O objetivo do APOSENTADO INVOCADO é lutar contra a imprensa corrupta, golpista , ultra racista e ladra brasileira.
Essa instituição que escolheu ser um partido político e de oposição ao povo brasileiro.
Depois de renunciar ao mandato de senador para fugir da cassação e de ter sido proibido pela Lei do Ficha Limpa de disputar as eleições para governador de Brasília, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) aproveitou a solenidade de homenagem pelos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para reaparecer publicamente.
Mas, como se vê na foto ao lado, Roriz não resistiu por muito tempo…
PF vai abrir inquérito para apurar violação de e-mails de Dilma VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O governo decidiu acionar a Polícia Federal para investigar e localizar o hacker que invadiu o correio eletrônico pessoal da presidente Dilma Rousseff. A ordem foi repassada ao Ministério da Justiça, responsável pela PF, que já estava reunida hoje à tarde para traçar a estratégia da investigação.
Por meio de nota, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que determinou a abertura de inquérito pela PF para apurar o caso, revelado pela Folha.
Segundo a reportagem, um hacker copiou e-mails que ela recebeu durante sua vitoriosa campanha à Presidência da República, no ano passado. O rapaz tentou vender os arquivos a políticos de dois partidos de oposição, o DEM e o PSDB, mas disse que não teve sucesso.
A Folha encontrou-se com o hacker na segunda-feira (27), num shopping de Taguatinga (DF), a 20 km de Brasília. Ele não quis se identificar. Disse que se chama "Douglas", está desempregado, mora na cidade e tem 21 anos.
Na semana passada, uma onda de ataques de hackers teve como alvo sites de órgãos do governo federal. Segundo balanço divulgado pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) na terça-feira (28), vinte portais do governo e 200 sites municipais, principalmente de prefeituras, foram atacados.
O mais crítico, segundo afirmou o diretor-presidente da empresa, Marcos Mazoni, foi o ataque ao site da Presidência da República, ocorrido na madrugada de quarta-feira (22).
No dia seguinte ao ataque, o grupo de hackers LulzSecBrazil, responsável pela maioria das ações, postou em sua conta no Twitter um link para um arquivo com supostos dados pessoais de Dilma, como números do CPF e do PIS, data de nascimento, telefones e signos.
"Douglas" afirma que não integra o grupo que realizou estes ataques.
O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso voltou a afirmar nesta quinta-feira que assinou o decreto que cria o sigilo eterno em relação a determinados documentos produzidos pelo governo sem saber do que se tratava.
Adriano Vizoni - 18.mar.2011/Folhapress
Fernando Henrique diz que assinou sem ler decreto de sigilo
"Fiz sem tomar conhecimento. Foi no último dia do mandato, tinha uma pilha de documentos e eu só vi dois anos depois. O que é isso? Mandei reconstituir para saber o que era", afirmou FHC ao chegar ao gabinete do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
O fim do sigilo eterno está em discussão no Senado. Inicialmente apoiado pela presidente Dilma Rousseff, o projeto sofre resistências dos ex-presidentes Sarney e Fernando Collor. Dilma recuou, mas depois voltou atrás e agora volta a trabalhar pela aprovação do projeto.
Segundo FHC, a presidente hoje já tem o poder de acabar com o sigilo eterno.
O tucano, que acaba de completar 80 anos, será homenageado hoje no Senado. Um auditório da casa foi todo decorado com painéis que classificam FHC de "estadista do novo Brasil".
Noite de 21 de abril de 1960. Em pleno Planalto Central – onde três anos e dez meses antes só havia seriemas e arbustos retorcidos – sapatos altos sujos de terra vermelha e cartolas circulam no baile de inauguração de Brasília. Ministros, senadores, deputados federais, funcionários públicos e chefes de Estado de diversos países conferem as instalações da nova capital. Emocionado, o presidente Juscelino Kubitschek realiza o sonho de transferir a sede do poder para o interior do Brasil. Cumpre o que determina a Constituição Federal desde 1891. Uma polêmica que dividiu o Brasil
entre "mudancistas" e "antimudancistas". O Observatório da Imprensa exibido na terça-feira (20/4) pela TV Brasil relembrou a guerra travada na imprensa durante a construção de Brasília.
Para contar esse episódio, o Observatório gravou uma série de entrevistas em Brasília e no Rio de Janeiro: Ronaldo Costa Couto, historiador e escritor; Claudio Bojunga, jornalista e biógrafo de JK; Villas-Boas Corrêa, colunista político; Tereza Cruvinel , jornalista, apaixonada pela história da transferência da capital; Eliane Cantanhêde, jornalista da Folha de S.Paulo; Carlos Chagas, jornalista do SBT; Raimundo Nonato, responsável pela primeira publicação de Brasília; e Maria Elisa Costa, arquiteta e filha do urbanista Lúcio Costa, responsável pelo projeto do Plano Piloto.
Em editorial [ver íntegra abaixo], Alberto Dines comentou que a transferência "continha a matéria-prima necessária para produzir vibração e destravar o espírito de mutirão, adormecido desde a entrada do país na Segunda Guerra Mundial". Dines explicou que a mudança "é filha de muitas razões", entre elas a necessidade de aliviar a pressão das ruas do Rio de Janeiro acionada pelos jornais de oposição. "Aquela cidade em forma de ave ou avião, suspensa em cima de arrojados pilotis, despertou nos brasileiros a vontade de sonhar, levantar voo, criar."
Primeiros passos
Ronaldo Costa Couto explicou que a mudança da capital entrou em pauta no início de 1955, durante a campanha presidencial de JK, em um comício na pequena cidade de Jataí, em Goiás. "Ele fez algo que nunca tinha feito em toda a sua trajetória política: pediu aos presentes que fizessem perguntas, que ele gostaria de debater. Fez-se aquele silêncio e, de repente, um rapaz franzino, magro, emocionadíssimo, com a voz quase se recusando a sair, pergunta: `Se o senhor eleito for, cumprirá o que manda a Constituição, transferindo a capital para o Planalto Central?´. O Juscelino hesitou por alguns segundos e então respondeu: `Se a Constituição determina, eu o farei´", contou.
O historiador acredita que JK "induziu" a pergunta para que a cobrança partisse do povo. "Veja que coisa inteligente. O povo perguntou: `Tem esse comando na Constituição, o senhor não vai cumprir?´ O que ele responde? `Eu vou cumprir´. Qual poderia ser, por exemplo, a reação das forças armadas? Elas são guardiãs da Constituição, elas não puderam fazer nada. Ele estava atendendo a uma cobrança popular", avaliou. Para Ronaldo Costa Couto, JK foi um "autêntico democrata". Observava atentamente a relação entre liberdade de imprensa e democracia. "Democracia era um valor superior para ele", destacou.
Um dos motivos que levaram JK a lutar pela transferência da capital foi a pressão que a população do Rio de Janeiro exercia sobre os Três Poderes. "Juscelino acompanhou muito de perto a crise que levou ao suicídio de [Getúlio] Vargas, em 24 de agosto de 1954. E observou muito como o poder funcionava no Rio. Então, por exemplo, uma greve de estudantes por causa do aumento da passagem de bonde, acuava a presidência da República", disse. Dines comentou que uma manchete do Correio da Manhã, do Diário de Notícias ou da Tribuna da Imprensa levava o povo para a porta do Palácio do Catete, sede da Presidência da República. JK sentia-se acuado.
Poder pressionado
"JK também nota que qualquer entrevista mais agressiva de líder militar colocava o governo em xeque, colocava a República em polvorosa. Por tudo isso, o Juscelino meteu na cabeça que tinha que tirar a capital do Rio de Janeiro. Não era só a questão de vir para o interior brasileiro. Era também sair do Rio de Janeiro por uma questão de sobrevivência. Ele achava que no Rio de Janeiro não havia condições de governabilidade", disse Ronaldo Costa Couto.
A Câmara e o Senado também sentem a pressão das ruas no Rio de Janeiro. Villas-Boas Corrêa relembrou que as sessões do Congresso repercutiam na cidade. "A Câmara vivia apinhada. No dia dos grandes debates, a galeria enchia. Não era gente que ia lá quebrar móveis ou fazer reivindicações. Era gente que assistia ao espetáculo dos debates parlamentares."
Villas enfatizou que o jogo político acontecia no Congresso. Contou que todos os jornais publicavam seções fixas sobre as atividades da Câmara e do Senado. "O Heráclito Salles, que foi o maior repórter parlamentar de todos os tempos, um escritor fabuloso, ocupava a última página do Correio da Manhã com uma matéria sobre a sessão da Câmara. E havia os repórteres políticos, que ficavam livremente andando pelas ruas, pelos partidos", lembrou.
A imprensa entra em ação
Dines perguntou a Ronaldo Costa Couto sobre a primeira reação da imprensa ao projeto de Juscelino Kubitschek de mudança da capital. "A maior parte da imprensa não via com bons olhos a transferência da capital, nem a grande imprensa paulista, nem a grande imprensa carioca. Ele não tinha a imprensa espontaneamente do lado dele, porque no Rio queriam que a corte permanecesse. Era a cidade maravilhosa, com condições de vida excelentes e tinha muito a perder", disse.
Claudio Bojunga avaliou que no Rio de Janeiro a resposta foi muito ambígua. "Eu diria que grande parte da cidade se sentiu esbulhada: `levaram o nosso cetro!´. Em um nível mais profundo, acredito que houve uma corrente que entendeu que aquilo representava o amadurecimento de um projeto antigo." A idéia da transferência logo ganhou um aliado: a Última Hora, de Samuel Wainer. O Diário Carioca também apoiou a mudança e foi o primeiro jornal a instalar uma sucursal em Brasília. A revista Manchete evoluiu junto com a capital e dedicou diversas edições à construção da cidade, mas ainda não tinha expressão nacional.
