veículos com coquetéis molotov. A ação da polícia foi planejada e inteligente no sentido de neutralizar essas pessoas e não postergar mais a ordem pública em uma reintegração que sempre se soube que seria complexa, dada a imersão política dessa comunidade”, afirmou.
Entramos em contato com a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) para responder às críticas dos analistas, mas eles não se posicionaram até o fechamento desta reportagem.

A visão sempre pessimista sobre o Brasil. Todo o progresso conseguido pelo país nesses nove anos de liberdade não encontrou respaldo no periódico

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A crise e o Brasil
Recuperação débil da economia dos EUA estreita as opções para o crescimento brasileiro, cada vez mais dependente da China
Os meios de comunicação americanos demonstraram alívio, se não alento, com a notícia de que o crescimento da economia de seu país foi mais acelerado no fim de 2011.
Tendo em vista que ainda em meados do ano se temia a volta da recessão, algum otimismo é compreensível. Mas os EUA cresceram só 1,7% no ano passado. Prevê-se que, no melhor dos casos, não cresçam mais que 2% neste ano.
A maior economia do mundo cresceu menos que 1% acumulado desde o final de 2007 (houve crescimento negativo em 2008 e 2009). O rendimento médio dos trabalhadores foi reduzido outra vez, fato agravado pela tendência, de décadas, de aumento da desigualdade.
O relativo empobrecimento reflete-se na alta acanhada do consumo verificada, mesmo no remediado trimestre final de 2011, o que prejudica a retomada do investimento, também diminuta.
Não bastassem tais indicadores ainda preocupantes, o banco central dos Estados Unidos, o Fed, anunciou na quarta-feira passada que pretende manter sua política de juro zero até 2014.
É fácil deduzir, portanto, que o Fed não prevê um reaquecimento relevante da atividade produtiva nos próximos dois anos, pelo menos. Tanto que deixou aberta a possibilidade de ainda mais relaxamento monetário por meios heterodoxos. Isto é, a compra de ativos financeiros ora em poder do mercado, o que na prática injeta mais dólares na economia e se chama coloquialmente de "impressão de dinheiro".
O Fed tem, de modo recorrente, reclamado o auxílio do governo na tarefa de estimular a economia. Os governos americanos, da esfera municipal à federal, no entanto, têm contribuído para enfraquecer a recuperação, dados os maciços cortes de gastos.
No âmbito federal, verificam-se ainda extremados conflitos entre Executivo e Congresso, além da letargia na Presidência. O tumulto político redunda em aumento de incerteza para os agentes econômicos e cria empecilhos para a implementação de qualquer programa coerente de estímulo.
Decerto a situação americana é melhor que a da zona do euro, cujo nível de produção deve voltar ao nível de 2007 apenas em 2014.
O efeito combinado dessas crises será sem dúvida relevante para o Brasil. De imediato, a longa e ainda duradoura crise euroamericana nos impõe novos problemas, para a indústria em particular, entre outras razões por favorecer a renitente valorização do real.
Além disso, a crise no mundo desenvolvido aumenta a dependência brasileira da China, que vive também um período tenso. Em suma, a longa crise estreita os caminhos possíveis do nosso crescimento.

Um editorial típico da Folha quando se trata de falar dos governos do PSDB. O jornal vai pra lá, vem pra cá e no fim ninguém sabe afinal se está bom ou está ruim

