sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

P.S. HOJE ESTÁ SENDO UM DIA ESPECIAL,"BATI UM GRANDE PAPO" COM DANIEL PEARL, PELO TELEFONE.ELE ESTÁ EM BRASÍLIA E AMANHÃ VAI A POSSE DE DILMA

DANIEL É O EDITOR GERAL DO BLOG DA DILMA. TODOS NÓS , OS OUTROS EDITORES , FOMOS CONVIDADOS POR ELE.
PRETENDO COPIAR TODAS AS FOTOS DO BLOG DA DILMA.

FELIZ ANO-NOVO PARA OS AMIGOS LEITORES DO APOSENTADO INVOCADO

AS POSTAGENS DO DIA ESTÃO NESTA PÁGINA


ATÉ EU , UM IMBECIL , VI O ERRO DA ITÁLIA PENSANDO QUE PODERIA INFLUENCIAR O BRASIL COM AMEAÇAS. A DIPLOMACIA ITALIANA É INCOMPETENTE

Lula decide não extraditar o italiano Cesare Battisti

A IMPRENSA CORRUPTA BRASILEIRA NUNCA RECONHECEU OS FEITOS DE LULA , SÓ O PRÉ-SAL DEVERIA SER MOTIVO DE LOUVORES AO NOSSO QUERIDO PRESIDENTE

AMANHÃ , COM A GRAÇA DE DEUS , DILMA PRESIDENTE DO BRASIL. AMÉM !

Dilma herda conquistas de Lula com desafio de superá-lo

Le Monde

Um operário, uma mulher. Pela segunda vez, a democracia brasileira, outrora violentada, hoje vibrante, inova com felicidade. No sábado, 1º de janeiro, o ex-metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva cederá sua poltrona a sua sucessora, Dilma Rousseff, a ex-guerrilheira que se tornou economista e tecnocrata, eleita há dois meses a primeira mulher presidente do Brasil.

Dilma, como todos a chamam, chega ao cargo supremo em um contexto bem mais invejável que o de 2002. Não tem necessidade, como então, de acalmar os meios empresariais que o sindicalista barbudo ainda assustava, apesar de suas promessas tranquilizadoras. Graças ao pragmatismo de Lula, nunca desmentido em oito anos, os capitais hoje afluem à Bolsa de São Paulo, para se investir ou especular.

A nova presidente se beneficia da herança de seu antecessor. Uma democracia consolidada, livre da inflação, com uma riqueza multiplicada pelo aumento da cotação das matérias-primas. Crescimento, emprego, consumo, moeda: os grandes indicadores do Brasil estão com sinal verde. Principalmente com um fabuloso tesouro petrolífero que dorme ao largo de suas costas.

Ao realismo econômico acrescenta-se uma relativa ousadia social. Graças ao ambiente de dinamismo e a uma série de ajudas familiares, 15 milhões de brasileiros nos últimos oito anos escaparam do desemprego, integraram a economia formal e deixaram de ser pobres ou muito pobres. Eles se uniram ao crescente exército das classes médias, ávidas por possuir, consumir e viver melhor.

Como todo empreendimento inacabado, o de Lula inclui sua parte sombria, onde Dilma Rousseff enfrentará seus maiores desafios. A educação continua medíocre e desigual. O sistema de saúde funciona em duas velocidades. A violência e a insegurança gangrenam as metrópoles. A corrupção e o nepotismo corroem a vida pública em um país onde a política é muitas vezes vista como um simples meio de enriquecer. As infraestruturas exigem um rápido desenvolvimento para enfrentar principalmente o desafio da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.

Lula deixa para a nova presidente um país escutado e respeitado na arena internacional. O Brasil tornou-se um ator maior, que atrai muitos elogios e já algumas críticas, por exemplo sobre sua aproximação do regime de Teerã. Nesse campo, Dilma começou a fazer ouvir sua diferença, exprimindo com força sua preocupação pelos direitos humanos, em particular os das mulheres, no Irã e em outros lugares.

Rousseff deve seu destino glorioso ao apoio inflexível de seu mentor, do qual ela não possui nem o carisma nem os dons de tribuno, realmente ímpares. Ela terá sem dúvida intenção de emancipar-se aos poucos dessa tutela benfazeja. Professor de otimismo, Lula inflamou o moral da nação. Essa confiança coletiva beneficia sua protegida. Mais de quatro em cada cinco brasileiros preveem que Dilma governará tão bem quanto ou melhor que o presidente mais popular da história do Brasil. Cabe a ela não os decepcionar.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

O LEGADO DO PARTIDO MAIS CORRUPTO DA FACE DA TERRA , O DEMOCRATAS , PARA O DISTRITO FEDERAL

CAIXA DE PANDORA
2010 um ano para ficar na memória
Após a divulgação de vídeos com políticos embolsando dinheiro, Brasília assistiu à inédita prisão de um governador, à renúncia do vice e a um governo tampão marcado pelo caos em áreas vitais, como saúde e segurança. Por tudo isso, o ano do cinquentenário não pode ser esquecido
Juliana Boechat

O ano que termina hoje ficará para sempre marcado na história do Distrito Federal. Justamente quando a capital da República comemoraria seu cinquentenário, os brasilienses assistiram a uma sucessão de escândalos que mancharam a imagem da cidade e afetou diretamente a vida dos cidadãos. Na verdade, 2010 começou 35 dias antes. Mais precisamente em 27 de novembro do ano anterior, quando a Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram a Operação Caixa de Pandora, que revelou um organizado esquema de corrupção cristalizado por toda a estrutura de poder. Diversos vídeos mostraram autoridades recebendo maços de dinheiro e escondendo a suposta propina em bolsas, na cueca e até nas meias.

No início de 2010, o governador José Roberto Arruda foi preso por dois meses e cassado — foi a primeira vez que um chefe de Estado foi detido no exercício do cargo em todo o país. O vice, Paulo Octávio, renunciou ao cargo e houve a eleição indireta de Rogério Rosso para um mandato-tampão. Dois deputados distritais renunciaram para escapar da degola e um terceiro — a deputada Eurides Brito — acabou cassada por seus pares. A metástase institucional respingou no próprio Ministério Público, que viu ser afastado por 120 dias o ex-procurador-geral de Justiça Leonardo Bandarra, também acusado de corrupção.

Em meio a essa sucessão de escândalos, o brasiliense enfrentou uma conturbada eleição, dominada não pelo debate de propostas, mas pelo embate jurídico em torno da Lei da Ficha Limpa, que acabou por tirar da política o ex-governador Joaquim Roriz. Impedido de disputar, mas na expectativa de se manter no poder, ele lançou a mulher, Weslian, como candidata ao Buriti. As gafes cometidas pela ex-primeira-dama em debates e entrevistas deram ares de folclore à política de uma cidade já envergonhada.

A crise que fez ruir todo um governo afetou diretamente a vida de cada morador do DF. O governo paralisou centenas de obras, algumas no coração da cidade. Áreas essenciais mergulharam no caos. Na saúde, faltam médicos, leitos de UTI e até esparadrapos nos hospitais. O centro cirúrgico do Hospital Regional de Ceilândia foi interditado por causa de piolhos de pombo. Na segurança, o crack avançou assustadoramente, tomando conta de áreas encravadas no centro da capital. E o ano termina com o Distrito Federal tomado pelo mato alto e pelo lixo, símbolos do abandono da cinquentenária Brasília.

Apesar de tudo, 2010 não é um ano para ser esquecido. Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Correio, Brasília deve buscar amadurecer com a experiência vivida. Para a cientista política Lucia Avelar, os escândalos derrubaram a auto-estima da população, mas também serviram para mobilizar a sociedade. “O brasiliense ficou de cabeça baixa. A população fica mal vista e reafirma a imagem de que ali é o espaço da corrupção”, afirma. Por isso, Lucia defende a participação popular para o fim dos escândalos políticos na capital federal. “Acredito na força da sociedade quando ela se manifesta.”

Na avaliação do professor da UnB David Fleischer, 2010 servirá de exemplo. “O brasiliense não deveria se esquecer deste ano, mas se lembrar para evitar repetições dos mesmos erros. Tem de tentar não eleger ladrões e evitar cair no papo de promessas demagógicas”, afirma. O cientista político Murillo de Aragão também vê um saldo positivo em toda essa crise política. “Foi um ano doloroso por conta de tudo o que aconteceu, mas também foi um ano em que parte dos desvios foram neutralizados. Teve esse lado positivo, com ganhos no aperfeiçoamento da fiscalização. Foi o ano em que se descobriu os esquemas ocorridos nos anos anteriores. Não é um ano para ser esquecido. Agora, a população vai levar tempo para se recuperar e a voltar a confiar na política brasiliense.”

Na avaliação do professor Octaciano Nogueira, a crise vivida em 2010 ajudará Brasília a avançar no processo democrático. “Pela primeira vez um governador foi preso. É um avanço no funcionamento das instituições porque gera a diminuição da taxa de impunidade ou, pelo menos, da percepção da impunidade. É um aviso de que as instituições democráticas estão funcionando e uma advertência para os corruptos”, defende.

O também cientista político João Paulo Peixoto avalia que a cidade ainda não conseguiu se recuperar da crise. “Infelizmente, é isso que vai marcar o ano. Wilson Lima e Rogério Rosso estiveram longe de cumprir minimamente o seu papel de administradores temporários do GDF, o que prejudicou muito a condução e a implementação das políticas públicas que estavam em andamento no GDF. É só olhar a cidade hoje. Ela nunca esteve tão suja e tão descuidada.”

Como a crise afetou a minha vida

Adeilton Lima, 45 anos, ator
Fotos: Monique Renne/CB/D.A Press
Há 23 anos, o ator Adeilton Lima (foto à esquerda) convive diariamente com o descaso da cultura no Distrito Federal. Os espaços culturais estão abandonados, os artistas locais não contam com incentivo e as manifestações independentes, quando muito, recebem patrocínios do governo federal. “A grande metáfora para este descaso da cidade é o tamanho do mato e a quantidade de lixo nas ruas. A cidade está abandonada”, protesta. A crise afetou diretamente a área cultural. Os repasses do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) foram suspensos e muitos projetos acabaram abandonados por falta de verba. “Muita gente foi prejudicada”, diz Adeilton. Na avaliação do ator, para reerguer a cultura de Brasília é necessário incrementar as condições básicas da população com educação, saúde e segurança. “É tudo interligado e isso reflete diretamente na cultura. As pessoas não vão ao cinema se o sistema de transporte não funciona, se o local não é seguro”, diz.

