terça-feira, 31 de agosto de 2010

EM SÃO PAULO LULA É APLAUDIDO , KASSAB É VAIADO COM FORÇA E DILMA GANHA REPENTE

SP: Lula é aplaudido, Kassab vaiado e Dilma ganha repente
kassab e lula. Foto: Rahel Patrasso/Futura Press

Kassab e Lula tiveram acolhida distinta em Paraisópolis
Foto: Rahel Patrasso/Futura Press

Hermano Freitas
Direto de São Paulo

Em clima eleitoral, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), tiveram uma recepção distinta no bairro popular de Paraisópolis, zona sul da capital paulista. A recepção entusiasmada que o presidente recebeu de centenas de moradores contrastou com a acolhida fria dirigida ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), um dos principais aliados do presidenciável José Serra (PSDB) em São Paulo. No evento, a candidata Dilma Rousseff (PT), que não estava presente, ganhou o "repente" de um artista popular.

Enquanto Lula recebeu aplausos calorosos em diversos momentos, especialmente quando anunciou o nascimento de seu neto Pedro, Kassab foi vaiado durante parte de seu discurso.

O prefeito recebeu vaias quando foi anunciado, quando entregou a chave de uma das 240 unidades das obras de urbanização de Paraisópolis - parceria do governo federal com o a Prefeitura de São Paulo - e durante parte de sua fala.

Com habilidade, Kassab pediu aplausos para a comunidade, ao perceber os apupos. Questionado, o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), disse não ter ouvido nada. Kassab deixou o local sem dar entrevista.

Apesar da ausência de Dilma, ela foi lembrada por um repentista, que recebeu o microfone das mãos do presidente Lula. Entre os versos, o poeta popular cantou que a petista "vem à frente" e o "Lula novamente".

Nas ruas de Paraisópolis, faixas em alusão ao centenário do Corinthians e uma pintura de Lula em um dos muros do bairro. Kassab ganhou um "obrigado", em outro muro. Nele, foi descrito como "amigo da comunidade".

Antes de Lula discursar, um cantor popular também se referiu veladamente a Dilma: "todo mundo sabe como votar, não vou nem dizer nada".

Durante o discurso, Lula afirmou que os moradores de coberturas do Morumbi não vão mais se envergonhar ao olhar para Paraisópolis e disse ainda que as obras de urbanização da favela são uma reparação do "descaso de décadas".

O governador Alberto Goldman defendeu que as moradias populares sejam construídas no local original de moradia da população e não em loteamentos afastados do local de trabalho deles.

Redação Terra

A ANTIPATIA NUTRIDA POR WILLIAM WAACK À DILMA ROUSSEFF REVELOU-SE PATENTE.AGUARDO,COM ANSIEDADE,SEU COMPORTAMENTO COM SERRA.ESTOU DE OLHO !

ELE ESMEROU-SE NAS PERGUNTAS/AFIRMAÇÕES MOSTRANDO QUE DILMA E O PT NÃO PRESTAM. QUANTO AS RESPOSTAS ELE NÃO SE INTERESSOU , NÃO ERA ESSE SEU OBJETIVO.
WILLIAM WAACK , LEIA A BLOGOSFERA. EXISTEM INÚMERAS PERGUNTAS PARA SERRA. ATUALIZE-SE.
VOCÊ CHAMOU A PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF DE ECONOMISTA , APROVEITE E PERGUNTE SE SERRA É ECONOMISTA ,ONDE SE FORMOU E SE É REGISTRADO NO CONSELHO REGIONAL DE ECONOMIA DE SEU ESTADO.
DUVIDO QUE VOCÊ PERGUNTE.

PARA O JORNAL DA GLOBO O BRASIL ESTÁ PÉSSIMO E FALTA MUITO POUCO PARA FALIR . COITADO !

DATAFOLHA PROCURA EXPLICAÇÕES PARA SUA MANIPULAÇÃO. É TRISTE !

MAURO PAULINO

De Collor a Dilma


Pesquisas feitas para Dilma buscam, como as de Collor, prever comportamentos


PESQUISAS DE opinião foram decisivas na eleição de Collor. Para a criação do caçador de marajás utilizaram-se, pela primeira vez, pesquisas engajadas para moldar uma candidatura à Presidência, no Brasil. Foi também a primeira eleição em que a mídia contratou pesquisas com abrangência nacional para acompanhar as reações dos eleitores.
São pesquisas de naturezas diferentes, com métodos e objetivos diversos. Umas ajudam a fazer a história e outras colaboram para contá-la. Ambas assumem papéis relevantes e legítimos e, se feitas por uma mesma empresa, há de haver cuidado para que o engajamento não contamine análises e resultados tornados públicos.
A partir da interpretação dos resultados de uma pesquisa nacional, Collor concluiu que o "imaginário popular" abrigaria a sua personagem. As inserções na TV, exibidas entre março e maio de 1989, elaboradas no tom exato definido pelos pesquisadores, fizeram-no disparar de 17% para 42%, como apuraram pesquisas públicas do Datafolha. Considerando o eleitorado atual, equivaleria a 1 milhão de brasileiros convertidos a cada dia. Ou 15 Mineirões lotados por dia.
Diversos pleitos apresentaram movimentos parecidos. Deve ser estimulante para pesquisadores engajados acompanhar os efeitos imediatos de suas ações, medindo-os em milhões. Neste ano, com o desejo de continuidade, a cada exposição de Dilma na TV tantos milhões foram informados de sua ligação com Lula e novos patamares de intenção de voto foram sendo atingidos a cada aparição em massa da dupla.
As pesquisas feitas hoje para Dilma são semelhantes às da campanha de Collor. Por meio de técnicas específicas buscam a predição de comportamentos. Basicamente, fornecem apenas aos entrevistados de sua amostra informações que chegarão mais adiante a grande parte dos eleitores. Testam assim eficácia de estratégias e potencial de crescimento de seu contratante.
Em pesquisas tornadas públicas pode-se optar por alguns desses métodos preditivos, típicos das pesquisas engajadas. É uma decisão excitante do ponto de vista jornalístico. Para que medir o presente se o futuro pode ser revelado? Fora o risco de não concretização, inerente a qualquer predição, os mais atentos podem se perguntar se o método seria aplicado, nas pesquisas feitas para divulgação, caso não favorecesse o candidato certo.
Ao informar apenas aos entrevistados, antes da declaração do voto, que, por exemplo, Dilma é do PT, ou Dilma é do Lula, uma pesquisa pode mesmo antecipar o que vai ocorrer depois que muitos souberem disto. Mas, para que isso se concretize em intenção de voto, as informações devem chegar para muitos, da mesma forma que chegou aos entrevistados. Por isso, o Datafolha não dá essas informações aos seus entrevistados.
Dilma e Serra chegaram empatados no início de julho. Em meados de agosto, após o início da cobertura intensiva das eleições pelos telejornais, Dilma abriu vantagem de oito pontos. Após o início da campanha, ela cresceu mais seis pontos, e continua em ascensão. É um movimento até que brando, se comparado ao de 1989.
Na Folha, cada um desses movimentos foi explicado tecnicamente, a partir de fotografias de cada momento desta eleição. O que explicaria a vantagem de Dilma sobre Serra já no início de junho? Misturar pesquisas preditivas com outras, em médias e projeções acadêmicas, quando se conta com poucos institutos, pode comprometer o registro histórico da eleição. Melhor optar por umas ou por outras.
Há quem proponha uma guerra de pesquisas. Melhor não contarem com o Datafolha. Certa vez, o evolucionista Richard Dawkins, convidado a debater com criacionista, afirmou: "Não vou provê-los com o oxigênio da credibilidade".

MAURO PAULINO é diretor-geral do Datafolha

A IMPRENSA BRASILEIRA CHORA E MUITO

FOCO

No Rio, Lula cita bandeiras de Dilma

Presidente exalta governador do RJ em atos oficiais; Procuradoria analisará discurso

Ricardo Cassiano/Folhapress
Lula mostra o braço ao secretário de Saúde Sérgio Côrtes

DO RIO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou ontem, em eventos oficiais do governo federal, os projetos que são as principais bandeiras da campanha do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) à reeleição, e também adotadas pela candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.
Mesmo sem a presença de candidatos, Lula citou o nome do governador em Nova Iguaçu durante a inauguração de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). O discurso será analisado pela Procuradoria Eleitoral.
"Tenho consciência de que a Baixada Fluminense está recebendo investimentos no mandato do Sérgio e no meu que nunca tinha recebido antes", disse Lula para cerca de 300 pessoas.
As UPAs são a principal bandeira de Cabral na área da saúde. Dilma as adotou em sua propaganda, prometendo construir 500 delas.
No evento, o presidente reclamou de dor no cotovelo do braço direito. Ele teria batido o cotovelo numa quina ao visitar o morro Dona Marta.
"E as obras vão acontecer. Não vão parar porque agora o Brasil aprendeu a cobrar. O povo está mais esperto, mais inteligente. O povo sabe o que é bom. E o povo não quer continuar sendo tratado como se fosse pessoa de segunda categoria", disse Lula.
O presidente voltou a citar o governador na comemoração do centenário do porto do Rio. "Há um vazio nesse palanque, falta uma pessoa importante. Tem uma aqui, que é o Eduardo Paes [prefeito do Rio], mas falta o nosso governador Sérgio Cabral."
Horas antes, Lula havia visitado a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da favela Dona Marta, e lançou projeto turístico para a comunidade.
Embora tenha evitado citar o nome de Cabral no discurso, ele exaltou o projeto, também adotado por Dilma. "O que foi feito aqui, pelo governo do Estado do Rio, é um exemplo que está sendo seguido por outros Estados. Eu acho que é um exemplo que a gente vai conseguir implantar nos próximos anos em todo o território nacional".
À noite, no Theatro Municipal, o presidente comentou a liderança de Dilma nas pesquisas: "As coisas estão indo bem, dentro do esperado [...] Não tenho do que me queixar".

(CIRILO JUNIOR, HUDSON CORRÊA e ITALO NOGUEIRA)

IMPRENSA CORRUPTA QUER ELEGER AÉCIO NEVES COMO O GRANDE OPOSITOR AO FUTURO GOVERNO DILMA ROUSSEFF. SERÁ ?

NO LUCRO
Entre os muitos efeitos da imprevista ultrapassagem de Dilma sobre Serra em São Paulo, está o ganho indireto que cai nas mãos de Aécio Neves. Até algumas semanas atrás, ouvia-se e lia-se que a dificuldade de Serra na campanha decorria, em grande parte, da insuficiência do seu desempeno em Minas. Quando ultrapassado também lá por Dilma, Aécio tornou-se culpado para uns, esperança de recuperação para outros serristas.
Ao primeiro "até em São Paulo ele está perdendo", e a justificativa não precisou ser de sua autoria, Aécio Neves recebeu um álibi que silenciou as cobranças acusatórias ou esperançosas.