O presidente sabia que precisava conquistar a simpatia da grande revista ilustrada do período: O Cruzeiro, dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. "O Chatô tinha uma certa má vontade com o Brasil e era o rei da imprensa na época, chefe dos Associados. Juscelino convenceu o Chatô a ser embaixador em Londres. A verdade é que o Chatô foi se aproximando da idéia de Brasília, foi compreendendo a importância daquele projeto que é algo que não se mede pelo cálculo econômico. É uma coisa de estadista, uma decisão estratégica e maior. Ele quase não ficou na embaixada, mas evidentemente que isso contribuiu para atrair a simpatia do líder dos Associados para Juscelino", explicou Bojunga.
JK monta sua estratégia
Em 1957 foi lançada a primeira publicação brasiliense, a Revista de Brasília. A Novacap – companhia criada para executar o projeto de edificação da cidade – precisava de um boletim informativo para abastecer a opinião pública nacional e internacional sobre o andamento das obras. O criador da revista, Raimundo Nonato, contou que a curiosidade em relação à transferência era grande e não havia como esclarecer a opinião pública sem um veículo destinado exclusivamente a Brasília.
"A imprensa estava praticamente toda contra. Então, eu idealizei uma revista, a princípio simples, pobrezinha, na qual se configurasse a marcha da construção de Brasília. Mas o doutor Israel Pinheiro, diretor da Novacap, não admitia polêmica, não admitia atrito", lembrou. A revista não podia ser usada para responder às críticas que eram feitas à transferência. Enquanto Israel Pinheiro evitava polemizar, Lúcio Costa não deixava as críticas sem resposta. Maria Elisa Costa lembrou que seu pai lia os jornais diariamente e respondia a todas as críticas por meio de cartas.
A mudança encontrou forte resistência no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Jornal do Brasil declarou-se contra Brasília. Via em JK o responsável pela corrupção nas obras e atacava a política econômica do presidente. Outro jornal que fazia oposição sistemática e criticava a mudança da capital era O Globo. Já o Correio da Manhã acreditava que o Rio de Janeiro seria esvaziado politicamente com a perda do Distrito Federal.
Os piores adversários
Raimundo Nonato acrescentou que Diário de Notícias era "um pouco rebelde". Outro jornal contrário à transferência foi O Estado de S.Paulo. Entre todas as vozes contra Brasília, duas se destacavam: o jornalista e político Carlos Lacerda, dono da Tribuna da Imprensa, e Gustavo Corção, articulista católico de ultra-direita, do Diário de Notícias. "O Carlos Lacerda fazia oposição não só partidária, era fanático, fundamentalista. Havia colunas em que ele escrevia `o cafajeste máximo´ [sobre JK]", contou Claudio Bojunga.
"O Corção era um daqueles furibundos jornalistas e líderes católicos. Criticava Brasília todo dia, durante anos. E uma das críticas dele era que o lago de Brasília jamais encheria. Podia colocar água de rio, riacho, ribeirão que o lago não ia encher porque a terra daqui era tão desértica, tão porosa que ia chupar a água toda. Então, na véspera da inauguração de Brasília, quando o lago chegou à cota 1000, o Juscelino passou um telegrama para o Corção de duas palavras: `Encheu. Viu?´", contou Carlos Chagas.
JK monta uma estratégia para conseguir o apoio da imprensa e suavizar parte das críticas. "Juscelino chamou os empreiteiros e disse: `Vocês vão ganhar muito dinheiro, muito dinheiro mesmo. Agora, eu quero uma coisa. Com esse dinheiro absurdo que vocês vão ganhar, eu quero que vocês dediquem uma pequena parte, ou grande, eu não sei, a fazer publicidade. Vocês vão ter que botar páginas e páginas anunciando Brasília, falando de Brasília, mostrando Brasília´. E assim fizeram os empreiteiros", disse Chagas. Desta forma, JK conseguiu fazer os proprietários de jornais olharem Brasília sob um novo ângulo.
JK reverte o quadro
"Tem algumas coisas fantásticas durante o governo JK que foram de uma habilidade assustadora. Por exemplo, o Juscelino transformou Brasília em uma passarela. Brasília em construção. Trouxe aqui a rainha da Inglaterra, o príncipe do Japão. Vieram aqui todos os grandes escritores; trouxe grandes figuras mundiais – [Andre] Malraux, por exemplo, que era ministro da Cultura da França, e que chamou Brasília de `A Capital da Esperança´. Nesses desfiles todos a imprensa ia junto, repercutindo dentro e fora do país", disse Ronaldo Costa Couto.
Apesar de ter procurado aproximar-se de intelectuais em toda a sua trajetória política, JK sofreu duras críticas. "Ele levou muita pedrada. As pedras mais fortes talvez tenham sido atiradas no começo pelo Gilberto Freyre, que era ligado à UDN [União Democrática Nacional]. `Onde já se viu cidade onde as construções não têm corrimão?´Desde brincadeiras como essas até cobrar que tinha que ser mais compatível com as tradições brasileiras, que vinham da arquitetura colonial", disse. Costa Couto explicou que a primeira leitura dos intelectuais era simplista. Criticavam a criação de "uma cidade no meio do nada, trocando o Rio pelo sertão". À medida em que os debates foram se aprofundando, perceberam que era a descoberta do Brasil profundo.
Eliane Cantanhêde disse que ao estudar a instalação das sucursais dos jornais na nova capital descobriu que os grandes nomes da cobertura política "levaram furo coletivo" há 50 anos: "Eles vieram cobrir a inauguração de Brasília, então eles pegaram sua malinha e vieram cobrir um evento. Chegaram aqui e foram ficando, foram ficando, e um belo dia descobriram: `Não é um evento, é uma capital que vai virar capital mesmo´. Eles não tinham onde morar, a família ficou. Eles foram furados porque não perceberam que não era só um evento, era de fato uma capital que estava se instalando e que hoje tem 50 anos, consolidadíssimos".
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Capital da utopia - a construção
Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 542, exibido em 20/4/2010
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.
Os Anos Dourados produziram Brasília ou foi o contrário – Brasília criou os Anos Dourados? Foram dourados mesmo ou a nostalgia pintou-os de dourado?
O binômio energia-transporte era apenas um plano de metas, mas a transferência da capital para o interior do país continha a matéria-prima necessária para produzir vibração e destravar o espírito de mutirão, adormecido desde a entrada do país na Segunda Guerra Mundial.
A imprensa carioca renovava-se. A cidade do Rio de Janeiro crescia, cada vez mais maravilhosa e também cada vez mais aguerrida: a manchete de um vespertino impresso no centro levava imediatamente multidões às portas do Palácio do Catete ou da Câmara dos Deputados.
Brasília é filha de muitas razões, uma delas, talvez a mais premente, foi a necessidade de aliviar a pressão das ruas. JK conseguiu: para isso usou a sua incrível capacidade de somar atraindo parte da imprensa para o seu projeto. Desta verdadeira distensão nasceu um dos momentos mais férteis da cultura e da arte brasileira.
Aquela cidade em forma de ave ou avião, suspensa em cima de arrojados pilotis, despertou nos brasileiros a vontade de sonhar, levantar vôo, criar. Meio século depois, esta nova série do Observatório da Imprensa traz de volta a vibração que construiu Brasília para compará-la com os frutos que produziu.
Britânicos iniciam greve contra reforma da previdência
Grevistas montam campana na praça Trafalgar Foto: AP
Cerca de 750 mil empregados do setor público estão convocados nesta quinta-feira para uma greve de 24 horas em protesto pelos planos do governo britânico de reformar a previdência. A greve foi convocada por quatro sindicatos diferentes, entre eles professores, funcionários de escritórios, de tribunais, portos, escritórios da Fazenda e empregados do sistema penitenciário.
Os funcionários públicos denunciam que a reforma da previdência os obrigará a "trabalhar e contribuir mais para ganhar menos dinheiro". O Sindicato Nacional de Professores (NUT), a Associação de Mestres e Professores (ATL), o Sindicato Universitário e o Sindicato do Serviço Público convocaram esta medida, que forçará o fechamento de várias escolas no Reino Unido. Ao mesmo tempo, haverá várias manifestações em diferentes cidades do país, enquanto em Londres há um protesto convocado para as 9h15 (horário de Brasília) diante da sede do Parlamento de Westminster. Também estão previstos atrasos nos postos de imigração dos aeroportos, já que muitos empregados deste setor apoiam a manifestação.
A greve responde ao plano do governo de elevar a idade de aposentadoria, de modo que os funcionários não poderão começar a cobrar sua previdência aos 60 anos. Além disso, a proposta prevê que a quantia a ser recebida durante a aposentadoria passará a ser calculada pela média do salário percebido durante toda a vida trabalhista, em vez da última remuneração.
Apesar das críticas, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, ressaltou na quarta-feira no Parlamento que são reformas "justas para os contribuintes e também para o setor público".
Eventos como a Copa de 2014 vão exigir melhor preparo profissional dos brasileiros. Estudo mostra que o Mundial vai gerar 3,6 milhões de empregos, principalmente na hotelaria. Mas fique atento à qualificação.
Mercado promissor
Expansão do setor hoteleiro, visando a Copa de 2014, aumenta ofertas de emprego. Entretanto, cenário exigente dá preferência a trabalhadores que buscam qualificação profissional
João Paulo Resende
Especial para o Correio
Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
A GOVERNANTA MADALENA RAMOS (c)
e o barman Silas de Almeida (e) defendem a importância de sempre buscar novos conceitos
O Aeroporto Internacional de Brasília recebe, em média, 14 milhões de passageiros todos os anos. A expectativa do Governo do Distrito Federal é de que, até dezembro de 2013 — apenas seis meses antes da Copa de 2014 —, esse número salte para 24 milhões. Com a chegada de tantos novos turistas à capital federal, o segmento hoteleiro já se prepara para acomodar bem essas pessoas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Brasília (ABIH-DF), o setor já necessita de profissionais qualificados para atender à crescente demanda.