Raul Cardoso, 23 anos, estudante
O coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, Raul Cardoso, 23 anos , participou ativamente do movimento contra a corrupção no Distrito Federal. Logo após a deflagração do esquema de corrupção pela Polícia Federal, ele reuniu o movimento estudantil e saiu às ruas. “Quando começaram a surgir os casos, na primeira semana, decidimos não deixar isso passar batido”, lembra. Aos poucos, o grupo se uniu e chamou a atenção de Brasília. Ocuparam as duas sedes da Câmara Legislativa, fizeram apitaços pela cidade, manifestações bem humoradas e enfrentaram repressões da Polícia Militar. “Tivemos vitórias concretas, como o afastamento do Arruda. É um recado importante para a sociedade: de que a união consegue o que quer”, explica. Para ele, o ciclo ainda não se completou. Ano que vem, pretendem trabalhar com a sociedade para repensar o Distrito Federal. “Brasília não pode se mobilizar só em época de crise política. Com a união, você divide as ansiedades e inquietações. Acima de tudo, foi um aprendizado coletivo.”

Oliveira Fernandes, 74 anos, agricultor
Há 50 anos, o agricultor Oliveira Fernandes, 74, instalou-se em uma área afastada da capital federal. Com o passar dos anos, acompanhou o crescimento de Águas Claras, o desenvolvimento de Vicente Pires e as obras de ampliação da EPTG, hoje denominada Linha Verde. Tanta mudança na região prejudicou o estilo de vida de Oliveira. “Estão aterrando a minha casa. Um córrego de água se forma no meio da passarela (de pedestres) e cai dentro da chácara, trazendo todo o barro da obra”, reclama. Na entrada da casa de Oliveira, há restos de madeira, concreto e piche. O descaso se repete ao longo de toda a EPTG, que foi entregue inacabada à população — a obra era uma das prioridades do ex-governador Arruda e foi lançada meses antes de estourar o escândalo da Caixa de Pandora. O corredor de transporte que estava previsto não entrou em operação e as paradas de ônibus já estão pichadas. A sinalização é deficiente em muitos pontos.

ANÁLISE DA NOTÍCIA
De todos os brasilienses para...
Ana Dubeux

São muitos os destinatários que poderiam receber tais notícias de Brasília. Também são muitos os remetentes. Faço minhas, então, as palavras dos quase 2 milhões de brasilienses, que esperam estar de fato iniciando um novo ano. Que 2011 tenha a cara festiva e alegre que a comemoração dos 50 anos merecia ter tido. Que 2011 seja a derrocada de uma corja que se apossou da nossa capital para se apropriar de sua riqueza, de seus impostos, do resultado de seu consumo. Que em 2011 a esperança imponha uma dura derrota ao pessimismo e ao descrédito na política, marcas registradas pós-Operação Pandora que ainda hoje perduram.

Brasília virou o ano com a sujeira e o mato espalhados por suas ruas num triste retrato do descaso a que somos submetidos desde a queda – bem-vinda – do governo Arruda por corrupção. Poderia ser diferente? Sim, mas o mandato tampão de Rogério Rosso não teve exatamente a marca do resgate de cidadania. Terminou tristemente com denúncias de shows superfaturados totalmente dispensáveis – inclusive para a biografia de Rosso. Aos senhores governantes e autoridades de Brasília nos últimos quatro anos, podemos dizer simplesmente que deixaram um legado de abandono jamais visto na cidade planejada para ser exemplo em todos os sentidos. Se tinham um plano de sucateamento geral da capital, podem se orgulhar, pois o cumpriram com maestria. Já foram tarde. E tenho dito.

Eis que amanhã seguiremos sob nova direção. Difícil estarmos em mãos piores do que já estivemos. Logo, acredito que eu e toda a população do Distrito Federal já estamos perigosamente comemorando de véspera. O mandato Agnelo, se não for muito ruim, já terá sido melhor. Mas, é verdade, esperamos muito mais. Aguardamos limpeza, segurança, educação e saúde de qualidade. Depositamos todas as expectativas, as melhores, num governo mais justo, mais capaz e, por favor, honesto, decente, sem roubalheira e corrupção.

Ao longo dos últimos meses, aqui neste espaço, pedi muito que Brasília fosse varrida, lavada e enxaguada. Na verdade, precisávamos de um dilúvio para tirar toda a sujeira depositada durante tantos anos de desmandos. Apenas algumas espécies deveriam ser resguardadas: os cidadãos honestos, com boas ideias e projetos, sem a ganância que sempre nos impõe castigos imensuráveis. Espero que nossas escolhas nos honrem até 2014.

AGNELO QUEIROZ RECEBE A "HERANÇA MALDITA" DE ARRUDA E AGORA TEM QUE RESOLVER TUDO EM 1 DIA

Visão do Correio
O DF quer respostas
Desafios inéditos na capital da República aguardam o novo governador. Agnelo Queiroz assume um poder traumatizado por sangria de cinco meses e posterior gerência-tampão que não correspondeu às expectativas dos brasilienses. A cidade está suja e maltratada. Lembra urbes que, esquecidas de Deus e dos homens, exibem a aparência do desamparo e abandono. Devolver a dignidade ao Distrito Federal, cortar as asas da corrupção, dar transparência às ações do Buriti e cumprir as promessas que o alçaram à chefia do Executivo exigem metas claras, comando firme e mobilização da equipe.

Saúde é a principal batalha. Como é a especialidade de Agnelo, haverá implacáveis e justas cobranças por resultados. Entre as urgências a serem atendidas, três sobressaem. Uma: informatizar o sistema, unificando o banco de dados dos pacientes da rede. Outra: equipar as unidades com profissionais qualificados. A última mas não menos importante: controlar o abastecimento de insumos e medicamentos nos hospitais.

A educação, outra frente nevrálgica, pede medidas urgentes capazes de prover o DF de profissionais sintonizados com o século 21. Impõe-se ensino em horário integral. A escola precisa se preparar para tornar-se não depósito de alunos, mas espaço de formação total de crianças e jovens. Impõe-se também oferecer colégios suficientes para abrigar a demanda represada. A rede pública convive com inaceitável deficit de 79 salas de aula, agravado por decisão judicial que obriga o GDF a demolir 17 escolas que, em condições precárias, se transformaram em fator de risco para os estudantes.

Uma das mais sérias preocupações da população é a segurança pública. O brasiliense perdeu a tranquilidade de dormir sem medo de ter a casa invadida ou andar pelas ruas sem o temor de tornar-se vítima de malfeitores. Inteligência, tecnologia e policiamento ostensivo devem constituir rotina no setor. Mais: urge, como prioridade da próxima gestão, o combate ao uso de drogas. É assustador o avanço do crack em quadras nobres de Brasília e nas cidades do DF. Prevenção, repressão e recuperação requerem tratamento especializado.

As obras que se espalham DF afora precisam bater ponto final. Muito dinheiro foi gasto para iniciar projetos como o Brasília Integrada, que preveem veículos leves sobre trilhos (VLT) e veículos leves sobre pneus (VLP). É preciso retomar também as iniciativas voltadas para o saneamento. Vale o exemplo do Águas do DF, que visa corrigir os problemas de erosão em Ceilândia e Taguatinga e de alagamentos, comuns em quadras da Asa Norte em época de chuva. Os condomínios não podem ser esquecidos. Um quarto da população espera resposta sobre o futuro de suas residências.

Desafios políticos espinhosos aguardam Agnelo. O desgaste provocado pelas revelações da Caixa de Pandora lhe aumentam sobremaneira a responsabilidade. Impõe-se recuperar a relação de respeito com o Ministério Público, abalada com as denúncias de corrupção envolvendo promotores de Justiça e a cúpula do Buriti. Não só. O governador tem de encontrar forma republicana de lidar com a Câmara Legislativa. Aqui, a gênese da corrupção é o promíscuo elo entre distritais e integrantes do governo. Membros dos dois poderes estabeleceram como rotina o balcão de negócios. O cidadão espera nunca mais ter de conviver com o degradante comércio. Com a palavra, Agnelo Queiroz.

DAQUI A OITO ANOS ELE VOLTA , PARA DESESPERO DA IMPRENSA CORRUPTA BRASILEIRA

Despedida informal, no melhor estilo Lula
No último dia oficial no Planalto, presidente tira fotos com funcionários e assina MP com mínimo de R$ 540
» Renata Mariz
» Tiago Pariz
Fotos: Monique Renne/CB/D.A Press
Lula se deixa fotografar com funcionários e convidados no Planalto: a alegria durante todo o dia contrastou com o tom emotivo das últimas duas semanas
Das ruas, onde ainda menino oferecia serviços de engraxate, ao gabinete bem decorado do Palácio do Planalto, o ambiente de trabalho de Luiz Inácio Lula da Silva mudou. A informalidade, não. No último dia de expediente efetivo no prédio de 36.000m² — dentro do qual decidiu os rumos do país nos últimos oito anos —, o presidente da República estava solto. Quebrar protocolos nunca foi tarefa difícil para ele, mas ontem o despojamento começou no traje. Dispensando o terno e a gravata, o presidente usou, no início da manhã e longe dos fotógrafos, uma guaiabeira, roupa leve da região do Caribe, em tons vermelhos. Para as aparições públicas, vestiu uma camisa branca, por fora da calça preta social. E dá-lhe poses. Foram centenas de fotos ao longo do dia com servidores, visitantes, convidados das cerimônias oficiais e familiares dos funcionários. De formalidade mesmo, a assinatura de medida provisória elevando o valor do mínimo para R$ 540.

Ajudante de serviços gerais do Palácio do Planalto há cinco meses, a baiana Natalina Maria de Jesus repreendia a colega, Meg Gomes dos Santos, no corredor do segundo andar. “Não acredito que ela perdeu a chance de tirar foto com Lula. Agora já era”, lamentava Natalina, 44 anos. Arrependida pela vergonha que a impediu de pedir uma foto ao lado do presidente mais popular que o país já teve, Meg explica suas razões. “Sei lá, fiquei sem jeito. Ele estava tão perto, a uns dois metros de mim, chegou a me olhar, como que dizendo que se eu quisesse ele tiraria a foto comigo”, conta a brasiliense de 35 anos. A disponibilidade do presidente percebida por Meg se confirmou ao longo do dia. Depois do lançamento simultâneo de várias obras, no final da manhã, o público disparava flashes sem parar. “Só mais uma, só mais uma”, dizia Lula, sempre sorrindo.