OS RATOS DESEMBARCAM DA CAMPANHA DE SERRA

RICARDO MELO

Nem banda nem música

Há cerca de um ano, nesta mesma página, mas em espaço diferente, este articulista bissexto escreveu: "A pior notícia para as pretensões oposicionistas saiu das planilhas do IBGE, ao sacramentarem algo de que já se suspeitava. Depois de ensaiar uma queda livre, a economia brasileira dá sinais de vitalidade e capacidade de recuperação das quais, diga-se de passagem, nem o próprio governo desconfiava (...)".
Publicado em setembro passado, acabava assim o artigo: "À oposição, que na falta de programa próprio apostava na crise para ganhar musculatura, não resta outra saída exceto providenciar algum discurso. Deixem-se de lado as pesquisas feitas com tanta antecedência. Do jeito que as coisas estão postas, parece mais fácil eleger até quem bisbilhota extratos de caseiros do que ver algum José subindo a rampa do Planalto".
(À época, especulava-se que o ex-ministro Palocci poderia ser uma alternativa no caso de Dilma Rousseff não decolar. Afinal de contas, variadas enquetes davam a José Serra uma dianteira folgada, de cerca de 30 pontos, sobre a ministra pré-candidata.)
O resto da história é de domínio público. Um ano depois, as coisas estão "postas do mesmo jeito". Mesmo com desmandos políticos do governo petista, a economia confirmou sua vitalidade, enquanto a oposição, PSDB à frente, provou-se campeã do vazio de proposições e alternativas.
Qualquer doente é digno de atenção e respeito, mas causa vergonha alheia um candidato ao Planalto oferecer como diferencial mutirões contra varizes ou recorrer a favelas postiças num país em que a miséria habita cada esquina (mesmo as de Higienópolis).
Tamanho é o desconcerto que mesmo bandeiras inegavelmente justas, como a de defesa do sigilo fiscal dos cidadãos, não robustecem a oposição. Assim como não se vende tucano por corvo, a tentativa de repetir a "banda de música" udenista fracassa na crítica e nas urnas. Por falta de banda, de maestro e, sobretudo, por falta de partitura. Esperto foi Aécio Neves.
Quando percebeu que o barco tucano adernava rumo ao fundo, tratou de saltar antes do desastre. Nos últimos tempos, sua plumagem tem trocado de cor mais ou menos com a mesma frequência com que transita pela ponte aérea BH-Rio.
Se realmente emplacar o sucessor, como tem chances de fazer, Aécio despontará como principal liderança não diretamente vinculada a Lula.
Seus planos, bem como o "percentual oposicionista" de seu comportamento futuro, são uma completa incógnita.
Muito vai depender não só de Minas -dependerá também do tamanho que o PSDB terá em São Paulo após eleições estaduais mais disputadas do que os tucanos esperavam.


RICARDO MELO é coordenador da Folha.com

ELIANE CANTANHÊDE , A RAINHA DA "MASSA CHEIROSA" , NÃO DIZ COISA COM COISA. COITADA , SE PERDEU !

ELIANE CANTANHÊDE

Frente e verso

BRASÍLIA - O PMDB considera "sem pé nem cabeça" a notícia de que Lula articula pessoalmente uma "frente de esquerda" com PT, PSB, PDT, PCdoB e PRB para se contrapor à força e à avidez peemedebista no eventual governo Dilma.
Mas, como o seguro morreu de velho, especialmente em política, a cúpula do partido não vai abrir a guarda. Pretende manter o discurso de que são todos dilmistas desde criancinha, mas assuntando até onde vai a tal frente e se preparando para, se e quando for o caso, mostrar que não é de brincadeira.
"A aliança era episódica, só para a eleição? Nós não somos parceiros? Não vamos juntos para a vitória?", questionou ontem Henrique Eduardo Alves, que é hoje o mais antigo deputado, com dez mandatos consecutivos, e candidato peemedebista a presidente da Câmara. O PT promete fazer barulho. Mas o PMDB tem lá suas vuvuzelas.
"Uma coisa é um governo com Lula, outra é um governo com Dilma", diz Alves, como quem não quer nada, lembrando o quanto Dilma, se for mesmo presidenta, pode vir a precisar um bocado do partido -no Congresso e fora dele.
Alves diz não acreditar na tal frente de esquerda, mas adverte por precaução: "Uma frente contra nós vai ser um tiro no pé, porque é claro que vai provocar uma reação do PMDB". Quem avisa amigo é.
Lula, aliás, não está sozinho ao focar o PSB e o PDT, já que Aécio Neves nem esperou as urnas e deu entrevista ao jornal "Valor Econômico" sobre uma linha de ação para 2011 "que independa do resultado da eleição presidencial". Qual seja? A aproximação do PSDB (ou da parte que sobrar de pé) com o PDT e o PSB de Ciro e Cid Gomes.
Lula quer os dois partidos contra o PMDB. Aécio, contra o PSDB serrista e paulista. Pode estar aí a base do novo partido a ser erguido sob os escombros da oposição.
PS - O que faz o PRB da Igreja Universal no meio da "frente de esquerda" de Lula? E eu que sei?!

elianec@uol.com.br

DILMA ROUSSEFF COLOCA OS PINGOS NOS 'IS' EM ENTREVISTA NO JORNAL DA GLOBO

Dilma acusa PSDB de Serra de ter "trajetória de vazamentos e grampos"

Maurício Savarese
Do UOL Eleições
Em São Paulo


Questionada em entrevista no Jornal da Globo sobre o escândalo do vazamento dos sigilos do imposto de renda de membros do PSDB, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, acusou na madrugada desta terça-feira (31) os tucanos de terem “expressiva” tradição em vazamentos e grampos durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela repetiu também que não está negociando cargos para o caso de ser eleita.

“Considero que é absolutamente injustificado que uma pessoa acuse outra sem apresentar prova”, disse Dilma, ao ser questionada sobre dados extraídos ilegalmente da Receita Federal que caíram nas mãos de um grupo de comunicação que negociou com sua pré-campanha. “Se essa situação for colocada dessa forma, o partido do candidato meu adversário tem uma trajetória de vazamentos e grampos absolutamente expressiva.”

“Vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil às vésperas da votação da emenda da reeleição. Os grampos que existiram no BNDES”, disse a candidata, em referência ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que teria sido sido pivô de uma série de grampos promovidos por membros do próprio governo de FHC, durante o processo de privatização da Telebrás. A entrevista durou 20 minutos.

“Também há os grampos feitos junto ao próprio gabinete do secretário da Presidência da República. Eu jamais usei esses episódios para tornar o meu adversário suspeito de qualquer coisa, porque não acho correto. Mas também não concordo que me acusem ou acusem minha campanha”, afirmou a presidenciável.

A líder nas pesquisas de intenção de voto, com ampla vantagem sobre o rival José Serra (PSDB), rejeitou a hipótese de estar negociando cargos em um eventual governo. “Eu não tenho discutido o futuro governo, por uma questão de respeito com a população. Para começar a discutir o governo, eu teria de estar eleita”, afirmou.

Na área externa, a petista disse que a posição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “sempre foi” de considerar as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como entidade ligada à criminalidade e ao narcotráfico. Tucanos e aliados seus no Democratas atacaram as relações do PT com a guerrilha esquerdista. “Brasil a gente tem de perder essa visão um tanto quanto conspiradora. Se não se conversar, você não consegue, inclusive, a paz”, afirmou Dilma.

Serra será entrevistado na edição de terça-feira do Jornal da Globo e a candidata Marina Silva (PV) falará na quarta-feira.

Senha era socializada, diz servidora do fisco

Senha era socializada, diz servidora do fisco

Acusada pela violação de sigilo de tucanos, Adeildda Santos diz que colegas tinham acesso livre a seu terminal

Funcionária da Receita Federal diz que cometeu apenas um erro: "Como servidora, deveria ter sido mais cuidadosa"


ANDRÉA MICHAEL
DE SÃO PAULO

Responsável pelo computador no qual foram acessadas ilegalmente declarações de renda do dirigente tucano Eduardo Jorge e de outros integrantes do PSDB, Adeildda Ferreira dos Santos negou ontem em entrevista exclusiva à Folha responsabilidade na violação dos dados. Ela afirma que colegas da agência de Mauá (SP) da Receita usavam o seu computador e que a senha de acesso ao sistema era "socializada". E diz que cometeu um erro. "Como servidora, deveria ter sido mais cuidadosa". Adeildda afirmou que o terminal pode ter sido usado por alguém com má-fé.

Folha - Como é sua rotina de trabalho em Mauá?
Adeildda Ferreira dos Santos
- Estou em Mauá desde 2007. Eu protocolava pedidos de retificação de declarações de renda, respondia memorandos e ofícios judiciais, e muitas vezes precisava da senha da Antonia Neves Silva para fazer isso.

Folha - Que serviço fazia a servidora Ana Maria Cano?
A mesma coisa que eu. Ela até pedia para usar a minha máquina. Dizia que estava com problemas e não conseguia entrar no sistema pela [máquina] dela.

Houve aumento de pedidos de acesso a dados sigilosos?
Houve. Outros funcionários, além da Antonia, também pediam: o Júlio [Bertoldo], a própria Ana Maria... O máximo que já fiz de uma vez, pelo me me lembro assim, foram uns 20. Mas eu nunca olhava nomes, porque era subordinada. Não conheço esse Eduardo Jorge.

A sra. sabe de alguma suposta venda de dados sigilosos?
Nunca ouvi nada.

A sra. acha que errou?
Não errei porque não acessei o sigilo de ninguém. Mas reconheço que, como servidora, deveria ter sido mais cuidadosa. Às vezes eu ia ao banco e deixava o meu terminal aberto. Outros dias eu chegava para trabalhar e a máquina já estava ligada.
Todo mundo sabia que eu deixava minha senha anotada numa caderneta sobre a minha mesa. A senha do meu terminal era socializada, na verdade, era usada por todo mundo que quisesse, mas eu nunca pensei que fossem usar com má-fé.


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ESTADÃO, AUTOR : GUILHERME BASTOS. FHC ENTREGA SERRA E TORCE POR DILMA ROUSSEFF

Eleições

“Serra não é Zé”, diz FHC

Em sua crítica à campanha de José Serra, hoje, em sua palestra em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu a seguinte declaração: “Serra não é . Serra é Serra mesmo”.

FHC foi bastante crítico à estratégia de marketing usada na campanha do candidato do PSDB.

A sensação dos que assistiram a palestra é de que FHC não nutre mais esperança de uma reação do seu candidato, apesar de não ter dito isto em nenhum momento.

Mas FHC falou, por exemplo, que, ao contrário do que se tem comentado, o PT não vai ser tão hegemônico como parece.

Segundo FHC, o PT não vai ter maioria no Senado e o PSDB deverá conquistar governos importantes como os de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás.

Diante desse cenário, FHC acha que o poder político ficará bastante dividido.

FHC não se mostrou pessimista também com o futuro político do País, no caso de se confirmar a vitória de Dilma Rousseff.

Ele acha que o PT não vai fazer nenhuma “maluquice”, como não fez no governo Lula.