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Patamar de violência
Números recém-divulgados pela Secretaria da Segurança Pública indicam que o Estado de São Paulo tem conseguido manter a trajetória de redução das taxas de homicídio, ainda que, em anos recentes, em ritmo mais lento.
A queda no número de assassinatos, no entanto, não parece se refletir numa diminuição da sensação de insegurança da população, influenciada, sobretudo, pelos índices de roubos e latrocínios, que seguiram em crescimento em 2011.
No ano passado, a taxa de homicídios alcançou a cifra de 10,05 casos por 100 mil habitantes. É menos da metade da alarmante média nacional, cerca de 25 casos por 100 mil habitantes.
Parâmetro para comparação: nos Estados Unidos e no Reino Unido, a taxa gira em torno de cinco homicídios por 100 mil -mesmo patamar da Argentina.
Entre 1999 e 2005, quando o Estado de São Paulo começou a obter sucesso na redução do número de homicídios, a taxa caiu à metade. Foi de de 35,3 para 17,7 casos.
Após atingir taxas próximas de dez, o ritmo de queda diminuiu, em decorrência de custos e dificuldades crescentes para trazê-los a níveis civilizados. Uma análise detalhada, no entanto, revela problemas da área de segurança pública que, superados, ajudariam a diminuir ainda mais a incidência de homicídios.
Um levantamento feito por esta Folha na cidade de São Paulo constatou que uma de cada cinco pessoas assassinadas no ano passado foram mortas por policiais.
Houve 229 casos de "resistência seguida de morte", decorrentes de supostos confrontos entre policiais e suspeitos, e 61 homicídios praticados por PMs fora do trabalho.
A simples redução da violência policial, portanto, poderia contribuir para trazer a taxa total de assassinatos no Estado para níveis abaixo dos dez casos por 100 mil.
As forças policiais tampouco se mostram eficazes no combate a roubos de veículos e latrocínios, que subiram 15,5% e 20,9%, respectivamente, em relação a 2010.
Em ambos os casos -no excesso de violência e na dificuldade para coibir ações criminosas- constatam-se os resquícios anacrônicos da cultura de segurança pública brasileira, que sempre privilegiou o caráter repressivo da polícia à prevenção e investigação de crimes.
Nas últimas décadas, São Paulo se tornou um dos Estados que mais investem na capacitação de peritos e no uso de estatísticas para combater o crime. Colhe resultados, mas ainda há muito a avançar.

São Paulo, cidade desigual

Oded Grajew
Cidade desigual
Em 26 distritos da cidade de São Paulo, não há nenhum leito hospitalar; o Itaim Bibi tem mais de 2.000 vezes mais empregos do que Marsilac
Um estudo da Rede Nossa São Paulo divulgado recentemente apresenta o quadro da desigualdade em São Paulo. Os dados da cidade mais rica do Brasil são vergonhosos.
São Paulo é dividida em 31 subprefeituras e em 96 distritos. A população média de cada subprefeitura supera os 350 mil habitantes. Em cada distrito, há mais de 110 mil habitantes (eles são maiores do que 95% das cidades brasileiras).
Verificamos em vários distritos a ausência de equipamentos públicos. Alguns exemplos: em 44 distritos não há nem sequer uma biblioteca municipal, 56 distritos não mantém nenhum equipamento esportivo público e 59 não têm nenhum centro cultural.