Aliás, o clima de felicidade, depois de uma semana chorosa por onde andou, foi notado por auxiliares mais próximos. “Ele está muito alegre hoje, tirando fotos a toda hora, há uma movimentação grande por aqui”, disse Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República. O próprio Garcia, pouco antes das 19h, dirigiu-se à portaria do Palácio do Planalto para liberar a entrada de familiares que também queriam tietar o presidente. Uma verdadeira comitiva, formada por três gerações da mesma família, foi ao prédio levada por outro funcionário, o agente de segurança Paulo Roberto Souza. A cunhada, Patrícia Cabral Nunes, não disfarça a ansiedade. “Vai ser um milagre fazer essa foto com o presidente. Imagine quantas pessoas não queriam conseguir isso”, diz a mulher de 39 anos, mãe de Davi, de oito meses.

Familiares do segurança Paulo Roberto Souza (segundo a partir da esquerda): ansiedade na visita ao Planalto
Aos 73 anos, Antonia Souza, mãe de Paulo Roberto, também é só felicidade. “A gente ama o Lula”, derrete-se a senhora. Apesar da animação do grupo, vindo do Gama e de Sobradinho, a sessão de fotos com funcionários e parentes marcada para ontem foi adiada para hoje. Mas a família não voltou para casa sem uma recordação. Eles conseguiram, pela camaradagem de um funcionário, pisar na rampa do Planalto, por onde Dilma subirá antes de receber a faixa presidencial das mãos de Lula. “Ninguém consegue estar aqui, não”, dizia Paulo Roberto ao grupo, que hoje marcará presença, de novo, no Planalto, disposto a conseguir a tão sonhada imagem com o presidente. Um encontro com o escalão avançado, equipe de funcionários que trabalham em toda a preparação das viagens oficiais de Lula, também está marcado. Cada integrante desse grupo está preparando um presente simbólico para o presidente.

Agenda oficial
Lula parece querer aproveitar intensamente o que lhe resta como presidente do Brasil. Nas três últimas semanas, por exemplo, solicitou agenda oficial aos fins de semana, algo pouco comum em sua gestão. E intensificou o corpo a corpo, uma marca registrada de Lula, junto ao povo que o prestigia nas ruas. Tanto alvoroço, entretanto, causou dores em seu pescoço, devido aos puxões que levava em cada incursão no meio de multidões. Um segurança teve de ser destacado para ficar atrás do presidente, evitando os solavancos provocados pelos seguidores de Lula.

Assessores próximos comentam a emotividade do presidente nos últimos dias. “Ele embarga a voz na hora de falar com funcionários mais antigos, tem ficado até mais chorão”, conta um auxiliar, pedindo anonimato. Para Luiz Paulo Barreto, ministro da Justiça, a última pesquisa apontando popularidade na casa dos 87% fez toda a diferença. “Saudoso todo mundo fica, mas acho que ele está realizado com esse reconhecimento”, diz. Questionado sobre as últimas emoções no Planalto, Lula se esgueira: “Sabia que tinha dia para entrar e para sair”. Ao finalizar uma cerimônia ontem, no melhor estilo Lula, alertou os presentes: “Feliz ano novo e se beber, não dirijam”.

O TABLÓIDE CORRUPTO CORREIO BRAZILIENSE,QUE ADORA ARRUDA E RORIZ,SÓ FAZ REPORTAGENS NESSE NÍVEL QUANDO SE TRATA DE LULA .É TRISTE !

Reduziram as filas, mas o rombo é extenso
A tecnologia agilizou o atendimento na Previdência. A inovação, porém, ainda precisa chegar à gestão da área. O deficit na conta chega a R$ 40 bilhões
Cadu Gomes/CB/D.A Press - 26/7/05
O agendamento eletrônico faz uma triagem das demandas e marca um horário para o cidadão ir à agência
» Josie Jeronimo

Luiz Inácio Lula da Silva deixa a Presidência com um Ministério da Previdência Social bem diferente do retratado em seu primeiro ano de governo, 2003, quando, por um erro gerencial e falta de estrutura das agências, idosos com mais de 90 anos foram convocados para um recadastramento. Após o episódio, o governo Lula tomou como uma obsessão administrativa melhorar o atendimento dos beneficiários. Associando a tecnologia da internet a das centrais de atendimento telefônico, a pasta que será comandada pelo senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), a partir do início do ano, conseguiu trocar as traumáticas filas por uma média de espera de 30 minutos.

Desde a criação do agendamento eletrônico, 316,9 milhões de pessoas foram atendidas utilizando o método de triagem. Por dia, a central da Previdência recebe uma média de 250 mil telefonemas. A ampliação do número de agências entrou como reforço da informatização do atendimento. Lula deixa a Presidência com 1.173 postos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), 720 a mais, e a presidente eleita, Dilma Rousseff, assume com o compromisso de fazer outras 657 agências da Previdência em 2011. A certificação digital, método que garante a autenticidade de documentos enviados pela internet, também é um desafio para o próximo ano.

Se a melhora no atendimento caminha, o desafio para Dilma Rousseff é providenciar mudanças no sistema de gestão previdenciária. A discussão da reforma da Previdência é uma pauta já calculada pelos líderes governistas no Congresso. Se as Casas não tiverem unidade política para votar grandes reformas, os parlamentares se debruçarão pelo menos no debate do fator previdenciário. Apesar de o índice que calcula o valor das aposentadorias com base na expectativa de vida e tempo de contribuição dos beneficiários ter sido derrubado, o governo vai insistir na permanência do fator, apostando em novas regras.

Mau funcionamento
O atual rombo nas contas da Previdência é estimado em R$ 40 bilhões. Especialistas ouvidos pelo Correio apontam que o mau funcionamento de políticas sociais — ligadas à geração de empregos formais e ao acolhimento de cidadãos com dificuldade de se manter no mercado de trabalho — é responsável pelo consumo de grande parte dos recursos que pagam os benefícios dos contribuintes. De acordo com informações da assessoria da pasta, atualmente 7,1 milhões de trabalhadores rurais e 1,1 milhão de pessoas que nunca contribuíram recebem benefícios previdenciários.

REFORMA ASSISTENCIAL

Feito
» Agendamento eletrônico do atendimento previdenciário

» Criação de 720 novas agências, ampliando a rede para 1.173

» Redução do tempo de espera dos usuários para média de 30 minutos

» Envio de carta-aviso informando ao contribuinte que ele pode se aposentar

» Aumento da arrecadação entre os trabalhadores de regiões urbanas

» Programa de inclusão de trabalhadores informais na rede previdenciária

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

PSDB:SERRA DETESTA ALCKMIN QUE DETESTA FHC QUE DETESTA A TODOS...

ESSA É A IMPRENSA CORRUPTA , GOLPISTA E RACISTA BRASILEIRA

Petista diz que imprensa deve pedir desculpas

DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Salvador que a imprensa deveria pedir desculpas por, de acordo com ele, ter publicado que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida não atingiria a meta de contratação de 1 milhão de casas, anunciada hoje pela Caixa Econômica Federal.
"Aqueles que escreveram esta semana que a gente não ia entregar 1 milhão de casas, por favor, peçam desculpas e reescreveram a matéria de vocês. Não é feio pedir desculpa, feio é persistir no erro e na ignorância", afirmou o presidente.
A propaganda do Minha Casa Minha Vida previa não a contratação, mas a construção de 1 milhão de casas no governo Lula. "A meta é ambiciosa: construir um milhão de habitações, priorizando famílias com renda de até 3 salários mínimos", diz por exemplo cartilha da Caixa.
Anteontem, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) também voltou a criticar a imprensa. Para ele, os jornais não têm "muita boa vontade com o governo".
"Quando as pessoas foram percebendo que a vida delas estava melhorando, mesmo com os jornais dizendo que estava piorando, [...] foram acreditando um pouco menos na imprensa, e [foram] acreditando um pouco mais no presidente", afirmou.

TÁ DANDO DÓ DA FOLHA DE SÃO PAULO !

PT planeja "festa bem povão" para recepcionar presidente

Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Uma faixa perto do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo anuncia festa para Lula

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

O presidente Lula terá que esperar pelo menos um dia para descansar após entregar a faixa a Dilma Rousseff.
Depois da maratona da posse em Brasília, ele será recebido com uma festa popular em São Bernardo do Campo, ainda na noite de sábado.
Com aval da prefeitura petista, dirigentes do partido vão interromper o trânsito para montar um palanque em frente ao prédio dele, na avenida Prestes Maia.
A promessa é de uma celebração longe do protocolo e, como reza o bordão carnavalesco, sem hora para acabar.
"Queremos uma festa bem povão", diz o presidente municipal do PT, Wanderley Salatiel. "Vamos carregar o Lula nos braços. Vai ser como ele gosta: sem frescura."
Ontem, faixas convocavam a população a tomar a rua a partir de 19h -a chegada do já ex-presidente é prevista para uma hora depois.
Os petistas chamaram a Orquestra de Viola Caipira de São Bernardo e o cantor sertanejo Sérgio Reis para animar a militância. Mas a grande expectativa é por um discurso de Lula, o primeiro depois de deixar o poder.
"Não vamos abrir mão, mesmo que ele esteja cansado", anima-se Salatiel. "E conhecendo o Lula, você acha que ele não vai querer falar?"
O PT não informou quanto custará a festa. O plano é fazer um evento ainda maior no 1º de Maio, no Paço Municipal -cenário das greves lideradas pelo ex-metalúrgico.
Segundo pesquisa CNT/ Sensus, ele deixa o cargo com aprovação de 83%, mesmo índice apurado em novembro pelo Datafolha.
Dos entrevistados, 69% acham que o governo Dilma será ótimo ou bom. Mas só 25% acreditam que ela indicou seu ministério -para 27,5%, a escolha foi de Lula.

ARTICULISTA ESTRANGEIRO ELOGIA LULA E DESEJA SORTE PARA DILMA,OS ARTICULISTAS BRASILEIROS QUEREM QUE OS DOIS MORRAM. É TRISTE !