Atualmente, existem 5 mil novos quartos de hotel em construção na cidade, com entrega prevista para os próximos meses. Há, ainda, a expectativa de que sejam construídos 16 novos hotéis em uma área próxima ao Estádio Nacional — antigo Mané Garrincha. E os empresários dispostos a investir no segmento devem contar com uma ajuda extra do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o superintendente da Área de Inclusão Social do órgão, Ricardo Ramos, a linha de crédito destinada a recursos de construção e reforma de hotéis para a Copa de 2014 deve dobrar para R$ 2 bilhões.
“Todos os anos, há aumento na oferta de leitos. Mas é preciso ter cuidado e investir com responsabilidade. Não adianta construir diversos novos empreendimentos e ter prejuízos no pós-Copa. Novos empregos estão sendo gerados e precisam durar depois da competição. O crescimento, da forma como vemos hoje, já é suficiente para atender à demanda dos jogos”, opina Plínio Mendes, vice-presidente da ABIH-DF.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) exige que todas as cidades-sede da Copa tenham, no mínimo, 36 mil leitos de hotel. Hoje, Brasília já conta com cerca de 25 mil. “É fundamental que os hotéis invistam em modernização e alguns já estão fazendo isso. Temos uma carência muito grande de mão de obra qualificada. As grandes bandeiras devem fazer novas contratações e investir em cursos para seus funcionários”, ressalta Mendes.
Sobram vagas
Faltam profissionais qualificados no setor de hotelaria. No Distrito Federal, a escassez de trabalhadores é tanta que algumas empresas chegam a trazer funcionários de outros estados para atuar na capital. Frequentar salas de aula exige paciência e dedicação dos alunos. Mas os números são compensadores: o salário de quem tem educação profissional é 13% maior do que o rendimento daqueles que não tiveram a mesma preparação.
A governanta e instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) Madalena Ramos lida cotidianamente com análise curricular e afirma que muitas vezes o hotel onde ela trabalha tem dificuldades para achar profissionais bem preparados.
“Inúmeros colegas de outros hotéis me pedem indicações de funcionários, mas nem sempre temos quem indicar. A hotelaria é um excelente ramo para trabalhar, os salários são bons e há muitas áreas de atuação. Para ingressar no setor, basta ser dedicado e nunca cansar de aprender novos conceitos”, ensina Madalena.
As principais exigências feitas aos profissionais de hotelaria que atuarão na Copa de 2014 são domínio de mais de um idioma e facilidade de lidar com públicos e culturas diferentes. Os salários, em média, começam com R$ 800 e podem superar os R$ 15 mil, dependendo da área de atuação.
O barman Silas de Almeida, que está no ramo há 37 anos, faz um alerta aos marinheiros de primeira viagem: todo o esforço é válido. “Não há mais espaço no mercado para os profissionais que acham que sabem tudo. É preciso se reciclar constantemente, independentemente do seu tempo de mercado.”
A todo vapor
As construtoras estão de olho em Brasília. A Odebrecht Realizações Imobiliárias, por exemplo, investiu cerca de R$ 100 milhões em um empreendimento de luxo localizado às margens do Lago Paranoá. A obra deve ser concluída em 2013 e contará com 750 novos apartamentos. A João Fortes Engenharia lançou, no ano passado, três prédios de flats na cidade que contabilizam 928 unidades. Bom para quem investiu em qualificação e já colhe os frutos no mercado de trabalho.
A professora de ballet Ana Eudes, 50 anos, viu na hotelaria a oportunidade de garantir uma renda melhor. Como já tinha noções básicas de inglês, a atleta procurou o Senac e ingressou no curso de recepcionista de hotel. Dois meses e meio depois de iniciar as atividades, ela já estava formada e com entrevista marcada em uma grande rede de hotéis. “Foi só concluir o curso que já havia empresas interessadas nos meus serviços. O mercado está carente de profissionais. Percebi que aqueles que se dedicam e demonstram que têm facilidade de lidar com o público logo conseguem um emprego. Eu fiz e recomendo”, afirma.
Fique ligado
Veja os principais setores de um hotel e avalie onde você tem potencial para trabalhar
Cargo - Principal função
Barman - Preparo de drinks oferecidos no cardápio
Camareira - Organização e limpeza dos quartos
Chefe de cozinha - Supervisão do preparo dos alimentos oferecidos
Cozinheiro - preparo dos pratos oferecidos no menu
Encarregado de reservas - Recebe e processa as reservas feitas pelos hóspedes
Gerente geral - Controla as atividades de todos os setores
Governanta - Coordena as tarefas organizacionais do hotel
Mensageiro - Responde pelo primeiro contato com os hóspedes.
Deve dar assistência aos turistas e apresentar a eles o hotel
Recepcionista Recebe os clientes na entrada e saída do hotel.
É responsável por abrir e fechar as contas dos hóspedes
Segurança - Controla a entrada e saída do hotel, de maneira a oferecer segurança aos hóspedes
Serviços gerais - Limpeza e organização de toda a área
Telefonista - Lida com a comunicação interna e externa do hotel
Governo lança hoje Plano de Banda Larga Velocidade de conexão será de 1 Mbps e custará R$ 29,80 nos Estados com isenção de ICMS e R$ 35 nos sem isenção
Oi, Telefônica, CTBC e Sercomtel já aderiram ao programa e farão ofertas comerciais dentro de um mês
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) lança hoje o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Quatro concessionárias (Oi, Telefônica, CTBC e Sercomtel) já aderiram ao programa federal e começarão a fazer ofertas comerciais dentro de um mês.
A velocidade de conexão ofertada deverá ser 1 Mbps (megabit por segundo). O preço será R$ 29,80 nos Estados que concederem isenção de ICMS e R$ 35 onde não houver a isenção.
Os acertos finais ocorreram no Planalto. A presidente Dilma Rousseff concordou com os pontos apresentados pelo ministro, mas insistiu em que deveria haver "mecanismos de controle" da qualidade do serviço.
Bernardo disse à presidente que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já estava preparando regras para apertar o cerco às teles, principalmente.
Dilma exige que a velocidade de 1 Mbps seja real e não nominal. Hoje as teles se comprometem a entregar no mínimo 10% da velocidade contratada.
Chamado às pressas ao Planalto, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, teve de se comprometer com Dilma de que as teles vão entregar bem mais do que 10%.
Ele disse que até outubro deste ano estará em vigor um novo regulamento de qualidade dos serviços que também contemplará a internet.
NOVAS METAS
Até o fechamento desta edição, as quatro concessionárias ainda estavam reunidas com o ministro definindo os últimos detalhes do PNBL.
Mas a Folha apurou que, até 2014, elas terão de levar acessos fixos ou móveis a 70% dos municípios brasileiros -hoje, somente 27%.
Operadoras fixas que possuem operadoras móveis (Oi e Telefônica) poderão vender conexões de 1 Mbps pela rede móvel nos locais onde não têm infraestrutura fixa.
Operadoras móveis como Claro e TIM estão negociando com o governo. Ainda segundo a Folha apurou, a TIM está perto de fechar um acordo.
Em um primeiro momento, as teles que aderirem ao PNBL poderão vender pacotes combinados de telefonia e internet. Contudo, a isenção de imposto só poderá incidir sobre a banda larga.
A Oi venderá o combo (telefone e internet) cobrando R$ 35 pela internet (sem isenção) ou R$ 29,80 (com isenção) mais R$ 30 (sem isenção) para também entregar telefone fixo.
As operadoras estarão livres para ofertar também TV paga assim que a Anatel liberar definitivamente as licenças de TV a cabo.
Nos locais onde as operadoras não levarem acessos de internet ao consumidor, elas serão obrigadas a alugar a capacidade de suas centrais para terceiros, principalmente pequenos provedores, a preços de referência.
Colaborou JULIO WIZIACK, de São Paulo O PLANO DE BANDA LARGA EM NÚMEROS
Em reunião do PSDB, Serra apresenta carta em que critica governo Antes de ser divulgado, documento terá que ser submetido à aprovação de Aécio BRENO COSTA
DE BRASÍLIA
O ex-governador de São Paulo José Serra apresentou ontem ao Conselho Político do PSDB uma carta com duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. Em tom acima do que vem sendo adotado por tucanos, ainda não foi aprovada.
O empecilho à divulgação do texto foi a ausência, por motivo de saúde, de seu principal rival no partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Por sugestão do presidente da legenda, Sérgio Guerra (PE), passará pelo mineiro antes de ser divulgado.
A Folha apurou que o governo Dilma chega a ser classificado no documento de "incompetente" e "autoritário". Segundo Serra, a carta, que terá a assinatura do Conselho Político, será divulgada amanhã após ajustes.
Realizada ontem na sede do PSDB, em Brasília, foi a primeira reunião do Conselho Político. É formado por Serra, que o preside, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perillo (GO), Guerra e Aécio -único ausente.
Segundo um dos presentes à reunião, o esboço da carta foi aprovado. Diz Guerra que o documento não tem o objetivo de criar barulho.
FHC, que vem mantendo relação cordial com Dilma, evitou comentar. Questionado ao lado de Serra se a hora era de ser mais duro com ela, disse: "Eu sigo o Serra." Depois, após a insistência de repórteres, brincou: "Vocês querem que eu fale mal da minha presidente?".
"O governo não tem um rumo claro ainda", disse Serra, também evitando entrar em detalhes sobre o tom do documento. "É uma análise, não é um manifesto."