Muitos temem que o governo se torne mais estatizante, pelo fato de uma ala do PT defender uma participação maior do Estado na economia, mas o próprio FHC afirmou que tem muita gente do PSDB que tem a mesma tendência. Ele não vê a possibilidade de uma mudança nas regras do jogo no governo Dilma.

Autor: Guilherme Barros

A FELICIDADE DE SE VIVER NA ERA LULA E PODER VER O FUTURO GARANTIDO COM A ELEIÇÃO DE DILMA ROUSSEFF PRESIDENTA DO BRASIL


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A MELHOR NOTÍCIA DO ANO,AGORA PODEMOS NOS DIVERTIR COM AS PIADAS DOS ARTICULISTAS E DOS EDITORIAIS DA FOLHA DE SÃO PAULO

Em seu despacho, o ministro diz que o humor é um estilo de fazer imprensa. A lei foi liberada em parte

O ministro Ayres Britto, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na quinta-feira (26) a eficácia do inciso II do art. 45 da Lei Eleitoral, que proíbe o uso de "trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito". Na prática, o ministro liberou o uso de sátira política na propaganda eleitoral de rádio e televisão.

AGÊNCIA ESTADO:ESTIMATIVA DO PIB RECUA DE 7,10% PARA 7,09% . É MOLE ? É TRISTE !

Mercado reduz projeção para inflação e PIB em 2010

Expectativa para alta IPCA caiu de 5,10% para 5,07%, enquanto a estimativa para crescimento da economia recuou para 7,09%, de 7,10%

Agência Estado

A IMPRENSA BRASILEIRA NÃO ENTENDE ESSE NOVO SENTIMENTO DO POVO BRASILEIRO DE SABER QUE SEUS INTERESSES,FINALMENTE,CONTAM PARA O GOVERNO DO PAÍS

A SATISFAÇÃO DA MASSA É PRIORIDADE E NÃO MAIS , COMO BEM FALOU ELIANE CANTANHÊDE , A SATISFAÇÃO DA "MASSA CHEIROSA".
SE A IMPRENSA BRASILEIRA FOSSE HONESTA , ESSA AFIRMAÇÃO DA REFERIDA JORNALISTA , SERIA TEMA DE DEBATES E ESTUDOS PROFUNDOS SOBRE O PENSAMENTO DA "ELITE" BRASILEIRA E AS CONSEQUÊNCIAS DE SEU COMPORTAMENTO NESSES 502 ANOS DE PODER.
O QUE SERIA A "MASSA CHEIROSA" É UM TEMA IMPORTANTE PARA UMA TESE DE DOUTORADO.

DILMA COMUNGA DO SENTIMENTO DO BRASILEIRO A RESPEITO DE SERRA E DA IMPRENSA CORRUPTA.NINGUÉM AGUENTA MAIS OS FACTÓIDES DO CONSÓRCIO CORRUPTO

Petista nega salto alto e diz que tucano 'não honra a biografia'

Segundo assessoria, candidata deixa claro em todas as entrevistas que jamais se sentou na cadeira presidencial

    Carol Pires / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

    Coletiva. Dilma: 'A gente tem que discutir propostas. Eu não vou rebaixar o nível da discussão'

    Em Brasília, a assessoria da petista Dilma Rousseff (PT) informou ontem que a candidata jamais "se sentou" na cadeira presidencial e destacou que ela esclarece isso em todas as entrevistas. A afirmação veio em resposta a críticas feitas momentos antes por seu adversário, José Serra, em São Paulo.

    Mais cedo, antes do início de uma sessão de gravação de seus programas eleitorais para a TV, Dilma já havia reagido às insinuações de Serra de que, caso eleita, ela seria conivente com movimentos radicais, como o MST. Essas afirmações "não honram a biografia dele", disse Dilma.

    "Parece que eles não aprendem. Isso eles já fizeram em 2002. Tentaram ao longo do governo do presidente Lula, sistematicamente, criar um clima de oposição muito acirrada, enfim, de tumulto", declarou.

    Dilma disse ainda, na entrevista antes do início das gravações, que Serra tenta "se evadir" do debate de propostas para o País quando diz que a eleição dela seria a "terceirização da Presidência". "Eu acho que esse tipo de declaração é uma forma de se evadir da questão central. A gente tem que discutir propostas. Eu de fato não vou rebaixar o nível da discussão - vou repetir a expressão - nem amarrada."

    Cargos. Diante da pressão de aliados, que insistem em tratar dos cargos do futuro governo tendo em vista a vantagem de Dilma nas pesquisas, a candidata afirmou que não trata do assunto. Ao falar sobre propostas para popularização do acesso à internet de banda larga, a petista não quis comentar quem ocuparia a presidência da Telebrás porque seria, de acordo com ela, "colocar o carro na frente dos bois".

    "Eu não vou discutir governo, como eu disse para vocês. Seria uma pretensão da minha parte", afirmou. "Qualquer discussão de nomes, da minha parte, e da minha campanha, é factoide. Eu desautorizo todas as especulações sobre quem quer que seja ocupar qualquer cargo que seja. Porque nós não achamos isso politicamente correto, é colocar o carro na frente dos bois."

    Segundo Dilma, nenhum partido político a procurou para falar sobre nomeações. "Até agora, para mim, essa questão só chegou pela imprensa."

    A tentativa do ex-ministro José Dirceu de evitar que o também ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci assuma a Casa Civil no possível governo de Dilma, conforme revelou o Estado, é, segundo a candidata, "um factoide". "A coordenação da campanha está aqui presente, nenhum de nós autoriza isso (discussão de cargos)."

    São Paulo. Nesta semana, Dilma tem agenda em São Paulo hoje e quarta-feira. Na quinta-feira, vai a Foz do Iguaçu (PR) e, na sexta-feira, a Canoas (RS). Ela deve tirar um ou dois dias de folga nos próximos dias, quando nascer o seu primeiro neto.


    Defesa

    DILMA ROUSSEFF
    CANDIDATA DO PT

    "Parece que eles não aprendem. Isso eles já fizeram em 2002. Tentaram ao longo do governo do presidente Lula criar um clima de oposição muito acirrado, enfim, de tumulto"

    "Eu acho esse tipo de declaração uma forma de se evadir da questão central"

    IMPERDÍVEL , PARA APRENDER A MANIPULAR PESQUISAS


    IMPRENSA

    Diretor do Datafolha fará palestra hoje

    DE SÃO PAULO - O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, profere hoje, às 20h, na Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira palestra sobre a metodologia e a elaboração de pesquisas eleitorais.
    Ele também vai discorrer sobre os erros e acertos da imprensa ao utilizá-las.
    A cátedra foi criada em 2002 pelo Centro Universitário Alcântara Machado (UniFiam-Faam) para homenagear o publisher da Folha, morto em 2007, aos 94 anos.
    Para assistir à palestra, que será na unidade Liberdade da UniFiam-Faam (av. Liberdade, 899, SP), basta enviar e-mail para jornalismo@fiamfaam.br, com nome, telefone e faculdade, empresa ou instituição a que pertence.

    QUE SE LIXE A OPOSIÇÃO AO GOVERNO DILMA !


    FERNANDO RODRIGUES

    Oposição em 2011

    BRASÍLIA - Enquanto as pesquisas mostram o favoritismo de Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial, há dúvidas sobre como será a configuração da oposição a partir de 2011. Não está ainda claro o tamanho da derrota de José Serra (PSDB), se vier mesmo a ser confirmada nas urnas.
    Uma coisa é perder no segundo turno, dando trabalho ao concorrente direto. Outra, bem diferente, é levar uma sova acachapante e humilhante já no primeiro turno.
    Se Serra de fato perder no primeiro turno, terá dificuldades para continuar a comandar o PSDB. Nessa configuração, o partido tem opções incertas sobre quem será seu líder nacional -e comandante da oposição. A rigor, os tucanos parecem cada vez mais confinados apenas a uma parte do Sul, do Sudeste e ao Estado de Goiás.
    Por ora, há mais certeza de vitória do PSDB nas eleições estaduais em São Paulo (com Geraldo Alckmin) e Paraná (com Beto Richa). Em Minas Gerais e em Goiás, a disputa continua intensa e incerta.
    Do ponto de vista do peso político nacional, São Paulo e Minas Gerais -os dois maiores eleitorados do país- são preponderantes. Assim, a liderança do PSDB estará entre o paulista Geraldo Alckmin e o mineiro Aécio Neves. É difícil imaginar as seções tucanas do Paraná ou de Goiás influindo de maneira decisiva nos rumos da oposição ao eventual futuro governo Dilma.
    Nas últimas semanas, o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, reagiu. Está virando uma "Dilma do Aécio" entre os mineiros. Já Aécio está prestes a se eleger como um campeão de votos para o Senado.
    Com essas tendências se materializando em 3 de outubro, Dilma terá o melhor dos mundos. Uma oposição debilitada e fracionada por dois estilos de comando. Não há nada tão diferente no PSDB como as formas de atuar de Aécio e Alckmin. O PT e Lula nunca sonharam com cenário tão edulcorado.

    fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

    FOLHA DE SÃO PAULO ARRANJA UM PROFESSOR AMERICANO PARA FALAR MAL DE LULA.O QUE É BOM PARA HARVARD NÃO É BOM PARA O BRASIL.COITADO !

    ENTREVISTA RICARDO HAUSMANN

    Sucessor não terá a mesma sorte de Lula, diz economista

    PROFESSOR DE HARVARD DIZ QUE, APESAR DO CAPITAL POLÍTICO, LULA NÃO FOI CAPAZ DE FAZER REFORMAS SIGNIFICATIVAS COMO AS DE FHC

    Scott Eells - 28.jan.09/Bloomberg News
    Ricardo Hausmann, diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard

    ÉRICA FRAGA
    DE SÃO PAULO

    "A grande sorte do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor. Mas o próximo presidente do Brasil não terá a mesma sorte."
    Com esse comentário, em entrevista à Folha, o economista Ricardo Hausmann, diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard e um dos mais respeitados especialistas em teoria do desenvolvimento econômico, encerrou uma série de críticas ao governo Lula.
    Em 2008, ele escreveu o estudo "In search of the chains that hold Brazil back" ("Em busca das correntes que freiam o Brasil"), afirmando que a política de expansão fiscal dos anos recentes, alavancada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), é insustentável.
    E, segundo ele, pode ter o mesmo efeito "desastroso" para a economia que a política externa de Lula teve para a diplomacia.