Isso sem mencionar os 1,3 milhões de paulistanos que vivem em favelas e os milhões que, em função da sua baixa renda, têm enorme dificuldade de ter acesso à cultura, ao esporte e à moradia digna.
Em 26 distritos, não há nenhum leito hospitalar. Segundo pesquisa Irbem/Ibope, o tempo médio de marcação de consultas nos serviços de saúde públicos é de 52 dias. Entre a marcação e a realização de exames, gasta-se 65 dias. Entre a marcação e a realização de procedimentos mais complexos, como cirurgias, são necessários 146 dias.
Muita gente pobre, que depende do sistema público de saúde, certamente morre no meio do caminho.
As desigualdades são enormes. No item emprego, por exemplo, a diferença entre o melhor distrito (Itaim Bibi) e pior (Marsilac) é de 2218,6 vezes -cerca de 300 mil empregos no primeiro distrito, apenas 136 no segundo. Para ter acesso ao trabalho, quem ganha até um salário mínimo fica, em média, duas horas ao dia no transporte público.
Milhões de paulistanos precisam percorrer enormes distâncias para ter acesso ao trabalho, à saúde, à cultura e ao esportes, entupindo as vias de circulação. Assim, no item mortes no trânsito, a diferença entre o melhor (Barra Funda) e o pior distrito (Marsilac) é de 32,2 vezes.
No item mortalidade infantil, a diferença é de 13 vezes (Cambuci e Jaguara); em gravidez na adolescência, de 24 vezes (Moema e Marsilac); e em homicídios, de 28,5 vezes (Barra Funda e Pinheiros são os melhores, o Brás é o pior).
A diferença entre a melhor (Capela do Socorro) e pior subprefeitura (Itaim Paulista) no item área verde por habitante é de 176,3 vezes. Na porcentagem de domicílios sem ligação com o esgoto, a diferença é de 44 vezes (Sé e Cidade Ademar).
Por que aquilo que se atingiu nos melhores distritos não pode ser atingido em todos?
Mais de 174 mil crianças, basicamente de famílias pobres, estão sem creche. No item analfabetismo, a diferença entre a melhor e pior subprefeitura é de 2,4 vezes. O abandono e a distorção entre a idade e a série são, respectivamente, 52 e 42 vezes menores no ensino privado do que no ensino público.
Educação de qualidade, fundamental para o acesso à cidadania e ao trabalho mais bem remunerado, é, portanto, privilégio da população de maior renda.
Não é por acaso que todas as grandes lideranças religiosas, sociais e humanas sempre lutaram pela justiça social.
Do ponto de vista ético, moral, social e econômico, não há nada mais insustentável, danoso, antiético, vergonhoso e degradante em uma sociedade do que a desigualdade. Ela está na origem de todos os problemas que afetam a qualidade de vida da população.
O quadro da desigualdade completo, com 91 indicadores, está disponível no site www.nossasaopaulo.org.br. Queremos que ele seja útil aos cidadãos na cobrança dos seus direitos e que ele sensibilize os candidatos nas eleições de 2012.
É necessário que eles elejam a justiça social como a prioridade dos seus programas (mesmo sabendo que as pessoas de menor renda não financiam campanhas eleitorais).
Do próximo prefeito, esperamos que o plano de metas que, por força de lei, ele deve apresentar 90 dias após a posse, tenha como eixo principal a redução das desigualdades.
ODED GRAJEW, 67, empresário, é coordenador-geral da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo e presidente emérito do Instituto Ethos. É idealizador do Fórum Social Mundial e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)