Jornalismo on-line é tema de congresso que começa hoje
DE SÃO PAULO - O jornalismo on-line será o foco do 6º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que começa hoje na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. O evento, promovido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), vai até sábado.
Inscrições podem ser feitas no local, destinado a estudantes e profissionais da área.
Os mais de cem palestrantes vão tratar de temas como a migração do jornalismo para novas mídias, a cobertura de conflitos armados e a investigação de gastos públicos.
Entre os profissionais da Folha presentes ao evento estão Renata Lo Prete e Vinícius Mota, que darão palestras amanhã, e o colunista Josias de Souza, que fará apresentação no sábado.
Às 11h de amanhã, o jornalista Rosental Calmon Alves, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, será homenageado em sessão solene. O projeto foi criado para incentivar as boas práticas de reportagem nas Américas.
BRASÍLIA - À perplexidade inicial com o anúncio de que o BNDES está despejando quase R$ 4 bi para o Pão de Açúcar comprar o Carrefour seguiu-se a expectativa de que logo haveria explicações. Em vão.
Quais os argumentos do Planalto, do BNDES e do empresário mui amigo Abílio Diniz para uma operação tão bilionária quanto estranha? Dizer que é para pôr produtos brasileiros em gôndolas internacionais é muito pouco. E nada mais foi explicado, muito menos justificado.
É legítimo que quem paga a conta -nós, contribuintes e consumidores, e eles, que trabalham nos dois supermercados- estejamos com a pulga atrás da orelha.
Começa com a definição do BNDES, banco de "desenvolvimento econômico e social" que deve investir na produção, na infraestrutura, na geração de empregos. Mas na fusão de supermercados?
Segue com os riscos de monopólio, o novo gigante dominando 32% do varejo supermercadista. Riscos para: fornecedores, que perdem margem de barganha; empregados, ameaçados de demissão; e consumidores, à mercê dos interesses e preços de um mercado praticamente sem competição.
Alguém aí acha que um proprietário vai manter dois supermercados um ao lado do outro? Que vai somar todos os atuais empregados? E que vai nivelar por baixo o preço de legumes, frutas, arroz, feijão, enlatados, produtos de higiene e limpeza e eletrodomésticos?
Sem falar nas questões jurídicas, pois a rede Casino, francesa, já contratou advogado brasileiro pronto para questionar a operação. O Brasil é acusado de não respeitar tratado bilateral com a Itália no caso Battisti e agora usa o BNDES para um negócio mal explicado que, aparentemente, rompe contratos. Bom para a imagem do país não é.
Que o beneficiário Diniz, o banco de fomento e o Planalto, que deu sinal verde para o negócio, venham a público não só explicar, mas também convencer. Se possível.
Hacker violou mensagens de Dilma na campanha de 2010
Rapaz de Brasília invadiu computador da então candidata e copiou e-mails
Arquivos com cópias de centenas de e-mails foram oferecidos a partidos de oposição em troca de dinheiro
MATHEUS LEITÃO
RUBENS VALENTE DE BRASÍLIA
Um hacker invadiu o correio eletrônico pessoal da presidente Dilma Rousseff e copiou e-mails que ela recebeu durante sua vitoriosa campanha à Presidência da República, no ano passado.
O rapaz tentou vender os arquivos a políticos de dois partidos de oposição, o DEM e o PSDB, mas disse que não teve sucesso.
A Folha encontrou-se com o hacker segunda-feira, num shopping de Taguatinga (DF), a 20 km de Brasília. Ele não quis se identificar. Disse que se chama "Douglas", está desempregado, mora na cidade e tem 21 anos.
Ele afirmou que fez um ataque ao computador pessoal da então candidata em duas etapas e copiou cerca de 600 mensagens da sua caixa de entrada. Um dos e-mails que Dilma usava na época era do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.
Ele disse que primeiro invadiu o site do diretório nacional do PT na internet e se aproveitou de uma vulnerabilidade da página para copiar e-mails pessoais de petistas e outros dados.
Depois, "Douglas" disse que despejou no computador de Dilma um programa capaz de armazenar tudo o que ela digitasse em sua máquina.
O hacker disse que decidiu vender as informações por estar "preocupado" com o nascimento do primeiro filho, previsto para breve.
"Douglas" também pediu dinheiro à Folha em troca das mensagens. A Folha não paga pelas informações que publica e recusou a proposta.
O rapaz foi com os repórteres a uma lan-house onde mostrou, de relance, o conteúdo de 30 e-mails armazenados num disco rígido externo. Ele não permitiu que a Folha fotografasse ou copiasse as mensagens.
A amostra que ele exibiu continha resultados de exames de saúde que Dilma teria feito em Porto Alegre (RS), instruções para a campanha eleitoral do segundo turno e uma agenda telefônica com dados de parentes e assessores da presidente.
O pacote também incluía cópia do pedido feito pela Folha para ter acesso a arquivos de Dilma no Superior Tribunal Militar, mantidos em sigilo na época, depoimentos ligados ao escândalo que levou à queda da ex-ministra Erenice Guerra, comentários sobre acusações feitas contra Dilma pela ex-diretora da Receita Federal Lina Vieira, e mensagens de boa sorte na campanha.
A Presidência disse ter dificuldades para confirmar se os e-mails de fato foram extraídos ilegalmente do correio eletrônico de Dilma.
Assessores que acompanhavam a presidente em 2010 foram acionados para tentar localizar as mensagens, mas o grupo não chegou a uma conclusão.
"O que importa é que, verdadeiros ou falsos, esses e-mails são frutos de um ato criminoso", declarou a ministra da Comunicação Social, Helena Chagas.
Dois remetentes, no entanto, identificaram no lote de "Douglas" mensagens que realmente haviam enviado para Dilma em 2010.
Numa, de 7 de outubro, o jornalista Kennedy Alencar, que na época era repórter especial da Folha, pedia que a candidata confirmasse sua presença no debate presidencial que o jornal organizaria dali a dez dias. Kennedy, que hoje trabalha na Rede TV!, participou da organização do evento e foi o apresentador do debate.
Na outra, o padre e cantor Fábio de Melo desejava boa sorte a Dilma na véspera do segundo turno da eleição, "dia histórico". Ele confirmou ontem à Folha que mandou a Dilma um e-mail com esse espírito na época, embora não se lembrasse com exatidão da mensagem.
"Douglas" disse que também violou o e-mail do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O petista, que está na Europa, disse que detectou a invasão de sua caixa postal no UOL e mandou registrar a ocorrência na polícia.
Dos e-mails que o hacker disse ter extraído de Dirceu, a Folha pôde ver dois. O ex-ministro disse que o conteúdo "fazia sentido" -uma conversa com o escritor Paulo Coelho, seu amigo, sobre um possível encontro na Europa-, mas não reconhecia "aqueles específicos".
Dirceu disse que seu e-mail pessoal foi invadido por volta das 2h da manhã da última segunda. Segundo ele, sua senha teria sido alterada após telefonema de uma pessoa ao serviço de atendimento ao usuário do UOL.
Segundo Dirceu, essa pessoa disse que perdera a senha e precisava recuperá-la e, para isso, teria fornecido dados pessoais do ex-ministro. O ex-ministro disse que, após procurar o UOL, conseguiu reaver o controle de sua caixa postal.
Casino contra-ataca e compra US$ 1 bi em ações do Pão de Açúcar Sócio francês passa a deter mais que o dobro das ações de Abilio Diniz na varejista brasileira
Advogado do Casino diz que plano entre Abilio, Carrefour, BTG e BNDES para fusão é "golpe de Estado corporativo"
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO
Para fazer frente ao que chamou de "golpe de Estado corporativo", o grupo francês Casino, sócio de Abilio Diniz no comando do Pão de Açúcar, comprou em Bolsa nos últimos dias mais US$ 1 bilhão em ações da rede varejista brasileira e passou a deter mais que o dobro da fatia do empresário na empresa.
A aquisição foi anunciada um dia após Abilio comunicar ao mercado que obteve dinheiro do BNDES e do banco BTG Pactual para levar adiante plano de fusão com o Carrefour no país.
Com a compra de ações, o Casino eleva sua participação de 37% para 43,1% no capital total do grupo Pão de Açúcar, enquanto Abilio se mantém com 21% das ações.
A posição acionária do Casino no Pão de Açúcar se torna tão elevada que, mesmo se a fusão com o Carrefour sair, ele poderá ter influência decisiva na nova empresa.
No desenho original, o Casino teria papel menor que o de Abillio e o do Carrefour.
"GOLPE DE ESTADO"
O advogado José Carlos Dias, contratado pelo Casino para defendê-lo em eventuais ações criminais, disse à Folha que o plano que Abilio costurou com o Carrefour, o BTG Pactual e o BNDES equivale "a um golpe de Estado".
"Não se pode aceitar o que eu chamo de golpe de Estado corporativo. Fizeram um acordo secreto e estão usando o BNDES para pressionar os franceses", afirma o criminalista, que foi ministro da Justiça no governo de FHC.
Para ele, seria vexaminoso e humilhante para a imagem do Brasil a noção de que o país não respeita contratos.
O acordo de acionistas assinado em 2005 entre Abilio e Casino previa que o grupo francês passaria a controlar o Pão de Açúcar em 2012.
O plano apresentado por Abilio, BTG e BNDES não inclui o Casino na direção dos negócios a partir de 2012.
O advogado diz que não dá para entender as razões que levaram o BNDES a se dispor a investir R$ 3,9 bilhões num negócio que não tem nada a ver com política industrial, seu suposto foco.