KENNETH MAXWELL

Começos


Depois de dois mandatos como presidente, Luiz Inácio Lula da Silva deixa o posto com grandes realizações a seu crédito. Dilma Rousseff, que o sucederá, está ansiosa por aceitar o legado de Lula.
Neste caso não é questão de aceitar uma "herança maldita". Lula lega uma "herança bendita", fato que apenas seus mais recalcitrantes críticos deixam de reconhecer.
O Brasil teve sorte em contar com Lula. Não é apenas questão de o país ter se beneficiado de circunstâncias internacionais favoráveis. Na verdade, as condições internacionais estiveram longe de ideais para o Brasil, e foram ainda piores para o restante do mundo, desde que eclodiu a crise financeira mundial de 2008.
Em última análise, os líderes políticos constroem os seus próprios destinos.
Lula deixou sua marca de maneira muito pessoal. Sucedê-lo será difícil. Pouquíssimos líderes mundiais contam com a poderosa combinação de qualidades que Lula ofereceu ao seu governo: experiência de vida no Nordeste e no Sudeste; origens trabalhadoras e experiência no piso da fábrica, no sindicalismo e na organização política; três fracassos eleitorais sucessivos antes do sucesso -e virtualmente nenhum deles reteve ao longo do processo o seu bom humor e a capacidade de falar a língua do povo.
As estatísticas falam por si. Duas delas são especialmente reveladoras. Enquanto o desemprego nos Estados Unidos era de 9,8% em novembro de 2010, no Brasil o índice foi de 5,7%, o mais baixo desde 2002. E 71% dos brasileiros aprovam o ataque de Lula à pobreza. Há problemas, claro.
Significa pouco dizer que Lula causa "inveja e ciumeira" aos Estados Unidos. O presidente eleito, na sua primeira entrevista ao "Washington Post", já usou uma linguagem menos preconceituosa.
Dilma Rousseff lembrou ao PT que um partido político que elegeu um operário e, em seguida, uma mulher "deposita um grande desafio em nossos ombros".
Ela não tem a experiência de vida de Lula, isso é certo.
Mas a presidente Rousseff levará para a Presidência uma postura forte, experiência administrativa e longo envolvimento no centro do governo Lula.
Dilma talvez tenha pago mais caro que Lula por sua oposição à ditadura militar.
Manterá alguns dos ministros mais experientes do predecessor. Desfrutará, pelo menos por enquanto, de amplo apoio político. Sua agenda de governo inevitavelmente envolverá grandes empreitadas internacionais, com destaque para os preparativos da Copa do Mundo e da Olimpíada.
Ao assumir, desejamos tudo de bom a ela e ao Brasil.

KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

A RAINHA DA "MASSA CHEIROSA" QUER ELOGIAR LULA , MAS SE PERDE NO ÓDIO E NÃO CONSEGUE. TÁ DANDO DÓ !

Lula encerra a década como um dos homens mais importantes do mundo

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA


O migrante nordestino, metalúrgico e líder sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva é reconhecidamente um dos homens mais importantes da primeira década deste século, não apenas no Brasil, mas no mundo.

A história registrará que, durante o seu governo, o Brasil pulou vários degraus em importância internacional, ganhou em pujança econômica e recuperou a autoestima interna.

Mas, retrospectivamente, sem o calor do momento e sem o peso do marketing, a história tenderá também a reequilibrar de forma mais justa a importância de Lula e de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

Antonio Lacerda-17dez.10/Efe
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do colega boliviano Evo Morales; ele se tranformou em líder no cenário mundial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do colega boliviano Evo Morales; ele se tranformou em líder no cenário mundial

Hoje, Lula é quase um Deus, enquanto FHC é tratado como um quase fiasco. A balança ficará mais bem ajustada quando recuperada a realidade de que os dois governos fazem parte de um único processo.

Há uma relação de causa e efeito nesse ciclo virtuoso, que começa com a estabilidade da economia e desemboca na inclusão de 27 milhões de brasileiros.

Com seu imenso carisma, sua vibrante biografia e sua decantada capacidade de comunicação com pobres e ricos, letrados ou não, Lula transformou os êxitos de FHC em "herança maldita" e potencializou os seus próprios acertos.

Valeu-se da intuição e inteligência, mas também da avalanche de dinheiro que favoreceu não só o Brasil e a sua popularidade, mas outros países e a de outros governantes da América Latina.

É como se fizesse o governo de FHC, mas com dinheiro e um olhar mais focado no social. Seu grande programa de chegada, o "Fome Zero", não existia. Mas aproveitou bem a estabilidade da economia, o Bolsa Família, o sólido sistema bancário e deu saltos de qualidade.

Multiplicou os recursos para as famílias de baixa renda e ampliou o crédito das classes médias baixas, sem mexer um milímetro nos ganhos de capital. Nunca os bancos lucraram tanto, mas a carga tributária é considerada a 14ª mais alta do mundo. Ou seja: redistribuiu renda, mas não do capital para o trabalho.

Lula também acobertou o aparelhamento do Estado, principalmente das estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Correios, sob um impulso mais de líder sindicalista do que de estadista.

E o ponto baixo dos seus oito anos se equipara no plano interno e externo: o descaso com as questões de princípio. Ele tinha "gordura" para gastar, mas não quis usar sua imensa popularidade para investir em ética, bandeira antes tão cara ao PT. Preferiu não arriscar.

Felipe Dana-28out.10/AP
Lula suja as mãos de petróleo durante visita à Petrobras; hoje ele é quase um Deus, mas o mito deve cair com o tempo
Lula suja as mãos de petróleo durante visita à Petrobras; hoje ele é quase um Deus, mas o mito deve cair com o tempo

Lula fechou os olhos para escândalos como o "mensalão" (compra de votos de aliados) e "aloprados" (que pagavam a peso de ouro dossiês contra adversários).

Garantiu sobrevida a oligarquias que mantêm Estados inteiros em condições medievais. Compôs alegremente com o que há de pior na política. Foi indulgente até com governador que usa dinheiro público para ir de jatinho passar carnaval na Europa até com a sogra.

No plano externo, Lula ironizou a resistência às ditaduras do Irã e de Cuba, cometendo gafes imperdoáveis para qualquer outro presidente, mas assimiláveis quando se trata de Lula. Exemplo: comparar a luta da oposição iraniana a "chororô de derrotados" e os presos políticos cubanos a presos comuns brasileiros.

Lula entra para a história como um dos mais importantes presidentes do Brasil e um dos líderes mais amados da década no mundo. Mas, fora do poder, uma avaliação mais fria, menos emocional, poderá mostrá-lo ainda um grande líder, mas igualmente um mito que cai na real.

CARLOS HEITOR CONY SE COMOVE COM DISCURSO DE LULA

CARLOS HEITOR CONY

O desafio


RIO DE JANEIRO - Participei, mais ou menos por acaso, de um debate com outros jornalistas tendo como tema a retrospectiva do ano que acaba. Nenhuma novidade nisso. Todos os anos, antes mesmo de haver imprensa, desocupados de vários feitios e intenções faziam o mesmo, como se fossem árbitros da história, o "Petronius arbiter" dos romanos.
Os assuntos foram inevitavelmente pautados pela repercussão dos próprios fatos: a eleição de Dilma, o resgate dos mineiros do Chile, a Copa do Mundo da África do Sul, o Complexo do Alemão, os terremotos, as inundações, a doença do Zé Alencar, os cem anos de Noel Rosa.
Extrair uma conclusão de tudo isso, se o ano foi bom ou mau, além de difícil é inútil. Pessoalmente, acredito que 2010 não deixará rastro no tempo, nem mesmo se o considerarmos como o fim da Era Lula.
Feitas as contas, entre os prós e contras, o saldo será favorável a ele, apesar das muitas porradas que levou, sobretudo da mídia e de alguns cobras avulsos da sociedade. Eu próprio malhei-o repetidas vezes e creio que com razão, mas sem ódio, até mesmo com razoável simpatia. Ele é realmente o cara, capaz de mergulhos inesperados entre o certo e o errado. Sua atuação na última campanha eleitoral foi um dos baixos de sua carreira presidencial, que teve pontos altos, sobretudo no que se refere à sua comunicação. Bem verdade que houve uma exposição quase obscena de sua imagem, sobretudo nesta reta final de seu governo.
Mas sua biografia, seu jeitão e seu suor de povo farão dele um dos grandes presidentes deste país, apesar das pisadas de bola que deu com certo exagero. Ouvi seu último discurso em Recife e fiquei comovido. Lula será um desafio para os historiadores, que terão de explicar os seus foras e o seu sucesso.

OS EUA ATACARAM O IRAQUE , O AFEGANISTÃO , O VIETNAM , O CAMBOJA , O...OU A...,MAS O ARTICULISTA SE CALA

TENDÊNCIAS/DEBATES

Tropas brasileiras deveriam deixar o Haiti


MARK WEISBROT



O Brasil deveria começar a defender os direitos humanos pelo lugar em que exerce a maior influência, que, hoje, são as tropas da ONU no Haiti


A declaração da presidente eleita Dilma Rousseff, neste mês, de que fará o Brasil se opor às violações dos direitos humanos no Irã foi recebida aqui em Washington com certa animação. É evidente que o Departamento de Estado não enxerga essas coisas sob uma perspectiva humanitária, mas utiliza os direitos humanos como arma política para promover o ódio contra os alvos de sua preferência.
Mesmo assim, a politização dos direitos humanos por parte de Washington não é motivo para um país como o Brasil se abster de defender os direitos humanos em todo o mundo, de maneira movida por princípios, e não política.
Mas também o Brasil deveria começar pelo lugar em que exerce a maior influência; no momento, esse lugar é o Haiti, onde o Brasil chefia a missão militar da ONU (a Minustah) que ocupa o Haiti.
Essa missão teve legitimidade questionável desde o início, quando foi enviada ao Haiti depois de o governo democraticamente eleito do presidente Jean-Bertrand Aristide ter sido derrubado em um golpe de Estado em 2004.
O golpe foi resultado direto dos esforços dos EUA para derrubar o governo de Aristide. Membros do governo constitucional foram postos na prisão e milhares dos partidários do governo foram mortos.
A Minustah desenvolveu uma reputação de brutalidade e violações dos direitos humanos, que incluem a invasão de um dos maiores bairros pobres do Haiti, em julho de 2005, deixando dezenas de civis mortos ou feridos.
Neste mês, o Haiti promoveu eleições presidenciais, financiadas pelos Estados Unidos, das quais o maior partido político foi excluído.
Foi o equivalente a promover uma eleição no Brasil sem permitir a participação do PT ou do PSDB. As eleições também foram maculadas por fraudes e pela ampla exclusão de eleitores.
Basicamente, a Minustah veio tomar o lugar, como força repressora, do odiado Exército haitiano, que o presidente Aristide aboliu. Washington não permite que haja democracia no Haiti, porque os haitianos inevitavelmente escolheriam um governo de esquerda.
Telegramas divulgados recentemente pelo WikiLeaks ilustram que o objetivo de Washington é manter o controle sobre o governo do Haiti e, especialmente, sobre suas relações exteriores.
Por que o Brasil deveria participar da negação de direitos humanos e democráticos básicos do Haiti? E, para agravar a situação ainda mais, a Minustah provocou uma epidemia de cólera que já matou 2.400 pessoas e contaminou mais de 109 mil, provavelmente devido à negligência criminosa e grosseira de despejar dejetos humanos no rio Artibonite. Milhares de haitianos foram às ruas para exigir que as tropas da Minustah deixem o país.
A Minustah custa mais de US$ 500 milhões por ano, sendo que a ONU não consegue levantar nem um terço desse valor para combater a epidemia que a própria missão causou. E agora ainda pede aumento dos recursos para a Minustah, para além de US$ 850 milhões.
Organizações e líderes políticos progressistas, incluindo a maior confederação sindical -a CUT-, o MST e líderes políticos do PT, como Markus Sokol, pediram que o Brasil retire suas tropas do Haiti.
Dilma deveria dar ouvidos à sua base e à população do Haiti, que não pediu esse exército de ocupação, que não tem razão legítima para estar lá.
Como afirmou a CUT, o Brasil deveria "enviar médicos e engenheiros, não tropas de ocupação".