    FOLHA - Houve avanços desde que o sr. escreveu sobre as barreiras ao crescimento no Brasil em 2008?
    RICARDO HAUSMANN -
    Talvez você se lembre que [no estudo] eu era otimista sobre muitos aspectos estruturais do Brasil. O Brasil tem um setor privado muito forte, tem muito potencial de crescimento do investimento em muitas áreas promissoras.
    Mas, nos anos de boom antes da crise de 2008, o Brasil era um dos países que cresciam às menores taxas na América Latina.
    Minha avaliação era a de que isso se devia a uma taxa baixa de poupança doméstica, que exigia taxas de juros ridiculamente altas para evitar que a economia tivesse um aquecimento excessivo.
    Aí veio a crise e o governo respondeu com políticas anticíclicas. Aumentou significativamente a oferta de crédito via BNDES e Banco do Brasil em um momento em que havia uma parada cardíaca financeira.
    Diria que, de forma geral, a crise foi bem administrada. Mas o principal problema com muitos países, e o Brasil é um exemplo, é que, quando as coisas começam a parecer bem, eles se tornam arrogantes. Passam a acreditar num mundo de fantasia.

    O que o sr. quer dizer com mundo de fantasia?
    Só porque o Brasil teve por um trimestre uma taxa de crescimento acima de 7%, o Brasil agora é a nova China e o Lula é um gênio das finanças, e todos os problemas anteriores não existem mais porque o Brasil é um país diferente.
    Há toda uma narrativa que tem sido criada por conta de alguns bons trimestres no Brasil que pode levar a políticas macroeconômicas muito inconvenientes. Essa narrativa é particularmente conveniente na época de eleições.
    A primeira coisa que já está acontecendo é que a Selic [taxa de juros básica da economia] está subindo. Se você quisesse que a Selic aumentasse menos, a ideia seria compensar com políticas fiscais e de empréstimo pelo setor público mais estritas.
    Porque, de certa forma, o Brasil é um país esquizofrênico. Você tem uma política fiscal em que o BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio.
    Essas combinações são particularmente perigosas porque deixam a Selic muito alta em um período em que as taxas de juros globais estão muito baixas.
    Isso leva os investidores a pegar dinheiro emprestado em dólares, em ienes ou em euros para colocar dinheiro no Brasil, o que gera uma forte apreciação da taxa de juros e a possibilidade de desindustrialização.

    Alguns defensores da atuação recente do BNDES citam países da Ásia que atingiram altas taxas de crescimento sustentado por meio de políticas industriais. O que o sr. acha desse paralelo?
    Não tenho problemas com políticas que complementam o setor financeiro, viabilizando a disponibilidade de crédito para investimentos em áreas difíceis da economia.
    Não sou, de forma alguma, crítico em relação à contribuição potencial do BNDES para o desenvolvimento do país. Mas é uma organização que foi desenvolvida na época da inflação alta para proteger a economia das taxas de juros reais muito altas.
    A inflação não é mais um problema no Brasil.
    Seria possível que o BNDES mantivesse o foco de sua política em empréstimos para investimentos municipais, investimentos de longo prazo, apoiando pequenas e médias empresas, mas a uma taxa de juros que refletisse a Selic e não a uma taxa de juros que é muito inferior à Selic, que cria a distorção de gerar demanda excessiva pelos fundos que o BNDES tem de gerenciar.

    O sr. vê o crescente deficit em conta-corrente do Brasil, em tempos recentes, como um problema?
    A deterioração do deficit em conta-corrente indica que a expansão do gasto no Brasil é mais rápida do que a expansão da produção.
    O efeito disso é apreciar a taxa de câmbio, desestimulando as atividades exportadoras, para liberar recursos produtivos para atender a esse boom temporário do consumo. Todas as indicações são de que as condições fiscais e a política financeira do setor público são excessivamente expansionistas. Isso vai causar prejuízo para as perspectivas de crescimento de longo prazo do Brasil.

    A economia brasileira ainda é bastante fechada ao comércio exterior. Isso limita o crescimento de longo prazo?
    Acho que o Brasil tem os produtos com os quais poderia ter uma presença muito maior no comércio internacional. Vocês são gigantes em agricultura, em mineração. Têm uma presença marcante na produção de aeronaves. Há uma atividade industrial vasta que poderia gerar uma presença muito maior. Mas a administração macro no Brasil tem sempre conspirado contra o potencial de longo prazo.

    E isso continua acontecendo?
    Na minha opinião, está piorando. Quando o Lula foi eleito, em 2002, houve uma crise econômica e ele foi muito cuidadoso ao dar confiança ao setor privado.
    Agora, eles começaram a pensar que sabem mais e estão menos dispostos a serem cuidadosos. Estão se tornando mais ideológicos.
    Do ponto de vista econômico, as políticas são insustentáveis como as adotadas na diplomacia.
    Agora que o Brasil é grande, pode ir para a cama com o Ahmadinejad [Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã] no Irã ou hospedar o Zelaya [Manuel Zelaya, ex-presidente de Honduras deposto em junho de 2009] na sua embaixada em Honduras etc.
    É uma atitude de que agora o país é independente, um poder diferente, e, portanto, pode confrontar o senso comum. Esse tipo de arrogância na política externa tem sido desastrosa.
    E esse tipo de arrogância tem o perigo de ser igualmente desastrosa para a administração macroeconômica.

    As pesquisas de intenção de voto mostram grandes chances de vitória da candidata do presidente Lula. O sr. acha que isso levará a uma continuação dessas políticas que o sr. critica?
    Todo mundo sabe que o presidente Lula tem sido superpopular e ele construiu um capital político enorme. Mas esse capital político enorme não se traduziu em nenhuma reforma significativa durante seu segundo mandato [2007-2010].
    Ele não tem nada a mostrar em termos de ter resolvido problemas antigos relacionados à baixa taxa de poupança, ao sistema de previdência, à infraestrutura, a ter uma estrutura tributária mais normal e funcional.
    Apesar do seu enorme capital político, ele não foi capaz de fazer nenhuma reforma significativa como as feitas pelo antecessor dele.
    E, recentemente, ele tem se movido na direção contrária. A grande sorte do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor [FHC]. Mas o próximo presidente do Brasil não terá a mesma sorte.

    VAMOS CONTINUAR DE MOCASSINS. NA VERDADE, A FOLHA GOSTARIA DE DIZER QUE DILMA PERDEU A ELEIÇÃO

    Se eleita, Dilma deve manter diretrizes da política externa

    Patriota, mais discreto que Amorim, é cotado para assumir Itamaraty

    Marco Aurélio Garcia diz que orientação não mudaria, mas analistas apostam em mais peso da agenda econômica

    CLAUDIA ANTUNES
    DO RIO

    Um eventual governo Dilma Rousseff deverá manter as linhas gerais da política externa atual, mas haverá um freio ao menos temporário em iniciativas ambiciosas como as capitaneadas pelo presidente Lula e o chanceler Celso Amorim.
    Sem o rol de afinidades internacionais que Lula acumulou, Dilma tenderia, de acordo com analistas, a ter atuação mais contida.
    "É uma mudança inevitável, que tem a ver com o fato de a política externa hoje ser muito dependente da figura do presidente", diz Sandra Rios, do Cindes (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento).
    Existe também a avaliação de que a ex-ministra da Casa Civil, pelas áreas em que atuou e pelo perfil dos ex-auxiliares em quem confia -como Luciano Coutinho, do BNDES, e Alessandro Teixeira, da Apex (agência de promoção de exportações)- poderá privilegiar o eixo econômico da inserção do Brasil.
    Nesse caso, ficaria em segundo plano o viés mais político, de questionamento aberto da distribuição do poder nas instituições globais -caso da mediação sobre o projeto nuclear do Irã.
    Dois fatores pesarão nessa definição: a manutenção do cenário interno positivo, base para qualquer passo externo menos convencional, e o perfil do novo ministro das Relações Exteriores.
    Outra escolha chave será a chefia da assessoria internacional do Planalto, hoje ocupada por Marco Aurélio Garcia. Quadro do PT, ele teve mais protagonismo que seus antecessores, quase todos diplomatas de carreira.
    Garcia, um dos responsáveis pelo programa de governo da candidata, diz que não conversou com ela sobre ficar no cargo. Afirma que Dilma "não é uma tecnocrata", ao discordar que possa se revelar pouco ativista. E aponta as circunstâncias imprevistas como determinantes da ênfase da diplomacia.
    Lembra que Lula, logo depois de assumir em 2003, já articulava com França e Alemanha movimento contra a invasão do Iraque, que ocorreria em seguida.
    No Itamaraty, o secretário-geral Antonio Patriota é considerado candidato natural a substituir Amorim, embora se cogite um "mandato-tampão" do atual chanceler.
    Amorim diz que já cumpriu seu papel: "Agora, ninguém pode ser tão arrogante que diga: "Não, não quero dar colaboração". Se me pedirem um conselho, eu posso".
    Outros embaixadores em alta são Carlos Alfredo Teixeira (ex-assessor de Dilma na Casa Civil), Roberto Jaguaribe (Londres), Clodoaldo Hugueney (Pequim), Luiz Alberto Figueiredo, negociador do clima, e Antônio Simões, subsecretário-geral para a América do Sul.
    Patriota, 56, não é dado a frases bombásticas. É descrito como consolidador, não inovador. Tem menos experiência que Amorim, 68, que já havia sido chanceler de Itamar Franco, embaixador na ONU e chefe da delegação em Genebra, sede da Organização Mundial do Comércio.
    O secretário-geral fez carreira nos mesmos órgãos multilaterais, mas sua primeira titularidade foi em Washington (2007-2009).
    Ricardo Sennes, da consultoria Prospectiva, avalia que ele é menos "antidesenvolvidos, entre aspas", que o chefe: "Já abriu conversas com o Canadá e os EUA".
    Em artigo na revista "Política Externa", Patriota reafirma três eixos da diplomacia -América do Sul e demais parceiros "tradicionais", como Europa e EUA; cooperação Sul-Sul, e democratização da governança global.
    Mas se refere à atuação em "questões de paz e segurança" (Irã). Isso, diz, cria chance de diálogo para a "construção de consensos -ou, mais realisticamente, de maiorias- que legitimam um processo coletivo".

    TODO GOVERNO,DE QUALQUER PAÍS,TENTA TER MAIORIA NO CONGRESSO.É LEGÍTIMO E DEMOCRÁTICO

    ANÁLISE

    Senado foi o calcanhar de aquiles do governo Lula

    KENNEDY ALENCAR
    DE BRASÍLIA

    O empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições para o Senado se deve às derrotas políticas e às críticas incisivas que sofreu nesta Casa do Congresso nos seus dois mandatos.
    O Senado foi o calcanhar de aquiles. Lula pagou um preço alto em cargos e verbas para formar maioria numérica que, em crises políticas e na votação de projetos prioritários, nem sempre bancou suas determinações.
    Mais: no Senado, foram feitos os discursos mais duros contra Lula e familiares. Ele gostaria de dar o troco.
    Por isso, agora prioriza as eleições para o Senado, que terá a renovação de 54 das 81 cadeiras. Essa atenção começou na montagem de candidaturas competitivas do PT e de aliados e continua na propaganda no rádio e na TV (que pede votos ao "time de Lula" para candidatos a deputado e a senador).
    O presidente avalia que um eventual governo Dilma Rousseff terá maioria na Câmara. Até o PTB, que apoia o candidato do PSDB, José Serra, e o PP, que não integrou o arco oficial de alianças da petista, já sinalizam que pretendem aderir a ela. No Senado, a batalha é mais complexa.
    Para Lula, é estratégico o apoio a candidatos que são suplentes de atuais senadores. Os suplentes, pela posição de menor poder, pois chegam lá devido à ausência do titular, mostram-se mais fiéis ao governo. A maioria deles foi ardorosa defensora em batalhas impopulares.
    Com pouca chance de ser eleito, o mineiro Wellington Salgado (PMDB) é exemplo de escudeiro fiel. Na crise do Senado em 2009, quando Lula não abandonou o presidente da Casa, José Sarney (PMDB), Salgado foi mais leal ao Planalto que a bancada do PT. Aloizio Mercadante teve de revogar uma "irrevogável" renúncia à liderança da bancada na votação de abertura de processo contra Sarney no Conselho de Ética.
    O plano de Lula é dar a Dilma blindagem contra derrotas em CPIs e votações vitais, como na extinção da CPMF.