A assessoria jurídica da Estáter, que fez o plano de fusão, diz que a acusação de "golpe de Estado" é infundada por duas razões:
1) o acordo de acionistas do Pão de Açúcar com o Casino não proíbe nenhuma das partes de negociar com outros parceiros; 2) a proposta de fusão apresentada anteontem não viola o acordo de acionistas porque precisa ser aprovada pelos órgãos corporativos das empresas.
Romário nega aproximação com a CBF e diz que vai processar jornal
Do UOL Esporte
Em São Paulo
Deputado federal Romário defende que Ricardo Teixeira se explique sobre acusação de corrupção
Romário não gostou de ter seu nome envolvido com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O deputado federal disse que vai processar o jornal O Estado de São Paulo por publicar uma matériadizendo que ele estaria se reaproximando da entidade e reafirmou que ainda aguarda explicações do presidente Ricardo Teixeira sobre denúncias de corrupção.
Segundo o periódico, o ex-jogador ‘teria sido atendido em alguma reivindicação’ e, por isso, a relação teria melhorado. A matéria diz ainda que Romário vem conversando com o diretor de comunicação Rodrigo Paiva regularmente por telefone.
Em comunicado oficial no site do PSB, partido do deputado, Romário chamou a versão do jornal de “fantasiosa”. Ele ainda explicou que é amigo de Rodrigo Paiva desde 1995, quando voltou a defender o Flamengo, e disse que vinha falando com o dirigente para saber quantos gols ele e Pelé haviam marcado.
“Nossa relação (com Paiva) independe de minhas ações como deputado federal. Nunca tocamos no assunto CBF. Como eu sempre digo, na política existem pessoas do mal e pessoas do bem, no jornalismo é a mesma coisa”, dizia a nota.
WikiLeaks revela preocupação do Vaticano com o crescimento dos evangélicos no Brasil
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
O papa Bento 16 é aplaudido por fieis ao chegar à Basílica de Aparecida, em São Paulo, durante sua primeira visita ao Brasil em maio de 2007
Documento obtido pelo WikiLeaks e divulgados nesta quarta-feira mostram que, na época da visita do papa Bento 16 ao Brasil, em 2007, o Vaticano estava preocupado com o crescimento dos evangélicos no país e recebeu críticas do monsenhor brasileiro Stefano Migliorelli, que questionou sobre a falta de padres na América Latina.
O telegrama enviado a Washington em 6 de maio de 2007 relata conversas entre diversos membros do Vaticano e o ex-embaixador americano Francis Rooney, um empresário republicano do ramo de construção e um dos maiores doadores de campanha do ex-presidente americano George W Bush.
O diplomata americano faz um comparativo entre a primeira viagem de João Paulo 2º ao Brasil em 1980, quando os católicos representavam 89% da população e o censo de 2000, quando o número de católicos era de 74%.
“A cada ano, milhões de católicos latino-americanos deixam suas igrejas para se juntar a congregações evangélicas incentivados pelos pastores destes novos rebanhos”, disse Rooney.
Ainda segundo ele, de acordo com uma análise, enquanto a Igreja Católica concentra-se em “salvar almas”, muitas igrejas evangélicas fazem o possível apenas para matar a sede latino-americana para o misticismo.
Sem revelar fontes, o documento diz que João Paulo 2º descreveu as atividades evangélicas como “sinistras” e que uma das principais tarefas de Bento 16 seria despertar a comunidade católica e encorajar a resistência ao que o papa anterior teria chamado de “caçada por seitas”.
Já Migliorelli, na época chefe da seção brasileira da Secretaria de Estado do Vaticano, reclamou ao diplomata americano sobre o fato de a América Latina não ser uma região prioritária para a Igreja Católica.
Para Migliorelli, o Brasil e a América Latina seriam como “território de missão” -- terras que não foram expostas “de maneira consistente” à fé católica. “Temos que ver isso como uma evangelização -- começando do zero”, disse Migliorelli.
O monsenhor ainda criticou a quantidade e a qualidade do clero latinoamericano.
“A falta de padres em grande parte da América Latina é muito pior do que nos Estados Unidos”, disse. Migliorelli disse também que “o nível de educação dos padres é muito baixo e que muitas vezes eles não aderem aos padrões de disciplina clerical (celibato, ofertas de sacramentos etc)”.
Em um tópico chamado de “A ameaça da teologia da libertação”, o diplomata americano comenta que o papa João Paulo 2º teria feito grandes esforços para acabar com “esta análise marxista da luta de classes” promovida “por um número significativo de clérigos e católicos leigos que, por vezes, em nome de um compromisso político sancionou a violência em nome do povo”.
Migliorelli comentou que o Vaticano não pretendia tocar no tema durante a visita do papa. O documento prossegue: “A chave é simplesmente que o clero seja treinado mais efetivamente para explicar a posição da Igreja para o povo, ele concluiu”.
Segundo o diplomata, João Paulo 2º combateu com a ajuda de Bento 16 a teologia da libertação mas, nos últimos anos, ela estaria ressurgindo em várias partes da América Latina. *Com informações da Agência Pública
Wikileaks: Serra pediu ajuda dos EUA contra o PCC quando era governador
Assim que assumiu o poder como governador de São Paulo, em janeiro de 2007, José Serra (PSDB) foi procurar o embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford M. Sobel para pedir orientações sobre como lidar com ataques terroristas nas redes de metrô e trens, atribuídos por membros do governo paulista ao PCC (Primeiro Comando da Capital). O encontro foi o primeiro de uma série em que, como governador buscou parcerias na área de segurança pública, negociando diretamente com o Consulado Geral dos EUA sem comunicar ao governo federal. As informações são da Agência Pública.
José Cruz/Abr (06/04/2011) Wikileaks: Serra perguntou se os EUA poderiam treinar funcionários do metrô contra ataques a bomba
As informações constam em documentos da diplomacia norte-americana vazados pelo Wikileaks. Os despachos, classificados como "sensíveis" pelo consulado, também revelam a preocupação do então governador com o poder do PCC nas prisões. Após tomar posse como governador, a primeira reunião de Serra com representantes norte-americanos, realizada em 10 de janeiro de 2007, é descrita em detalhes em um relatório no dia 17.
Na conversa, que durou mais de uma hora, Serra apontou a segurança pública como prioridade de seu governo, em especial na malha de transporte público, disse que o Estado “precisava mais de tecnologia do que de dinheiro” para combater o crime e indagou sobre a possibilidade de o DHS (Departament of Homeland Security) treinar o pessoal da rede de metrô e trens metropolitanos para enfrentar ataques e ameaças de bombas.
Semanas antes, três bombas haviam explodido, afetando o sistema de trens, conforme noticiado à época. Em 23 de dezembro de 2006, um artefato explodiu próximo da estação Ana Rosa do Metrô. No dia 25, outra bomba foi detonada dentro de um trem da CPTM na estação Itapevi, matando uma pessoa, e uma segunda bomba foi encontrada e levada para um quartel. Em 2 de janeiro de 2007, um sargento da Polícia Militar morreu tentando desarmar o dispositivo.
Segundo o documento diplomático, “membros do governo acreditam que o PCC pode ser o responsável pelos episódios recentes”. O secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, chegou a entregar uma lista com questões sobre procedimentos adotados nos EUA e manifestou interesse em conhecer a rotina de segurança do transporte público das cidades de Nova York e Washington.
Contra todos Onda de ataques de hackers dos grupos LulzSec e Anonymous contra grandes instituições reacende temor de guerra cibernética NELSON DE SÁ ARTICULISTA DA FOLHA
Em 2007, um apagão afetou instalações da Vale. Embora o governo brasileiro negue, o americano afirma que foi resultado de ataque de hackers.
E Richard Clarke, "czar" antiterrorismo dos governos Bush e Clinton, diz que os EUA têm de se preparar para "o que aconteceu no Brasil, onde hackers derrubaram a energia".
O general José Carlos dos Santos, que vai dirigir o CDCiber (Centro de Defesa Cibernética), está lendo "Cyber War" (guerra cibernética), de Clarke.
O livro alerta que, apesar da criação pelos EUA do Comando Cibernético em 2010, um dos modelos para o CDCiber, ele se limita à defesa de redes do governo, deixando sem proteção "o sistema bancário e as redes de transporte e energia".
Embora tenham ocupado manchetes, os ataques do Lulz-Sec e do Anonymous não são a maior preocupação.
Com a descoberta do vírus Stuxnet em 2010, que atingiu o projeto nuclear do Irã e foi creditado a Israel, o risco de guerra cibernética tornou urgentes os projetos de defesa.
Clarke teme ataques chineses. E a China teme os EUA. Suas forças armadas anunciaram que "os militares americanos aceleram a corrida pelo controle militar on-line", exigindo que Pequim "acelere os passos para criar um forte exército de internet".
Documentos secretos enviados por John Danilovich, ex-embaixador dos EUA no Brasil, revelam uma ácida análise da atuação dos políticos locais
» Ana Maria Campos
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 3/11/04
O diplomata americano serviu em Brasília entre 2004 e 2005: crítica à atuação dos deputados
Um telegrama redigido em 2004 pelo então embaixador norte-americano no Brasil, John Danilovich, revela o olhar da diplomacia dos Estados Unidos sobre a Câmara Legislativa do Distrito Federal: “um refúgio para canalhas”. Parte dos milhares de documentos secretos obtidos pela organização WikiLeaks, a mensagem intitulada “Um trapaceiro a menos na galeria” descreve a crise provocada pela denúncia de assassinato envolvendo Carlos Xavier, cassado naquele ano em votação apertada no plenário da Casa. Ao analisar o cenário político na capital brasileira, Danilovich avalia que a punição a Xavier despertou “nervosismo” em políticos do Distrito Federal. A avaliação é de que muitos encrencados teriam receio de criar um precedente para acusações de crimes e terem o mesmo desfecho do colega.