Tradução de CLARA ALLAIN

MARK WEISBROT é codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas ( www.cepr.net ), em Washington, e presidente da Just Foreign Policy ( www.justforeignpolicy.org ).

ASSIM É FÁCIL GOVERNAR

Futuro líder chinês é "ambicioso e elitista"

Documentos dos EUA revelados pelo WikiLeaks descrevem Xi Jinping como alguém sem "motivações ideológicas"

Vice-presidente deverá suceder mandatário da China, Hu Jintao, em 2 anos; Xi, 65, descende de líder revolucionário


Jason Lee - 27.dez.2010/Reuters
Xi Jinping deixa evento oficial em Pequim; vice-presidente chinês é considerado provável sucessor de Hu Jintao em 2013

DE SÃO PAULO

O provável futuro dirigente máximo da China, Xi Jinping, é "extremamente ambicioso" e "autêntico elitista" e não tem "motivações ideológicas", segundo descrição de papéis diplomáticos dos EUA revelados pelo WikiLeaks.
Os relatos constam de 11 documentos da embaixada americana em Pequim, datados do período entre 2007 e 2009, divulgados pelo jornal "El País". Eles são atribuídos a um antigo amigo de Xi, que é chamado "O Professor".
Xi, 57, atual vice-presidente chinês, foi nomeado em outubro vice-presidente da Comissão Militar Central. O cargo o credencia a suceder Hu Jintao, o atual dirigente máximo, no início de 2013.
No final de 2012, já deve substituir Hu na liderança do Partido Comunista Chinês.
Xi é um integrante do grupo chamado de "príncipes" do regime, filhos da primeira geração de revolucionários e que, por isso, se consideram os "legítimos herdeiros" dos seus feitos e creem "merecer governar a China".
Xi é filho de Xi Zhongxun, preso na Revolução Cultural, reabilitado nos anos 1970 e membro do Politburo -o segundo órgão mais importante do regime chinês- nos 80.
Segundo "O Professor", ele próprio e o vice-presidente cresceram juntos em um restrito círculo de Pequim, descrito como "a minissociedade baseada na divisão de classes mais estrita já constituída" -a despeito da retórica em contrário do regime.
Desde cedo, ainda segundo o relato atribuído ao "Professor", o provável futuro líder "decidiu sobreviver sendo mais vermelho que os vermelhos" e resolveu entrar para o PC ainda durante o período de detenção de seu pai.
Licenciado em "marxismo aplicado", Xi, nas palavras da fonte, sempre "teve muito claro seu objetivo" de ascender na hierarquia do partido.
Com esse fim, foi para o interior do país, "único meio de chegar ao poder central", tornando-se governador da província de Fujian e secretário do PC em Zhejiang e Xangai.
No ano passado, já como vice-presidente, veio ao Brasil para firmar empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras.

O PARTIDO
"O Professor", segundo os documentos, ainda descreve o PC chinês como uma empresa em que seus diretores têm tanto mais poder quanto mais "ações" eles possuem.
Na analogia, Hu seria o CEO da companhia, cuja voz tem mais peso que a dos demais em processo colegiado de tomada de decisões. Em geral as ações do PC seriam decididas por "consenso".

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Trabalhadores do setor aéreo descartam greve no Ano Novo após reunião.A imprensa corrupta brasileira está inconformada

Popularidade de Lula é recorde mundial, diz CNT/Sensus



Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerra oito anos de governo com 87% de aprovação, é a maior do mundo, afirmou nesta quarta-feira (29) o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade.

Segundo Andrade, Lula está à frente da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que tinha 84% de aprovação quando deixou o governo, e do ex-mandatário uruguaio Tabaré Vázquez, que teve 80% ao final do mandato.

O presidente da CNT também comparou o desempenho de Lula com líderes mundiais históricos, entre os quais o primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela (82% de aprovação), o ex-presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (66%), e o general francês Charles De Gaulle (55%).

Andrade não especificou a fonte dos dados mundiais divulgados por ele nem se a metodologia dos outros países é comparável à da CNT/Sensus.

Fernando Henrique Cardoso (PSDB), antecessor de Lula, tinha 26% de aprovação após dois mandatos, segundo levantamento da CNT/Sensus de 2001.

Levantamento

A avaliação da popularidade de Lula divulgada hoje é resultado da 110ª edição da pesquisa CNT/Sensus, para a qual foram entrevistadas duas mil pessoas, em 136 municípios de 24 estados, entre os dias 23 e 27 de dezembro de 2010. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Segundo o levantamento, a aprovação do desempenho pessoal do presidente está em 87%, contra 80,7% da pesquisa anterior. Cerca de 10,7% dos entrevistados desaprovam o presidente e 2,4% não responderam.

A pesquisa da CNT/Sensus traz também a opinião dos entrevistados em relação à situação de emprego, renda mensal, saúde, educação e segurança pública nos últimos seis meses e as expectativas a respeito dos mesmos temas para o próximo semestre.

LEITURA IMPERDÍVEL ! BRILHANTE !

ELIO GASPARI

De Roosevelt@edu para Lula@gov



Parabéns presidente, se o Brasil é uma Belíndia, o senhor levou 13 milhões para a Bélgica


CARO LULA, Há oito anos, quando o senhor foi eleito presidente do Brasil, eu lhe mandei uma mensagem torcendo pelo seu sucesso e lembrando-lhe a essência do meu êxito.
Governei os Estados Unidos de 1933 a 1945, ganhei a maior guerra de nossa história, mas de Franklin Roosevelt ficou a lembrança de um presidente que mudou a vida do seu povo, criando uma América onde ninguém ficasse de fora.
O mundo aprendeu que ou haveria capitalismo para todos ou não haveria para ninguém. O senhor fez o mesmo no Brasil. Para quem dizia que seu país era uma Belíndia, o senhor tirou da Índia brasileira o equivalente à população de toda uma Bélgica.
Entre 2003 e 2009, o número de pobres passou de 30,4 milhões para 17 milhões. O desemprego caiu a níveis históricos, e pela primeira vez em muitos anos a maioria dos trabalhadores está no mercado formal. O crédito chegou a casas onde a pobreza era um estigma financeiro. Os plutocratas do seu país compreenderam que o acesso dos pobres aos instrumentos do capitalismo é a garantia de sua longevidade.
De tudo o que o senhor conseguiu, o que mais me comove é o resultado desse programa chamado ProUni, que coloca nas universidades jovens de famílias pobres com bom desempenho escolar. Eu fiz coisa parecida, abrindo o ensino superior para os soldados que voltavam da guerra.
Em cinco anos, o seu programa atendeu 540 mil jovens. O meu matriculou 2,2 milhões entre 1944 e 1949. Inicialmente, pensávamos apenas em proteger os veteranos da guerra. Trinta anos depois, verificou-se que a GI Bill foi um dos fatores determinantes para o surgimento de uma nova classe média.
Quando o Juscelino Kubitschek me contou que a oposição foi à Suprema Corte para destruir seu programa, percebi que o Padre Eterno fez pelo senhor o que fez por mim: presenteou-nos com uma oposição que assegura nosso lugar na história.
Antes de lhe escrever jantei com Getúlio Vargas, JK e Ernesto Geisel. Em graus variáveis, os três torciam pelo seu sucesso. Getúlio e JK invejaram sua capacidade de sobreviver ao mandato e eleger a sucessora.
Já o Geisel teme que esse sucesso traga um risco. Com a experiência de quem foi escolhido pelo antecessor (um general introvertido chamado Médici) e escolheu o sucessor (outro general, não sei se Figueiredo é o nome dele ou do cavalo que monta), pede que lhe avise: cuidado com a turma da copa e cozinha. É de lá que saem as intrigas. Um deles brigou por causa de uma irrelevância na Previdência do Rio Grande do Sul.
Parte de seu sucesso o senhor deve ao professor Cardoso. Não faz bem à sua biografia negar-lhe o crédito. Estive com Ruth, mulher dele, mas não posso contar o que ela me disse a respeito da última campanha eleitoral brasileira.
Senhor Silva, repito o que escrevi em 2002. Pouco temos em comum, eu vim de Harvard e de uma família que já havia dado aos Estados Unidos um presidente (que por pouco não morreu na floresta brasileira). O senhor veio de lugar nenhum. Dizem que fui o traidor da minha classe. Felicito-o por não ter traído a sua.
Despeço-me registrando que a admiração de Eleanor, minha mulher, pelo senhor é muito maior do que a minha.
Parabéns,
Franklin Roosevelt

O BLOG TEM POSTAGENS NOVAS EM TODA A PÁGINA

PARABÉNS BRIZOLA NETO , VOCÊ MERECE

DO RIO

O deputado federal Carlos Daudt Brizola, conhecido como Brizola Neto (PDT), foi anunciado ontem como secretário do Trabalho e Renda para o segundo mandato de Sérgio Cabral (PMDB) à frente do governo do Rio.
Brizola Neto, 32, não conseguiu se reeleger para a Câmara dos Deputados na eleição de outubro. Ele é herdeiro político do avô, Leonel Brizola (1922-2004), que governou o Rio por dois mandatos.
O futuro secretário mantém um blog chamado "Tijolaço", no qual faz duras críticas à imprensa por um suposto viés antiesquerda.
Brizola Neto substituirá Ronald Ázaro, do PSC, que vai para a recém-criada Secretaria do Turismo.
Cabral contemplou o PDT com mais uma secretaria. O deputado estadual eleito Felipe Peixoto chefiará Desenvolvimento Regional.
Com as nomeações, Cabral assegura o apoio da bancada do PDT, que será a mais numerosa da Assembleia Legislativa a partir de 2011.
Com o apresentador de TV Wagner Montes puxando votos, o partido elegeu 11 dos 70 integrantes da Casa.
Em seu blog, Brizola Neto disse no dia 14 que estava se licenciando da Câmara para tratar um ceratocone (doença degenerativa do olho), "que compromete muito severamente minha visão".
A Folha não conseguiu falar com Brizola Neto para saber se o problema poderia comprometer seu trabalho.