    SERRA ACREDITA NAS SUAS PRÓPRIAS MENTIRAS

    Candidato diz que projeto Rede Cegonha da petista é cópia do Mãe Paulistana de assistência a gestantes. Temporão visita reduto tuca

    Ullisses Campbell

    Werther Santana/AE
    Serra em campanha, em São Paulo: “Todas as minhas promessas são copiadas pelo PT. A diferença é que a Dilma faz promessa, eu assumo compromisso”

    São Paulo — A um mês das eleições, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai visitar hoje em São Paulo uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), uma das maiores bandeiras eleitorais do candidato José Serra (PSDB). A visita do ministro petista à obra tucana vem sendo vista como inusitada pelo PSDB, que acusa o PT de copiar as promessas de campanha dos tucanos. No programa eleitoral de sábado, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, deu ênfase ao projeto Rede Cegonha, que o PSDB vê como uma cópia do Mãe Paulistana. Os dois programas preveem assistência médico-hospitalar a gestantes. “As promessas da Dilma são um papel-carbono das coisas que eu fiz em São Paulo. Agora até ministro vai visitar UPA”, reclamou Serra, dizendo que é uma falta de respeito sentar na cadeira de presidente um mês antes da eleição.

    No mesmo dia em que Dilma falou da Rede Cegonha, Serra mostrou em seu programa resultados do Mãe Paulistana. A petista disse que criou o projeto porque tem preocupação com a saúde das crianças, desde a gestação da mãe até os primeiros anos de vida. “Um país do tamanho do nosso tem que ter projetos especiais voltados para a população de crianças e jovens”, justificou a candidata. Como ainda é uma promessa, o programa da petista mostrou uma modelo grávida. Já o programa de Serra(1) contava histórias de mães pobres que tiveram bebês pelo programa de São Paulo.

    Segundo estimativas do Mãe Paulistana, até o fim do ano, o programa prevê o nascimento de 56.842 crianças. Desde 2004, cerca de 400 mil bebês já nasceram pelas mãos de médicos ligados ao projeto. Também já foram distribuídos 350 mil enxovais às mães. Quando foi criado, menos de 10% das gestantes voltavam ao médico após dar à luz. Hoje, todas que realizam teste de gravidez nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) são inscritas para fazer pré-natal, exames laboratoriais e ultrassom. Destas, 75% retornam à consulta, o que facilita a prevenção de complicações pós-parto.

    “Para ser beneficiada pelo programa, a mãe precisa fazer uma inscrição e passa a receber um bilhete único que dá acesso grátis a ônibus e metro”, explica a coordenadora-geral do Mãe Paulistana, Maria Aparecida Orsini de Carvalho. No caso das Upas, Serra faz questão de dizer que é o pai da criança. Em programa eleitoral que foi gravado no fim de semana e que será apresentado até sexta-feira, ele vai mostrar que as 115 unidades ativas na Grande São Paulo vêm sendo inauguradas desde a época em que ele era prefeito da cidade, entre 2005 e 2006.

    Inaugurações
    Na semana passada, o tucano criticou Dilma, que vem prometendo inaugurar 1,5 mil unidades nos quatro anos que pretende governador o Brasil. Atualmente, as Upas são adotadas em 14 estados e 71 municípios de todo país, inclusive em estados administrados pelo PT e aliados, como Pernambuco e Bahia. Segundo a meta adotada por Temporão assim que assumiu o cargo, em 2007, seriam inauguradas 500 Upas em todo o país, mas o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva vai se encerrar em dezembro com 430 unidades funcionando. Setenta ficarão só na promessa por falta de investimento.

    “Todas as minhas promessas são copiadas pelo PT. A diferença é que a Dilma faz promessa e eu assumo compromisso”, compara Serra. Na passagem por São Paulo, Temporão vai falar hoje justamente das promessas feitas na área da Saúde e as dificuldades que se tem para concretizá-las por causa dos limites constitucionais. O ministro será palestrante do Terceiro Setor e Parcerias na Área da Saúde, que reúne juristas, agentes públicos, gestores hospitalares e agentes de controle.

    À tarde, Serra visitou a Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo. Acompanhado da mulher, Mônica Serra, ele tentou cantar a música Asa Branca, mas o microfone não estava funcionando. Para homenagear os nordestinos, o candidato pôs um chapéu de couro na cabeça.

    1 - “Ação de hackers”
    O site oficial do candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) ficou fora do ar por 12 horas, entre o sábado e ontem. Uma equipe de técnicos em processamento de dados foi chamada às pressas para pôr a página no ar. Até as 15 horas de ontem, os técnicos acreditavam que um hacker havia invadido o site, tirando-o do ar.


    Marina discute campanha
    Michel Filho/Agência O Globo
    Marina durante café da manhã com a equipe de assessores em São Paulo

    A candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, dedicou o dia de ontem para reorganizar a campanha e gravar programas em São Paulo. Pela manhã, se reuniu com coordenadores em um café da manhã, no qual um dos assuntos discutidos foi a questão financeira, principalmente as doações pela internet. Segundo a área de arrecadação da campanha, o volume de recursos que chegaram ao PV pode dobrar neste primeiro mês — a expectativa é que possa ultrapassar os R$ 4,6 milhões em julho.

    O coordenador do comitê financeiro da campanha de Marina, Álvaro de Souza, informou que esta semana já terá em mãos o total arrecadado pelo PV no segundo mês de campanha, quantia que deve ser declarada à Justiça Eleitoral. A coordenação espera que o montante de R$ 4,6 milhões dobre. Souza disse que a campanha na internet já coletou cerca de R$ 75 mil em doações e reconheceu que esperava um resultado melhor. “Não existe no Brasil uma tradição de doação política”, justificou.

    Ela se reuniu numa mesa com 11 pessoas, entre elas o seu vice, Guilherme Leal, o economista Eduardo Giannetti e a socióloga Anamaria Schindler. Na pauta de discussões, o balanço da campanha e os novos rumos que serão adotados a partir de agora. Marina não tocou na refeição — pão integral com mel, uma salada de frutas e um suco de laranja —, alegando que estava enjoada. Hoje, a candidata participa da 12º Fórum Internacional sobre o Futuro do Álcool, na Feira Nacional Sucroalcooleira, em Sertãozinho (SP). À noite, está prevista a presença de Marina em evento no Rio, onde receberá o apoio de artistas, no Teatro do Leblon.



    Contra as especulações

    Denise Rothenburg

    Embalada pelas pesquisas eleitorais que lhe dão a perspectiva de vitória no primeiro turno, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, entrou na fase de colocar um pé no freio nas especulações a respeito de composição de governo e de brigas internas entre aliados. “Qualquer discussão de nome é factoide. Desautorizo. Não achamos isso correto”, afirmou. Ao lado do presidente do PT, José Eduardo Dutra, coordenador da campanha, Dilma assegurou que “não chegou qualquer partido político para colocar sobre a mesa algum pedido” de cargo ou espaço em um possível futuro governo. “Está aqui o coordenador da campanha, e nenhum de nós autoriza a se falar em nomes”, disse a candidata.

    Àqueles que têm defendido uma eleição em dois turnos como necessária ao fortalecimento da democracia, a candidata, quando perguntada a respeito, manda um recado direto: “O que fortalece a democracia é voto. A base é sólida quando se configura em maioria, independentemente da quantidade de turnos que se faça, não só no Brasil como em qualquer lugar do mundo”, afirmou.

    Dilma conversou com os jornalistas na casa amarela onde está montado o estúdio do marqueteiro João Santana. A entrevista foi convocada pela candidata, que, quando não tem eventos de corpo a corpo com o eleitor, sempre chama a imprensa para falar de algum tema específico das propostas a fim de ganhar espaço em jornais e na TV. Ontem, chegou dizendo que o assunto seria banda larga. A ideia é ampliar o acesso, hoje restrito a 12 milhões de pessoas, a 40 milhões nas capitais e 4.283 municípios. Para isso, ela pretende usar a rede de fibra óptica das companhias de eletricidade e da Petrobras. Quem cuidará da ampliação é a Telebras. O custo dessa ampliação até 2014 será da ordem de R$ 3 bilhões.


    PROBLEMAS DE UM PAÍS QUE CRESCE ACELERADAMENTE

    A energia necessária para a próxima década

  • Luiz Gonzaga Bertelli

  • Diretor e conselheiro da Fiesp, presidente da Academia Paulista de História (APH)


    Conforme a divulgação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil possui, atualmente, capacidade de geração de hidroeletricidade de 83 mil MW e os investimentos previstos para os próximos anos assegurarão a manutenção de uma matriz energética mais limpa, renovável e ecológica do que a média do universo.

    A economia global, ao contrário da brasileira, é fortemente dependente de fontes energéticas não renováveis e poluentes, como petróleo, carvão e gás natural. Em 2020 é estimada no Brasil a oferta de 117 mil MW, com um crescimento da ordem de 40%.

    Ao lado da hidroeletricidade, haverá, na vindoura década, excedente superior a 2 milhões de barris diários de petróleo, duplicando a atual produção, como resultado das explorações do Pré-Sal. Contudo, apesar da euforia existente, extrair petróleo em grandes profundidades marítimas é missão complexa e de difícil consecução. A Noruega e o Reino Unido exploram o óleo no oceano preocupados com eventuais acidentes, semelhantes ao havido, recentemente, no Golfo do México, estancado de forma transitória três meses após a explosão.

    Tragédias similares deverão ser prevenidas pela principal empresa do Estado brasileiro. As prioridades do governo federal continuarão na expansão da hidroeletricidade e do petróleo, com aplicações financeiras em torno de R$ 1 bilhão, sendo 70% na área do petróleo e gás natural, 23% na eletricidade e 7% na produção do etanol e biodiesel.

    Para os especialistas do Ministério de Minas e Energia, o planejamento dos investimentos é compatível com o crescimento econômico sustentável do país, perto de 6% até 2020. No período de 2000/2010 cresceu perto de 4% ao ano.