Entrevista José Mujica, presidente do Uruguai

Entrevista José Mujica
Mercosul estancou e por isso não atrai mais interessados
Presidente uruguaio diz que bloco não tem a 'fluidez de uma relação natural' e funciona movido a telefonemas para gestão de crises ISABEL FLECK
DE SÃO PAULO
O presidente uruguaio, José "Pepe" Mujica, não tem meias palavras. Para ele, o Mercosul "estancou", parou de crescer porque outros países não reconhecem como um bom negócio entrar no bloco. "Se ninguém bate à porta para entrar, é o melhor sinal de que estamos estancados", disse à Folha, em entrevista em São Paulo, no último dia 17.
Para ele, é importante que o Uruguai acompanhe o crescimento da "grande potência emergente" que é o Brasil, sendo "complementar" ao país. Mas também aproveitando o alto poder aquisitivo de uma estrita parcela dos consumidores brasileiros.
Folha - Em entrevista recente, o sr. disse que o Uruguai tinha que "pegar carona" com o Brasil. Como isso se daria?
José Mujica - O Brasil é uma grande potência emergente e nós temos que procurar, em todo o possível, sermos complementares e úteis nesse crescimento do Brasil. Temos que acomodar nossa infraestrutura, comunicação, energia e indústrias para que sejam complementares. Temos que nos apoiar na diversificação mundial, nos distintos cenários que o Brasil tem. "Pegar carona" não é andar de graça, mas, sim, ser útil.
O comércio entre os dois países foi de US$ 4 bilhões em 2011. Mas apenas as exportações brasileiras cresceram desde 2010. Como o Uruguai pretende aumentar as suas exportações?
Tem que ter um trabalho deliberado, porque não se fará de forma espontânea. Se deixamos a economia levar-se sozinha, só vamos oferecer matéria-prima para o Brasil.
O Uruguai produz laticínios muito bons, por exemplo. O Brasil está melhorando a sua produção. Então o Uruguai tem que produzir laticínios de qualidade ainda melhor para o mercado caro do Brasil.
Como o sr. avalia o desempenho do Mercosul, como bloco?
O Mercosul, em questão de intercâmbio, está muito bem. Apesar das dificuldades, cresceu, mas não tem garantia institucional. Funciona meio que movido a telefonemas, à gestão das chancelarias quando se tem uma dificuldade aqui ou lá.
Deste ponto de vista, não tem a fluidez de uma relação natural. Não cresce porque, para crescer, tinha que ser muito tangível a visão lá fora de que é um bom negócio entrar no Mercosul. Se ninguém bate à porta para entrar [no bloco], esse é o melhor sinal de que estamos estancados.
O Uruguai está julgando crimes da ditadura e acabou com a anistia para os crimes contra a humanidade. Esse pode ser um exemplo para o Brasil?
Eu não me aventuro tanto, porque o Brasil é um continente, e não é igual [ao Uruguai]. Nós não tivemos outra alternativa a não ser rever esse processo, que foi muito duro para a história do Uruguai.
Mas não ache que é simples ou fácil. Enquanto um quer julgar qual é o princípio e o fim, outro quer superar o que passou. Todavia, é uma medida muita forte. Há certas memórias que perduram no tempo. E o pior é correr o risco de formar uma nova geração com as paixões e as inclinações da velha geração.
O sr. defende que repressores da ditadura com mais de 70 anos sejam libertados. Esta posição não é contraditória com a decisão de julgar e punir os crimes do período?
Essa é uma posição filosófica, não sobre a ditadura. Não sou partidário de ter gente de 80, 90 anos presa. Acho que, humanamente, não é correto. Quando ficamos mais velhos, estamos cada vez mais perto da morte, e, durante esse fenômeno natural, é melhor que se esteja ao lado da família. Prefiro a prisão domiciliar, se assim quiserem. Mas esta é a minha visão, não a da sociedade uruguaia. É como o aborto, é um problema de consciência.
E qual a sua posição sobre a legalização do aborto, já aprovada pela Câmara?
Sou partidário de legalizá-lo. Acho que temos de apoiar a mulher nesse momento, e, com esse apoio, em muitos casos se salva uma vida, porque a mulher retrocede. Mas, se deixamos que seja um ato clandestino, elas continuam fazendo aborto e ninguém as apoia.
O sr. veio ao Brasil apenas para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem nunca escondeu a admiração. O sr. segue seu exemplo para governar?
O governo Lula sempre foi um modelo, ajudou a tirar muita gente da miséria. Porém, entre a esquerda e a direita, não pode haver muita conciliação, em um sentido duradouro.
É como uma permanente disputa, mas essa disputa não deve se transformar em uma confrontação que fossiliza a sociedade. Essa é a principal experiência que nos deixou o governo Lula.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Cracolândia se espalha por 27 bairros de São Paulo, revela PM

Acuados pela presença ostensiva da Polícia Militar na cracolândia, usuários de droga passaram a se arriscar para fumar crack escondidos perto dos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. A CPTM afirma que aumentou a segurança na área para prevenir acidentes.

Quem mora ou trabalha na região cortada pela linha férrea diz que quando escurece o problema toma proporções mais perigosas. Das janelas de prédios dos arredores, moradores podem ver o pisca-pisca dos cachimbos de crack sendo acesos. Além do risco de acidentes, a presença dos viciados na linha do trem prejudica o sono da população ao redor.

A reportagem presenciou vários usuários de crack pulando o muro da linha férrea em uma passarela que liga as Ruas Capistrano de Abreu e Luigi Greco. Eles se concentram nos matagais próximos dos trilhos para fumar. Usuários de crack confirmam que, no esconderijo, ficam livres das chamadas "procissões do crack", quando policiais afugentam a multidão de viciados pelas ruas da região central. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

O PSDB achava que o destino do Brasil seria resolvido pelos seus caciques. Bastava um bom jantar num restaurante paulista. É muita pretensão e muita arrogância


No fim caiu Arthur Virgílio, Tasso Jereissati, Marco Maciel, Raul Jungmann e agora a Espanha foi para o vinagre. Isso é que dá não gostar do povo brasileiro!