Enviado ao governo americano, o comunicado é recheado de críticas à atuação da Câmara Legislativa. Para o diplomata, a Casa abriga “meia dúzia de deputados suspeitos de vários crimes” entre 24 integrantes. E analisa a cassação de Xavier com 13 votos, quórum mínimo para a punição: “Toda a questão deixa em dúvida se este é um golpe contra a impunidade, um pequeno passo na direção certa, ou apenas serve para desenhar uma linha: a de que os assassinos, pelo menos, não serão tolerados na Câmara Legislativa”. O telegrama sigiloso foi divulgado ontem pelo site Pública, que iniciou nesta semana uma parceria com o editor do WikiLeaks, Julian Assange, para publicação de documentos de embaixadas americanas relacionados ao Brasil.
Danilovich serviu em Brasília entre 2004 e 2005, mais de cinco anos antes da Operação Caixa de Pandora, que comprometeu ainda mais a imagem da Câmara, pelo envolvimento de vários distritais com suspeitas de recebimento de propinas em troca de aprovação a projetos. No telegrama ao governo americano, o então embaixador faz uma lista de políticos suspeitos de envolvimento em crimes. O deputado distrital Benício Tavares (PMDB), então presidente da Casa, foi um dos citados pela condenação por desvios de recursos da Associação dos Deficientes Físicos de Brasília. O peemedebista ainda não havia sido envolvido no escândalo de prostituição de menores durante pescaria na Amazônia, tampouco na Pandora.
Terra no céu
O diplomata detalha também a suposta participação do ex-deputado Júnior Brunelli — que renunciou ao mandato no ano passado depois de ter sido filmado protagonizando a oração da propina e recebendo dinheiro das mãos de Durval Barbosa. Sobre Brunelli, o embaixador descreve, entre outras coisas, o suposto envolvimento dele em promessas de “venda de pedaços de terra no céu”, como forma de ludibriar fiéis. O ex-deputado Pedro Passos é citado pela diplomacia norte-americana como o “maior predador de terras” do Distrito Federal, de acordo com o que havia apontado a CPI da Grilagem ocorrida na Câmara Legislativa em 1995.
Também foram registrados no telegrama episódios envolvendo os ex-deputados Odilon Aires (PMDB), José Tatico (PTB) e Wigberto Tartuce (PMDB), o Vigão, além do hoje senador Gim Argello (PTB-DF). O embaixador lembra ainda de escândalos contra o ex-senador Luiz Estevão, cassado depois de ter o nome envolvido no desvio de recursos do Fórum Trabalhista de São Paulo.
O embaixador americano afirmou que os eleitores de Brasília têm memória curta. Por isso, José Roberto Arruda teria sido o deputado federal com maior votação da história do DF mesmo depois de ter renunciado ao mandato de senador um ano antes da eleição, em 2002.
Além dos casos de corrupção, Danilovich destaca a baixa qualidade dos trabalhos na Câmara Legislativa. Cita grande quantidade de leis inconstitucionais e fala de forma irônica sobre debates que despertaram a atenção de distritais durante meses, como a criação de banheiros para homossexuais e a implantação de uma lagoa de pesca para desempregados buscarem o jantar. Também detalha o debate sobre o animal símbolo da capital. Ele afirma que o lobo-guará foi escolhido depois que o pirá-brasília foi descartado em virtude da descoberta de que a espécie seria hermafrodita.
As autoridades em Washington souberam também que a grilagem de terras é comum na capital do país.Para o diplomata, a grilagem é o crime mais antigo do Distrito Federal.
A exploração de terras públicas, seria, na visão do embaixador, um meio de enriquecimento ilícito fácil. “Durante décadas, os burocratas espertos, políticos e construtores têm encontrado maneiras engenhosas para manipular os processos de titulação e zoneamento para ganhos pessoais. Com seus enormes lucros e baixo risco, fraudes de terra são o coração da maioria dos escândalos de Brasília e a base para as fortunas pessoais de muitos políticos locais”, avalia Danilovich. O Correio tentou contato ontem com a Embaixada dos Estados Unidos, para um pronunciamento oficial. A assessoria informou que não comenta vazamento de documentos secretos pelo WikiLeaks.
Informações sigilosas
WikiLeaks é uma organização dedicada à divulgação de notícias e informações que tem como fundador o jornalista australiano Julian Assange. A entidade teve a acesso a milhares de documentos sigilosos do governo dos Estados Unidos que revelaram bastidores e segredos de relações diplomáticas. A divulgação dos documentos secretos provoca uma grande controvérsia. O site comandado por Assange já abrigou mais de um milhão de documentos e alimentou reportagens de grandes jornais do mundo inteiro.
Em seis meses de governo, uma negociação com as teles levará a internet ao andar de baixo
O GOVERNO DESATOU o nó da expansão do acesso à internet de banda larga em todos os municípios brasileiros. No anedotário de Brasília, essa iniciativa era conhecida como "Xodó 2.0" de Dilma Rousseff. É boa notícia para ninguém botar defeito. Depois de uma negociação com as operadoras, chegou-se a um acordo pelo qual até 2014 todas as cidades brasileiras terão conexões rápidas. Cumprida a meta, será uma das joias da coroa do atual governo. O serviço, com 1 megabyte de velocidade, custará R$ 35 por mês, ou R$ 29, caso os governos estaduais abram mão da cobrança do ICMS.
A internet brasileira vive num estado de apagão geográfico, social e econômico. De cada quatro municípios, um não tem conexão de cabo. Ela só atende a 27% dos domicílios e, quando o faz, a ligação custa na média R$ 48 por mês, segundo o sindicato das operadoras. Há pelo menos seis anos o governo tentava expandir essa rede, mostrando que ela traça uma linha de exclusão, deixando de fora regiões, bairros e domicílios do andar de baixo.
Embrulhadas na bandeira da infalibilidade do mercado, as operadoras diziam que não havia como investir onde não há retorno. Para resolver esse problema, queriam avançar sobre uma parte dos R$ 9 bilhões entesourados pelo Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações.
Enquanto o governo aceitou passivamente as leis da privataria, o apagão persistiu. Repentinamente, mudou-se a conversa. Se a iniciativa privada não podia fazer o serviço, a Telebrás voltaria ao mercado, fazendo-o. Mais: havia empresas estrangeiras interessadas no negócio. Nesse cenário, as teles ficariam no pior dos mundos, carregando a urucubaca da ineficiência produzida pela ganância. Fez-se um acordo e todo mundo ganha, sobretudo o brasileiro que não tem acesso ao serviço.
Quando o governo faz seu serviço, as coisas acontecem. Em 1995, a Embratel estatal tinha o monopólio do acesso à internet. Havia 30 mil pessoas na fila, e os teletecas prometiam zerá-la no ano seguinte. Era o tempo das estatais que faziam o que bem entendiam. O tucano Sérgio Motta jogou detergente no dilema, liberou o mercado e a rede aconteceu. Passaram-se 11 anos e a situação inverteu-se: as concessionárias privadas fazem o que bem entendem, mas, no caso da banda larga, a ação do Estado induziu-as a mudar seus costumes. Ficam na fila os concessionários de energia elétrica e de transportes.
A conexão de R$ 35 não chegará de uma vez e pode-se temer que venha com velocidades inferiores ao megabyte prometido. (Quem quiser mais velocidade continuará pagando caro, mas esse limite dá para o gasto de um usuário médio.) O que parece ser um problema será uma solução, pois a patuleia ganhará o direito de cobrar. Se a rede não chegar a um bairro ou a um município, o governo ficará na posição de ter feito propaganda enganosa. Se chegar, mas for lenta, a operadora terá que se explicar.
O mais importante está feito: pelas regras do jogo, o brasileiro terá acesso à banda larga, sem estar amaldiçoado por ter pouca renda ou por viver numa localidade pobre. Hoje há 14 milhões de pontos de banda larga no país. Se eles chegarem a 20 milhões, o Brasil encostará nos números franceses de 2009.
"Nosso manequim é conservador", diz senador do DEM DE SÃO PAULO - O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), defendeu em entrevista à TV Folha que seu partido deveria assumir um "manequim conservador" para se recuperar da perda de filiados para o PSD. "O rótulo "direita" ficou agregado a alguns monstros do passado que nada têm a ver com a direita democrática", afirmou. Ele defendeu que seu partido tente impedir, na Justiça, a criação do PSD, do prefeito Gilberto Kassab.
Folha transparência STJ nega liminar à Folha em ação sobre a publicidade oficial
DE SÃO PAULO - O Superior Tribunal de Justiça negou à Folha liminar em processo contra a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) no qual o jornal pede informações detalhadas sobre a publicidade estatal federal.
Segundo o ministro do STJ Arnaldo Esteves Lima, o pedido do jornal não pode ser atendido em caráter liminar.
A Folha requereu em março uma relação de todas as empresas de mídia que veicularam propaganda estatal nos últimos dez anos, período para o qual há estatísticas confiáveis. Foram pedidos os nomes dos veículos e quanto cada um recebeu de verba publicitária.
A Secom, por meio da ministra Helena Chagas, atendeu parcialmente ao pedido. Forneceu dados globais, mas não quem de fato recebeu dinheiro. A União diz que revelar os dados afetaria as negociações de preços com os veículos.
A Folha argumenta que "a contratação com o Poder Público deve ocorrer via processo licitatório" e cita trechos da Constituição que garantem o acesso a dados públicos.