    Um considerável entrave à regularidade do abastecimento elétrico será o sistema de transmissão. O país vai precisar aumentar as suas linhas de transmissão em 30%, saindo de 95 mil quilômetros existentes para 137 mil, até a próxima década, ampliando as interligações regionais, além de inclusão das reservas de biomassa (bagaço) e eólicas. O êxito da geração da energia do bagaço da cana e do eficaz aproveitamento dos ventos dependerão da interligação ao sistema global de transmissão.

    Tradicionalmente, com exceção dos períodos de crise, como sucedeu no último apagão de 2001, o Brasil menospreza a racionalização e a eficiência no uso da energia para máquinas, lâmpadas, motores e utensílios domésticos, o que poderia reduzir o consumo, sem a construção de novas unidades geradoras de hidroeletricidade ou térmicas.

    Quanto às usinas nucleares, os planos governamentais preveem a participação de 2% no balanço energético, dando início à entrada em operação de Angra 3, em 2015. Continuará o etanol da cana de açúcar sendo a estrela da produção de biocombustíveis líquidos na próxima década, evoluindo dos atuais 30 bilhões de litros, na safra 2010/11, para 53 bilhões em 2020.

    O grande desafio para a venda de etanol nos mercados externos é a transformação do derivado da cana em uma commodity. Hoje, o Brasil é praticamente o único fabricante do etanol em condições de ofertá-lo, em grandes volumes, inclusive competindo com os derivados do petróleo.

    Existem, ainda, perto de 91 milhões de hectares de terra disponíveis no Brasil, que poderão ser aproveitados com o plantio da cana de açúcar. Até o ano 2011, há estimativa de ocupação de 12 milhões de hectares, sem a necessidade do plantio em terras destinadas à produção de gêneros alimentícios. No primeiro semestre de 2010, houve queda de 20% no preço médio do litro do etanol em todo o país, ficando em R$ 1,20 nos postos de combustíveis. Dessa forma, deixar a gasolina de lado para usar o etanol é compensador, além de gerar menos poluição.

    Ao contrário do etanol, o biodiesel não apresenta grande economicidade, diante do seu custo em relação ao diesel. Quase todo o biodiesel fabricado é decorrente do esmagamento da soja, o que não é justificável, porque está competindo com a produção de alimentos. O gás natural deverá ter, também, produção triplicada de 80 milhões de m³ para 240 milhões de m³, com a consequente redução do preço.

    Quanto ao parque de refino do petróleo, haverá a imprescindibilidade da construção de mais unidades e ampliação das existentes, a fim de diminuir o percentual de importação do diesel, nafta petroquímica e gás liquefeito de petróleo (GLP), que oneram a balança comercial da nação.

    domingo, 29 de agosto de 2010

    A FOLHA DE SÃO PAULO ESMIUÇA CADA SEGUNDO DA VIDA DE DILMA,NO PASSADO E NO PRESENTE,MAS SOBRE SERRA NÃO QUER SABER.ONDE ESTÁ O DIPLOMA DE SERRA ?

    Dilma já vendeu bugigangas e 'Cavaleiros do Zodíaco' no RS

    FERNANDA ODILLA
    ENVIADA ESPECIAL A PORTO ALEGRE

    Nem só de política e cargos públicos viveu a presidenciável Dilma Rousseff (PT). Entre uma função e outra no Rio Grande do Sul, ela investiu no mundo empresarial com uma loja de bugigangas importadas do Panamá.

    O negócio, que durou um ano e cinco meses, fechou em julho de 1996 e é omitido de sua biografia oficial.

    Com o nome fantasia de Pão & Circo, inspirado na estratégia romana para calar as vozes insatisfeitas, a empresa foi registrada para comercializar confecções, eletrônicos, tapeçaria, livros, bebidas, tabaco, bijuterias, flores naturais e artificiais, vendidos a preços módicos.

    O forte, porém, eram os brinquedos, particularmente os dos "Cavaleiros do Zodíaco", animação japonesa sobre jovens guerreiros que fez sucesso nos anos 1990.

    Na biografia oficial de Dilma na web, que exalta a fama de boa gerente da candidata, não há menção ao período em que ela foi sócia-gerente da Pão & Circo. Nem mesmo quando defendeu a criação de um ministério para pequenas e médias empresas, em maio, mencionou o fato.

    A Folha procurou a candidata por telefone e por e-mail para que ela falasse dessa experiência. Por meio da assessoria, Dilma confirmou que a empresa existiu e fechou há cerca de 15 anos --e que não falaria mais sobre isso.

    SÓCIOS

    A empresa tinha sede e filial em Porto Alegre e importava artigos de bazar de Colón, no Panamá, para revender no atacado e no varejo.

    Além da agora candidata e da ex-cunhada Sirlei Araújo, participavam da sociedade o ex-marido de Dilma, Carlos Araújo, e um sobrinho, João Vicente. Carlos foi dirigente da VAR-Palmares, uma das organizações de esquerda das quais Dilma participou durante a ditadura militar.

    Segundo Sirlei, ela e Dilma viajaram ao Panamá "umas duas ou três vezes" para escolher as mercadorias, que eram despachadas de navio até Imbituba (SC) e seguiam depois por terra até a capital gaúcha. "Era mais bazar e brinquedos", diz a ex-sócia.

    A sede foi inaugurada em fevereiro de 1995, numa sala na região central de Porto Alegre. Quatro meses depois, Dilma abriu uma filial no centro comercial Olaria, também na capital gaúcha.

    Os comerciantes mais antigos do Olaria se lembram de Dilma, dos contêineres e da lojinha. "A gente esperava uma loja com artigos diferenciados, mas, quando ela abriu, era tipo R$ 1,99. Eram uns cacarecos", afirma Bruno Kappaun, dono de uma tabacaria no local.

    PREJUÍZO

    A simplicidade da loja e o baixo movimento de clientes também estão na memória dos comerciantes. "A loja era mal-acabada, com divisórias de tábua, um troço rústico. E, claro, não entrava ninguém ali", diz Ênio da Costa Teixeira, dono de pizzaria, lembrando que dois funcionários ficavam na loja e Dilma aparecia eventualmente.

    Um terceiro comerciante, André Onofre, dono de um café no Olaria, acha que a loja não teve viabilidade econômica porque as "bugigangas" eram "muito baratas". "Foi uma experiência. Acho que ela não era do ramo."

    Sirlei afirma que o negócio não foi um fiasco: "Até que deu bem certo". Diz que Dilma cuidava sobretudo da contabilidade e das vendas.

    A empresa ficou aberta por apenas 17 meses, entre 1995 e 1996, segundo registro na Junta Comercial e na Secretaria de Fazenda do RS. Os quatro sócios fecharam a filial primeiro, em 1996, e extinguiram a empresa oficialmente em dezembro de 1998.

    "Durou bem pouco tempo. Dilma sempre foi muito envolvida com a política. Não dava tempo para ela conciliar. Eu sozinha não conseguia", justifica Sirlei.

    O período em que Dilma esteve à frente da Pão & Circo coincide com o tempo em que ela ficou afastada de cargos de confiança no governo do Rio Grande do Sul.

    A ex-sócia diz que a decisão de fechar o negócio foi tomada em conjunto, pois Dilma se preparava para assumir o cargo de secretária de Minas e Energia na gestão Olívio Dutra (1999-2002).

    Questionada sobre o silêncio da petista em relação à experiência de microempresária, Sirlei diz que tanto Dilma quanto a família dela preferem a discrição. Quando ouve que Dilma prometeu um ministério específico para o setor, ela não se surpreende: "É porque ela tem bastante experiência".

    O BLOG OS INIMIGOS DE JOSÉ SERRA AJUDA BRIZOLA NETO E REPRODUZ A INCRÍVEL ENTREVISTA DE GILMAR MENDES QUE ACUSA SEM PROVAS

    http://osinimigosdejoseserra.blogspot.com/2010/08/para-ajudar-o-meu-amigo-brizola-neto-do.html

    MARCOS COIMBRA :As lições das pesquisas."o favoritismo de Dilma, que agora ficou evidente para todos"

    Marcos Coimbra

    Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
    marcoscoimbra.df@dabr.com.br

    As pesquisas, mesmo quando seus responsáveis torciam para que dissessem algo diferente, nunca deixaram de mostrar a mesma coisa: o favoritismo de Dilma, que agora ficou evidente para todos



    Os estudos que o professor Marcus Figueiredo e sua equipe estão fazendo sobre as pesquisas nas eleições presidenciais deste ano são importantes por várias razões. Sediados atualmente na UERJ (depois dos problemas pelos quais passou o Iuperj, a instituição à qual estavam vinculados) formam o grupo brasileiro mais especializado no assunto, com significativas contribuições para a avaliação e o desenvolvimento das pesquisas de opinião em nossa sociedade.

    Seu núcleo, o Doxa — Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública, acompanha, desde 2008, as pesquisas publicadas sobre a evolução das intenções de voto na sucessão de Lula. A base que utilizam são os trabalhos dos quatro institutos que divulgam resultados nacionais mais frequentemente.

    O que tem maior regularidade é o Sensus, com as pesquisas que desenvolve para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Dela é, portanto, a série mais completa ao longo do período. A seguir vem o Ibope, que tem um contrato de pesquisas trimestrais com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Datafolha e Vox Populi publicaram pesquisas intermitentes até o fim do ano passado. Ao longo de 2010, todos divulgaram muitas.

    Confirmando o que o Doxa já havia identificado nas eleições presidenciais depois da redemocratização, os quatro institutos fizeram um acompanhamento coerente da evolução das intenções de voto a partir de fevereiro de 2008, data do primeiro levantamento. As discrepâncias entre eles, que viraram assunto há alguns meses, não são relevantes.

    Colocando lado a lado as pesquisas dos quatro, vemos uma linha de “evolução natural” da eleição de 2010. Já no fim de 2008, quando eram sete as pesquisas publicadas, percebia-se o sentido apontado pelos levantamentos: Dilma tendia a subir e Serra a cair.

    Ao longo de 2009, foram divulgadas 14 pesquisas. O Doxa procurou a função matemática que mais se ajustava aos dados levantados pelos quatro institutos para os dois candidatos, com a qual podia estimar em que lugares estariam em pesquisas futuras (se, naturalmente, os motivos que os haviam levado àquelas posições não se alterassem). Essa função previa que as duas tendências se manteriam: crescimento de Dilma e queda de Serra. Ela havia começado o ano com 13% (segundo o Sensus) e terminado com 23% (segundo o Datafolha). Nas mesmas pesquisas, Serra foi de 43% a 37% e sua vantagem se reduziu à metade.

    Em 2010, até 20 de agosto, foram publicadas 26 pesquisas dos quatro institutos. As estimativas feitas a partir dos dados de 2009 previam que Dilma ultrapassaria Serra entre o fim de abril e o início de maio, que foi quando, segundo cinco pesquisas feitas naqueles dias, ela aconteceu. Previam que a candidata do PT continuaria a subir e que a distância entre ela e o candidato do PSDB cresceria, que foi o que todas apontaram.