Video direto do Blog O Esquerdopata: Juíza diz que o ataque a Pinheirinho foi um sucesso e a PM se comportou com competência e honra

Veja !

Polícia prende 5 e faz busca em jornais de Murdoch

Detenções ampliam o escândalo sobre práticas ilegais para o tabloide 'The Sun'; caso já levou ao fechamento da publicação 'News of the World'


Agência Estado
LONDRES - A polícia britânica fazia buscas nos escritórios dos jornais do magnata da mídia Rupert Murdoch neste sábado, após prender um oficial de polícia e quatro funcionários atuais do staff do tabloide The Sun, como parte de uma investigação sobre supostos pagamentos de propinas para policiais. As detenções ampliam o escândalo sobre práticas ilegais para um segundo jornal de propriedade de Murdoch. O caso já levou ao fechamento do tabloide the News of the World em julho de 2011.
Jornais de Rupert Murdoch têm sido alvo de denúncias de irregularidades - AP
AP
Jornais de Rupert Murdoch têm sido alvo de denúncias de irregularidades
A polícia metropolitana de Londres informou que dois homens com 48 anos e outro com 56 anos foram presos em suas casas sob suspeita de corrupção no início da manhã deste sábado. Outro homem de 42 anos foi detido posteriormente em um posto policial de Londres. A News Corp., conglomerado de Murdoch, confirmou que os quatro eram atualmente funcionários do The Sun. Um quinto homem, um policial de 29 anos, foi preso no posto no qual trabalhava. As informações são da Associated Press.

O monstro do Pinheirinho

Esqueci de colocar o símbolo do PSDB

Secretário da Cultura do Estado de São Paulo ataca manifestante e chama a PM de Alckmin, "o nazista"

Andrea Matarazzo discute com manifestantes do 'Ato pró-Pinheirinho'

Houve confusão durante a inauguração da nova sede do museu MAC-USP envolvendo o secretário da Cultura do Estado de São Paulo


Estadão.com.br
 
O secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Andrea Matarazzo, discutiu com manifestantes do 'Ato pró-Pinheirinho' em frente ao Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), cuja nova sede foi inaugurada neste sábado, 28. Houve confusão entre pessoas que defendiam o secretário e participantes do ato.

Os manifestantes protestavam contra a violência empregada durante a ação de reintegração de posse do terreno do Bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, que era ocupado por cerca de 2 mil pessoas.

Do Blog ContextoLivre, as consequências do ataque aos habitantes de Pinheirinho. Mais uma obra social dos governos nazistas do PSDB

Revista ISTOÉ mostra o começo do fim do PSDB, um partido que achou o seu rumo: o nazismo

Os erros de Alckmin

Governador de São Paulo tenta se antecipar ao governo federal, promove ação truculenta contra 1,7 mil famílias em desocupação de terreno e precipita o fim da lua de mel com o Planalto