O LEGADO DO MARAVILHOSO , ESPETACULAR , FABULOSO E QUERIDO PRESIDENTE DA REPÚBLICA LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

RUY CASTRO

Um mês depois


RIO DE JANEIRO - E, por falar nas melhores notícias de 2010, a Vila Cruzeiro, a Penha e o Complexo do Alemão, apenas um mês depois de ocupados pelo bem, já fazem parte do Rio válido, civil e republicano. Têm comércio aberto nas horas de praxe, não as que o poder paralelo determinava, e seus mercadinhos hoje vendem feijão, macarrão, legumes -não só da clara e da escura. Empresas regulares fazem entregas de celulares, TVs e cosméticos em motos e carros legalizados, não roubados.
Um mês depois, o Alemão tem cinema com projetor 3D, ar condicionado, isolamento acústico, bombonnière e até poltronas para deficientes e obesos -sendo que, até então, como as outras favelas do Rio, nunca tivera cinema. O teleférico, já "inaugurado" por Lula, começa a funcionar em março e terá painel em homenagem a Cartola. Vêm aí uma delegacia, uma quadra poliesportiva, uma creche e um centro de inclusão digital. A Comlurb, limpeza urbana do Rio, promete passar todo dia. É como ser cidadão, fazer parte do mapa.
O povo voltou a subir a escadaria da igreja da Penha: 15 mil pessoas, só nos últimos 15 dias, incluindo gente que não ia lá havia 40 anos. Não será surpresa se, a partir de 2011, a festa da Penha, em outubro, voltar a ser um polo da música popular, como foi até fins da década de 20, maior até do que o Carnaval.
Mas o melhor, por enquanto, é o que a Vila Cruzeiro, a Penha e o Alemão não têm mais: medo. Nem o medo de andar pelos becos e ruas a qualquer hora, nem o de ter de presenciar cenas de violência e fazer de conta que não viu, ou o de ter a casa ou a laje ocupada como bunker. E, principalmente, o medo de denunciar -neste fim de semana, um figurão da droga, foragido, voltou ao Alemão e foi capturado por indicações de moradores.
É cedo para tanto otimismo? Talvez. Mas pergunte aos interessados diretos -os que moram lá.

FERNANDO DE BARROS E SILVA CAPITULA FRENTE AO PODEROSO LULA

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Lula, democrata


SÃO PAULO - Faltam três dias para o fim da era Lula. O saldo da sua passagem pela Presidência é francamente positivo. Lula fez bem ao Brasil. Isso vale em especial para o que mais importa: o país hoje percebe melhor as suas desigualdades e a necessidade de combatê-las.
Se na área social houve avanço inequívoco (e se a consolidação da estabilidade com crescimento econômico foi outra grande conquista), o legado político de Lula é bem mais controverso. Já escrevi aqui, em mais de uma ocasião, sobre a capitulação do PT ao que existe de mais atrasado na política brasileira.
Em nome da governabilidade, ou usando-a como pretexto, o lulo-petismo sucumbiu às velhas formas de corrupção, fisiologia e compadrio que um dia teve a pretensão de combater ou reformar. Isso é verdade, mas não esgota a questão.
Lula deixa a Presidência com mais de 80% de aprovação popular. E deixa porque recusou a tentação do terceiro mandato. Hoje isso parece trivial, assunto velho, pão amanhecido. Mas o respeito às regras do jogo e a aposta na democracia é o que de melhor Lula legou ao país em termos de cultura política.
Anteontem, na sua última coletiva, Lula disse: "Acredito muito na democracia e acredito na necessidade de alternância. Você pega o terceiro e quer o quarto. Aí você pega o quarto e por que não o quinto? Em vez de criar uma democracia, está criando uma ditadurazinha".
Basta pensar em Hugo Chávez para perceber que diferença isso faz. Não se trata de tomar obrigação por virtude, mas imagine que retrocesso não seria se o primeiro presidente operário do Brasil decidisse virar a mesa para se manter no poder. É óbvio que Lula, ao agir como deve, também zela pela imagem que vai legar ao mundo e à história. Uma figura como ele está condenada a ser escrava da sua biografia.
Virou um lugar-comum aproximar, pela importância histórica, Lula de Getúlio Vargas. Mas é sempre bom lembrar que Vargas foi um ditador. Lula é um democrata.

ALÉM DE QUERER OS RECURSOS SÓ PARA A FOLHA DE SÃO PAULO E AFINS,O ARTICULISTA MENTE DIZENDO QUE OS BLOGS RECEBEM DINHEIRO DO GOVERNO. TÁ DANDO DÓ !

FERNANDO RODRIGUES

Bomba-relógio


BRASÍLIA - É um sofisma o argumento usado pelo governo -e petistas em geral- a respeito da pulverização das verbas de publicidade. Eis a lógica: se a propaganda existe, então é melhor dividir o dinheiro entre o maior número possível de veículos de comunicação.
Quando Lula assumiu o Planalto, 499 jornais, revistas, TVs, rádios, portais e sites de internet, entre outros, recebiam verbas publicitárias federais. Hoje, oito anos depois, o número aumentou para 8.094. Um salto de 1.522%.
O raciocínio chapa-branca se sustenta no fato de Lula ter mantido os gastos no mesmo patamar do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso: um pouco acima de R$ 1 bilhão por ano, descontados os custos com publicidade legal (balanços), produção dos comerciais e patrocínio.
Ou seja, sem ampliar os gastos, Lula "democratizou" (sic) o dinheiro entre mais veículos. Fez algo positivo, certo? Errado. Uma parte não fecha nessa conta. Trata-se da pergunta não respondida: por que o governo federal precisa, por exemplo, gastar R$ 20 milhões na atual campanha cujo slogan é "estamos vivendo o Brasil de todos"?
Nesta semana, TVs de várias partes do país também veicularam um comercial enaltecendo o Banco da Amazônia. Essa instituição federal tem as funções de uma agência de desenvolvimento. Não há razão para fazer propaganda.
Na oposição, Lula e o PT cansaram de malhar os gastos publicitários do PSDB. Uma vez no Planalto, aderiam à estratégia de maneira mais sofisticada. Milhares de rádios e blogs pelo país agora recebem de R$ 1.000 a R$ 3.000 por mês. Se um presidente ousar cortar tal despesa terá de encarar as imprecações incessantes dessa turba.
Publicidade estatal às vezes é uma forma de censura indireta. Vira um vício. Receber R$ 1.000 por mês no interior é uma benção. Lula criou uma bomba-relógio quase impossível de ser desarmada.

fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

LULA DÁ LIÇÃO NA IMPRENSA CORRUPTA BRASILEIRA

MÍDIA

Presidente elogia a distribuição de verba publicitária do governo


DO ENVIADO ESPECIAL A IPOJUCA (PE) - O presidente Lula defendeu ontem a política de distribuição das verbas publicitárias do seu governo, que elevou de 499 para 8.094 os órgãos de comunicação beneficiados com recursos federais.
"Resolvemos socializar o dinheiro do governo, levando condições para que a rádio menor, do interior, pudesse receber dez centavos daquilo que as rádios nacionais recebiam antes de eu chegar no governo", discursou ele no complexo industrial e portuário de Suape (a 60 km de Recife).
Lula disse que a reportagem de ontem da Folha sobre o assunto o "encheu de orgulho", apesar de não saber se "queriam fazer uma crítica ou apenas constatar".
Segundo o presidente, a sua política de distribuição das verbas descentralizou recursos que, "antigamente", eram distribuídos "entre meia dúzia que se autointitulavam a imprensa nacional".
"E ainda dizem que nós seríamos uma ameaça à liberdade de imprensa", afirmou.

SÃO BERNARDO
O Palácio do Planalto confirmou que Lula voltará a São Bernardo do Campo no sábado, após a transmitir o cargo à sucessora, Dilma Rousseff. A viagem será num avião da FAB (Força Aérea Brasileira).
O PT local prepara uma festa. Um caminhão de som já foi encomendado para o evento, "no caso de o presidente querer discursar".
A festa de boas vindas deverá ocorrer em frente ao edifício de Lula, que fica próximo à região central da cidade. Uma festa maior poderá ser programada após o período de descanso de Lula, segundo o partido.

TÁ BOM , MAS PODE SER RUIM.É TRISTE !

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Apagão profissional

Aquecimento da economia expõe carência de formação de mão de obra, que precisa ser sanada para sustentar ritmo de crescimento do PIB

A redução do desemprego a 5,7% da PEA (População Economicamente Ativa) evidenciou um dos principais obstáculos à manutenção do crescimento sustentado do país: a carência aguda de mão de obra qualificada.
Antes as dificuldades se concentravam nos cargos de direção e nas funções de nível superior, pois só 11% dos brasileiros têm diploma universitário, contra 28% nos países mais desenvolvidos. Hoje porém faltam técnicos de nível médio e até trabalhadores com ensino fundamental.
Em consequência desse quadro, muitas empresas têm encontrado dificuldades de ampliar a produção na escala planejada ou se veem forçadas a alocar parte de sua equipe no treinamento intensivo -e nem sempre bem-sucedido- de novos funcionários.
Problemas dessa ordem não são novos na história do Brasil. Tanto assim que motivaram o presidente Nilo Peçanha a instituir, já em 1909, as Escolas de Aprendizes Artífices. A iniciativa, contudo, não gerou os resultados esperados. Na realidade o ensino profissionalizante só ganhou corpo em escala nacional na era Vargas, com a criação de escolas técnicas sustentadas por contribuições do próprio empresariado. Essas sim se revelaram capazes de preparar os trabalhadores para o exercício de funções que a escola pública de uma maneira geral desprezava.
Um novo passo foi dado com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1961, que estabeleceu a equivalência dos cursos técnicos ao secundário, o que permitia que alunos oriundos do ensino profissionalizante pudessem pleitear ingresso nas faculdades.
Esse avanço, contudo, acabou sendo minado pela ditadura militar que, ao tentar generalizar a profissionalização para todo o ensino médio a partir de 1971, provocou uma queda na qualidade do ensino das redes municipais e estaduais -que não estavam preparadas para oferecer essa formação nem tinham recebido a infraestrutura necessária para tanto.
Nos anos 90, pôde o ensino profissionalizante retomar sua expansão em bases mais sólidas. Não seria justo acusar os atuais governantes de descaso nessa área. O governo federal inaugurou 214 escolas de educação profissional de 2007 a 2010 e aumentou o número de matrículas de 140 mil para 348 mil. No mesmo período, o governo paulista criou 23 Fatecs (faculdades de tecnologia) e 72 Etecs (escolas técnicas). São iniciativas meritórias, sem dúvida. Mas ainda é pouco -como a própria situação do mercado de trabalho o demonstra.
Não basta ampliar a rede física voltada à formação técnica: também é necessário superar a habitual rigidez do setor público e atualizar os conteúdos ministrados. Quantas escolas ainda mantêm cursos para ensinar profissões em vias de extinção?
Os economistas clássicos consideravam que a produção exige três fatores: terra, trabalho e capital. Por muito tempo o país sofreu com a escassez de capitais. Não é possível que, ao solucionar esse problema, venha a ter sua expansão travada pela falta de trabalhadores preparados.