- Veja o que as montadoras falam (e o que não falam) sobre o assunto
- O Lucro Brasil não fica só na montadora, mas em toda a cadeia produtiva
A ACARA, Associacion de Concessionários de Automotores De La Republica Argentina, divulgou no congresso dos distribuidores dos Estados Unidos (N.A.D.A), em São Francisco, em fevereiro deste ano, os valores comercializados do Corolla em três países:
No Brasil o carro custa US$ 37.636,00, na Argentina US$ 21.658,00 e nos EUA US$ 15.450,00.
Outro exemplo de causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse carro custa R$ 65,7 mil.
Por que essa diferença? Vários dirigentes foram ouvidos com o objetivo de esclarecer o “fenômeno”. Alguns “explicaram”, mas não justificaram. Outros se negaram a falar do assunto.
Quer mais? O Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui custa R$ 46 mil.
O Corolla não é exceção. O Kia Soul, fabricado na Coréia, custa US$ 18 mil no Paraguai e US$ 33 mil no Brasil. Não há imposto que justifique tamanha diferença de preço.
A Volkswagen não explica a diferença de preço entre os dois países. Solicitada pela reportagem, enviou o seguinte comunicado:
“As principais razões para a diferença de preços do veículo no Chile e no Brasil podem ser atribuídas à diferença tributária e tarifária entre os dois países e também à variação cambial”.
Questionada, a empresa enviou nova explicação:
“As condições relacionadas aos contratos de exportação são temas estratégicos e abordados exclusivamente entre as partes envolvidas”.
Nenhum dirigente contesta o fato de o carro brasileiro ser caro. Mas o assunto é tão evitado que até mesmo consultores independentes não arriscam a falar, como o nosso entrevistado, um ex-executivo de uma grande montadora, hoje sócio de uma consultoria, e que pediu para não ser identificado.
Ele explicou que no segmento B do mercado, onde estão os carros de entrada, Corsa, Palio, Fiesta, Gol, a margem de lucro não é tão grande, porque as fábricas ganham no volume de venda e na lealdade à marca. Mas nos segmentos superiores o lucro é bem maior.
O que faz a fábrica ter um lucro maior no Brasil do que no México, segundo consultor, é o fato do México ter um “mercado mais competitivo” (?).
Um dirigente da Honda, ouvido em off, responsabilizou o “drawback”, para explicar a diferença de preço do City vendido no Brasil e no México. O “drawback” é a devolução do imposto cobrado pelo Brasil na importação de peças e componentes importados para a produção do carro. Quando esse carro é exportado, o imposto que incidiu sobre esses componentes é devolvido, de forma que o “valor base” de exportação é menor do que o custo industrial, isto é: o City é exportado para o México por um valor menor do que os R$ 20,3 mil. Mas quanto é o valor dos impostos das peças importadas usadas no City feito em Sumaré? A fonte da Honda não responde, assim como outros dirigentes da indústria se negam a falar do assunto.
Mas quanto poderá ser o custo dos equipamentos importados no City? Com certeza é menor do que a diferença de preço entre o carro vendido no Brasil e no México (R$ 15 mil).
A conta não bate e as montadoras não ajudam a resolver a equação. Apesar da grande concorrência, nenhuma das montadoras ousa baixar os preços dos seus produtos. Uma vez estabelecido, ninguém quer abrir mão do apetitoso “Lucro Brasil”.
Ouvido pela AutoInforme, quando esteve em visita a Manaus, o presidente mundial da Honda, Takanobu Ito, respondeu que, retirando os impostos, o preço do carro no Brasil é mais caro que em outros países porque “aqui se pratica um preço mais próximo da realidade. Lá fora é mais sacrificado vender automóveis”.
Ele disse que o fator câmbio pesa na composição do preço do carro no Brasil, mas lembrou que o que conta é o valor percebido. “O que vale é o preço que o mercado paga”.
E porque o consumidor brasileiro paga mais do que os outros?
“Eu também queria entender – respondeu Takanobu Ito – a verdade é que o Brasil tem um custo de vida muito alto. Até os sanduíches do McDonalds aqui são os mais caros do mundo”.
“Se a moeda for o Big Mac – confirmou Sérgio Habib, que foi presidente da Citroën e hoje é importador da chinesa JAC - o custo de vida do brasileiro é o mais caro do mundo. O sanduíche custa US$ 3,60 lá e R$ 14,00 aqui”. Sérgio Habib investigou o mercado chinês durante um ano e meio à procura por uma marca que pudesse representar no Brasil. E descobriu que o governo chinês não dá subsídio à indústria automobilística; que o salário dos engenheiros e dos operários chineses não são menores do que os dos brasileiros.
“Tem muita coisa errada no Brasil – disse Habib, não é só o preço do carro que é caro. Um galpão na China custa R$ 400,00 o metro quadrado, no Brasil custa R$ 1,2 mil. O frete de Xangai e Pequim custa US$ 160,00 e de São Paulo a Salvador R$ 1,8 mil”.
Para o presidente da PSA Peugeot Citroën, Carlos Gomes, os preços dos carros no Brasil são determinados pela Fiat e pela Volkswagen. “As demais montadoras seguem o patamar traçado pelas líderes, donas dos maiores volumes de venda e referência do mercado”, disse.
Fazendo uma comparação grosseira, ele citou o mercado da moda, talvez o que mais dita preço e o que mais distorce a relação custo e preço:
“Me diga, por que a Louis Vuitton deveria baixar os preços das suas bolsas?”, questionou.
Ele se refere ao “valor percebido” pelo cliente. É isso que vale.
“O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.
“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.
Amanhã a terceira e última parte da reportagem especial LUCRO BRASIL: “Quando um carro não tem concorrente direto, a montadora joga o preço lá pra cima. Se colar, colou”.
Marina traça roteiro para deixar PV e criar partido
Decisão deve ser divulgada semana que vem; meta é lançar sigla para 2014
Ex-senadora planeja assembleia para dar caráter coletivo a saída; rival no PV diz que ela poderia ser vereadora
BERNARDO MELLO FRANCO DE SÃO PAULO
Depois de três meses de queda de braço com a cúpula do PV, a ex-senadora Marina Silva, terceira colocada na eleição presidencial de 2010, deve anunciar na próxima semana sua saída do partido.
Ela planeja reunir verdes e simpatizantes num movimento político baseado na internet antes de articular a criação de outra sigla para disputar o Planalto em 2014.
A ideia é divulgar a decisão no dia 6, em ato público em São Paulo ou Brasília.
Marina comunicou o roteiro anteontem à noite, em reunião com verdes no apartamento do ex-deputado Fernando Gabeira, no Rio.
Ela viaja nesta quinta-feira para encontro do PV alemão, onde buscará respaldo internacional ao novo projeto.
Na volta, terá as últimas conversas com aliados até o ato, em formato de assembleia, onde os "marineiros" devem referendar sua decisão em votação simbólica.
O script repete o segundo turno de 2010, quando ela se negou a apoiar Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) e promoveu uma plenária para dar caráter coletivo à sua opção pela neutralidade.
Marina disse a aliados que perdeu a esperança num recuo do presidente do PV, deputado José Luiz Penna (SP), com quem disputava desde março o comando do partido.
"Infelizmente, não houve qualquer indicação de que o PV aceitaria as condições mínimas para a nossa permanência", afirmou o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ).
"Marina representa um movimento maior que o PV ou qualquer sigla. Este movimento vai continuar", disse Sérgio Xavier, ex-candidato ao governo de Pernambuco.
Ao sair da reunião, a ex-senadora, que trocou o PT pelo PV em agosto de 2009, disse apenas que anunciará a decisão na próxima semana.
Os "marineiros" concluíram que não teriam tempo hábil para registrar um partido a tempo de disputar as eleições municipais de 2012. Por isso devem organizar o movimento na internet antes de iniciar a coleta de assinaturas para fundar uma sigla.
"É uma situação lamentável. No futuro, quem estudar este processo não conseguirá entender como chegamos a este ponto", desabafa Xavier.
O grupo ainda estuda como se blindar contra a possibilidade de o PV tentar reaver na Justiça os mandatos de dissidentes, como Sirkis.
Em bate-papo virtual, Penna chamou a rebelião de "blá-blá-blá da imprensa" e disse que Marina, que sonha com o Planalto, poderia ser vereadora em São Paulo.
"Se ela for candidata, puxa mais uns dois, e nós vamos chegar a seis [vereadores do PV]. Vai ser bom."
OS POLÍTICOS DO PSDB NÃO TÊM PROPOSTA ALGUMA PARA O PAÍS , SÃO UM BANDO DE COMPLEXADOS QUE TIVERAM OITO ANOS NO GOVERNO E SÓ CONSEGUIRAM ATRASAR A NAÇÃO BRASILEIRA. TENTARAM VENDER TODO O NOSSO PATRIMÔNIO E AINDA FINANCIARAM A COMPRA PELO BNDES. EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA NÃO TÊM E NUNCA TIVERAM O MENOR INTERESSE , ATÉ PORQUE LHES FALTA COMPETÊNCIA. O MESMO SENADOR ÁLVARO DIAS , FAZ O PAPEL DE INQUIRIDOR , NÃO LHE INTERESSANDO A RESPOSTA DO INQUIRIDO E SIM A SUA PRÉVIA CONDENAÇÃO. ELE SE INSPIRA NA INQUISIÇÃO ESPANHOLA ONDE APÓS UMA LONGA DEFESA DO ACUSADO ELE IA DIRETO PARA A FOGUEIRA. O PSDB ACOLHE ESSA GENTE PORQUE ESTÁ EM SEU DNA A MENTIRA E A INCOMPETÊNCIA , TUDO DEVIDAMENTE APOIADO PELA IMPRENSA CORRUPTA , GOLPISTA , ULTRA RACISTA E SEXISTA BRASILEIRA.