Pedro Marcondes de Moura e Octávio Costa

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Na tentativa de se mostrar mais ágil do que a administração federal, em menos de um mês o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), protagonizou duas ações precipitadas, que indicam o fim de sua lua de mel com o governo da presidenta Dilma Rousseff. Suas iniciativas foram alvo de milhares de protestos nas redes sociais e estão sob o olhar de organizações internacionais de direitos humanos.
A mais truculenta ocorreu na última semana. Às 6 horas da manhã do domingo 22, as cerca de 1,7 mil famílias que ocupavam, desde 2004, a área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo, foram surpreendidas com a presença de dois mil homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Com forte aparato repressivo, os soldados estavam ali para cumprir uma decisão judicial de reintegração de posse do terreno, de 1,3 milhão de metros quadrados, pertencente à massa falida da empresa Selecta, do empresário Naji Nahas. Rapidamente, os tratores entraram em ação. Uma a uma, as casas eram postas abaixo, numa ação que o coronel da Polícia Militar Manoel Messias considerava um sucesso, enquanto gabava-se do fator surpresa. Aos que tentavam resistir ou voltar ao local, a dispersão era garantida com tiros de borracha e bombas de efeito moral. Até o secretário nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, escalado para negociar com os moradores, foi alvejado. “Tenho militância, antes da ditadura militar, e pela primeira vez sou agredido dessa maneira, exatamente durante a democracia”, declarou. Jornalistas tinham seu acesso à área restringido “para garantir a segurança”, nas palavras da PM, e entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) condenavam a operação. Sem rumo, os desalojados perambulavam atrás de auxílio. A truculência evidencia que o governo paulista parece ignorar os princípios do próprio PSDB, partido de Alckmin. Segundo o ideário da legenda, invasão de terra é questão social e não de polícia.
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TRUCULÊNCIA
Batalhão da PM surpreende moradores do Pinheirinho com a
violência empregada durante reintegração de posse do terreno
A ação policialesca de Alckmin foi recebida com revolta e sentimento de traição em Brasília. Em nome do Ministério das Cidades, o secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República, Rogério Sottili, vinha mantendo tratativas com o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), sobre a questão de Pinheirinho. De acordo com ele, o governo federal recebeu há duas semanas a informação de que poderia haver confronto na área, caso se confirmasse a ação de reintegração de posse pela Polícia Militar. Preocupado, Sottili entrou então em contato com o prefeito Cury e também procurou o ex-ministro José Gregori propondo uma saída negociada ao governador Geraldo Alckmin. “Eu me coloquei à disposição e o prefeito me recebeu superbem. Acertou de vir a Brasília na quinta-feira 19, mas depois pediu que sua secretária cancelasse a audiência”, explica. Para o secretário-executivo, Cury, ao cancelar o compromisso, deu a entender que a desocupação do terreno seria adiada por 15 dias. “Estávamos em contato e fiquei surpreso com a ação da PM. Na verdade, eles estavam preparando a reintegração de posse, enquanto negociavam conosco”, afirma. Entre as soluções negociadas, o Palácio do Planalto chegou a propor o fatiamento da área e a construção de conjuntos habitacionais dentro do programa Minha Casa Minha Vida. A desapropriação das terras interessa à União, que tem R$ 12 milhões a receber da massa falida do Grupo Selecta, do empresário Naji Nahas. Alckmin, no entanto, optou pelo confronto, em vez da negociação.
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DESPROPORCIONAL
Sob o comando de Alckmin, polícia paulista tem cometido excessos injustificáveis
Com o aval de Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, classificou publicamente a reintegração de posse como uma praça de guerra. Uma declaração que, além de forte, destoa da forma como as medidas tomadas pelo governador paulista, Geraldo Alckmin, eram tratadas em público por autoridades do alto escalão federal. Até críticas às recentes enchentes eram evitadas por ministros, embora a má condução dessa questão também tenha entrado no rol de equívocos administrativos cometidos por Alckmim. Em janeiro do ano passado, o governador anunciou um pacote de investimentos estimado em mais de R$ 800 milhões para resolver o grave problema que assola os paulistas todo começo de ano. O cronograma, porém, está atrasado, a limpeza de piscinões em diversas cidades prometida por Alckmin não foi feita como planejado e o Estado sofre novamente no período de chuvas Internamente, o governo federal já demonstrava descontentamento com outra ação da gestão Alckmin iniciada no dia 3 de janeiro. Contingentes da Polícia Militar iniciaram uma operação para remover dependentes químicos e traficantes da região conhecida como Cracolândia, ponto de comércio e uso de drogas no centro de São Paulo. A violência empregada durante a operação, com o uso de balas de borracha, bombas de efeito moral e agressões físicas, levou ONGs ligadas aos direitos humanos a denunciar o caso à ONU. Para o Palácio do Planalto, além de desastrosa, a ação de Alckmin foi vista como oportunista. Tratava-se de uma tentativa clara de se antecipar ao lançamento do Plano Nacional de Combate ao Crack, uma das principais bandeiras da campanha petista ao Palácio do Planalto, sem sequer possuir a infraestrutura necessária para atender os dependentes químicos.
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Veja o novo Rio de Janeiro e esqueça para sempre Cesar Maia, Rodrigo Maia e Garotinho

http://oglobo.globo.com/videos/t/todos-os-videos/v/selecaooglobo/1784254

Todos esperamos que vire verdade e que os ex-moradores de Pinheirinho tenham uma vista mais bonita em seus novos lares