A CULPA É DO PT . É TRISTE !

Editoriais

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Do virtual ao real

Ainda que de modestas proporções, duas manifestações contra o aumento salarial para deputados e senadores, ocorridas anteontem, fecham 2010 num espírito avesso às complacências de rotina. Em Brasília, um grupo de estudantes bloqueou o trânsito na Esplanada dos Ministérios, invadindo a rampa do Palácio do Planalto; houve confronto com a polícia. Em São Paulo, cerca de cem manifestantes ocuparam uma faixa da avenida Paulista, dispersando-se sem violência.
Há nesses protestos componentes mais significativos do que faz supor sua pequena expressão numérica. Foi ampla, como se sabe, a indignação contra o reajuste salarial de quase 62%, autoconcedido pelos parlamentares.
A inconformidade não se limitou, contudo, aos dias imediatamente posteriores à votação. Propagou-se em ondas sucessivas, pela internet, e as manifestações desta segunda-feira vieram, sem dúvida, refletir esse processo.
Se no passado era visível a presença de partidos políticos (a começar pelo próprio PT) em movimentos desse tipo, a disposição para organizar protestos de rua reduziu-se hoje em dia, num clima em que as célebres organizações da sociedade civil amolecem num caldo de governismo e cooptação.
Ao mesmo tempo, pulverizaram-se os focos de inconformismo e contestação. Mecanismos de ativismo virtual, como abaixo-assinados e comunidades em sites de relacionamento, surgem para canalizar protestos dispersos.
Sendo hoje incerto o seu poder efetivo, ao menos alimentam a esperança de que, no futuro, não seja tão fácil à empáfia das autoridades jogar com o fato consumado. Vale lembrar que a Lei da Ficha Limpa constituiu fenômeno ao qual, de início, se atribuíam poucas chances de sucesso.
Novas formas de mobilização, aos poucos, articulam-se na sociedade. Se ainda são pequenos ou duvidosos os seus resultados, não será demasiado irrealista desejar que no futuro ganhem em intensidade e abrangência.

PETROBRAS MUDA O NOME DO CAMPO DE PETRÓLEO TUPI QUE PASSA A SE CHAMAR "CAMPO LULA".4% ESTÃO DE DÁ DÓ !

Petrobras batiza Tupi de Lula e anuncia reservas de 8,3 bi no bloco BM-S-11

CIRILO JUNIOR
PEDRO SOARES
DO RIO

A área de Tupi teve sua comercialidade declarada nesta quarta-feira pela Petrobras e os sócios Galp e BG. O novo campo será denominado Lula, e tem reservas estimadas em 6,5 bilhões de barris de petróleo e gás recuperáveis. Tupi era o nome provisório da área descoberta. Após a declaração de comercialidade, os campos recebem nomes de espécies da fauna marinha.

A área vizinha de Iracema também foi certificada. Batizada de Cernambi, tem 1,8 bilhão de barris de óleo e gás. Os campos de Lula e Cernambi fazem parte do bloco BM-S-11, e juntos, somam reservas de 8,3 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás).

Quando um consórcio declara comercialidade, ele anuncia que a produção naquele campo é viável em escala comercial. Depois da declaração de comercialidade, as reservas do campo são integradas ao portfólio da companhia.

O BM-S-11 começou a ser perfurado em outubro de 2006. A área de Tupi foi a primeira grande descoberta do pré-sal. Anunciada no final de 2007, foi a partir dela que o governo identificou o grande potencial da nova fronteira exploratória brasileira. Desde então, os leilões na camada pré-sal foram suspensos e um novo marco regulatório para o setor foi desenvolvido, e sancionado na semana passada pelo presidente Lula.

A Petrobras tem 65% do consórcio, sendo a operadora do bloco. A britânica BG tem 25%, com os 10% restante a cargo da portuguesa Galp.

PRODUÇÃO

A Petrobras anunciou na última segunda-feira (27) que a sua produção de petróleo subiu 4,7% em novembro, para 2.030.924 barris/dia, na comparação com outubro. O número corresponde ainda a um aumento de 2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Esse resultado sinaliza uma produção sustentável acima de 2 milhões de barris diários, marca atingida por poucas empresas de petróleo no mundo.

O crescimento do volume extraído, segundo a estatal, se deve à normalização dos níveis de produção de dez plataformas da Bacia de Campos que estavam em manutenção periódica no mês anterior.

Além disso, o início de produção do Piloto de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, no final do mês de outubro e a entrada de mais um poço produtor na plataforma P-40, no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos, também contribuíram.

Considerados também os campos no exterior, a produção total de petróleo e gás natural da Petrobras atingiu a média diária de 2.620.347 barris de óleo equivalente diários em outubro. O volume indica um aumento de 2,5% sobre o mesmo mês de 2009 e de 3,4% em relação à produção global da Petrobras no mês anterior, quando foram produzidos 2.534.274 barris diários.

Lei permite bloqueio de fundo de Dantas

Nova legislação nos EUA autoriza pedido de congelamento de dinheiro investigado em processos ainda em andamento

Cerca de US$ 500 mi do Opportunity estão nos EUA, e Brasil já procurou autoridades para congelar o valor

FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO
ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

Uma lei aprovada pelo governo dos Estados Unidos levou as autoridades brasileiras a buscar novamente o bloqueio de cerca de US$ 500 milhões do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, que estão depositados em instituições financeiras no território americano.
Segundo a Folha apurou, o governo do Brasil já contatou as autoridades americanas para viabilizar o congelamento de recursos que estão no fundo de investimento Opportunity Fund e na Tiger Eye, uma conta de Dantas e a da irmã dele, Veronica.
Em 2009, o montante foi bloqueado pelos EUA por conta do processo da Operação Satiagraha, mas em agosto de 2010 uma corte de apelação do distrito de Columbia liberou o valor.
Para o órgão da Justiça americana, o congelamento só poderia ocorrer se houvesse uma decisão definitiva do Judiciário brasileiro contra os titulares do dinheiro.
Apresentado como lei de combate à corrupção internacional, o novo texto legal dos EUA derruba essa tese jurídica e permite os bloqueios com ações em andamento.
A tramitação da emenda à lei processual penal americana no Congresso foi extraordinariamente curta.
O texto foi apresentado no último dia 2 no Senado pelo democrata Sheldon Whitehouse (Rhode Island) e pelo republicano John Cornyn (Texas) e foi aprovado por unanimidade no dia 14.
Na Câmara dos Representantes (deputados), a proposta chegou no dia 15, foi debatida por apenas 40 minutos e aprovada no dia 16. O presidente Barack Obama sancionou o texto no dia 22.
A emenda corrigiu uma discrepância entre duas decisões anteriores nos EUA.
Em 2000, o Congresso passou a Lei de Reforma de Confisco de Bens Civis, que autorizava cortes federais a ajudar investigações internacionais bloqueando bens localizados nos EUA de pessoas julgadas em outros países.
Mas em 2010 a Justiça federal interpretou a lei como válida apenas após decisão final do Judiciário do país de origem da investigação.
Nos últimos meses, milhões de dólares identificados por outras nações como suspeitos escaparam de congelamentos nos EUA devido a essa interpretação.
Com a emenda aprovada agora, tribunais poderão determinar a restrição de bens antes de decisões definitivas.
O Secretário Nacional de Justiça, Pedro Abramovay, afirmou que o governo brasileiro já havia feito um alerta internacional sobre necessidade de alterar as regras sobre bloqueios nos EUA.
"A decisão da corte de Columbia poderia afetar todo o sistema de cooperação internacional, se fosse seguida por outros países", disse.
Para Ricardo Saadi, diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, a lei "permite tirar os recursos financeiros das organizações criminosas, o que diminui muito o poder de fogo delas".

PARA MARCOS COIMBRA , ME CLASSIFICO NOS QUE ACHAM QUE TUDO FOI UMA MARAVILHA NO GOVERNO LULA

Marcos Coimbra
Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
marcoscoimbra.df@dabr.com.br
De Lula para Dilma

Podemos olhar a aprovação de Lula e a vitória de Dilma reconhecendo que o povo é perfeitamente capaz de fazer julgamentos racionais

Nos balanços sobre o governo Lula que nestes dias pululam, o tom, na maior parte das vezes, é uma mistura de elogios e críticas. Há os que unicamente encontram motivos para desmerecê-lo, mas são raros. Salvo um ou outro dinossauro da antiga direita e os cômicos personagens da “nova direita” da mídia, quem tem um mínimo de bom senso sabe que avaliá-lo desse modo é bobagem.

Também existem os que acham que tudo foi uma maravilha, que Lula não pode ser cobrado por nada, pela simples razão de que só acertou. São ainda menos frequentes, mas, vez por outra, ainda aparecem, especialmente entre lulistas da velha guarda.

Quase sempre, os balanços procuram ser equilibrados, ressaltando acertos e erros, sucessos e fracassos. Como, no entanto, a verdadeira imparcialidade não existe, mesmo esses revelam de que lado estão os autores, se são mais ou menos favoráveis ao governo.

Do lado positivo, o grande consenso é a política social, capitaneada pelos programas de transferência de renda e cujo carro-chefe é o Bolsa Família. Só os preconceituosos não veem sua importância e insistem no discurso de que ele perpetua a pobreza e aumenta a dependência dos beneficiários. A evidência de que isso não é verdade é tão ampla que somente a desinformação explica a sobrevivência do estereótipo.

Do lado negativo, até quem simpatiza com Lula costuma arrolar o mensalão e os escândalos de corrupção como as “manchas” de seu governo, seu pecado capital. Quando o assunto chega aí, mesmo o mais ardoroso petista fica intimidado e prefere desconversar.