Petrobras anuncia "principal descoberta" no pré-sal da Bacia de Campos
Do UOL Economia, em São Paulo
A Petrobras (PETR3 e PETR4) anunciou hoje em seu site o que chamou de "principal descoberta" no pré-sal da Bacia de Campos (o pré-sal é uma região profunda de exploração de petróleo).
Segundo a estatal, foram descobertos "dois níveis de petróleo de boa qualidade no poço exploratório informalmente conhecido como Gávea". Os estudos foram feitos por um consórcio formado por Petrobras, Repsol Sinopec e Statoil.
"Esta descoberta é a principal realizada no pré-sal da Bacia de Campos", diz nota no site da Petrobras.
O poço, localizado a 190 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, foi perfurado pelo navio sonda de última geração Stena Drillmax I, em águas de 2.708 metros e atingiu a profundidade final de 6.851 metros, disse a Petrobras.
O consórcio está analisando os resultados obtidos no poço, antes de continuar com o processo de exploração e avaliação da área.
O consórcio tem participação de 35% da Repsol Sinopec, mais 35% da Statoil e os restantes 30% da Petrobras.
As autoridades brasileiras foram informadas da existência de indícios de hidrocarbonetos no poço exploratório Gávea em março de 2011, para o primeiro nível, e em abril do mesmo ano, para o segundo nível.
A Repsol Sinopec é a companhia estrangeira líder em direitos de exploração nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, participando em 16 blocos, dos quais é operadora em seis.
CONFESSO QUE JÁ ESTOU CANSADO , FAÇO 65 ANOS EM OUTUBRO , SE DEUS QUISER , E TENHO PENSADO EM PARAR COM O BLOG , MAS AO LER A ELIANE CANTANHÊDE ESSA VONTADE FICA ABALADA.
BRASÍLIA - O Brasil era o país mais forte, mas a Espanha tinha o melhor candidato. E quem ganhou foi o brasileiro José Graziano, eleito no domingo diretor-geral da FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura, encerrando o longo jejum de vitórias para organismos internacionais da era Lula.
O Brasil foi derrotado para a direção-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), a chefia da Corte de Apelação da OMC, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a Unesco, órgão da ONU para educação, ciência e cultura. Neste caso, abriu mão de candidato próprio em favor de um egípcio esquisitão -que perdeu.
Por isso, Dilma jogou tudo na eleição de Graziano. Patriota se empenhou pessoalmente, Marco Aurélio Garcia acionou sua rede de contatos, as embaixadas se envolveram, a Agricultura se mexeu, a ministra do Meio Ambiente foi despachada para cabalar votos numa reunião na África. E Lula não foi à votação em Roma, para não levar tomatada pelo caso Battisti e atrapalhar mais do que ajudar.
Com tudo isso, o resultado foi de final de basquete: 92 para Graziano, 88 para Miguel Ángel Moratinos, ex-chanceler da Espanha.
Por que o Brasil era o mais forte? Porque Lula investiu pesado na inclusão de milhões de pessoas e internacionalizou a bandeira do combate à fome e à miséria.
E por que Graziano não era o melhor candidato? Porque, na prática, o Fome Zero nunca existiu. Era um título bonito, uma peça de marketing, um embrulho vazio. Tanto que virou sucesso internacional, mas mero selinho no canto do real programa de distribuição de renda, o Bolsa Família, filho direto do Bolsa Escola do governo anterior.
Graziano é até bom sujeito, mas o cargo e o momento mereciam um Josué de Castro, presidente do conselho da FAO nos anos 1950 que morreu no exílio em plena ditadura militar. Esse, sim, passou a vida dedicado ao combate à fome.
RIO DE JANEIRO - Este era o nome do jornal que o Tenório Cavalcanti (1906-87), deputado, homem da capa preta e pistoleiro nas horas vagas, publicou durante vários anos.
Sua peça de resistência era o crime em geral; dizia-se que ao se espremer o jornal, jorrava sangue de suas páginas.
Além disso, era famoso por suas manchetes, inclusive esta, sobre um casamento em Duque de Caxias (RJ), feudo do próprio Tenório: "Pau comeu na noite de núpcias".
Ainda há por aí jornais que se dedicam ao crime, pois há uma espécie de convicção segundo a qual o sangue vende mais do que o esporte e tudo o mais.
A verdade é que os jornais sérios, comprometidos com valores mais altos, dedicam ao crime o peso que merece, mas não ao ponto de jorrar sangue de suas páginas.
Pergunto: se espremermos os jornais de hoje, o que jorrará de suas páginas? Acredito que será a corrupção e sua consequência mais visível: o escândalo.
No jornal do Tenório não se inventava nada, os crimes aconteciam com a regularidade dos cometas e dos eclipses.
Não havia espaço para as fontes, para os dossiês. A adúltera assassinada pelo marido era adúltera mesmo, o marido era, de fato, ébrio contumaz.
Com a corrupção, com o escândalo político e econômico, não há tal e tamanha transparência, tudo se dilui, tudo entra em desconstrução, editorialistas e colunistas se esbofam cobrando punições ou reparações, todos cultivam suas fontes capazes de ampliar ou minimizar o problema.
Tirante a previsão do tempo e a cotação do dólar, o que jorra da maioria de suas páginas são as agruras dos partidos, dos cargos, das verbas, dos documentos que confirmam ou negam uma tramoia passada. Ou uma tramoia futura, em gestação nos complicados escaninhos da vida pública nacional.
SÃO PAULO - Sarney contra o sigilo dos orçamentos das obras da Copa e da Olimpíada? Logo ele, o guardião dos atos secretos do Senado? Parecia mesmo muito estranho.
A confusão está desfeita e as coisas voltaram aos padrões brasilienses de normalidade. Sarney recuou ontem das críticas que havia esboçado à medida provisória do governo. Não era uma questão de princípio, mas um mal-entendido. Tudo sanado depois de conversas esclarecedoras da cúpula do PMDB com Ideli Salvatti, a ministra do balcão.
Para que, afinal, insistir em encenar esse teatro da transparência, simular preocupação com a lisura do processo de licitação ou zelo pelo destino do dinheiro público? Para que tudo isso, quando se sabe que o governo -premido pelo pânico do fiasco em 2014- decidiu a apagar a luz e abrir no escuro a temporada de caça aos negócios?
Sarney, num primeiro momento, vislumbrou aí uma oportunidade para fazer média com a opinião pública -como se ensaiasse um contraponto ao seu extenso currículo, em especial ao escândalo de 2009, quando vieram à tona centenas de atos secretos pelos quais o Senado havia nomeado parentes e amigos de parlamentares, criado cargos e aumentado salários, tudo na moita.
O recuo de Sarney se deu antes que o governo admitisse alterar pontos do RDC (Regime Diferenciado de Contratação), ontem à noite. De acordo com as mudanças, os órgãos de fiscalização passariam a ter acesso permanente aos custos das obras e, além disso, haveria divulgação imediata dos orçamentos após os lances das empreiteiras. Se isso se confirmar, a margem para a picaretagem terá sido reduzida.
"O governo me assegurou que vai abrir aquilo tudo que acharmos necessário", disse Sarney. Se ele está tão tranquilo, temos uma razão a mais para não ficar.
O Senado tem até 14 de julho para analisar a MP, depois disso ela perde a validade. A data é simbólica. Nesse dia, a França estará comemorando o advento da República.
Capital puxa queda de homicídios no Estado Na cidade, homicídios intencionais caíram 21,15% em maio deste ano
Roubos seguidos de morte, porém, subiram de 119 casos nos cinco primeiros meses de 2010 para 141 neste ano
EVANDRO SPINELLI
ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO
A taxa de homicídios no Estado de São Paulo chegou no mês de maio ao seu menor nível nos últimos 15 anos, com 9,77 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.
Segundo as estatísticas oficiais da Secretaria da Segurança Pública, em maio foram registrados 337 homicídios no Estado, uma queda de 7,92% em relação ao mesmo período do ano passado.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera situação de epidemia um índice acima de 10 crimes para cada 100 mil moradores.
É a 14ª queda consecutiva no índice de homicídios, sempre na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Não é correto comparar com o mês imediatamente anterior (maio com abril, por exemplo), porque a criminalidade é sazonal.
A queda dos homicídios dolosos em São Paulo foi puxada, principalmente, pela redução de ocorrências desse crime na capital, que teve 82 registros de assassinatos em maio, decréscimo de 21,15%.
A taxa da cidade de São Paulo chega a 9,57 crimes por 100 mil habitantes.
A divulgação mensal das estatísticas começou em abril deste ano, após a Folha revelar que o então responsável pelas informações, o sociólogo Túlio Kahn, impedia sua divulgação alegando sigilo, mas negociava os mesmos dados com empresas e entidades privadas.
LATROCÍNIO
Os dados do mês de maio revelam, por outro lado, um crescimento de quase 20% no número mortes ocorridas durante assaltos.
Segundo as estatísticas oficiais, os latrocínios pularam de 119 casos nos primeiros cinco meses de 2010 para 141 casos no acumulado deste ano, em igual período.
Esse é um tipo de crime considerado pela polícia um dos mais difíceis de combater porque não são, em regra, planejados pelo bandido.
São fruto, na maioria das vezes, da reação da própria vítima durante um roubo. Essa reação pode ser até o susto que a vítima leva na hora.
"Sabemos que é um paradoxo a vítima ter que manter a calma quando está sendo assaltada, mas temos que pedir isso", disse o delegado-geral Marcos Carneiro Lima.
Esse crescimento dos latrocínios se deu mesmo com uma estabilidade no número de roubos em geral. Foram 821 registros nesses cinco meses de 2011, contra 822 do igual período de 2010.
Outras modalidades de crime que também cresceram foram os furtos e roubos a veículos. Os furtos (quando não há violência) cresceram 8,77% e os roubos (quando há ameaça), 10,16%.
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