União deve acolher desabrigados

Propriedades de devedores dos cofres públicos serão destinadas a receber parte da população removida da favela do Pinheirinho

» JULIANA BRAGA


O governo federal procura uma área para acomodar a população retirada de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). Ontem, representantes da Advocacia-Geral da União, da Secretaria de Direitos Humanos, do Ministério das Cidades e da Secretaria-Geral da Presidência se reuniram para estudar como realocar os desabrigados para terrenos que pertencem à União ou para massas falidas de outras empresas no município. Uma das já identificadas deve R$ 84 milhões à União.

Para identificar quais são as áreas federais disponíveis para habitação social, dois técnicos do Ministério das Cidades foram enviados a São José dos Campos e farão um levantamento dos terrenos pertencentes à União que podem ser usados em curto prazo. Já se sabe que a Rede Ferroviária Federal tem terrenos na cidade. Antes de ser desativado, o espaço recebia um trajeto do trem que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo. “Um dos critérios analisado é o de o espaço ser próximo do centro e em condições dignas. O que nos incomoda é uma solução que coloque essa população, formada por trabalhadores, distante”, disse o secretário Nacional de Articulação de Movimentos Sociais, Paulo Maldos.

O funcionário da Secretaria-Geral da Presidência também criticou as transações obscuras que levaram o terreno às mãos do empresário Naji Nahas, reveladas pelo Correio. Ele apresentou um jornal de 1º de julho de 1969 que relata a história dos assassinatos de quatro irmãos alemães, antigos donos do local. “Foram assassinados todos, sem herdeiros, e o terreno passa para a prefeitura. Como é que vai parar na mão de Naji Nahas? ” questiona.

Governador Alckmin, o senhor teve um sono confortável hoje? Sua cama estava coberta por lençóis limpos e travesseiros de penas de ganso? Quando o senhor sai do trabalho tem para onde ir? É bom, não é governador?


PSDB, pode confiar, ele vai te roubar

Ministério Público pede bloqueio de bens de senador e mais 15 no Pará

Mário Couto (PSDB-PA) é alvo de ação de improbidade administrativa.
G1 não conseguiu contato com senador ou assessores na tarde desta sexta.

Do G1, em Brasília

O senador Mário Couto (PSDB-PA) (Foto: Agência Senado) 
 
O senador Mário Couto (PSDB-PA) (Foto:
Agência Senado)
O Ministério Público Estadual do Pará apresentou nesta quinta-feira (26) ao Tribunal de Justiça do estado uma ação civil pública em que o senador Mário Couto (PSDB) e outras 15 pessoas são acusados de improbidade administrativa. Ainda não há prazo para distribuição da ação no TJ do Pará, que ainda deve analisar a procedência antes de acatá-la.
A ação aponta fraude no pagamento de servidores da Assembleia Legislativa do Pará entre janeiro de 2003 e janeiro de 2007, período em que Couto presidia a Casa. Além do bloqueio de bens dos 16 alvos da ação, o Ministério Público pede a devolução de R$ 2,3 milhões supostamente desviados, segundo a investigação.
O G1 não conseguiu localizar por telefone, na tarde desta sexta (27), o senador ou assessores e deixou recado na caixa postal do celular do parlamentar. O gabinete em Brasília e o escritório político em Belém não atendiam às ligações.
Na ação, os promotores Nelson Pereira Medrado e Arnaldo Célio da Costa Azevedo apontam "contratação irregular de pessoal; inclusão de interpostas pessoas na folha de servidores da Alepa [Assembleia Legislativa do Pará] para apropriação de seus vencimentos; aumento de vencimentos de servidores de forma fraudulenta", entre outros itens.