    Os quatro institutos foram coerentes entre si e seus resultados coerentes no tempo. Em outras palavras: cada novo resultado de um era coerente com os dos demais e com seus resultados anteriores. Era possível antecipar quase exatamente o que diriam as próximas a ser divulgadas, seja vendo as dos demais institutos, seja levando em conta a série de cada um.

    Na reta final da campanha, os únicos resultados que fugiram do esperado foram as duas pesquisas de julho do Datafolha, com o empate entre Dilma e Serra. Já antes, em maio, no momento da ultrapassagem, o instituto havia captado mal o processo, corretamente percebido pela Vox e pela Sensus, e, logo a seguir, pelo Ibope.

    Mas o positivo é que todos, incluindo o Datafolha, voltaram a ser coerentes no fim de agosto.

    Salvo, então, um ou outro percalço de algum instituto, as pesquisas de opinião nos ajudaram a entender a eleição que estamos fazendo. O trabalho conjunto dos institutos traçou um retrato nítido: uma eleição sem sobressaltos, sem oscilações bruscas, marcada pela previsibilidade.

    Seu ritmo foi ditado pela gradual difusão da informação sobre quem encarnava aquilo que a população desejava: a continuidade de um governo aprovado quase unanimemente, seja lá por quais razões. E o consequente crescimento da candidata que a representava.

    As pesquisas, mesmo quando seus responsáveis torciam para que dissessem algo diferente, nunca deixaram de mostrar a mesma coisa: o favoritismo de Dilma, que agora ficou evidente para todos.

    HISTERIA

    Eleições 2010
    Mexicanização ou histeria?

    Enquanto alguns analistas enxergam com receio o momento de aparente fragilidade da oposição, outros veem um cenário de solidez democrática

  • Bertha Maakaroun


  • O cientista político Bolívar Lamounier admite: é pequena a probabilidade de José Serra (PSDB) inverter a linha de crescimento de Dilma Rousseff (PT), mudando o curso das eleições. Diante de um cenário que, segundo ele, permite projetar a derrota do PSDB em âmbito nacional e, ao mesmo tempo, a conquista, na maior parte dos estados, de governos da base de Lula, Lamounier, que tem grande proximidade política e ideológica com o PSDB do sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, declara haver um risco de “mexicanização” do país. “Refiro-me às seis décadas em que o PRI, Partido Revolucionário Institucional, governou sozinho o México, suprimindo na prática as oposições. Isso não significaria a eliminação total da competição política e eleitoral, mas uma absorção dela: para dentro da aliança PT-PMDB e para dentro da máquina pública.”

    Para o sociólogo, um eventual governo Dilma, com ampla maioria na Câmara dos Deputados e no Senado, terá “um controle quase total do processo político e das instituições”. Lamounier prega em conferências e em artigos o risco do que chama de liquidação da oposição nos estados. “Lula e o PT nunca tiveram um traço sequer de visão federativa. A pedra no sapato de Lula é evidentemente o estado de São Paulo. Por isso ele já avisou que não medirá esforços para impedir a vitória de Geraldo Alckmin.” O cientista político acredita que, para a “saúde da democracia”, é preciso mais oposição. E uma oposição que, em sua avaliação, passa pelo PSDB.

    A tese de Lamounier é contestada pelo cientista político e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fábio Wanderley Reis, que recupera, historicamente, o que ocorreu no México. “O quadro geral no Brasil é distinto de algo que emergiu de uma revolução armada, em que havia um grupo que tomou conta do Estado, fez um partido instrumental e o processo eleitoral foi acomodado dentro de um esquema resultante da revolução”, avalia. Reis lembra que as instituições estão em perfeito funcionamento no Brasil, inclusive os partidos políticos e a Justiça Eleitoral.

    Depois de classificar a hipótese da mexicanização como uma “bobagem”, além de uma “reação histérica”, Fábio Wanderley assinala que todo partido tem um projeto de poder e, nem por isso, a democracia fica ameaçada. “O próprio PSDB tinha um projeto de poder de 20 anos. Se o PSDB podia ter esse projeto, por que o PT não poderia?”, indaga, lembrando que em várias democracias houve longa e continuada vitória do Partido Social Democrata, sem que houvesse ditadura.


    Lula articulou diversas ações políticas para debilitar a oposição tucana até o limite do possível”
    Bolívar Lamounier, cientista político


    Se o próprio PSDB tinha um projeto de poder de 20 anos, por que o PT não poderia?”
    Fábio Wanderley Reis, cientista político

    ELIO GASPARI RECONHECE TARDIAMENTE A INTELIGÊNCIA DE LULA,A QUEM ELE CHAMA DE "NOSSO GUIA"

    ELIO GASPARI

    Se dependesse do DEM, ProUni não existiria


    Dilma disse a verdade quando acusou o ex-PFL de tentar destruir o programa no STF


    EM BENEFÍCIO DA QUALIDADE do debate eleitoral, é necessário que seja esclarecida uma troca de farpas entre Dilma Rousseff e José Serra durante o debate do UOL/Folha. Dilma atacou dizendo o seguinte: "O partido de seu vice entrou na Justiça para acabar com o ProUni. Se a Justiça aceitasse o pedido, como você explicaria essa atitude para 704 mil alunos que dependem do programa?"
    Serra respondeu: "O DEM não entrou com processo para acabar com o ProUni. Foi uma questão de inconstitucionalidade, um aspecto".
    Em seguida, o deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM, foi na jugular: "Essa informação que ela deu é falsa, mentirosa".
    Mentirosa foi a contradita. O ProUni foi criado pela medida provisória 213 no dia 10 de setembro de 2004. Duas semanas depois o PFL, pai do DEM, entrou no Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a iniciativa, e ela tomou o nome de ADI 3314.
    O ProUni transferiu para o MEC a seleção dos estudantes que devem receber bolsas de estudo em universidades privadas. Antes dele, elas usufruíam benefícios tributários e concediam gratuidades de acordo com regras abstrusas e preferências de cada instituição ou de seus donos.
    Com o ProUni, a seleção dos bolsistas (1 para cada outros 9 alunos) passou a ser impessoal, seguindo critérios sociais (1,5 salário mínimo per capita de renda familiar, para os benefícios integrais), de acordo com o desempenho dos estudantes nas provas do Enem. Ninguém foi obrigado a aderir ao programa, só quem quisesse continuar isento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, PIS e Cofins.
    O DEM sustenta que são inconstitucionais a transferência da atribuição, o teto de renda familiar dos beneficiados, a fixação de normas de desempenho durante o curso, bem como as penas a que estariam sujeitas as faculdades que não cumprissem essas exigências.
    A ADI do ex-PFL está no Supremo, na companhia de outras duas e todas já foram rebarbadas pelo relator do processo, o ministro Carlos Ayres Britto. Se ela vier a ser aceita pelo tribunal, bye bye ProUni.
    Quando o PFL/DEM decidiu detonar a medida provisória 213, sabia o que estava fazendo. Sua petição, de 23 páginas, está até bem argumentada. O que não vale é tentar esconder o gesto às vésperas de eleição.
    Em 1944, quando o presidente Franklin Roosevelt criou a GI Bill que, entre outras coisas, abria as universidades para os soldados que retornavam da guerra, houve políticos (poucos) e educadores (de peso) que combateram a iniciativa.
    Todos tiveram a coragem de sustentar suas posições. Em dez anos, a GI Bill botou 2,2 milhões de jovens veteranos nas universidades, tornando-se uma das molas propulsoras de uma nova classe média americana.
    O ProUni não criou as bolsas, ele apenas introduziu critérios de desempenho e de alcance social para a obtenção do incentivo. Desde 2004 o programa já formou 110 mil jovens, e há hoje outros 429 mil cursando universidades. Algum dia será possível comparar o efeito social e qualificador do ProUni na formação da nova classe média brasileira. Nessa ocasião, como hoje, o DEM ficará no lugar que escolheu.

    DATAFALHA VAI ENSINAR COMO SE MANIPULA UMA PESQUISA

    IMPRENSA

    Diretor do Datafolha fará palestra amanhã sobre pesquisas eleitorais

    DE SÃO PAULO - A metodologia de pesquisas eleitorais, bem como erros e acertos da mídia ao usá-las, é o tema da palestra de Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, na Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira amanhã, às 20h.
    A cátedra foi criada em 2002 pelo Centro Universitário Alcântara Machado (UniFiam-Faam) para homenagear o publisher da Folha, morto em 2007, aos 94 anos.
    Para assistir à palestra, que será na unidade Liberdade da UniFiam-Faam (av. Liberdade, 899, SP), basta enviar e-mail para jornalismo@fiamfaam.br, com nome, telefone e faculdade, empresa ou instituição a que pertence.

    CARA PRESIDENTA DILMA , NÃO FAÇA ISSO PORQUE ESSA GENTE NÃO PRESTA

    PÓS-ELEIÇÃO
    DILMA DIZ QUE ESTENDERIA A MÃO A TUCANO


    "A gente desarma o palanque e estende a mão para quem for pessoa de boa vontade e quiser partilhar desse processo de transformação. Eu não sei se ele [Serra] quer. Se ele quiser, perfeitamente", disse a petista ontem, em Brasília.

    DILMA É A MELHOR PREPARADA E SERRA É O DEFENSOR DOS RICOS

    ANÁLISE

    Imagem de Dilma perante o eleitor mostra avanço além da tutela de Lula

    MAURO PAULINO
    DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
    ALESSANDRO JANONI
    DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA

    Na última pesquisa Datafolha, Dilma Rousseff (PT) abriu 20 pontos de vantagem sobre José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência. Ela ampliou seu alcance a todos os segmentos sociais, tornou-se mais conhecida, cristalizou o vínculo com Lula e começa a transmitir, de acordo com os dados publicados hoje, que tem luz própria.
    A simpatia pela candidatura petista espraiou-se inclusive em redutos sagrados do tucanato, como o Estado de São Paulo, sua capital e os segmentos mais elitizados do eleitorado. E essa evolução, principalmente em território inimigo, dá-se mais pela imagem da criatura do que pela tutela de seu criador.
    O grupo de eleitores que quer votar na candidata de Lula, mas não o faz por desconhecer Dilma, é hoje residual. Dos oito pontos que a ex-ministra ganhou no último mês, apenas três vieram do estrato fiel ao presidente. A maior parte chegou de subconjuntos que não são totalmente favoráveis a Lula.
    A petista conseguiu, nesse espaço de tempo, comunicar a segurança da continuidade e associar sua imagem à capacidade técnica necessária para assumir o cargo que pleiteia, sem o contraponto de uma oposição clara e contundente a essas mensagens.
    Sem considerar a cobertura jornalística, com entrevistas e agenda em horário nobre, e projetando-se apenas os 35% de brasileiros que dizem ter visto a propaganda petista na TV, tem-se cerca de 47 milhões de eleitores.
    Eles viram a petista em seu momento mais confortável, sem o ruído negativo de, por exemplo, alguma pergunta incômoda. E para a maioria, segundo o Datafolha, Dilma é a candidata com melhor desempenho na TV.
    O saldo é a percepção predominante, neste momento, de que a petista é a mais preparada para manter a estabilidade econômica, defender os pobres, combater a violência, cuidar da educação, combater o desemprego e até a mais simpática.
    Sobraram a Serra, até aqui, o alento de sua experiência política, o recall da área da saúde e a pecha de defensor dos ricos.
    Dizer que Dilma não é Lula é insuficiente. Neste momento, pode até ser positivo para a petista. A Dilma, por outro lado, basta manter a aura conquistada. A ex-ministra deve provar que não é efêmera, como qualquer moda impulsionada pelo marketing.