No meio, entre o Bolsa Família e o mensalão, temos o vasto território de tudo mais que o governo fez: política econômica, relações internacionais, políticas setoriais, relações com os Poderes, ação política. A respeito desse conjunto, prevalece a visão de que Lula acertou mais que errou, quando se põem na balança as iniciativas de seus dois mandatos.

Para quem não gosta de Lula, o saldo é positivo mais pelo que ele deixou de fazer, quando manteve as linhas mestras da herança de Fernando Henrique, a começar pela política econômica e o princípio da responsabilidade fiscal. Quem o admira ressalta o oposto, as mudanças realizadas na gestão da economia e o caráter inovador das medidas que criaram o ambiente de desenvolvimento que levou o país aos resultados a que chegamos.

Enquanto os analistas fazem sua contabilidade, as pesquisas revelam uma opinião pública muito mais favorável a Lula. Se as pessoas comuns pensassem como os entendidos, o presidente não estaria encerrando seu período com 87% de aprovação e Dilma talvez não tivesse sido eleita ao assumir o compromisso de continuar seu trabalho.

Sempre se pode dizer que o povo está errado, que foi e continua a ser enganado por Lula, que, com sua habilidade e seu “poder de comunicação”, manipula os sentimentos dos cidadãos “mais simples” (nunca os da classe média “mais lúcida” e de seus intelectuais, que se mantêm “vigilantes”). Ou seja, que Lula “não merece” a boa avaliação que recebe, e que Dilma ganhou a eleição em consequência da combinação de esperteza e falta de escrúpulos de seu mentor.

Mas podemos olhar a aprovação de Lula e a vitória de Dilma de outra premissa, reconhecendo que o povo é perfeitamente capaz de fazer julgamentos racionais. Em outras palavras, procurando entender o que quer dizer um presidente que termina um governo tão longo com tamanha popularidade.

O Lula de antigamente virou o Lula deste fim de 2010 em função de duas comparações e como resultado de uma aposta bem sucedida. Ele foi melhor como presidente que todos que a população conheceu e superou a expectativa que as pessoas tinham do que seria. E fez com que aqueles que votaram nele achassem que acertaram quando confiaram em alguém como ele, apesar de tudo que tinham ouvido (e continuaram a ouvir) em contrário.

É claro que foi por isso que Dilma ganhou e que vai começar a governar com a torcida quase unânime da população. A esperança de que ela será uma presidente tão boa ou melhor que Lula é mais uma prova da admiração que o povo tem pelo trabalho feito nos últimos anos, no qual ela foi peça fundamental.

Tomara que estejamos (quase) todos certos!

COMBATE À FOME É A PEDRA FUNDAMENTAL DO GOVERNO LULA

DE LULA PARA DILMA
Combate à fome é a pedra fundamental
Investimentos na área social, que têm seu ápice com o sucesso do Bolsa Família, fortaleceram a popularidade de Lula, a ponto de o presidente conseguir "criar" sua sucessora
Alana Rizzo
Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 29/4/10
Casal usa jegue para transportar água, no interior do Piauí: erradicação da miséria ainda não é realidade no país
O sucesso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está essencialmente ligado às transformações sociais. Durante os oito anos à frente do poder, Lula conseguiu — de fato — imprimir a marca da gestão social mais eficiente e alterar a rota de investimentos. As mudanças são reconhecidas por aliados e adversários. O carro-chefe desse novo modelo é o programa Bolsa Família, criado no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), mas popularizado por Lula.

“Imagina quanto tempo iria demorar para garantir o acesso das famílias à alimentação? Ou a gente iria continuar distribuindo cestas básicas no Brasil?”, questiona a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Márcia Lopes, rebatendo as críticas que tacham a política de transferência de renda de assistencialista. A segurança alimentar tornou-se prioridade no governo.

O “prato de arroz e feijão” para todos os brasileiros foi perseguido pela equipe social desde 2003. Inicialmente, com o programa Fome Zero. Em seguida, com a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em 2004, que integrou as políticas de assistência social e de segurança alimentar ao Bolsa Família. Atualmente, 12 milhões de famílias recebem o benefício. A depender da renda familiar por pessoa (limitada a R$ 140), do número e da idade dos filhos, o valor do benefício recebido pode variar entre R$ 22 a R$ 200.

O Bolsa Família define como condicionantes para o repasse da verba a frequência escolar, o acompanhamento da saúde e a erradicação do trabalho infantil. Apesar do impacto positivo nessas áreas, ainda é preciso garantir o acompanhamento dessas diretrizes. “A transferência de renda é reconhecida mundialmente como uma estratégia eficaz, que altera o patamar de inclusão dessas famílias”, diz Márcia Lopes

A ministra acrescenta que o programa conseguiu alavancar a renda e contribuir para movimentar a economia em áreas carentes. “Houve uma mudança de cultura em relação à assistência social, o que não se via há 30 anos. Neste governo, tivemos absoluta autonomia e autoridade técnica para pensar e implementar políticas, além de expandir os recursos. Saímos de um orçamento de R$ 6 bilhões para R$ 40 bilhões. Isso é uma clara opção de prioridade.”

Apesar do sucesso do programa — que também multiplicou os votos recebidos pela candidata indicada pelo presidente Lula na sucessão presidencial —, o Bolsa Família, na visão de alguns especialistas, precisa ser alvo de constante reflexão e modernização. Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João Paulo de Almeida, “o instrumento mais importante (na área social) é a garantia do emprego”. Em artigo publicado no livro Os anos Lula, o especialista defende que o Bolsa Família deve ter função estritamente complementar no atendimento a pessoas que, por qualquer motivo, não são “empregáveis”.

Almeida, que também é pesquisador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento, ligado ao Conselho Regional de Economia do Rio, argumenta que o sucesso de uma administração preocupada com problemas sociais não deve ser medido pelo aumento dos beneficiários, “mas pela queda desse número”.

No entanto, ele reconhece que a amplitude e a importância dos resultados obtidos na área social na era Lula são inegáveis. “Medidas como o Bolsa Família deverão não só ser mantidas, como eventualmente ampliadas. A restrição a ser feita é que as medidas sociais adotadas poderiam ter sido ainda mais amplas no contexto de uma estratégia econômica que proporcionasse crescimento acelerado à economia brasileira.” Críticas à parte, o Bolsa Família será uma das principais ferramentas do governo de Dilma Rousseff para continuar a busca por uma meta do Estado: erradicar a pobreza extrema no país.

VIVA AS MARAVILHOSAS MULHERES BRASILEIRAS !

Transição
Mulheres engajadas na posse
Com a mobilização de movimentos sociais, promessa é de grande percentual feminino na festa da primeira presidente
Leandro Kleber
Especial para o Correio
Fotos: Leonardo Arruda/Esp. CB/D.A Press
A família da funcionária pública Patrícia Lima promete vir completa no dia da posse: com direito a skate
“Será um momento histórico. A Dilma será a primeira mulher da história do país a assumir a Presidência. Eu não podia deixar de vir a Brasília e participar.” A frase é da estudante paranaense do ensino médio Kamilla Kristina, de 15 anos. Ela saiu de Foz do Iguaçu e veio a Brasília, sozinha, para prestigiar o evento. O sentimento é compartilhado por outras mulheres, que também veem a posse de Dilma Rousseff, em 1º de janeiro, como um momento especial. “Pela primeira vez sairemos do contexto político em que só homens chefiavam o país”, comemora a professora Marli Coelho, 68 anos.

A chuva pode atrapalhar os planos. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais diz que a probabilidade de ocorrerem tormentas é de 90%. “Com tempo ruim ou não, calculamos que 20 mil pessoas estarão lá para ver a passagem da faixa presidencial. Essa é a expectativa. Difícil é saber se as mulheres serão maioria. Mas, pelo que tenho visto, há forte mobilização da secretaria nacional de mulheres do PT e virão várias caravanas de movimentos feministas”, avalia Jorge Coelho, secretário nacional de mobilização do PT. “Acho, inclusive, que não será qualquer chuva que fará a presidente eleita desistir de discursar ao povo no parlatório”, complementa.

“Eu vim para ver a Dilma e o Lula. Gosto dos dois e adoro política. Se votasse, seria nela com certeza. Gosto do jeito que ela comanda e como é exigente. Se não chover, a Esplanada vai estar cheia”, aposta Kamilla Kristina, hospedada na casa de amigos de familiares.

No dia da posse, seis tendas do PT estarão montadas para dar apoio à população. Serão distribuídos lenços comemorativos e água, item essencial para a funcionária pública Patrícia Lima, 40 anos, que pretende levar os quatro filhos à Esplanada. “Minha sobrinha que mora em Londres e está aqui em Brasília também quer ir. A ideia é levarmos bicicletas e patins para as crianças se divertirem”, conta. A expectativa da família é de que a primeira presidenta do país faça um bom governo.

Sucesso
A baiana Alda Maria, 42 anos e há 20 morando na capital, também acredita que Dilma será uma boa gestora. Ela diz que terá uma missão “sob encomenda” no dia da posse. “Vou ter que tirar uma foto da presidente para mandar aos familiares na Bahia. Minha irmã estava aqui na posse do Lula em 2003 e fotografou de pertinho o presidente. As fotos foram mandadas para nossa cidadezinha e fizeram sucesso por lá. Agora, minha obrigação é tirar uma foto da presidente eleita para prosseguir com o ritual”, diz.

Do estado do presidente Lula, a costureira pernambucana Ivone Marques do Vale, 52 anos, também veio a Brasília, pela primeira vez, visitar a filha. Ela planejou desde que saiu de Pernambuco ir à posse da presidente Dilma com a filha mais nova e o sogro. “Por ela ser mulher, o momento é especial. Não perderemos a posse de jeito nenhum. Votamos nela e a expectativa é a melhor possível”, conta.


Kamura escalado

Diego Abreu

Dilma Rousseff vai estar acompanhada no dia 1º, ao longo de todos os passos da posse, do cabeleireiro Celso Kamura. Ele é o responsável pelo visual que a petista ganhou em maio, no período de pré-campanha, quando ela surpreendeu ao aparecer com cabelos mais curtos e num tom avermelhado. Procurado, o governo de transição confirmou que Kamura estará ao lado de Dilma no sábado, para fazer os retoques necessários.

A assessoria do cabeleireiro informou que ele vai passar o ano-novo em Brasília, mas não soube detalhar se Kamura vai fazer o cabelo e maquiagem da sucessora do presidente Lula para a noite de réveillon. Responsável por mudar o visual de diversos políticos, como as senadoras petistas Ideli Salvatti e Fátima Cleide, o cabeleireiro ganhou a confiança de Dilma e deverá atender com frequência a futura presidente durante sua gestão à frente do Palácio do Planalto.