Como exemplo, o documento relaciona 11 pessoas, registradas como servidores com salários entre R$ 4.800 e R$ 15.762,06, que declararam jamais ter trabalhado na Assembleia e recebido os valores.

A ação diz ainda que os salários eram recebidos pelos 16 “acionados, que plantavam na folha de pagamentos da Alepa essas interpostas pessoas que, vulgarmente, recebem a alcunha de ‘servidores fantasmas’”.

E ainda vai ser defendido pelo Correio Braziliense

Política

Arruda se prepara para concorrer em 2014

Felipe Patury, ÉPOCA
Com uma casa em Brasília e outra em São Paulo, o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, descansa com a família em Morro de São Paulo, no sul da Bahia.
Único governador da história a ser preso enquanto estava no cargo, Arruda se prepara para voltar à política. Ele quer se candidatar a deputado federal em 2014. Só falta arranjar um partido que o receba.

É o caso da mídia brasileira que também confunde liberdade com soberania da imprensa e que nada a pode regulamentar a não ser ela mesma. É triste!

Juízes confundem autonomia com soberania, diz Mendes
Ex-presidente do STF defende ação do CNJ e critica entidades de magistrados
Para Gilmar Mendes, Judiciário talvez seja único Poder que venha fazendo 'autocorreção', graças ao conselho
LUCAS FERRAZ
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA

"Foi a primeira vez que um candidato enfrentou a mídia tendenciosa, e o povo americano aplaudiu". No Brasil, vamos precisar de uma campanha para acabar com o "viés da direita" na mídia

Conservadores lançam ação contra 'mídia liberal' nos EUA
DE SÃO PAULO
O Media Research Center (Centro de Pesquisa da Mídia), organização conservadora dedicada a fiscalizar os meios de comunicação nos EUA, anunciou uma campanha de US$ 5 milhões contra o que chama de "viés esquerdista" da mídia no país.
Segundo o presidente da organização, Brent Bozell, o dinheiro será usado em anúncios de rádio, TV e internet e na confecção de cartazes e buttons com os dizeres "não acredite na mídia liberal", comumente vistos em manifestações como as do movimento de direita Tea Party.
Nos EUA, o termo "liberal" é usado geralmente em sentido político e identificado com posições de esquerda.
O centro de mídia, que batizou a campanha de "Tell the Truth" ("conte a verdade"), diz que a iniciativa visa combater o "assassinato de reputação" que, segundo eles, é cometido pelos veículos de mídia "contra qualquer um que se atreva a desafiar [o presidente Barack] Obama".
Bozell disse que a campanha seguirá a mesma linha da recente ofensiva de Newt Gingrich, pré-candidato republicano e ex-presidente da Câmara dos EUA, contra o que ele considera distorções do jornalismo americano.
Recentemente, a rede ABC divulgou uma entrevista com a segunda mulher de Gingrich, Marianne, na qual ela disse que o republicano propôs um "casamento aberto" entre os dois e a amante dele, Callista Bisek -que depois se tornaria sua terceira mulher.
Gingrich respondeu que a história era falsa e que a ABC não quis ouvi-lo. "Foi a primeira vez que um candidato enfrentou a mídia tendenciosa, e o povo americano aplaudiu", afirmou o presidente do Media Research Center.
Em sua seção dedicada à eleição nos EUA, o site BuzzFeed avaliou que, embora a iniciativa dos conservadores não seja nova, pode atingir uma escala inédita.

TRE rejeita prestação de contas do PSDB paulista

Justiça Eleitoral
TRE rejeita prestação de contas do PSDB paulista
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo desaprovou anteontem a prestação de contas do PSDB paulista de 2009. O diretório terá suspenso, por um ano, o recebimento o fundo partidário e terá que devolver R$ 87,9 mil. Segundo o relator do processo, Mathias Coltro, o partido usou R$ 56 mil em recursos de origem não identificada e houve irregularidades na aplicação do fundo partidário. O diretório afirmou que não foi notificado da decisão, mas que deverá recorrer.