    DILMA DÁ UM BANHO EM SERRA POR SER A ÚNICA PREPARADA PARA LEVAR O BRASIL A SEGUIR MUDANDO. SERRA É O ATRASO,A POLITICAGEM E O APARELHAMENTO DO ESTADO

    PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010

    Eleitor vê Dilma como mais preparada

    Candidata do PT ultrapassa José Serra na sondagem sobre quem reúne maior número de habilidades para governar

    Petista é tida como mais capacitada para tratar de violência, educação, emprego e economia; tucano lidera na saúde

    SILVIO NAVARRO
    DE SÃO PAULO

    Em três meses, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, passou a ser vista pelo eleitorado como a "mais preparada" para governar o país e administrar áreas como educação, economia e segurança. É o que aponta o detalhamento da última pesquisa Datafolha.
    O levantamento feito nos dias 23 e 24 deste mês mostra que a exposição da petista gerou mudanças significativas na visão do eleitor.
    Dilma hoje é considerada "mais preparada" para ser presidente por 42% dos entrevistados, contra 38% de José Serra (PSDB). Na última pesquisa a incluir essa questão, em maio, Serra tinha 45%, ante 29% dela.
    Seu desempenho evoluiu no Sudeste (+ 14 pontos), no Nordeste (+ 18 pontos) e entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (+ 17 pontos).
    Ela passou o tucano nos quesitos de melhor nome para combater a violência (38% a 30%), cuidar da educação (41% a 31%), manter a estabilidade econômica (49% a 28%) e lutar contra o desemprego (46% a 28%).
    Serra mantém a dianteira (47% a 33%) na saúde, área em que concentra sua propaganda eleitoral e da qual foi ministro no governo FHC.
    O salto nos índices de Dilma está ligado à TV: 71% dos que acham a propaganda dela melhor a têm como mais habilitada para o cargo.
    Apesar da subida de Dilma em todos os quesitos, Serra é apontado como mais experiente (51% a 31%) e inteligente (36% a 34%). Mas ele perdeu 13 pontos em "experiência", e ela ganhou 14.
    Dilma é avaliada como mais autoritária (37% a 30%), porém mais simpática (37% a 26%) do que Serra.
    Para 41% dos eleitores, Serra defenderá mais os ricos, ante 17% de Dilma. Já 45% dizem que ela governará mais para os pobres, contra 20% do tucano.
    Marina Silva (PV) perdeu pontos em todas as áreas. Seu melhor desempenho é sobre defesa dos pobres (13%) e simpatia (14%).

    JANIO DE FREITAS FAZ UMA BARAFUNDA

    JANIO DE FREITAS

    Sob o tráfico de sigilos


    O caso das quatro pessoas ligadas a Serra presta-se à exploração eleitoral; mas o caso verdadeiro é de milhões


    É GRANDE A possibilidade de que você esteja com seus dados confidenciais à disposição de qualquer um. Ou já em mãos de quem você nem imagina existir, mas que tanto pode desinteressar-se de usar os seus dados, como pode dar-lhes as mais diferentes utilidades. E nisso não estão apenas os seus dados entregues ao mal denominado sigilo da Receita Federal.
    Os fatos já conhecidos são alarmantes, na transformação da "confidencialidade oficial" em instrumento de crime lucrativo, fácil e sem limites. Por uma quadrilha enorme, com ramificações já antigas em diversos setores da administração pública, ou por várias quadrilhas com ação paralela -não se sabe, e talvez não se venha a saber.
    Por isso, o caso dos sigilos de quatro pessoas ligadas a José Serra é muito mais complexo do que as acusações feitas pelo próprio Serra e pelo PSDB. Além disso, deixa distante da realidade a posição manifestada a respeito pela Receita Federal, mesmo admitindo finalidade comercial na quebra dos sigilos. O problema é muito maior.
    Os quatro nomes figuram entre duas centenas de sigilos cuja quebra está revelada com as identidades das vítimas. Duas primeiras indicações graves: as quebras não se limitam aos quatro com ligações políticas, estendendo-se por centenas e incluindo grande empresário, e a precisa escolha dos quatro.
    Luiz Carlos Mendonça de Barros, posto por Serra na presidência do BNDES e depois, já como ministro das Comunicações no mesmo governo Fernando Henrique, descoberto pela repórter Elvira Lobato em viagem sigilosa à Espanha para encontro com dirigentes da Telefónica espanhola, tida como beneficiária das artimanhas na privatização das telecomunicações. Ricardo Sérgio de Oliveira, à época diretor do Banco do Brasil, tesoureiro de campanhas de Fernando Henrique e Serra, foi parte destacada na manobra que impediu a Votorantim de adquirir a Vale do Rio Doce e dirigiu-a para Benjamin Steinbruch e outros.
    Eduardo Jorge Caldas Pereira, secretário da Presidência no mesmo governo, é ligado a Joaquim Roriz, licenciou-se do Planalto para ajudá-lo em sua última eleição para governador do Distrito Federal, e foi o intermediário da participação de Fernando Henrique naquela campanha do hoje declarado "ficha suja". Gregório Marin Preciado, contraparente de Serra, esteve presente no noticiário quando revelada a sociedade de ambos em um imóvel.
    A quebra não incluiu pessoas como José Gregori, Arnaldo Madeira ou algum dos outros peessedebistas atingidos por suspeitas e inquéritos. A escolha foi precisa. Com ou sem venda, seu fim político é a hipótese mais lógica. A escolha e a quebra, porém, tinham possibilidade dupla de destinação. Para o PT, como resposta a citações do mensalão e dos "aloprados". Para a campanha de Serra e o PSDB, a utilidade de atribuir ao PT mais uma "trapalhada criminosa", agora sob a responsabilidade da suposta beneficiada Dilma. Nada recomenda que uma das duas linhas possíveis seja abandonada antes de investigação séria e correta. E para lá de improvável.
    A conclusão da Receita no sentido de venda do sigilo é certa. A negação de fins políticos, não.
    Tudo isso é muito grave, sem dúvida. Mas eis o que se pôde ler em um texto do "Globo" de quarta-feira passada: (...) "adquiriu por R$ 95 outro CD com informações de mais de seis milhões de contribuintes da Receita Federal", de "São Paulo, Rio, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas e Espírito Santo."
    "Adquiriu" e "outro CD" porque o repórter Lino Rodrigues já comprara dois, por R$ 200, "com dados completos de aposentados da Previdência Social (...) e do Denatran contendo informações de milhares de proprietários de veículos em todo o país". Além dos setores mencionados, há referência ao Serpro, o serviço de processamento de dados oficiais, e à oferta de outros CDs, entre eles o dos correntistas de um dos maiores bancos. A segunda compra foi feita para comprovar que, depois da primeira publicação, "o comércio de dados pessoais sigilosos continua livremente no Centro de São Paulo". A zona franca da quebra de sigilo é a rua Santa Efigênia. Com as adjacências. Negócio ali ativo, segundo a indicação biográfica de um dos expoentes do ramo, há mais de dez anos.
    O caso dos quatro presta-se muito bem à exploração eleitoral. Mas o caso verdadeiro é de milhões, que nem se supõem quantos milhões são. Como não se sabe a que está sujeita cada pessoa que integra esses incontáveis milhões de devassados pelo tráfico de sigilos.

    sábado, 28 de agosto de 2010

    MERVAL PEREIRA GARANTIU O SEU EMPREGO POR MAIS 16 ANOS NA GLOBO FALANDO MAL DE LULA , DILMA E O PT.8 DE DILMA E 8 DE LULA.DEPOIS TEM MAIS DO PT




    DILMA DÁ UM BANHO EM SERRA POR SER A ÚNICA PREPARADA PARA LEVAR O BRASIL A SEGUIR MUDANDO. SERRA É O ATRASO,A POLITICAGEM E O APARELHAMENTO DO ESTADO


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    Não são atributos da petista que seduzem os eleitores


    2 em cada 3 votos vêm da transferência de prestígio do presidente; para 54% dos entrevistados, Dilma continuará governo Lula

      José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo

      Por que 51% dos eleitores declara voto em Dilma Rousseff (PT)? Principalmente porque, entre todos os candidatos a presidente, ela é vista como "a que tem mais condições de dar continuidade ao governo Lula". Mas não só por isso.

      Segundo a maioria absoluta do eleitorado, Dilma é a melhor presidenciável para manter o poder de compra da população, assegurar o prestígio do Brasil no exterior e cuidar dos mais pobres.

      O Ibope testou oito temas junto aos eleitores. Em apenas um deles, "melhorar a qualidade da saúde e dos hospitais do País", José Serra (PSDB) se equiparou à petista como o mais apto a realizar a tarefa. Nos outros sete, a petista foi apontada por mais eleitores como a mais indicada.

      Fator Lula. A pesquisa também deixa claro que não é pelos atributos pessoais que Dilma seduz tantos eleitores. Dois em cada três votos vêm explicitamente da transferência de prestígio do presidente.

      Nada menos do que 54% dos eleitores de Dilma citam como principal razão desse seu voto a continuidade do governo Lula, e outros 12% falam que votam nela porque é a candidata de Lula.

      Apenas 8% creditam seu voto ao fato de ela ter "mais capacidade para governar o País". Outros 5%, por sua história de vida, e 4% por ela ser mulher.

      Entre os eleitores de Serra, o motivo mais citado para votar nele (34%) é porque ele tem mais condições de avançar na saúde, segurança e educação. Outros 27% citam sua capacidade para governar o País.

      Assim como mais eleitores votam na petista, é esperado que, aos olhos do eleitorado, Dilma supere os adversários também na capacidade de realizar as tarefas listadas. Mas em três dos temas ela se destaca mais do que em outros, pois atinge maioria absoluta.

      Para 54% do total do eleitorado e 89% dos seus eleitores, Dilma é a melhor para "manter a nossa economia forte e o crescimento do poder de compra da população". Só 26% apontam Serra, e 4%, Marina Silva (PV).

      Surpreendentemente, 53% dos eleitores (e 89% dos dela) dizem que Dilma é a melhor para "manter o prestígio do Brasil no exterior".

      Finalmente, 52% do eleitorado (e 87% dos que votam nela) aponta Dilma como a mais indicada para "dar atenção à população mais pobre".

      Como era de se esperar, o tema no qual Marina se sai melhor é "melhorar a preservação do meio ambiente", com 19% das citações dos eleitores, contra 22% de Serra e 40% de Dilma.